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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

As florestas tropicais do futuro

vitrine-renascimento 
Se as florestas tropicais primárias são mais essenciais para a conservação da biodiversidade no planeta, por que deveria ser dada importância para as florestas em regeneração?  

Primeiramente, as florestas em regeneração são o tipo mais comum nos trópicos em todo o planeta. Somente 19 das 106 nações tropicais (18%) que forneceram dados para a Global Forest Resources Assessment (FRA de 2010) declararam ter mais área de floresta primária do que em regeneração.

Para 51 países (48%), as florestas em regeneração ocupavam uma área maior do que as primárias, enquanto 36 países (34%) declararam que as únicas florestas que restam em seu território são aquelas em regeneração.

Por mais grosseiros e inconsistentes que sejam, esses relatos realçam a importância das florestas em regeneração para mais de 80% das nações tropicais. Sem elas nas paisagens tropicais, corre-se o risco de perder a maioria dos estoques globais de carbono e uma fração significativa das espécies e serviços ecossistêmicos do planeta. Há muita coisa em jogo.

Décadas de pesquisa meticulosa revelaram muito sobre a regeneração das florestas tropicais. O entendimento das trajetórias da regeneração florestal é essencial para manejar e restaurar florestas e para prever as mudanças florestais decorrentes das alterações climáticas. Estudos de regeneração florestal informam como diferentes tipos e intensidades de uso do solo influenciam a estrutura, a composição de espécies e a acumulação de carbono e nutrientes nas trajetórias sucessionais dos ecossistemas florestais.

As florestas em regeneração fornecem habitat para uma vasta gama de espécies animais que dispersam sementes, polinizam flores e realizam interações tróficas. Ao entender as trajetórias sucessionais, pode-se diagnosticar melhor as causas da sucessão estagnada e prescrever ações para superar as barreiras que impedem a regeneração natural.

É possível aprender com agricultores tradicionais de roçado como enriquecer florestas em regeneração com produtos para uso doméstico ou comercial. Por fim, pode-se aprender como fatores geográficos e socioeconômicos influenciam o desmatamento e a regeneração florestal nas mais diversas escalas espaciais e temporais.

Ao entender a regeneração florestal, aprende-se também sobre os impactos das atividades humanas nos ecossistemas florestais, hoje e no passado. Baseando-se nas características da vegetação em sucessão, é possível identificar períodos de intervenção humana seguidos por regeneração em florestas tropicais nos últimos 2.000-45.000 anos.

As florestas primárias de hoje já foram florestas secundárias, e, se tiverem uma segunda chance, as florestas secundárias de hoje serão as florestas primárias do futuro.
Tudo a ver
renascimento_de_florestasEsta matéria foi retirada do próximo lançamento da Oficina de Textos “Renascimento de Florestas: regeneração na era do desmatamento”, uma obra essencial para o manejo e a restauração de florestas e para compreender os impactos de fatores geográficos e socioeconômicos no desmatamento e na regeneração florestal.

O livro aborda usos do solo, perturbações em florestas tropicais, trajetórias sucessionais, regeneração florestal, diversidade da fauna durante a regeneração, funções ecossistêmicas, restauração e reflorestamento, entre outros temas.

Ao longo de 15 capítulos, apresenta a profunda compreensão das florestas em regeneração, o que proporciona ainda subsídios para ações de restauração ecológica.

Fruto de mais de 25 anos de pesquisa, em diferentes regiões e com diferentes colaboradores, e um rico trabalho bibliográfico, Renascimento de florestas é uma obra essencial para o manejo e a restauração de florestas tropicais e para compreender os impactos de fatores geográficos e socioeconômicos no desmatamento e na regeneração florestal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Radiografia das florestas

Levantamento global com a participação de brasileiros estima a existência de mais de três trilhões de árvores no planeta e aponta extensão dos danos causados pelas ações humanas. 
 
