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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Diferença em cobra, serpente e víbora

Pode-se dizer que todas as cobras são serpentes, mas nem todas as serpentes são cobras. Entenda melhor


Para quem não sabe, existe diferença entre cobra, serpente e víbora. No entanto, é muito comum as pessoas usarem como sinônimos essas palavras no Brasil. Aliás, cobra, serpente e víbora possuem significados distintos. Para saber como distinguir cada uma delas, leia esse artigo.
Aqui você vai entender um pouco mais sobre cada um desses termos.Também vai descobrir quais são as principais características de cobra, serpente e víbora. Além disso, pode conferir o significado de ofidismo.

Cobra, serpente e víbora: qual a diferença?

Cobras

A palavra cobra muitas das vezes é utilizada como sinônimo de serpente, porém, cientificamente a palavra cobra refere-se as serpentes da família Colubridae (colubrídeos). Fato interessante é que a maioria das serpentes fazem parte desta família, havendo cerca de 2000 espécies no mundo.
Dentre as espécies existentes, grande parte delas são cobras inofensivas, de porte médio, ou seja, não são venenosas ou não possuem uma dentição adequada para inocular o veneno.
Uma falsa coral de cor preta, branca e vermelha
Rhinobothryum lentiginosum é o nome científico de uma cobra coral falsa (Foto: Wikipedia)

Podemos chegar ao consenso que todas as cobras são serpentes, mas nem todas as serpentes são cobras. No Brasil, as cobras mais conhecidas são as Simophis rhinostoma e Rhinobothryum lentiginosum, duas espécies de falsa coral; a cobra-cipó (Chironius exoletus) e a caninana (Spilotes pullatus). São as cobras mais numerosas do Brasil em termos de gêneros e espécies.

As cobras são répteis relativamente tranquilos, não são agressivos, fáceis de manusear, reproduzir e de manter em cativeiro. Contudo, alguns gêneros, como a Philodryas, são capazes de causar acidentes nos seres humanos, embora seu veneno seja menos potente que os acidentes causados pelos gêneros Bothrops e Crotalus.

Serpentes

O termo serpente deve ser utilizado quando nos referimos de modo genérico a todos os répteis rastejantes, sem patas, que apresentam o corpo alongado coberto de escamas e são pecilotérmicos.
Sendo assim, as serpentes são animais vertebrados, da classe dos répteis, da ordem squamata e subordem serpentes (ophidia). As serpentes são consideradas animais bem próximos aos lagartos, pois compartilham características em comum. Podemos concluir que as víboras e cobras são um tipo de serpente.
Uma serpente vermelha toda enrolada
Serpente é todo réptil que rasteja sem patas e que possui o corpo coberto por escamas (Foto: depositphotos)
As serpentes possuem escamas revestindo seu corpo para evitar a desidratação e também para proteger contra possíveis impactos ou choques mecânicos. Devido suas características anatômicas, as serpentes conseguem engolir suas presas sem precisar mastigá-las.
Alimentam-se de alguns répteis, aves, peixes e até de mamíferos. Possuem ampla distribuição geográfica, ou seja, são encontradas em quase todas as partes do mundo, exceto em ambientes de clima muito frio. Preferem os climas mais quentes, como o tropical e o equatorial.
Muitas serpentes são peçonhentas e injetam seu veneno através de dentições (presas inoculadoras) especializadas. No Brasil há aproximadamente 70 espécies de serpentes peçonhentas, ou seja, venenosas.
Quando uma pessoa é picada por uma serpente venenosa, os sintomas podem ser imediatos ou não, pois depende da espécie em questão. Fato é que se não tratado corretamente, com soro específico, o indivíduo pode vir a óbito.
Além da dentição específica, as serpentes peçonhentas possuem uma estrutura chamada de fosseta loreal ou lacrimal. A fosseta loreal fica localizada entre a narina e o olho do animal, sendo um órgão termorreceptor que permite a serpente identificar a variação de temperatura ambiental. As fossetas loreais são conectadas diretamente ao encéfalo da serpente, sendo de suma importância para ela detectar a presença de presas ou predadores.

