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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Como a taxidermia mantém os animais extintos por perto


How Taxidermy Keeps Extinct Animals Around

Staff of Wildlife Preservations take measurements of Lonesome George as they begin the process of making a taxidermy mount from his remains.
Credit: AMNH/D. Finnin
When a giant tortoise named Lonesome George died, his kind, the Pinta Island tortoises of the Galapagos, suffered the same fate as the unfortunate dodo bird: Both bird and tortoise were wiped off their island homes and into extinction.

But Lonesome George will be better preserved than any of the lone-gone dodos, which disappeared more than three centuries ago from Mauritius in the Indian Ocean.
More than a year after his death, Lonesome George's remains are now in Woodland Park, N.J., where a team of taxidermists is working to preserve his physical presence by making a mount from his skin, shell and other external parts. After Lonesome George's mount is complete, New York's American Museum of Natural History expects to display it before sending it back to the tortoise's native Galapagos. [See Photos of Lonesome George Being Preserved]

"I think there is a very powerful moment when you come face-to-face with a piece of taxidermy of an extinct species," said George Dante, a taxidermist and president of Wildlife Preservations, the company working on the Lonesome George mount. "It's not like flipping through a book or clicking online."

The missing dodo

Dante has restored specimens of other extinct species, including the passenger pigeon, the thylacine (a large, carnivorous marsupial that lived in Tasmania), the Carolina parakeet and others. But neither Dante nor any other taxidermist has ever worked on an original dodo specimen.
Like giant tortoises living on the Galapagos Islands, the dodos (Raphus cucullatus) that lived on Mauritius provided food for sailors. Seafarers' introduction of invasive species, such as goats and rats, also contributed to these formerly isolated animals' doom. [6 Extinct Species That Could Be Brought Back to Life]

Dodos appear to have gone extinct in the late 17th century. The only taxidermic specimens are artists' recreations, made of materials such as pigeon or goose feathers, said Dante, who worked on a scientifically accurate model of the extinct bird for a museum in Singapore.
George Dante paints a scientifically accurate model of a dodo. Dante worked with Phil Fraley Productions to recreate the dodo, commissioned in 2005 for a museum in Singapore.

George Dante paints a scientifically accurate model of a dodo. Dante worked with Phil Fraley Productions to recreate the dodo, commissioned in 2005 for a museum in Singapore.
Credit: George Dante
Research for the model revealed that reliable descriptions and depictions of the dodo are scant, according to a description of the project published in 2007 in the taxidermy-focused Breakthrough magazine.

"One of the big reasons there are so few remains of dodos is because people loved to eat them," saidChris Raxworthy, associate curator of herpetology at the American Museum of Natural History. "No one thought to set them aside for future generations."

Preserving a modern extinction

Meanwhile, Lonesome George's well-documented story took place in recent times. He was first spotted alone on La Pinta Island in 1971. Attempts to get him to mate were unsuccessful, and he became a conservation icon and an embodiment of humans' impact on the natural world. When Lonesome George died in June 2012, he was estimated to be about 100 years old.
At the Wildlife Preservations studio, Dante is several weeks into a process that is likely to take six or seven months. In the end, every visible part of the mount, except its glass eyes, will come from Lonesome George's remains. Foam, steel and wood will replace his muscle, skeletal structure and innards.

The pose selected for the mount will show off the tortoise's long neck.
"His head is going to be elevated about 3 feet (0.9 meters) above the ground, probably a lot higher than people imagine [a tortoise] can reach," Raxworthy said, adding that the tortoise's saddleback shell, which is raised in front, allowed the tortoise to rear his neck up higher than a domed shell would have.

Um zoológico trágico

O museu abriga outras peças de taxidermia que preservam os restos de espécies extintas, que incluem o moa gigante da Nova Zelândia, o pato Labrador, o pombo-passageiro e o tilacino, que é mais comumente conhecido como lobo da Tasmânia ou tigre-da-tasmânia.
A mounted, extinct thylacine that is currently traveling with the American Museum of Natural History’s Extreme Mammals exhibition. This large carnivorous marsupial is also called a Tasmanian wolf or tiger.