Por: Simone Evangelista
Publicado em 02/09/2015 | Atualizado em 02/09/2015
Radiografia das florestas
O mapa global da densidade de árvores representa um avanço na compreensão da cobertura e distribuição da vegetação no planeta. Suas aplicações incluem questões ecológicas, ambientais e econômicas. (foto: Alexander Steinhof / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0) 
 
O total de árvores existentes no planeta é bem maior do que os cientistas estimavam. Segundo pesquisa publicada nesta quarta-feira (2/9) na revista Nature, aproximadamente 3,04 trilhões de árvores povoam a superfície terrestre. Se não houvesse interferência humana, no entanto, esse número seria ainda mais expressivo: em outra estimativa igualmente impressionante, o trabalho revela que quase metade das árvores desapareceu da Terra desde o início da nossa civilização.

Os resultados são fruto de um levantamento que durou três anos e envolveu mais de 50 pesquisadores de diversos países, incluindo dois brasileiros. Os cientistas utilizaram dados de quase 430 mil medições de campo sobre a densidade das árvores realizadas nos últimos 12 anos para criar o primeiro mapa espacialmente contínuo de densidade das florestas em uma escala global.

“As estimativas anteriores utilizavam apenas as informações de satélites, então era difícil ter uma ideia de quantas árvores existiam em uma área específica”, afirma o ecólogo britânico Thomas Crowther, líder do projeto e pesquisador da Faculdade de Ciências Florestais e Estudos Ambientais da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. “Nosso mapa fornece informações mais detalhadas e aponta para um entendimento mais apurado sobre a distribuição das árvores dentro das florestas, o que fornece novas informações sobre a estrutura dos ecossistemas”, completa.

Antes da pesquisa, estimava-se que haveria 400,25 bilhões de árvores na Terra, uma média de 61 espécimes por pessoa. Com o novo 'censo' florestal, a estimativa sobe para 422 árvores para cada ser humano vivo no planeta.
 
Antes da pesquisa, estimava-se que haveria 400,25 bilhões de árvores na Terra, uma média de 61 espécimes por pessoa. Com o novo 'censo' florestal, a estimativa sobe para 422 árvores para cada ser humano vivo no planeta. “Só na Amazônia existem 390 bilhões de árvores. O estudo contribui para previsões melhores sobre o estoque de carbono nas florestas e alterações causadas por mudanças climáticas. Será possível saber com mais exatidão informações como o comportamento das florestas se a temperatura aumentar em dois graus até o fim do século”, comemora o engenheiro florestal Alexander Vibrans, da Universidade Regional de Blumenau, um dos autores do estudo.

Florestas mais secas

Coordenador do Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina, o brasileiro conta que a cooperação internacional incluiu um complexo trabalho de triagem e compilação de bancos de dados. “Após uma avaliação dos quase 430 mil pontos amostrais, todos relativos a árvores com pelo menos dez centímetros de diâmetro, a equipe realizou interpolações que permitiram calcular a quantidade de árvores existentes onde não há levantamentos de campo desse tipo”, descreve Vibrans.

De acordo com o líder do projeto, a comparação de fatores como temperatura, umidade, características do solo e níveis de atividade humana possibilitou a construção de modelos geoestatísticos referentes a 14 biomas. “Se sabemos que o número de árvores aumenta em locais mais úmidos, podemos começar a prever quantas árvores existem com base na umidade de determinadas áreas, por exemplo”, diz Crowther.

