Dentes de 9,7 milhões de anos semelhantes aos da Lucy na Alemanha Escrito por: Intelectual Cosmopolita em 22/10/2017
Na Alemanha, os paleontologistas encontraram dentes fossilizados de 9,7 milhões de anos de alegada história humana.Os dentes fósseis parecem pertencer a uma espécie conhecida na África alguns milhões de anos depois.
Os dentes foram encontrados em um antigo leito do Reno, perto da cidade de Eppelsheim, por peneiramento de cascalho e areia.Além disso, esses dentes são semelhantes aos dentes dos dentes de Lucy e Ardi (Ardipithecus ramidus) de 3,2 milhões de anos atrás, um primata na Etiópia que se acredita ser o ancestral dos humanos.No entanto, esses dentes não se parecem com nenhuma outra espécie na Europa ou na Ásia.
Lucy era o nome dado aos ossos fossilizados de um esqueleto pertencente a uma espécie hominítica, Australopithecus afarensis.Lucy viveu há 3,2 milhões de anos na Etiópia.Embora tais fósseis antigos estivessem geralmente ausentes e fortemente danificados, pela primeira vez em 1974, um esqueleto foi encontrado quase completo (40% do esqueleto).
Os cientistas ficaram tão confusos diante da descoberta de que não haviam publicado suas pesquisas sobre o assunto por cerca de um ano.Os dentes foram encontrados perto dos restos de um cavalo extinto, o que ajudou a determinar a história dos dentes.(Havia 5,7 milhões de pegadas anuais semelhantes a humanos na ilha de Creta)
Herbert Lutz, diretor e chefe da equipe de pesquisa do Museu de História Natural de Mainz, disse à mídia local:
Leri Estes são dentes de macaco claramente de cauda.As características desses dentes em Eppelsheim são semelhantes às encontradas na África, datadas de 4 a 5 milhões de anos depois.Esta é uma tremenda chance, mas também um grande mistério.
Os dentes lembram os famosos esqueletos de Lucy e Ardi que foram encontrados anteriormente na Etiópia, mas datam de alguns milhões de anos atrás.
O prefeito de Mainz disse em uma entrevista coletiva que anunciou a descoberta de que as descobertas podem forçar os cientistas a reconsiderar a história dos primeiros seres humanos. "Eu não quero dramatizar em demasia, mas talvez tenhamos que começar a reescrever a história da humanidade hoje. O arqueólogo local Axel Von Berg diz que as novas descobertas vão surpreender os especialistas.(As primeiras pessoas realmente não podem evoluir na Grécia)
Embora houvesse muitas evidências fósseis de que macacos circulavam na Europa há milhões de anos, não havia evidências confirmadas de homininas relacionadas a humanos no continente.
Hoje em dia, de acordo com o consenso científico, as pessoas modernas surgiram em algum lugar na África Oriental de 400.000 a 200.000 anos atrás e se espalharam para várias partes do mundo há cerca de 70.000 anos.
Uma equipe de especialistas fará mais análises sobre os dentes.No entanto, os dentes estarão em exposição em uma exposição estadual do final de outubro antes de ir para o Museu de História Natural de Mainz.
Desde que o primeiro fóssil de macaco foi encontrado na área onde os dentes estão localizados, ele tem atraído caçadores de fósseis por quase 200 anos.Desde 2001, 25 novas espécies foram descobertas aqui.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
Fósseis em Marrocos apontam que Homo sapiens surgiu 100 mil anos antes
Reuters
Dados revelam que o Homo sapiens estava presente em todo o continente africano há 300 mil anos
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Fósseis descobertos nas montanhas do interior de Marrocos sugerem que o primata bípede hoje conhecido como Homo sapiens,
o ser humano anatomicamente moderno, já habitava o continente africano
há mais de 300 mil anos. Se as datações e a análise dos ossos estiverem
corretas, nossa espécie ganha uma "certidão de nascimento" cerca de 100
mil anos mais antiga do que se imaginava até agora.
"Costumávamos achar que havia um berço da humanidade há 200 mil anos na
África Oriental [Etiópia], mas nossos novos dados revelam que o Homo sapiens estava presente em todo o continente africano há cerca de 300 mil anos. Antes que nos espalhássemos para fora da África,
houve um processo de colonização dentro da África", declarou o
paleoantropólogo Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de
Antropologia Evolutiva, na Alemanha, em comunicado oficial.
Hublin, ao lado de seu colega Abdelouahed Bem-Ncer, do Instituto
Nacional de Ciências da Arqueologia e do Patrimônio, em Marrocos,
coordenaram o trabalho que desencavou novos fósseis e reanalisou achados
antigos do sítio de Jebel Irhoud, caverna conhecida como lar de
parentes primitivos do homem desde os anos 1960.
Os restos humanos antigos achados na caverna nessa época tiveram idade
originalmente estimada em 40 mil anos e foram atribuídos a uma população
africana de neandertais,
espécie muito próxima da nossa que dominou a Europa durante boa parte
da Era do Gelo. As novas escavações em Marrocos aumentaram de seis para
22 o número de fósseis humanos descobertos lá e trouxeram novas e
preciosas informações sobre o formato do crânio dessas pessoas -
detalhes que são fundamentais para estimar seu grau de parentesco com os
seres humanos do presente.
