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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

 

O mais antigo precursor dos dinossauros sul-americanos é descoberto em região gaúcha

O réptil, que media 1 metro e pesava 3 quilos, viveu há 237 milhões de anos no período Triássico Médio

Representação artística dos precursores dos dinossauros em uma paisagem do Triássico

Um fêmur direito bastante deteriorado de 11 centímetros de comprimento é tudo o que restou do mais antigo precursor dos dinossauros encontrado até agora na América do Sul, segundo artigo publicado em 1º de março no periódico científico Gondwana Research. A descrição do material foi feita por dois pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (Cappa-UFSM), do Rio Grande do Sul. Descoberto no município de Dona Francisca, distante 60 quilômetros de Santa Maria, o osso fossilizado fazia parte da coxa de um pequeno réptil, provavelmente bípede, que deve ter vivido há aproximadamente 237 milhões de anos.

De acordo com o trabalho, o fóssil pertenceu a um dinossauromorfo, grupo de vertebrados que inclui os dinossauros e outras formas aparentadas de répteis, como os silessaurídeos. Ou seja, todo dinossauro é um dinossauromorfo, mas nem todo dinossauromorfo é um dinossauro. As dimensões do fêmur encontrado em solo gaúcho indicam que seu dono pesava de 2 a 3 quilos e media cerca de 1 metro. “A cauda respondia por metade desse comprimento total”, comenta o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, diretor do Cappa, um dos autores do estudo, ao lado de Maurício Garcia, aluno de mestrado por ele orientado. Embora deva representar um tipo de dinossauromorfo ainda não conhecido, o fóssil não foi atribuído a nenhum gênero ou espécie.

Atualmente, a classificação taxonômica de um animal é feita com o auxílio de programas de computador que são abastecidos com dezenas ou centenas de caracteres anatômicos do exemplar em análise e geram uma matriz de dados. No final do processo, o software compara as informações da espécie em questão com a de outros grupos e fornece uma provável árvore genealógica. No caso do fóssil de Dona Francisca, o fêmur caiu dentro do ramo dos dinossauromorfos.

Fêmur fossilizado foi encontrado no Rio Grande do SulIlustração Maurício Garcia / UFSM; Fotografia Rodrigo Temp Müller / UFSM

A idade do fóssil gaúcho foi inferida a partir da cronologia conhecida das rochas em que o osso se preservou, pertencentes ao estágio Ladiniano. Essa divisão do tempo geológico marca o fim do período Triássico Médio, que se estende entre 247 milhões e 237 milhões de anos atrás. Na Argentina, os exemplares mais antigos de dinossauromorfos foram encontrados em rochas do Carniano – estágio que delimita o início do período Triássico Superior (entre 237 milhões e 201 milhões de anos atrás) – e são pelo menos 1 milhão de anos mais novos do que o fóssil de Dona Francisca. Na Tanzânia e em Zâmbia, há vestígios de espécies desse grupo que podem ser ligeiramente mais velhas do que as da América do Sul.

Mas a idade exata desses fósseis de dinossauromorfos achados na África é bastante controversa. Mesmo que não sejam mais velhos do que seus congêneres sul-americanos, dificilmente serão mais novos. “Esses dinossauromorfos africanos devem ser, pelo menos, tão velhos quanto os fósseis desse grupo encontrados no Brasil e na Argentina”, pondera o paleontólogo Max Langer, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, que não participou do estudo feito pelos colegas da UFSM.

Brasil e Argentina são os lugares em que foram encontrados, até agora, os dinossauros mais antigos do mundo, com idade superior a 230 milhões de anos, como Saturnalia tupiniquim e Eoraptor lunensis (ver Pesquisa FAPESP nº 279). O grupo mais amplo dos dinossauromorfos deve ter surgido um pouco antes, há aproximadamente 240 milhões de anos. Nesse período, a América do Sul era parte de um supercontinente austral, o Gondwana, um grande bloco de terra que também incluía a África, a Antártida, a Oceania e a Índia.

Íntegra do texto publicado em versão reduzida na edição impressa, representada no pdf

Artigo científico
MULLER, R. T. e GARCIA, M. S. Oldest dinosauromorph from South America and the early radiation of dinosaur precursors in GondwanaGondwana Research. v. 107, p. 42-8. jul. 2022.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Photos: Unearthing Dinosauromorphs, the Ancestors of Dinosaurs


Os dinossauros evoluíram a partir de seus parentes mais próximos, os dinossauromorfos, em menos de cinco milhões de anos, segundo um novo estudo. 