A mounted, extinct thylacine that is currently traveling with the American Museum of Natural History’s Extreme Mammals exhibition. This large carnivorous marsupial is also called a Tasmanian wolf or tiger.
Credit: © AMNH/J. Beckett

Embora seja claro que Lonesome George foi o último de sua espécie, os cientistas ainda debatem se as tartarugas da Ilha Pinta são uma subespécie de uma única tartaruga gigante de Galápagos ou se tartarugas da Ilha Pinta são uma das muitas espécies de tartarugas gigantes de Galápagos, disse Raxworthy, que apóia a designação. eles uma espécie completa. 
 
Mas a genética adicionou uma reviravolta à história de Lonesome George. Pesquisas revelaram a existência de tartarugas híbridas com a herança da tartaruga La Pinta em outra ilha nas Ilhas Galápagos. Através da criação cuidadosa, os conservadores poderão um dia produzir uma tartaruga que compartilhe a maior parte da herança La Pinta de Lonesome George, disse Raxworthy.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Taxidermia - Natureza no museu

Profissão de taxidermista auxilia estudos taxonômicos, ecológicos, biogeográficos e ambientais
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 250 | DEZEMBRO 2016
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© EDUARDO CESAR
No Museu de História Natural de Taubaté, interior paulista, especialistas mantêm a estética dos animais e simulam o ambiente em que viviam
No Museu de História Natural de Taubaté, interior paulista, especialistas mantêm a estética dos animais e simulam o ambiente em que viviam

Os olhos impávidos, as narinas umedecidas, a pelagem reluzente. O hiper-realismo promovido pela taxidermia, à primeira vista, causa fascínio e estranhamento. Ao fazer com que animais inanimados pareçam vivos, a área desperta o interesse de instituições de pesquisa e ensino do Brasil por possibilitar a conservação de espécies raras ou ameaçadas de extinção, além de auxiliar na identificação e na classificação de variedades muito parecidas entre si. Por sua vez, a exposição de animais taxidermizados em museus tem se revelado uma importante ferramenta didática para estudos ambientais. Pouco conhecida, a profissão de taxidermista — outrora denominada “empalhador” — apresenta-se como uma opção de carreira para aqueles interessados em preservar os animais para estudos científicos.

A taxidermia tem como objetivo manter a estética dos animais, reconstruindo suas características físicas e, às vezes, simulando o ambiente em que viviam. Trata-se de uma profissão que exige habilidade manual e experiência teórica em diversas subáreas da biologia, como anatomia, morfologia e ecologia, segundo o taxidermista Marcelo Felix, do Laboratório de Ornitologia do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP). Ele explica que os profissionais que trabalham nessa área hoje no Brasil são muito especializados e escassos. “Como não existem cursos técnicos ou universitários, a maioria dos profissionais inicia a carreira em cursos informais ou em estágios em institutos de pesquisa e museus”, conta. Segundo Felix, é possível encontrar cursos de taxidermia organizados esporadicamente pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro e pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A taxidermia também é oferecida no curso de pós-graduação na Universidade de Santo Amaro, em São Paulo.

© EDUARDO CESAR
Profissionais trabalham no estágio final de preparação de anta atropelada em rodovia
Profissionais trabalham no estágio final de preparação de anta atropelada em rodovia

Apesar de ser uma carreira técnica, os interessados precisam cursar graduação em biologia, veterinária ou zootecnia, sendo recomendável fazer pós-graduação em zoologia e, em seguida, procurar por estágios em museus, na própria universidade ou nos institutos de pesquisa. Nesses estágios, o profissional irá aprender as técnicas de preparação dos animais. Por lei, a comercialização de peças taxidermizadas é proibida no Brasil. A prática é permitida apenas para fins de pesquisa ou ensino. O trabalho do profissional só começa quando o animal, morto, é destinado a jardins zoológicos, instituições científicas ou museus.