Além disso, os pesquisadores conseguiram usar um método conhecido como
termoluminescência para datar artefatos de pedra achados nas mesmas
camadas que as fósseis. Foi essa datação que permitiu propor uma idade
entre 350 mil e 300 mil anos para a presença dos ancestrais do homem na
caverna.
CARA E CABEÇA
Essa idade muito recuada parece se encaixar de forma lógica com a
aparência dos crânios, mandíbulas e dentes dos habitantes de Jebel
Irhoud (até agora, os restos encontrados correspondem a cinco pessoas,
entre adultos, adolescentes e crianças).
Os pesquisadores enxergam uma espécie de mosaico de características
"modernas" e "arcaicas" nesses fósseis. De um lado, o rosto dos
indivíduos lembra o que ainda vemos nos seres humanos de hoje. A região
do nariz e da boca não se projeta para a frente, como acontecia com os
neandertais e outros membros mais antigos do nosso gênero, o Homo. O formato da mandíbula e dos dentes também se aproxima do que se vê no Homo sapiens atual, apesar da chamada robustez –os dentes, por exemplo, são muito grandes.
As diferenças ficam mais marcantes na parte de trás do crânio, onde se
aloja o cérebro. Seres humanos modernos possuem essa parte da anatomia
bem arredondada, enquanto a dos Homo sapiens de Jebel Irhoud é mais alongada.
Para o paleoantropólogo Walter Neves, da USP, esses detalhes indicam que
seria correto pensar nesses hominídeos marroquinos como uma forma
intermediária. "Sabemos que o Homo heidelbergensis
[espécie mais antiga] deu origem aos neandertais na Europa, ao passo
que, na África, deu origem ao homem moderno. Com essa datação nova,
Jebel Irhoud ocupa exatamente o espaço entre H. heidelbergensis e H. sapiens na África", pondera.
Outros fósseis achados no local indicam que os moradores da caverna
caçavam animais como zebras e gazelas e dominavam o fogo, já que os
artefatos de pedra foram alterados pelo calor de fogueiras. A descrição
completa das descobertas está na revista científica "Nature".
Encontrado no Marrocos, o mais antigo fóssil humano tem 300 mil anos
Com
novos métodos, cientistas fizeram datação mais precisa de pelo menos
cinco esqueletos de Homo sapiens; descoberta antecipa história da
espécie em pelo menos 100 mil anos
Fábio de Castro,
O Estado de S.Paulo
07 Junho 2017 | 14h00
Um grupo internacional de cientistas descobriu no Marrocos pelo menos
cinco fósseis humanos de pelo menos 300 mil anos, cercados de
ferramentas de pedra e restos de animais. A descoberta, revelada em dois
artigos publicados na edição de hoje da revista Nature, antecipa em pelo menos 100 mil anos a mais antiga evidência fóssil já registrada da espécie Homo sapiens.
De acordo com os autores dos estudos, a descoberta revela que a
espécie humana tem uma história evolutiva muito mais complexa do que se
imaginava, envolvendo provavelmente todo o continente africano. O fóssil
humano mais antigo encontrado já registrado até agora tinha 195 mil
anos e havia sido desenterrado no leste da África, em Omo Kibish, na
Etiópia.
Reconstrução
de um fóssil de Homo sapiens encontrado em Jebel Irhoud, no Marrocos,
com base em múltiplas imagens de microtomografia computadorizada do
fóssil original; com 300 mil anos, o fóssil já mostra um rosto
semelhante ao dos humanos modernos, mas a caixa craniana alongada indica
que as funções cerebrais do Homo sapiens só evoluíram mais tarde.
Foto: Philipp Gunz, MPI EVA Leipzig
"Acreditávamos que o berço da humanidade havia sido o leste da África, há 200 mil anos, mas nossos novos dados revelam que o Homo sapiens
já havia se espalhado por todo o continente africano há cerca de 300
mil anos", disse o autor principal da pesquisa, o paleoantropólogo
Jean-Jacques Hublin, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva,
em Leipzig (Alemanha).
A
descoberta foi feita em Jebel Irhoud, no oeste do Marrocos. Desde a
década de 1960 haviam sido encontrados seis fósseis humanos e diversos
artefatos da Idade da Pedra no local, mas a idade dos fósseis era até
permanecia incerta.
Um novo projeto de escavação em Jebel Irhoud, iniciado em 2004, revelou 16 novos fósseis de Homo sapiens,
envolvendo crânios, dentes e ossos longos de pelo menos cinco
indivíduos. As escavações foram lideradas por Hublin e por Abdelouahed
Ben-Ncer, do Instituto Nacional de Arqueologia e Patrimônio do
Marrocos, sediado em Rabat.
Os cientistas conseguiram precisar a cronologia dos fósseis
graças à tecnologia. Eles utilizaram um método de datação por
termoluminscência em pedras de sílex encontradas nos mesmos depósitos.