Os pesquisadores fizeram uma datação radioisotópica em um punhado de cristais de zircão do tamanho de grãos de areia incrustados em rochas perto e acima de fósseis de dinossauros, e descobriram que os animais viviam entre 234 milhões e 236 milhões de anos atrás. Essas novas datas são de cerca de 5 milhões a 10 milhões de anos antes das estimativas anteriores. [Read the Full Story on the Dinosauromorphs]

Running dinosauromorphs

Ancient animals run away from an erupting volcano 235 million years ago in northwestern Argentina. These animals later ended up as fossils in the Chañares Formation. The site includes fossils of early mammal relatives Dinodontosaurus (left background) and Massetognathus (left foreground). 
The early dinosauromorphs Lewisuchus (right background) and Lagerpeton (right foreground) are also pictured. (Image credit: Victor Leshyk)

Mountainous work
Study co-researcher Adriana Mancuso (right), with the Argentine Institute of Snow Research, Glaciology and Environmental Sciences, and Juan Martín Leardi (left), a paleobiologist at the University of Buenos Aires, excavate a skeleton of Massetognathus, an early mammal relative that was buried in the Chañares Formation. (Photo credit: Randall Irmis)

Surreal landscape

Study co-researcher Adriana Mancuso (far left) investigates the badlands of the Chañares Formation in northwestern Argentina. The researchers dated the layer containing dinosauromorphs to 236 million to 234 million years ago. (Photo credit: Randall Irmis)

Rocky work
Adriana Mancuso points to a volcanic ash layer in the Chañares Formation that contained crystals of the mineral zircon, which allowed them to do radioisotopic dating. (Photo credit: Randall Irmis)

Volcanic ash
Study co-researcher Farid Chemale, a faculty member in the Institute of Geosciences at the University of Brasilia, samples a volcanic ash layer in the Chañares Formation for radioisotopic dating. (Photo credit: Adriana Mancuso)

Argentinian nightfall 

Dusk falls over the badlands of the Chañares Formation in Talampaya National Park in Argentina. (Photo credit: Adriana Mancuso)

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Photos: Unearthing Dinosauromorphs, the Ancestors of Dinosaurs



Dinosaurs evolved from their closest relatives, the dinosauromorphs, in less than 5 million years, a new study finds. Researchers did radioisotopic dating on a handful of sand-grain-size zircon crystals embedded in rock near and above dinosauromorph fossils, and found that the animals lived between 234 million and 236 million years ago. These new dates are about 5 million to 10 million years earlier than previous estimates. [Read the Full Story on the Dinosauromorphs]
Running dinosauromorphs

Ancient animals run away from an erupting volcano 235 million years ago in northwestern Argentina. These animals later ended up as fossils in the Chañares Formation. The site includes fossils of early mammal relatives Dinodontosaurus (left background) and Massetognathus (left foreground). 
The early dinosauromorphs Lewisuchus (right background) and Lagerpeton (right foreground) are also pictured. (Image credit: Victor Leshyk)

Mountainous work
Study co-researcher Adriana Mancuso (right), with the Argentine Institute of Snow Research, Glaciology and Environmental Sciences, and Juan Martín Leardi (left), a paleobiologist at the University of Buenos Aires, excavate a skeleton of Massetognathus, an early mammal relative that was buried in the Chañares Formation. (Photo credit: Randall Irmis)

Surreal landscape

Study co-researcher Adriana Mancuso (far left) investigates the badlands of the Chañares Formation in northwestern Argentina. The researchers dated the layer containing dinosauromorphs to 236 million to 234 million years ago. (Photo credit: Randall Irmis)

Rocky work

Adriana Mancuso points to a volcanic ash layer in the Chañares Formation that contained crystals of the mineral zircon, which allowed them to do radioisotopic dating. (Photo credit: Randall Irmis)

Volcanic ash
Study co-researcher Farid Chemale, a faculty member in the Institute of Geosciences at the University of Brasilia, samples a volcanic ash layer in the Chañares Formation for radioisotopic dating. (Photo credit: Adriana Mancuso)

Argentinian nightfall 


Dusk falls over the badlands of the Chañares Formation in Talampaya National Park in Argentina. (Photo credit: Adriana Mancuso)