Víboras

As víboras são animais vertebrados, da classe dos répteis, da subclasse lepidosauria, da ordem squamata, da subordem serpentes, da família Viperidae (viperídeos). Pode-se afirmar que as víboras são serpentes do tipo venenosas, com dentição apta para a inoculação de veneno, com formato de cabeça triangular e super ágeis.

Elas possuem grande habilidade em dar o bote em suas presas, sendo assim, são animais muito perigosos. As principais características das víboras são: presença de fosseta loreal, olhos pequenos com as pupilas em formato de fenda vertical, escamas alongadas e ásperas de igual aparência na cabeça e no corpo, cauda curta que afina bruscamente, hábitos noturnos, atacam quando se sentem ameaçadas, são ovovivíparas.
Uma cascavel camuflada na terra
Cascavel é um tipo de víbora encontrada no Brasil (Foto: depositphotos)

As víboras são consideradas os répteis mais venenosos e bem adaptados que existem. As mais conhecidas são: jararaca, cascavel, surucucu, víbora da morte, víbora cornuda, víbora do gabão e víbora de russel. Outro grupo de víboras venenosas são as da família Elapidae, que tem como principal representante a coral verdadeira.

As víboras da família viperidae, como as jararacas, surucucus e cascavéis, são encontradas no Brasil. Porém, algumas poucas espécies estão ameaçadas em extinção, tais como: jararaca de alcatrazes, jararaca ilhoa, jararacuçu tapete, urutu cruzeiro, jararaca verde e cotiara.

No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos é devido a víboras dos gêneros Botrópico (jararaca, urutu e jararacuçu), Crotálico (cascavel), Laquésico (surucucu) e Elapídico (coral verdadeira).
Veja também: Animais peçonhentos

O que fazer se for picado por uma víbora?

  • Procure ajuda médica imediatamente. Os primeiros 30 minutos são essenciais para salvar uma vida
  • Manter-se calmo, evite se mexer absurdamente
  • Se possível, lavar o local da picada com água corrente e sabão
  • Aplicar gelo no local
  • Se possível, identificar o tipo de serpente, seja através de foto ou descrição do animal. Isso será fundamental para a correta administração de soro no paciente.

O que não fazer se for picado por uma víbora?

  • Nunca fazer garrote ou torniquete
  • Nunca cortar ou perfurar o local da picada
  • Nunca colocar folhas de plantas ou ervas, pó de café, pasta de dente ou qualquer outra substância que contamine o local da picada
  • Nunca oferecer ao acidentado qualquer tipo de bebida alcoólica, chá ou remédio
  • Nunca realizar qualquer procedimento que atrase o devido atendimento médico.
Veja também: Sabia que as cobras já tiveram pernas e podem voltar a ter?

Ofidismo

É considerado ofidismo todos os acidentes causados por animais peçonhentos, principalmente pelas serpentes. O ofidismo é considerado um sério problema de saúde pública, principalmente se não for administrada a soroterapia de forma adequada e em tempo hábil.
No Brasil, os principais agentes são as serpentes dos gêneros Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus, que possuem cerca de 60 espécies de grande importância médica. Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem cerca de 19 mil a 22 mil acidentes com serpentes peçonhentas por ano.
O acidente ofídico está relacionado a fatores climáticos e ao aumento da atividade humana nos trabalhos no campo. O público masculino é o mais afetado, entre a faixa etária de 15 a 49 anos. As pernas e os pés são os locais mais atingidos.

Referências

SANDRIN, Maria de Fátima Neves; PUORTO, Giuseppe; NARDI, Roberto. Serpentes e acidentes ofídicos: um estudo sobre erros conceituais em livros didáticos. Investigações em ensino de ciências, v. 10, n. 3, p. 281-298, 2016.

PINHO, F. M. O.; PEREIRA, I. D. Ofidismo. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 47, n. 1, p. 24-29, 2001.