"Sítios bem datados dessa época são excepcionalmente raros na
África, mas nós tivemos sorte, já que vários dos artefatos de sílex de
Jebel Irhoud foram aquecidos no passado. Isso nos permitiu aplicar os
métodos de datação por termoluminescência nesses artefatos, para
estabelecer uma cronologia conssitente para os hovos fósseis e para as
camadas de solo que os cobriam", explicou o especialista em
geocronologia Daniel Richter, do Instituto Max Planck.
Além da datação por meio dos artefatos de pedra, os cientistas
conseguiram refazer o cálculo direto da idade de três mandíbulas
encontradas em Jebel Irhoud na década de 1960. Essas mandíbulas haviam
sido anteriormente datadas em 160 mil anos, com um método por
ressonância paramagnética eletrônica.
No novo estudo, porém, os cientistas aprimoraram o método e
recalcularam a idade dos fósseis, encontrando um resultado coerente com
as datações por termoluminescência: eles tinham quase o dobro da idade
estimada inicialmente. "Utilizamos métodos de datação de última geração e
adotamos as abordagens mais conservadoras para determinar a idade com
precisão", disse Richter.
Participaram do estudo cientistas do Instituto Max Planck de
Antropologia Evolutiva (Alemanha), do Instituto Nacional de Arqueologia e
Patrimônio de Rabat (Marrocos), do Collège de France, em Paris
(França), das universidades de Nova York, de Califórnia Davis (Estados
Unidos), de Bolonha (Itália), de Tuebingen (Alemanha), de Canberra, de
Griffith, de Southern Cross (Austrália) e da Sorbonne (França).
Cardápio. Além de revelarem que o Homo sapiens
é 100 mil anos mais antigo do que se pensava, os novos estudos
revelaram também o cardápio dos humanos há 300 mil anos: muita carne de
gazela, alguma carne de gnu e de zebra, eventualmente ovos de
avestruzes, além de antílopes, búfalos, porcos-espinho, lebres,
tartarugas, moluscos de água doce e serpentes.
De acordo com a paleoantropóloga Teresa Steele, da Universidade
de Califórnia Davis, foram encontrados em Jebel Irhoud centenas de ossos
de animais fossilizados e as espécies de 472 deles foram identificadas.
Foram também observadas marcas de cortes nos ossos, indicando que suas
medulas haviam sido utilizadas como alimento por humanos.
"Realmente parece que essas pessoas gostavam de caçar. A dispersão do Homo sapiens
por toda a África há 300 mil anos é provavelmente resultado de mudanças
na biologia e no comportamento da espécie", disse Teresa.
As ferramentas de pedra encontradas em Jebel Irhoud eram feitas
de sílex de alta qualidade, "importadas" para o sítio, de acordo com o
paleoantropólogo Shannon McPherron, do Instituto Max Planck. Segundo
ele, os machados, ferramentas frequentemente encontradas em outros
sítios antigos, não estavam presentes em Jebel Irhoud. Mas a maior parte
dos utensílios encontrados ali também existiram por toda a África na
metade da Idade da Pedra.
"Os artefatos de pedra de Jebel Irhoud parecem muito semelhantes
aos encontrados no leste e no sul da África. É provável que as inovações
tecnológicas da metade da Idade da Pedra estejam ligadas ao surgimento
do Homo sapiens", afirmou McPherron.
Arcaico e moderno. Segundo os cientistas, o
crânio dos humanos modernos é caracterizado por uma combinação de
características que os distinguem dos hominídeos de espécies aparentadas
e de ancestrais extintos, como, por exemplo, a caixa craniana globular
(arredondada), a face pequena, com osso nasal projetado, mandíbulas
curtas, testa alta e arcada supraciliar limitada.
Utilizando tecnologia de ponta em micro-tomografias
computadorizadas e análises estatísticas morfológicas com base em
centenas de medições 3D, os cientistas mostraram que os fósseis de Jebel
Irhoud apresentam rosto e dentes semelhantes aos do homem moderno. A
caixa craniana, porém, tem formato mais arcaico, mais alongado que o do
homem atual.
Homo sapiens de 300 mil anos
Diferenças
estruturais podem ajudar a entender a evolução: A) um crânio
Neanderthal de 430 mil anos encontrado na Espanha, com traços mais
recentes, como o formato da arcada supra ciliar,
e mais ancestrais, como o rosto maior e cérebro menor. B) Crânio
Neanderthal de 50 mil anos, encontrado na França, é um exemplo dos
traços mais recentes da espécie. C) Fósseis de Jebel Irhoud, no
Marrocos, com 300 mil anos, mostra semelhanças com os humanos modernos -
como as maçãs do rosto delicadas -, mas o formato alongado da caixa
craniana é arcaico. D) Fóssil de Homo sapiens de 20 mil anos, encontrado
na França, já apresenta a a caixa craniana globular dos humanos atuais.
Foto: Nature
"O formato interno da caixa craniana reflete o formato do
cérebro. Nossa descoberta sugere que a morfologia do rosto do humano
moderno se estabeleceu muito cedo na história da nossa espécie, enquanto
o formato do cérebro - e provavelmente suas funções - evoluiu ao longo
das linhagens sucessivas de Homo sapiens", afirmou o paleoantropólogo Philipp Gunz, do Instituto Max Planck.
