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terça-feira, 10 de julho de 2018

Especiação na presença de fluxo gênico: genômica populacional de espécies de eucalipto intimamente relacionadas e divergentes

Heredity 
volume 121pages126141 (2018) | Download Citation

Abstract

A especiação é um processo complexo que é fundamental para as origens da diversidade biológica. Embora tenha havido um progresso considerável em nossa compreensão da especiação, ainda há muitas questões não respondidas, especialmente em relação às barreiras ao fluxo gênico em populações divergentes. O eucalipto é um sistema apropriado para investigar mecanismos de especiação, pois compreende espécies que estão evoluindo rapidamente em ambientes heterogêneos. Examinamos padrões de variação genética dentro e entre seis espécies de eucalipto estreitamente relacionadas no subgênero Eucalyptus section Eucalyptus no sudeste da Austrália (comumente conhecidas como “cinzas verdes”). 

Utilizamos sequenciamento do genoma de representação reduzida para genotipar amostras de populações ao longo de gradientes de altitude e latitudinal. Descobrimos que uma espécie, Eucalyptus cunninghamii, é altamente diferenciada geneticamente das outras, e uma população de mallees de Mount Banks é geneticamente distinta e, portanto, provavelmente uma nova espécie não descrita. 

Apenas níveis modestos de diferenciação foram encontrados entre todas as outras espécies no estudo. Houve estrutura populacional dentro de algumas espécies (por exemplo, E. obstans) correspondentes a fatores geográficos, indicando que a vicariância pode ter desempenhado um papel na evolução do grupo. 

No geral, descobrimos que as linhagens dentro das cinzas verdes são diferenciadas em graus variados, de fortemente divergentes para fases muito mais adiantadas do contínuo da especiação. Além disso, nossos resultados sugerem que as cinzas verdes representam um grupo em que uma série de mecanismos (por exemplo, evolução reticulada e vicariância) tem operado em conjunto. Esses achados não apenas oferecem insights sobre mecanismos recentes de especiação em eucaliptos, mas também outros complexos de espécies.

https://www.nature.com/articles/s41437-018-0073-2?WT.ec_id=HDY-201807&spMailingID=56967007&spUserID=MTc2MTMyNjExMQS2&spJobID=1441141589&spReportId=MTQ0MTE0MTU4OQS2

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Transplantes fecais podem ajudar a salvar coalas vulneráveis

Por Elizabeth GamilloJun. 14, 2018, 15:00


 



O icônico coala da Austrália está em risco, pois seu habitat está sob crescente ameaça do desenvolvimento humano. Mas os coalas também criam problemas próprios: muitos comem apenas certas espécies de eucalipto, limitando sua ingestão de alimentos. Agora, um novo estudo sugere por que os coalas são tão exigentes - são as bactérias intestinais, relatos da Nature. Depois de coletar fezes de 200 coalas em 20 locais, os cientistas descobriram que coalas com diferentes preferências de eucalipto abrigavam diferentes bactérias intestinais.

Os pesquisadores então transferiram as bactérias fecais de um grupo para o outro. Em cerca de duas semanas, os coalas puderam comer a variedade de eucalipto que não conseguiram digerir antes, relataram os pesquisadores no encontro anual da Sociedade Americana de Microbiologia. A descoberta pode ajudar a salvar o coala - e outras espécies com suprimentos limitados de alimentos.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

arquivo prof Iraê Guerrini
Professor da Unesp lança livro sobre eucalipto
José Luiz Stape é um dos autores de "Eucalyptus no Brasil"
[24/10/2016]
O engenheiro florestal José Luiz Stape, professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, Câmpus de Botucatu, é um dos autores do livro recém-lançado “Eucalyptus no Brasil – Zoneamento climático e guia para identificação”.


Em 447 páginas, a publicação tem como objetivo servir de ferramenta de campo ao produtor rural e urbanistas para identificação das principais espécies de Eucalyptus cultivadas no Brasil. O livro traz ainda informações relevantes a pesquisadores e profissionais florestais sobre as necessidades climáticas das espécies na forma de gráficos, tabelas e mapas.

Uma chave de identificação, com descrições morfológicas e comentários taxonômicos, propicia segura identificação das espécies, apoiada por pranchas fotográficas de folhas, flores, frutos, sementes, mudas, madeira, tronco e casca. No total, mais de 500 ilustrações e mais de 50 mapas são apresentados para as 47 espécies tratadas neste guia.

Além de Stape, a obra tem como autores Thiago Bevilacqua Flores, Clayton Alcarde Alvares e Vinicius Castro Souza.

Os interessados podem adquirir o livro aqui.

Currículo

Além de professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal da FCA/Unesp, José Luiz Stape é o Gerente Executivo de Tecnologia da Suzano Celulose e Papel e professor de pós-graduação da USP e North Carolina State University (NCSU), nos Estados Unidos.

É doutor em Forest Sciences - Colorado State University em 2002, e foi professor Doutor em Silvicultura na USP, de 1995 a 2008, e da NCSU, de 2008 a 2015. Na USP, foi coordenador do curso de Engenharia Florestal e coordenador das Estações Experimentais Florestais da USP. Publicou 40 artigos em periódicos especializados e 66 trabalhos em anais de eventos.