Entre os resultados do levantamento, a relação entre a densidade das árvores e a umidade do ambiente surpreendeu os cientistas. Em primeiro lugar, a quantidade de árvores em regiões mais secas e frias foi bem maior do que se pensava. “Isso se deve ao ‘empacotamento’, nas regiões mais frias, de muitas árvores de poucas espécies e de pequeno porte, resultando numa alta densidade de árvores por hectare”, explica o outro brasileiro envolvido na pesquisa, Daniel Piotto, da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Além disso, ao contrário do que seria esperado, em biomas como savanas inundadas e florestas tropicais secas, as maiores densidades foram registradas em áreas menos úmidas. Para os autores, o resultado reflete a influência das atividades humanas, que elegem solos mais úmidos (e produtivos) para outros usos. “A qualidade do solo e a umidade disponível são recursos valiosos. Em alguns lugares, as melhores áreas para as árvores também são as melhores áreas para a agricultura. Por isso, as fazendas acabam substituindo algumas das florestas mais produtivas”, acredita Crowther.
Mapa da densidade global de florestas
Mapa da densidade florestal global produzido a partir de modelos baseados em 14 biomas diferentes. As áreas verdes indicam regiões onde há maior densidade de árvores. (imagem: Crowther et al / Nature)
O impacto da apropriação das terras de florestas para outras finalidades, no entanto, tem efeitos diferentes sobre a densidade florestal de cada tipo de bioma – sendo mais significativo em regiões tropicais, como o Brasil. “Nessas regiões existe alta diversidade de espécies e muita variação no tamanho das árvores”, diz Piotto, que participou da concepção do projeto e da busca de informações em áreas tropicais da América Latina. “Com o corte de poucas árvores, várias espécies são impactadas, enquanto em regiões temperadas, alpinas e boreais, a remoção de poucas árvores afeta algumas poucas espécies”, explica o engenheiro florestal.

A metade que nos resta

Além de fornecer um diagnóstico mais preciso sobre a situação atual das florestas, a pesquisa alerta sobre os danos causados pela humanidade aos ecossistemas em todos os biomas do planeta. Com base nas projeções sobre a densidade das árvores, os pesquisadores estimam que o número total de espécimes diminuiu em aproximadamente 46% após o início da civilização. Segundo o levantamento, mais de 15 bilhões de árvores são cortadas a cada ano. “Estes números são assustadores e podem explicar parte dos grandes impactos causados pelos humanos no clima terrestre. A remoção de trilhões de árvores também está relacionada ao fim de milhares de espécies de plantas e animais que contavam com essas florestas para sobreviver”, lamenta Crowther. “O estudo aponta a necessidade de aumentar drasticamente nossos esforços para reestabelecer o estado dos ecossistemas naturais em todo o mundo”.

Os próximos passos do projeto incluem a avaliação de variáveis como a influência do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na existência e manutenção das florestas. “Já sabemos que nos países desenvolvidos a cobertura florestal está aumentando, enquanto regiões menos desenvolvidas sofrem com pressões econômicas, principalmente de culturas de exportação como milho, soja e cana-de-açúcar”, lembra Vibrans. “Esse tipo de estudo é essencial para subsidiar decisões futuras sobre o uso do solo que precisam ser tomadas pelos estados, mas muitas vezes falta disciplina política para agir de acordo com o que é razoável”, critica o pesquisador brasileiro.

Simone Evangelista
Especial para a CH On-line

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ciliar-mata.blogspot.com
A controvérsia na recomposição da mata ciliar
Artigo de professor da Unesp publicado no Estadão Noite
[20/08/2015]
Uma prática, em geral, recomendada para proteger e, assim, assegurar a perenização dos mananciais hídricos, consiste na reposição da vegetação arbórea nas áreas de entorno dos mananciais, uma prática conhecida como “recomposição da mata ciliar”. A denominação “mata” implica na presença predominante de uma vegetação arbórea, constituída, preferencialmente, por espécies adaptadas ao habitat considerado. Assim, a recomposição incorpora todas as providências necessárias para repovoar aquele espaço reconhecidamente degradado.
Para assegurar a perenização dos mananciais, é indispensável promover a recarga hídrica no solo, através do processo de infiltração. Portanto, torna-se oportuno promover uma análise compar
ativa, entre o potencial de infiltração associado à vegetação que recobre o espaço a ser recomposto.
O processo de infiltração da água no solo manifesta-se em função da condição de umidade existente no solo, e da porosidade que favorece o caminhamento descendente da água no perfil. Quanto maior essa porosidade, maior a quantidade de água infiltrada. A forma como a vegetação afeta o processo de infiltração é decisiva sobre sua eficácia na reposição de água que deverá abastecer os mananciais.
Do ponto de vista exclusivo de infiltração, parece não haver dúvidas que a vegetação rasteira, tipicamente constituída por gramíneas, com o sistema radicular fasciculado, ativo ou decomposto, deve proporcionar caminhos muito mais numerosos e eficazes para a infiltração, que uma vegetação arbórea, com suas escassas e volumosas raízes axiais ou pivotantes. O crescimento dessas raízes exerce uma força de compressão, que deverá resultar em diferentes graus de compactação, reduzindo a porosidade natural existente no solo.