Segundo os cientistas, comparações feitas recentemente entre o
DNA extraído de Neanderthais e de humanos modernos revelam diferenças
genéticas que afetam o cérebro e o sistema nervoso. As mudanças
evolutivas do formato da caixa craniana teriam, portanto, uma provável
ligação com uma série de transformações genéticas que afetaram a
conectividade, organização e desenvolvimento do cérebro, que distingue o
Homo sapiens de seus ancestrais e parentes extintos.
Dois dos novos fósseis de Jebel Irhoud, no Marrocos, exatamente como
foram descobertos durante a escavação; no centro da imagem, em tom
amarelado, há o topo de um crânio humano es magado e, logo acima, há um pedaço de fêmur encostado na pedra vertical.
Foto: Steffen Schatz, MPI EVA Leipzig.
A morfologia e a idade dos fósseis de Jebel Irhoud também
corroboram, segundo os pesquisadores, a interpretação de que um
enigmático pedaço de crânio encontrado em Florisbad, na África do Sul,
pertenceria a um representante precoce da espécie Homo sapiens.
Nesse caso, já haveria fósseis muito antigos da espécie por todo o
continente africano: no Marrocos, com 300 mil anos, na África do Sul,
com 260 mil anos e na Etiópia, com 195 mil anos.
"O norte da África há muito tempo é negligenciado nos debates
sobre a origem da nossa espécie. As descobertas espetaculares de Jebel
Irhoud demonstram estreitas conexões entre o Magreb e o resto da África
na época em que emergiu o Homo sapiens", disse Ben-Ncer.
Traços sobrepostos. Em um comentário aos dois artigos, publicado na mesma edição da Nature,
os paleoantropólogos Chris Stringer e Julia Galway-Witham, do Museu de
História Natural de Londres (Reino Unido) afirmam que a descoberta no
Marrocos "poderá iluminar a evolução da nossa espécie de uma maneira
equivalente à que o fóssil de Neanderthal encontrado em Sima de los
Uesos, na Espanha, fizeram com o nosso conhecimento sobre o
desenvolvimento dos Neanderthais".
Segundo eles, as análises de DNA sugerem que a linhagem dos
humanos modernos se diferenciou dos parentes mais próximos - os
Neanderthais e os Denisovans - há mais de 500 mil anos, portanto muito
antes do primeiro espécime reconhecível de Homo sapiens. "Isso pode significar que existiram membros mais recentes da linhagem Homo sapiens que
tinham características preponderantemente arcaicas, em vez dos traços
modernos. Até agora, tem sido difícil identificar esses fósseis",
escreveram.
De acordo com Stringer e Julia, os autores dos novos estudos
sugerem que uma separação clara entre fases da evolução do Homo sapiens -
como as que descrevem os fósseis como "arcaicos" e "anatomicamente
modernos" - provavelmente deixarão de existir à medida que o registro de
fósseis aumenta. "Eles provavelmente estão certos, embora as evidências
que encontraram adicionem a esse quadro uma sobreposição de formas que
pareciam mais arcaicas ou mais modernas", disseram.
Mais uma pista dessa sobreposição de características "arcaicas" e
"modernas", segundo eles, é a descoberta - reportada pelo Estado no dia
9 de maio - de que um espécime do primitivo Homo naledi, encontrado na
África do Sul, tinha apenas 300 mil anos e não 2,5 milhões de anos, como
se pensava. "Talvez mais estudos de datação possam esclarecer a
extensão dessa sobreposição e os processos que podem ter levado à
evolução dos humanos modernos", escreveram.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Descoberta de novo crânio pode reescrever história da espécie humana
Fósseis
de 1,8 milhão de anos encontrados na Geórgia sugerem que a aparência
dos ancestrais humanos era muito variada; e que os 'Homo habilis', 'Homo
rudolfensis' e 'Homo erectus' poderiam ser uma mesma espécie
Segundo
os pesquisadores, o Crânio 5 pertenceu a um indivíduo da espécie Homo
erectus. Ele, no entanto, era diferente de outros fósseis encontrados
anteriormente, o que sugere que a espécie era mais variada do que se
pensava(Museu Nacional da Geórgia/VEJA)
Um
crânio descoberto em 2005 na região de Dmanisi, na Geórgia, pode
obrigar os cientistas a reescreverem toda a história de evolução da
espécie humana. O fóssil possui aproximadamente 1,8 milhão de anos e é o
mais antigo crânio completo já encontrado por pesquisadores.
Suas
características físicas - a caixa craniana pequena e o grande maxilar -
nunca haviam sido encontradas em conjunto antes, desafiando as divisões
traçadas pelos cientistas para separar as espécies de ancestrais
humanos. Segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science, a descoberta sugere que os primeiros membros do gênero Homo, aqueles classificados como Homo habilis, Homo rudolfensis e Homo erectus, faziam parte, na verdade, da mesma espécie - seus esqueletos simplesmente pertenceriam a indivíduos de aparência diferente.