Suas principais áreas de atuação são modelagem ecofisiológica, preparo de solo, nutrição florestal, espaçamento, plantations, solos florestais, brotação, produtividade florestal, delineamento sistemático e ervas daninhas.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Plantio de eucalipto aumenta chuva em regiões altas das Serras do Mar e Mantiqueira

07 de abril de 2015

Elton Alisson | Agência FAPESP – A substituição da vegetação natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as áreas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regiões serranas durante a estação chuvosa – entre dezembro e fevereiro.


 
 Substituição da vegetação natural das encostas aumenta volume de precipitações no topo de montanhas, culminando em riscos de deslizamentos de terra, aponta estudo do Inpe.


A constatação é de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.


“Observamos que a mudança da vegetação natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superfície e a atmosfera, modificando o padrão de circulação de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em razão disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras”, disse Regina Alvalá, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, à Agência FAPESP.
“O aumento da convergência de umidade sobre os topos das montanhas facilita a formação e alimentação de nuvens, nevoeiros e tempestades”, explicou.

De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, há mais de 6 milhões de hectares de florestas de eucalipto dos gêneros Pinnus e Eucalyptus no Brasil, em regiões com diferentes topografias e padrões de chuva.
Em São Paulo, as plantações de eucalipto estão concentradas em cidades situadas próximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, à exceção de Ribeirão Preto.

Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as plantações de eucalipto têm sido expandidas para encostas íngremes em municípios próximos a essas duas regiões serranas do estado.
Em razão dessa e de outras mudanças no uso e cobertura da terra – como a conversão para área de pastagem –, que têm ocorrido nas últimas décadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, está aumentando o volume de chuvas sobre as áreas mais altas dessas regiões serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.
“Como o eucalipto é uma vegetação de porte alto, absorve muita radiação e, com isso, altera os balanços de energia e de água entre a superfície e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas”, disse Alvalá.
Os pesquisadores analisaram séries históricas de dados de chuvas, referentes ao período de 1961 a 1990, de 25 estações meteorológicas distribuídas por municípios localizados próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.
“Observamos que, embora as alterações mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as áreas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, também houve um aumento do número de episódios de chuvas em algumas áreas na região do Vale do Paraíba”, afirmou Alvalá.

Projeções

A fim de avaliar os impactos da conversão de áreas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram projeções usando o modelo climático regional ETA-CPTEC, com resolução espacial de 10 quilômetros, desenvolvido pelo Inpe.
As projeções indicaram que tanto a troca da vegetação natural por plantio de eucalipto como para área de pastagem levam ao aumento no volume diário de chuvas durante o verão, principalmente sobre as áreas mais elevadas das regiões serranas.

“A análise dos dados observacionais do período entre 1941 e 2012 e as simulações com o modelo meteorológico ETA para o período entre 1981 e 1990 indicam que as mudanças no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas áreas dessas regiões serranas”, avaliou Alvalá.
“Esse tipo de diagnóstico da evolução da mudança de uso da terra e suas implicações climáticas são essenciais para orientar tomadores de decisão de órgãos governamentais e da Defesa Civil na identificação de áreas de risco”, afirmou.

Em outro estudo, publicado no International Journal of Geo-Information, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em áreas ocupadas por plantações de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em áreas de pastagem, em 16 municípios próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

Os resultados do estudo indicaram que as áreas convertidas para pastagem apresentam os maiores níveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas plantações de eucalipto e as ocupadas por moradias.
“Há uma preocupação sobre a área crescente de plantações de eucalipto em encostas íngremes no Estado de São Paulo uma vez que não há estudos específicos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa”, ressaltam os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorrência de deslizamentos de terra.
No estágio inicial de desenvolvimento – que dura entre dois e três anos –, as árvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposição do solo à luz solar, tornando-o mais úmido e vulnerável a deslizamentos.

Já na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das árvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.

Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto à chuva e aumenta sua taxa de erosão, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.
“A taxa de erosão de uma área de colheita de eucalipto pode ser até quatro vezes maior do que a de uma região com vegetação preservada”, destacam.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Guia de pragas do eucalipto

30/9/2010
Agência FAPESP – Pesquisadores da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, e da Empresa Silvi Control acabam de lançar o Guia de Campo Pragas de Eucalipto.
Destinado a estudantes, profissionais, pequenos e grandes produtores florestais, o guia tem o objetivo de facilitar a identificação das principais pragas que atacam a cultura do eucalipto.
Publicada pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) em formato de bolso, a obra traz mais de 30 espécies de insetos-praga com fotos ilustradas.
A obra traz imagens detalhadas com nomes científicos dos insetos, divididos em lagartas desfolhadoras, besouros desfolhadores, sugadores, cupins e formigas cortadeiras.
Quem adquire a publicação recebe uma senha para acessar, no site da Silvi Control, empresa incubada na Prospecta (Incubadora Tecnológica de Botucatu), informações sobre nome popular das pragas, descrição dos insetos, ciclo biológico, época de ocorrência, tipos de danos causados e monitoramento, entre outras.
Os usuários também podem preencher no site uma ficha de diagnóstico para a confirmação da identificação preliminar.

O Guia de Campo Pragas de Eucalipto pode ser adquirido diretamente na sede da Fepaf, na Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu, por R$ 10. Caso haja despesa de envio são acrescidos mais R$ 5.
Mais informações: eventos@fepaf.org.br ou (14) 3811-7263/1210 – ramal 211