Outro aspecto, diretamente associado à quantidade de água infiltrada, refere-se ao tempo de oportunidade para infiltração.  Novamente, a presença da vegetação rasteira dificulta o escoamento superficial, aumentando a oportunidade para a água infiltrar-se. Certamente, este processo será menos significativo em povoamentos arbóreos, uma vez que as árvores encontram-se razoavelmente espaçadas, além de limitar o crescimento da vegetação rasteira.

Um sistema radicular axial ou pivotante pode aprofundar-se a consideráveis distâncias no perfil do solo, enquanto as raízes fasciculadas de uma vegetação rasteira, raramente ultrapassam 30 ou 40 cm de profundidade. Assim, as árvores conseguem extrair água a maiores profundidades, mantendo ativo o processo de transpiração, o que deve reduzir a água no subsolo. Por outro lado, quando ocorre uma redução sazonal no teor de umidade nas camadas superficiais do solo, a vegetação rasteira entra em repouso vegetativo até a próxima estação chuvosa, preservando, portanto, a água existente nas camadas mais profundas do perfil.

Por essas razões, talvez fosse mais sensato, em um processo de recomposição da “vegetação ciliar”, apenas isolar as áreas de entorno dos mananciais, para permitir a recomposição natural e espontânea das espécies vegetais, rasteiras, arbustivas e arbóreas, já adaptadas àquele habitat, sem interferência humana. Em locais extremamente degradados, onde a recuperação natural pode ser dificultada, poderá haver a necessidade de intervenção, para proporcionar as condições necessárias à sua desejável recomposição.

Edmar José Scaloppi é professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, Câmpus de Botucatu, SP.
Este artigo foi publicado originalmente no Estadão Noite de 19 de agosto de 2015.
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Plantio de eucalipto aumenta chuva em regiões altas das Serras do Mar e Mantiqueira

07 de abril de 2015

Elton Alisson | Agência FAPESP – A substituição da vegetação natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as áreas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regiões serranas durante a estação chuvosa – entre dezembro e fevereiro.


 
 Substituição da vegetação natural das encostas aumenta volume de precipitações no topo de montanhas, culminando em riscos de deslizamentos de terra, aponta estudo do Inpe.


A constatação é de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.


“Observamos que a mudança da vegetação natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superfície e a atmosfera, modificando o padrão de circulação de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em razão disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras”, disse Regina Alvalá, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, à Agência FAPESP.
“O aumento da convergência de umidade sobre os topos das montanhas facilita a formação e alimentação de nuvens, nevoeiros e tempestades”, explicou.

De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, há mais de 6 milhões de hectares de florestas de eucalipto dos gêneros Pinnus e Eucalyptus no Brasil, em regiões com diferentes topografias e padrões de chuva.
Em São Paulo, as plantações de eucalipto estão concentradas em cidades situadas próximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, à exceção de Ribeirão Preto.

Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as plantações de eucalipto têm sido expandidas para encostas íngremes em municípios próximos a essas duas regiões serranas do estado.
Em razão dessa e de outras mudanças no uso e cobertura da terra – como a conversão para área de pastagem –, que têm ocorrido nas últimas décadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, está aumentando o volume de chuvas sobre as áreas mais altas dessas regiões serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.
“Como o eucalipto é uma vegetação de porte alto, absorve muita radiação e, com isso, altera os balanços de energia e de água entre a superfície e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas”, disse Alvalá.
Os pesquisadores analisaram séries históricas de dados de chuvas, referentes ao período de 1961 a 1990, de 25 estações meteorológicas distribuídas por municípios localizados próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.
“Observamos que, embora as alterações mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as áreas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, também houve um aumento do número de episódios de chuvas em algumas áreas na região do Vale do Paraíba”, afirmou Alvalá.