CONHEÇA A PESQUISATítulo original:A Complete Skull from Dmanisi, Georgia, and the Evolutionary Biology of Early Homo Onde foi divulgada: periódico Science Quem fez: Christoph P. E. Zollikofer, entre outros pesquisadores Instituição: Museu Nacional da Geórgia, entre outras Dados de amostragem: Análises de cinco crânios encontrados na região de Dmanisi, na Geórgia Resultado:Os pesquisadores concluíram que, apesar
das diferenças entre si, os crânios pertenceram à mesma espécie de
ancestral humano, que viveu na região há 1,8 milhão de anos.
Essas espécies foram todas encontradas na África, em períodos que vão
até 2,4 milhões de anos atrás. Os pesquisadores usaram a variação no
formato de seus crânios para classificá-las como espécies diferentes,
porém aparentadas. No entanto, desde a descoberta dos primeiros fósseis,
os cientistas têm enfrentado dificuldades para traçar uma linha
evolutiva entre elas, sem conseguir apontar de maneira definitiva qual
deu origem às outras e aos Homo sapiens.
O novo crânio descoberto na Geórgia - que ganhou o nome de Crânio 5 -
combina entre suas características uma caixa craniana pequena, um rosto
excepcionalmente comprido e dentes grandes. Até agora, o sítio
arqueológico só foi parcialmente escavado, mas se revelou um dos mais
importantes já descobertos. O fóssil foi encontrado ao lado dos restos
mortais de outros quatro ancestrais humanos primitivos, um grande número
de ossos de animais e algumas ferramentas de pedra.
Segundo os cientistas, os fósseis estão associados ao mesmo local e
período histórico, sugerindo que as ossadas pertenceram todas à mesma
espécie de ancestral humano. Isso forneceu aos pesquisadores uma
oportunidade única para comparar os traços físicos de indivíduos de uma
mesma espécie e o que descobriram foi uma grande variedade de tamanhos e
formas, mas nada diferente da variação encontrada entre os humanos
modernos. "Graças à amostra relativamente grande de Dmanisi, pudemos ver
a grande diferença que existia entre os indivíduos. Essa variação,
porém, não é superior à encontrada entre populações modernas de nossa
própria espécie, dos chimpanzés ou bonobos", diz Christoph Zollikofer,
pesquisador do Instituto e Museu de Antropologia, na Suíça, e um dos
autores do estudo.
A
pequena caixa craniana e o grande maxilar do hominídeo surpreendeu os
cientistas e pode levar a uma mudança no modo como se escreve a evolução
do gênero Homo(Guram Bumbiashvili, Museu Nacional da Geórgia/VEJA)A pequena caixa craniana e o
grande maxilar do hominídio surpreenderam os cientistas e pode levar a
uma mudança no modo como se escreve a evolução do gênero Homo.
Duas espécies em um mesmo crânio - O Crânio 5 foi
escavado em duas etapas pelos pesquisadores. Primeiro, eles descobriram a
pequena caixa craniana, no ano 2000. Seu tamanho diminuto - ela media
apenas 546 centímetros cúbicos, em comparação aos 1350 centímetros
cúbicos dos humanos modernos - sugeria a existência de um cérebro
pequeno. Durante os anos seguintes, continuaram escavando a região, em
busca do maxilar que iria completar a figura.
Em 2005, finalmente encontraram os ossos que faltavam, mas, ao
contrário do esperado, o maxilar era enorme, com dentes grandes. "Se a
caixa craniana e o resto do Crânio 5 fossem encontrados como fósseis
separados, em lugares diferentes da África, eles seriam atribuídos a
espécies diferentes", diz Christoph Zollikofer.
Durante os oito anos seguintes, os pesquisadores realizaram estudos
comparativos dos cinco crânios encontrados no local. Como resultado,
concluíram que eles pertenceram à mesma espécie de ancestrais humanos,
surgidos pouco tempo depois de o gênero Homo divergir do Australopithecus
e se dispersar da África. "Os fósseis de Dmanisi parecem muito
diferentes uns dos outros, e seria tentador classificá-los como espécies
diferentes", diz Zollikofer. "No entanto, sabemos que esses indivíduos
vieram do mesmo local e tempo geológico, então eles devem, em princípio,
representar uma única população de uma única espécie." Segundo os
cientistas, diferenças de idade e sexo devem ser responsáveis pelas
principais diferenças morfológicas.
Modelos
dos cinco crânios encontrados na Geórgia. Eles estão colocados em
ordem, do 1 ao 5, demonstrando a diferença que existia entre os
indivíduos(M. Ponce de León and Ch. Zollikofer/VEJA)
Modelos dos cinco crânios encontrados na Geórgia. Eles estão
colocados em ordem, do 1 ao 5, demonstrando a diferença que existia
entre os indivíduos
Assim, os pesquisadores sugerem que a ideia da existência de várias espécies Homo
- cada uma especializada para um ambiente do Terra - seja derrubada. Ao
contrário, eles defendem a existência de uma única espécie Homo erectus,
surgida no continente africano, capaz de se adaptar aos diferentes
ecossistemas e que viria dar origem aos seres humanos modernos. A
hipótese não deve ser aceita de imediato pela comunidade científica, mas
dar origem a discussões acadêmicas e mais estudos que podem, eles sim,
mudar o modo com a história evolutiva da espécie humana é narrada.