Marcelo Felix trabalha na profissão desde 2008. Ele entrou em contato com a atividade pela primeira vez pouco antes de concluir a graduação em biologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo. “Participei de uma oficina sobre o assunto e conheci o museólogo e taxidermista Emerson Boaventura, que à época prestava serviços para o MZ-USP ”, conta. “Foi ele quem me orientou em meus primeiros passos nessa área.” Durante o estágio com Boaventura, Felix aprendeu as técnicas do processo de taxidermização de um animal. O primeiro passo consiste na retirada da pele, separando-a da carcaça ainda com as vísceras (ver infográfico). A pele é mergulhada em uma solução contendo ácido cítrico e sal, para descontaminação e preservação de suas características, enquanto a carcaça é congelada. Após alguns dias a carcaça é descongelada, e a pele, retirada da solução.
© DIVISÃO DE DIFUSÃO CULTURAL DO MZ-USP
Hiper-realismo pode auxiliar pesquisadores em estudos morfológicos
Hiper-realismo pode auxiliar pesquisadores em estudos morfológicos

Em uma nova fase, os taxidermistas revestem a carcaça com um papel filme e, posteriormente, engessam-na. Algumas horas depois, o gesso é desprendido da carcaça e preenchido com espuma de poliuretano, tomando a forma exata do molde e se solidificando após algumas horas. Por fim, coloca-se em cada pata e na cabeça do animal um pedaço de arame fixado na espuma para que os membros e a cabeça permaneçam parcialmente móveis, permitindo ao taxidermista colocar o animal na posição desejada. Ao fim do processo, costura-se a pele em volta do molde esculpido.

O trabalho é definido como uma arte refinada e complexa pela taxidermista Maria da Graça Salomão, do Instituto Butantan. Ela também conheceu a profissão durante a graduação em biologia na Faculdade de Ciências e Letras Farias Brito, em Guarulhos. “Durante o mestrado, em 1983, meu orientador exigiu que eu guardasse e conservasse as amostras de animais analisadas em minha pesquisa.” Foi então que Maria da Graça começou a aprender as técnicas de preparação e conservação dos animais coletados. Quando foi para o Butantan, em 1987, trabalhou com a taxidermia de répteis e aracnídeos. “Nossa coleção tem animais preservados há mais de 100 anos”, diz. Sua experiência na área lhe permitiu escrever, junto com outros pesquisadores, o livro Técnicas de coleta e preparação de vertebrados (Instituto Pau Brasil de História Natural, 2002), no qual explica técnicas de conservação de aves, mamíferos, anfíbios, entre outros.
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A taxidermização de animais é uma prática antiga. Na Europa, sabe-se que a atividade teve grande desenvolvimento durante o período da Renascença, ganhando força no século XVIII, em consequência da intensificação das expedições científicas e do desejo de conhecer melhor, e detalhadamente, novas espécies animais. No Brasil, a atividade era bastante difundida entre as décadas de 1930 e 1960, devido à legalização da caça de animais silvestres. Em janeiro de 1967, uma lei federal determinou a proibição da caça e da comercialização de espécimes da fauna brasileira. Com isso, a taxidermia perdeu relevância no país. À época os animais eram preenchidos com arame e palha — daí o termo “empalhado” — e expostos como troféus. O problema é que o uso desses materiais comprometia a fidelidade corpórea do bicho, que acabava ficando levemente deformado.


Os animais taxidermizados expostos em coleções didáticas de museus de história natural, laboratórios ou zoológicos, em geral, são encontrados mortos na natureza. Se estiverem em bom estado, são restaurados e expostos em museus. Em outros casos, são obtidos pelos próprios pesquisadores durante trabalho de campo. Não raro, os animais ficam expostos com dados sobre o local em que foram coletados, com informações científicas, comportamentais e registros fotográficos. As informações são usadas pelos cientistas como base para identificação de novas espécies. “Os pesquisadores comparam as características físicas entre o animal taxidermizado e o encontrado na natureza”, explica Felix. Além disso, os exemplares ajudam no desenvolvimento de estudos morfológicos sem a necessidade de o aluno
ou o pesquisador ir ao hábitat do animal.