Projeções

A fim de avaliar os impactos da conversão de áreas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram projeções usando o modelo climático regional ETA-CPTEC, com resolução espacial de 10 quilômetros, desenvolvido pelo Inpe.
As projeções indicaram que tanto a troca da vegetação natural por plantio de eucalipto como para área de pastagem levam ao aumento no volume diário de chuvas durante o verão, principalmente sobre as áreas mais elevadas das regiões serranas.

“A análise dos dados observacionais do período entre 1941 e 2012 e as simulações com o modelo meteorológico ETA para o período entre 1981 e 1990 indicam que as mudanças no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas áreas dessas regiões serranas”, avaliou Alvalá.
“Esse tipo de diagnóstico da evolução da mudança de uso da terra e suas implicações climáticas são essenciais para orientar tomadores de decisão de órgãos governamentais e da Defesa Civil na identificação de áreas de risco”, afirmou.

Em outro estudo, publicado no International Journal of Geo-Information, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em áreas ocupadas por plantações de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em áreas de pastagem, em 16 municípios próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

Os resultados do estudo indicaram que as áreas convertidas para pastagem apresentam os maiores níveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas plantações de eucalipto e as ocupadas por moradias.
“Há uma preocupação sobre a área crescente de plantações de eucalipto em encostas íngremes no Estado de São Paulo uma vez que não há estudos específicos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa”, ressaltam os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorrência de deslizamentos de terra.
No estágio inicial de desenvolvimento – que dura entre dois e três anos –, as árvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposição do solo à luz solar, tornando-o mais úmido e vulnerável a deslizamentos.

Já na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das árvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.

Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto à chuva e aumenta sua taxa de erosão, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.
“A taxa de erosão de uma área de colheita de eucalipto pode ser até quatro vezes maior do que a de uma região com vegetação preservada”, destacam.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fim das Áreas de Preservação Permanente (APPs) nos rios intermitentes...Como será o futuro do nossos rios? 

Exemplo de um rio intermitente - Piauí

Comissão tira proteção de rios intermitentes


BRASÍLIA - A comissão especial do Congresso que analisa a medida provisória do Código Florestal aprovou nesta quarta-feira, 8, uma emenda que poderá comprometer para sempre todas as bacias hidrográficas brasileiras. Por 15 votos a 12, a comissão decidiu que só serão resguardados por Área de Proteção Permanente (APP) os rios perenes. Os intermitentes poderão virar pasto, roça e estrada.

Entre os rios que poderão perder a proteção está até o Jaguaribe, em cujos leitos se encontram os Açudes do Castanhão e de Orós, no Ceará. Há épocas do ano em que o Jaguaribe seca.

Pelas contas do senador Jorge Viana (PT-AC), 50% dos rios brasileiros serão atingidos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 80% dos rios do Piauí são intermitentes e no Distrito Federal, 70%. "Os rios intermitentes é que mandam a água para os perenes. Sem eles, todas as bacias hidrológicas ficarão comprometidas", afirmou Viana.

"Um rio que seca parte do ano, se não estiver protegido, com o tempo pode não voltar mais. Uma decisão dessas está no fundo sacrificando rios e, em última instância, sacrificando o fornecimento de água", disse Ana Cristina Barros, da ONG TNC, que trabalha com projetos de plantio em margens de rios para garantir a produção de água.

A emenda que tirou a proteção dos rios intermitentes foi apresentada pelo deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Segundo ele, o objetivo foi dar "maior clareza à lei e buscar um tratamento isonômico com os olhos d’água perenes". Para Viana, não sobrarão nem os igarapés da Amazônia, que em determinadas épocas do ano são gigantescos braços de água e em outros secam. CONTINUA!

Governo interrompe diálogo com ruralistas

O Governo disse que não mais votar por agora a medida provisória que altera o Código Florestal. Comissão do Congresso concluiu que bancada ruralista quer mudar estrutura das leis que protegem nascentes, rios e florestas

Em represália à aprovação do fim das Áreas de Preservação Permanente (APPs) nos rios intermitentes, o Governo decidiu na noite de ontem interromper o diálogo com a bancada ruralista e não mais votar por agora a medida provisória que altera o Código Florestal. O presidente da comissão do Congresso que examina a medida provisória, deputado Bohn Gass (RS), que é do PT, foi orientado a suspender a sessão que estava marcada para a manhã de hoje.