Cientistas anunciam descoberta do mais antigo fóssil humano da História
Vestígios de mandíbula de Homo habilis com cerca de 2,8 milhões de anos foram encontrados na Etiópia
por Cesar Baima
/
Atualizado
Fóssil de mandíbula descoberto na Etiópia - Divulgação
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RIO - Entre três milhões e dois milhões de anos atrás, na África, os
australopitecos, ancestrais humanos mais parecidos com macacos, mas já capazes
de andar sobre os dois pés, aos poucos deram lugar para os primeiros
representantes do gênero Homo, com cérebros maiores e porte mais ereto,
em um importante passo na evolução dos homens modernos (Homo sapiens).
Os parcos e fragmentados registros fósseis desta época, no entanto, tornam
difícil o estudo desta transição, num quebra-cabeça que tem desafiado os
cientistas há décadas e agora ganha mais uma peça fundamental. Encontrados há
apenas dois anos na árida região de Ledi-Geraru, no estado de Afar da atual
Etiópia, fragmentos de uma mandíbula datados em 2,8 milhões de anos podem ser os
mais antigos restos de um indivíduo do gênero Homo conhecidos,
anteriores em 400 mil anos aos mais velhos que já tinham sido achados. Dentes menores, mas queixo ainda recuado
Com dentes menores que os vistos nos australopitecos e um formato mais
proporcional e peculiar, os pesquisadores acreditam que a mandíbula reconstruída
pertenceria a um representante da espécie Homo habilis, ou pelo menos a
um elo de passagem entre nossos antepassados mais próximos dos macacos para os
mais humanos, já que seu queixo também apresenta um recuo normalmente associado
aos nossos ancestrais mais “primitivos”. Além disso, a idade do fóssil e o local
onde foi encontrado o coloca perto no tempo e no espaço ao fóssil da famosa
Lucy, que está entre os mais bem preservados e antigos restos de um indivíduo da
espécie Australopithecus afarensis, encontrados em 1974 no sítio de
Hadar e datados em pouco mais de três milhões de anos.
— O registro fóssil no Leste da África, entre dois milhões e três milhões de
anos atrás, é muito pobre, e existem relativamente poucos fósseis que podem nos
dar informações sobre as origens do gênero Homo — lembrou Brian
Villmoare, paleoantropólogo da Universidade de Nevada, nos EUA, e um dos líderes
da pesquisa, publicada na edição desta semana da revista “Science”, em
teleconferência ontem. — Este, porém, é um dos períodos mais importantes da
evolução humana, já que, nesta época pouco conhecida, os humanos fizeram a
transição dos mais símios australopitecos para os padrões adaptativos modernos
vistos nos Homo. Assim, o que há de tão especial nessa mandíbula não é
só sua idade, muito mais velha que qualquer exemplar de Homo conhecido
até agora, mas também sua combinação única de traços, da altura da mandíbula ao
formato dos dentes, que a faz uma clara transição entre os australopitecos e os
Homo.
O fato de ter características tão claras alinhadas com as dos
Homo há 2,8 milhões de anos nos ajuda a restringir o tempo dessa
transição e sugere que ela foi relativamente rápida.
Em outro artigo também publicado na “Science” desta semana e que acompanha o
estudo sobre o fóssil, os cientistas procuraram descrever o contexto geológico e
ambiental onde ele foi encontrado. Há tempos os especialistas desconfiam que
mudanças climáticas ocorridas nesta época na África, com exuberantes selvas
dando lugar a uma paisagem mais árida, parecida com as atuais savanas,
estimularam um processo de adaptação que foi responsável pelo fim dos
australopitecos e emergência dos Homo. Na mesma área onde a mandíbula
foi encontrada, os pesquisadores acharam fósseis de espécies pré-históricas de
antílopes, elefantes, hipopótamos e outros animais relacionados com habitats
mais abertos, dominado por grama alta e arbustos e com árvores mais
espaçadas.
— Podemos observar esse sinal de maior aridez há 2,8 milhões de anos na fauna
comunal de Ledi-Geraru — disse Kaye Reed, professor da Universidade do Estado do
Arizona, outro integrante da equipe responsável pela descoberta, que participou
da teleconferência da Etiópia. — Ainda é cedo para dizer que isso significa que
as mudanças climáticas foram responsáveis pela origem do gênero Homo.
Para isso, precisamos de uma amostragem maior de fósseis de hominídeos e é por
isso que continuamos a vir para a região de Ledi-Geraru em busca deles. O que
sabemos é que esses Homo antigos conseguiam viver neste habitat
razoavelmente extremo e que, aparentemente, a espécie de Lucy, os
Australopithecus afarensis, não.
Já um terceiro estudo relacionado ao tema, também publicado ontem, mas na
revista “Nature”, revisitou o fóssil original que permitiu a identificação pela
primeira vez do Homo habilis há pouco mais de 50 anos e revelou que,
entre 2,1 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, pelo menos três espécies
representantes do gênero conviveram na África: além do H. habilis, o
H. erectus e o H. Rudolfensis. Encontrados nos anos 1960 pelo
respeitado e já falecido paleoantropólogo britânico Louis Leakey na região da
Garganta de Olduvai, na Tanzânia — e que, por isso, recebeu o apelido de “Berço
da Humanidade” —, os restos fragmentados de crânio e mandíbula serviram de base
para uma reconstrução digital em 3D de como seria a cabeça completa de um
representante da espécie, evidenciando características que antes não puderam ser
notadas pelos especialistas.