DOS-SANTOS, Maria Cristina et al. Serpentes de interesse médico da Amazônia. UA/SESU, 1995.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Great Barrier Reef saw huge losses from 2016 heatwave


Grande Barreira de Corais viu grandes perdas a 
partir da onda de calor de 2016

One-third of reefs in the world’s largest coral system were transformed by warmed waters, finds comprehensive underwater and aerial survey.

Extreme heat in 2016 damaged Australia’s Great Barrier Reef much more substantially than initial surveys indicated, according to ongoing studies that have tracked the health of the coral treasure. The heatwave caused massive bleaching of the corals that captured worldwide attention.

In a paper published on 18 April in Nature, researchers report1 that severe bleaching on an unprecedented scale triggered mass death of corals. This drastically changed the species composition of almost one-third of the 3,863 individual reefs that comprise the Great Barrier Reef.
The world’s largest coral reef is unlikely to recover soon. The damage is a harbinger of what a warming future might hold for a wealth of tropical reef ecosystems, says lead study author Terry Hughes, director of the coral-reef centre at James Cook University in Townsville, Australia. “If we fail to curb climate change, and global temperatures rise far above 2 °C [above the pre-industrial level], we will lose the benefits they provide to hundreds of millions of people.”

Fatal loss

Hughes and his team of ecologists closely examined the 2,300-kilometre Great Barrier Reef after the 2016 heatwave. Extensive aerial surveys revealed widespread coral bleaching between March and April 2016. This phenomenon occurs when excessive heat kills or expels algae called zooxanthellae, which have a symbiotic relationship with reef-building corals. The algae provide the corals with energy and nutrients from photosynthesis; without them, the corals often die.
But to gauge the full extent of heat damage, Hughes’s team conducted more-comprehensive underwater surveys of coral mortality, both at the peak of the observed bleaching in March and April, and again eight months later.

Many corals — especially those in the northern third of the reef — died immediately from heat stress. Others were killed more slowly, after their algal partners were expelled. The composition of coral assemblages on hundreds of individual reefs changed radically within just a few months of the heatwave. On severely bleached reefs, fast-growing coral species — which have complex shapes that provide important habitats — were replaced by slower-growing groups that shelter fewer sea creatures.
Source: Ref. 1
“The study paints a bleak picture of the sheer extent of coral loss on the Great Barrier Reef,” says Nick Graham, a marine ecologist at Lancaster University, UK. Approximately one-third of the world’s coral reefs were affected by bleaching in 2016. On the Great Barrier Reef, less than 10% of reefs escaped with no bleaching, compared with more than 40% in previous bleaching events.
“It is now critical to understand how governance and local management can maximize recovery between recurrent heatwaves,” Graham says.
Global impact
Tim McClanahan, a conservation zoologist at the Wildlife Conservation Society in Mombasa, Kenya, says the study’s findings might not predict how other reefs will cope with a warmer world. Responses might depend on the corals’ life histories and local environmental conditions. “Global warming will result in more heat-stress events,” he says, but “there is accumulating evidence that corals do acclimate”.
Global coral bleaching had been observed just twice, in 1998 and 2002, before the extreme 2016 incident. Coral colonies can recover from such events, especially given that the species most susceptible to dying from heat stress are among the fastest-growing corals. But harmful warming events are occurring more frequently, and scientists think that full recovery is becoming increasingly difficult2.
Researchers have also found that local protection of reefs and surrounding waters does little to make corals less sensitive to heat3. Rather, global changes such as ocean acidification might further increase environmental stress.
The fate of tropical coral reefs — including the iconic Great Barrier Reef — therefore depends on efforts to mitigate climate change, says Graham. “A future with coral reefs, their rich diversity and the livelihoods they provide to people is quite simple. It will only be possible if carbon emissions are rapidly reduced,” he says.
But even if that happens, tomorrow’s reefs might look different from today’s, as the mix of species changes in favour of those that can best cope with inevitable climate change, says Hughes. “This transition is already under way, faster than many of us expected,” he says. “The Great Barrier is shifting radically, a trend that will continue for the next century or more.”
Nature 556, 281-282 (2018)
doi: 10.1038/d41586-018-04660-w