Bohn Gass enviou, ontem mesmo, a todos os senadores e deputados da comissão um comunicado segundo o qual não haveria mais nenhuma sessão da comissão especial no momento. A decisão do governo ocorreu depois de uma reunião de emergência no Palácio do Planalto entre os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), os senadores Jorge Viana (PT-AC), José Pimentel (PT-CE) e Luiz Henrique (PMDB-SC) com o presidente da comissão.

Leis ambientais

Os participantes da reunião concluíram que a bancada ruralista não se limitou apenas a tentar fazer mudanças na medida provisória que altera o Código Florestal, e sim em toda a estrutura das leis ambientais que protegem nascentes, rios e florestas. Desse modo, a comissão do Congresso entendeu que seria mais interessante interromper qualquer votação.

O deputado Bohn Gass disse que tentará convocar uma reunião para o dia 28 deste mês. Ele acha que até lá os parlamentares poderão buscar novos entendimentos e impedir a aprovação de emendas como a que retirou a proteção aos rios intermitentes. A sessão de ontem foi interrompida no momento em que a bancada ruralista tentava acabar com a obrigatoriedade de proteção às margens das veredas. (Agência Estado)

Saiba o que significa a proteção dos rios itermitentes

“As faixas de vegetação protetora foram diminuídas para todos os rios brasileiros com o novo Código Florestal. Agora, cursos d´água intermitentes e espécies que são ainda mais frágeis e que dependem desse ciclo de secas e chuvas, ficarão totalmente desprotegidos”, ressaltou Kenzo Jucá Ferreira, especialistas em Políticas Públicas do WWF-Brasil.

“A destruição de áreas úmidas importantes ao longo de riachos, rios e em áreas interfluviais pode levar à perda de serviços ambientais fundamentais para a nação, sob o ponto de vista ecológico, econômico, e social, incluindo a destruição de uma numerosa e única biodiversidade.
Grande parte das áreas úmidas brasileiras, devido ao regime de chuvas sazonal, é submetida a níveis de água variáveis, resultando em sistemas pulsantes com períodos de seca e cheia bastante pronunciados. Inundações periódicas ocorrem ao longo de pequenos rios em muitos pulsos imprevisíveis e de curta duração, variando de acordo com eventos de chuvas e secas locais.

Na velha e na nova versão proposta para o Código Florestal, as áreas úmidas não são especificamente mencionadas. Mas o Código em vigor protege faixas de floresta ao longo dos córregos e rios de acordo com a largura do rio, sendo considerado o nível mais alto, isto é, o nível alcançado por ocasião da cheia sazonal do curso d’água perene ou intermitente como definido pela resolução CONAMA de 2002. Esta formulação dá proteção à orla das áreas úmidas, assegurando sua integridade. 

O novo Código Florestal considera Área de Preservação Permanente (APP) desde a borda da calha do leito regular, sendo esta definida na proposta como: a calha por onde correm regularmente as águas do curso d’água durante o ano. Esta proposição deixaria a maioria das áreas úmidas sem proteção legal, impactando negativamente os serviços proporcionados aos seres humanos e ao meio ambiente.”(OEco)


Fontes: http://www.opovo.com.br/app/opovo/radar/2012/08/09/noticiasjornalradar,2895845/governo-interrompe-dialogo-com-ruralistas.shtml
http://tudoeespanto.blogspot.com.br/
http://www.oeco.com.br/convidados-lista/25724-novo-codigo-florestal-expoe-areas-umidas-como-pantanal

Foto: http://www.pictures.org.es/brazil/city.php?Bonito&id=497

Nossos deputados estão jogando xadrez e colocando em xeque o futuro ambiental do Brasil...

http://folhasegente.blogspot.com.br/2012/08/fim-das-areas-de-preservacao-permanente.html?goback=.gde_3046706_member_144483225