Novo fóssil apareceu como se “sob demanda”
Segundo os pesquisadores, embora a mandíbula do H. habilis realmente
pareça ter um formato mais parecido com o de espécies mais “primitivas”, como os
australopitecos, a reconstrução do crânio indica que o cérebro era bem maior do
que se pensava, com tamanho similar ao dos seus “primos” Homo de então
e mais próximo do dos humanos modernos. Até recentemente, o tamanho do cérebro
era um dos principais parâmetros usados para distinguir as três espécies, mas,
com esse estudo, os cientistas defendem que a caracterização deve se focar nos
traços de suas faces, especialmente das mandíbulas.
Ainda de acordo com os pesquisadores, a reconstrução digital do fóssil, junto
com estudos anteriores de outros restos de antecessores dos humanos atuais
encontrados na Tanzânia e na Etiópia, indicam que as três linhagens do gênero
Homo se separaram de um ancestral comum provavelmente há mais de 2,3
milhões de anos, cujo exemplo até agora desconhecido pode ser justamente o
indivíduo cuja mandíbula foi achada em Ledi-Geraru e descrito na “Science”.
— Ao explorar digitalmente como o Homo habilis se parecia, pudemos
inferir a natureza de seu ancestral, mas nenhum fóssil dele era conhecido —
conta Fred Spoor, pesquisador do University College London e do Instituto Max
Planck de Antropologia Evolucionária e um dos autores do artigo na “Nature”. —
Mas, agora, a mandíbula de Ledi-Geraru apareceu como se “sob demanda”, sugerindo
uma ligação evolucionária plausível entre o Australopithecus afarensis
e o Homo habilis.
Fóssil antecipa em 400 mil anos a origem da espécie humana
Mandíbula de 2,8 milhões de anos é fóssil mais antigo do gênero Homo. Fósseis foram encontrados em 2013 na Etiópia.
Pesquisador Chris Campisano coleta amostra para estudo (Foto: J Ramón Arrowsmith)
Uma mandíbula com dentes de 2,8 milhões de anos, encontrada na Etiópia,
é o fóssil mais antigo do gênero Homo encontrado até agora e, segundo
pesquisa publicada na revista "Science", sua descoberta antecipa em 400
mil anos a origem da nossa espécie.
A descoberta, anunciada nesta quarta-feira (4) na edição digital da
revista, lança luz sobre a origem do gênero Homo, ao qual pertence a
espécie humana, explicam os cientistas na "Science".
"A época da qual data a mandíbula inferior reduz a brecha na evolução
entre o Australopiteco - a célebre Lucy, que data de 3,2 milhões de anos
- e as primeiras espécies do tipo Homo como o erectus ou o habilis",
explicam os cientistas.
"Este fóssil é um excelente exemplo de uma transição de espécies em um período chave da evolução humana", acrescentam.
Pesquisador segura mandíbula encontrada na Etiópia (Foto: Kaye Reed/Divulgação)
Esta mandíbula foi encontrada em 2013 em uma zona de rastreamento
denominada Ledi-Geraru, na região Afar, na Etiópia, por um grupo
internacional de pesquisadores chefiado por Kaye Reed, da Universidade
do Arizona, e Brian Villmoare, da Universidade de Nevada.
Há décadas, cientistas buscam fósseis na África para encontrar indícios
da linhagem Homo, embora com sucesso limitado, pois eles descobriram
muito poucos fósseis do período entre três milhões e 2,5 milhões de anos
atrás.
"Os fósseis da linhagem Homo com mais de dois milhões de anos são muito
raros e o fato de ter um esclarecimento sobre as primeiras fases da
evolução da nossa linhagem é particularmente emocionante", disse Brian
Villmoare, principal autor do artigo.
No entanto, os cientistas alertam que não estão em condições de dizer,
com esta única mandíbula, se se trata ou não de uma nova subespécie
dentro do tipo Homo.
KAYE REED
This partial lower jaw from Ethiopia is the oldest example of our genus Homo.
Fossil pushes back human origins 400,000 years
Ann is a contributing correspondent for Science Email Ann
On
a hot January morning 2 years ago, Chalachew Seyoum was searching for
fossils at a desolate site in Ethiopia called Ledi-Geraru, where no
human ancestor had turned up in a decade of searching. But Seyoum, an
Ethiopian graduate student at Arizona State University (ASU), Tempe, was
upbeat after a week off. “I had a lot of energy and fresh eyes,” he
says. “I was running here and there. I went up a little plateau and over
the top when I spotted this specimen popping right out.”
He sat down and closed his eyes. When he opened them, he could more
clearly see the gray fossil poking out of the bleached sand and
mudstone, and he realized that he had found the jawbone of a hominin—a
member of the human family. He called out for the ASU expedition leader:
“Kaye Reeeed!” Reed scrambled up the steep slope on her hands and
knees, saw the fossil, and yelled “Woo-hoo!”
Their excitement was justified. In twopapers online this week in Science, the ASU team and co-authors introduce the partial lower jaw as the oldest known member of the genus Homo.
Radiometrically dated to almost 2.8 million years ago, the jaw is a
window on the mysterious time when our genus emerged. With both
primitive and more modern traits, it is a bridge between our genus and
its ancestors and points to when and where that evolutionary transition
took place. As a transitional form “it fits the bill perfectly,” says
paleontologist Fred Spoor of University College London.
Together with a reassessment of known fossils, published in Nature this week by Spoor and colleagues, the find is stimulating new efforts to sort out the mixed bag of early Homo remains and to and to work out which forms emerged first. “This causes us to rethink early Homo,” says paleoanthropologist Bernard Wood of George Washington University in Washington, D.C.
Researchers agree that small-brained hominins in the genus Australopithecus evolved into early Homo between 3 million and 2.5 million years ago, but the Homo fossil trail disappears at the crucial time. Until now, the oldest known Homo
fossil was a 2.3-million-year-old upper jaw from Hadar, Ethiopia, that
has not been classified into a species. It and other early Homo
fossils paint a confusing picture. Some have big skulls, others small;
some consist of a bit of skull, others only a jaw, resulting in a grab
bag of mismatched parts. As a result, researchers have argued about
whether there was a single species of early Homo or three. The type specimen of H. habilis, for example, includes a 1.8-million-year-old lower jaw called OH 7 from Olduvai Gorge in Tanzania. But the type specimen of another species, H. rudolfensis, is a 2.1-million-year-old skull without teeth or a lower jaw.
This week’s papers advance the work on two fronts. Spoor and colleagues created a virtual reconstruction of the OH 7 specimen,
which was found 55 years ago, to correct for postmortem distortion.
They used computed tomography and 3D imaging to digitize and reassemble
pieces of the jaw in the computer. Then they compared OH 7 with other
specimens and found that it has more primitive features, such as a long
narrow palate, than do the older Hadar jawbone and members of H. rudolfensis. Although OH 7 itself is relatively recent, their analysis suggested that H. habilis arose earlier than the other two species.
Meanwhile, the ASU team spent years doing targeted searches for an
older ancestor. They hunted in sediments that were the right age—2.58
million to 2.84 million years old—and in an epicenter of early human
evolution. Ledi-Geraru is only 30 kilometers from Hadar, home of the
2.3-million-year-old Homo jaw, as well as to more than 100 individuals of Australopithecus afarensis,
the species of the famous skeleton called Lucy. The oldest known stone
tools, dated to 2.6 million years ago, are only 40 km away at Gona.
ERIN DIMAGGIO
The new Ledi-Geraru discovery fits best in Homo, says ASU paleoanthropologist William Kimbel. Its molars are slimmer than those of Australopithecus,
the third molar is smaller, and the jawbone is shaped differently. The
ASU team hasn’t assigned the jaw to a species yet because they hope to
find more parts, but say that it most closely resembles H. habilis.
In fact, the new jaw looks a lot like what Spoor imagined for the
ancestor of OH 7. That suggests that although the two specimens are
separated by almost 1 million years, they belong to the same lineage,
and that the oldest Homo looked most like H. habilis, just as Spoor and others have predicted.
But the Ledi-Geraru specimen is not likely to be a member of H. habilis itself, Spoor says. The jaw also has traits that link it with A. afarensis,
such as a rounded chin region. The similarities strengthen the proposal
that Lucy’s species, which lived from 2.95 million to 3.8 million years
ago, was the direct ancestor of Homo. But other types of australopiths also lived during that time, making the genealogy exercise premature.
The ASU team does rule out A. sediba from South Africa as the Homo
ancestor, because at 1.9 million years old it is too recent. But its
discoverer, paleoanthropologist Lee Berger of the University of the
Witwatersrand in Johannesburg, South Africa, says that the known A. sediba skeletons might simply be late examples of the species.
The new data may help solve a puzzle: Why did so many kinds of
hominins roam East Africa between 2 million and 3 million years ago? To
understand this burst of evolution, the ASU team analyzed the bones of
other species living at that time. As they report in the second Science paper, fully one-third of the Ledi-Geraru mammals were new species, not seen in older sediments at nearby Hadar.
Three million years ago, Hadar was home to monkeys, giraffes, and
elephants that favored a patchwork of woods and grasslands. Ledi-Geraru
hosted a different fauna just 200,000 years later, with grazers such as
gazelles, zebras, wild pigs, and a baboon at home in open grasslands
like the Serengeti. Climate change and the shift to more open terrain
may have spurred the emergence of many species, including members of Homo and Australopithecus,
Reed says. “This is a snapshot of a hominin in a landscape that’s
really open,” agrees paleoclimatologist Peter deMenocal of Columbia
University’s Lamont-Doherty Earth Observatory in Palisades, New York,
who has argued that climate change sparked intense periods of
speciation.
Researchers often reconstruct ancient climate from clues in sediment cores. To better correlate climate and human evolution, in 2013 researchers cored lakebeds close to key fossil sites. “Stay tuned,” deMenocal says. “We’ll be answering this [climate question] within a year.”