Mostrando postagens com marcador Período Permiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Período Permiano. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Biological and physical evidence for extreme seasonality in central Permian Pangea

 

Highlights

Biological and physical evidence supports extreme climate in central Permian Pangea
Paleosols and sedimentology indicate aridity with periodic high water availability
Carbon isotopes suggest soil productivity and evapotranspiration were very low
Pareiasaur bones shows evidence of active metabolism and distinct growth marks
The macroflora includes a 25 m long petrified log and voltzian conifer fossils

Abstract

Dados de isótopos estáveis ​​de carbono a partir de matéria orgânica e paleossolos sugerem que tanto a produtividade do solo quanto a evapotranspiração real foram muito baixas, correspondendo a condições áridas. A análise histológica dos ossos do pareiasaur mostra evidências de metabolismo ativo e revela marcas de crescimento distintas. Essas interrupções na formação óssea são indicativas de ritmos de crescimento e são consideradas marcadores de contrastância da sazonalidade ou eventos climáticos episódicos.

As floras macrofósseis têm baixa diversidade e representam florestas dominadas por gimnospermas. Os mais notáveis ​​são brotos anulares ovulíferos de coníferas voltianas, e um tronco de 25 m de comprimento com cicatrizes de ramos irregularmente posicionadas. As evidências biológicas e físicas combinadas sugerem que a Formação Moradi foi depositada sob um clima geralmente árido com períodos recorrentes de abundância de água, permitindo um ecossistema bem estabelecido dependente das águas subterrâneas. Com relação ao seu ambiente, esse sistema é comparável aos ecossistemas modernos, como o Deserto da Namíbia, na África Austral, e a bacia do Lago Eyre, na Austrália, que são discutidos como análogos modernos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Catastrophic Volcanoes Blamed for Earth's Biggest Extinction


Catastrophic Volcanoes Blamed for Earth's Biggest Extinction
The view from atop a sill of the Siberian Traps, the largest series of volcanic eruptions in geologic history, looking out at mountains composed of similar lavas and sills.
Credit: Seth Burgess
Geólogos transportando centenas de quilos de rochas de 250 milhões de anos da Sibéria, através de costumes russos e americanos, dizem que a sorte estava do lado deles. Não só conseguiram transportar o enorme transporte, como também confirmaram a causa da pior extinção em massa da Terra. O culpado? Erupções vulcânicas catastróficas que expeliram lava suficiente para cobrir a Austrália levaram à morte no final da era Permiana, descobriram os pesquisadores. Essa morte ocorreu há cerca de 250 milhões de anos e foi a maior extinção em massa da história da Terra; 90 por cento das espécies marinhas e 75 por cento dos habitantes da terra foram varridos da face do planeta ao longo de cerca de 60.000 anos. As rochas vulcânicas antigas agora fornecem a melhor evidência, no entanto, de que a atividade vulcânica catastrófica desencadeou a extinção, dizem os pesquisadores.

"The main question we and many other research teams are trying to answer is, 'What causes mass extinction?'" said study lead author Seth Burgess, a geochronologist at the U.S. Geological Survey in Menlo Park, California. "These events shape the evolutionary trajectory of life on our planet, and are thus some of the most important events to occur in the 600 million years that complex life has inhabited Earth." [Wipe Out! History's 7 Most Mysterious Extinctions]

Os cientistas sabiam que um fator-chave por trás desse desastre pode ter sido uma das maiores erupções vulcânicas continentais já registradas. Ocorreu no que hoje é a Sibéria, atualmente chamada de Armadilhas Siberianas, e expeliu 7 milhões de quilômetros quadrados de lava. Este magmatismo, ou movimento de magma, pode ter injetado quantidades enormes de gases do aquecimento global na atmosfera, causando estragos no meio ambiente. Essas erupções também levaram à chuva ácida que às vezes pode tornar o solo tão ácido quanto o suco de limão.

However, until now, scientists could not pinpoint when exactly the mass extinction and eruptions happened in relation to each other. To settle whether the mass extinction followed the eruptions, researchers investigated crystals within ancient volcanic rocks from 21 sites in Siberia.
"Getting to arctic Siberia isn't easy, and getting many hundreds of kilos of rock back through Russian and American customs is no picnic, either," Burgess told Live Science. "I consider getting all the samples back that we did a mixture of luck and preparedness."

Os cientistas descobriram que as erupções começaram cerca de 300 mil anos antes da extinção em massa, continuaram durante a extinção e duraram pelo menos 500 mil anos depois que as espécies pararam de morrer. A maior parte da lava, cerca de dois terços do total, expeliu antes e durante a extinção em massa. "Agora podemos resolver o tempo relativo do magmatismo e da extinção em massa, e podemos finalmente dizer com confiança que o magmatismo precede a extinção em massa e em quanto", disse Burgess. A chave para essas descobertas é quase uma década de avanços na datação da era das rochas antigas, medindo seus níveis de urânio e chumbo, o que permitiu resultados mais precisos, disse Burgess. Além disso, eletrônicos mais sensíveis, laboratórios mais limpos e outros fatores levaram a resultados mais precisos, ajudando a identificar a idade das rochas. Além disso, como todas as datações ocorreram no mesmo laboratório usando procedimentos idênticos e equipamentos analíticos, os pesquisadores puderam eliminar até 2,5 milhões de anos de incerteza nos resultados.

Uma questão importante permanece, Burgess disse: Por que a extinção em massa ocorreu ao longo de dezenas de milhares de anos, embora as erupções tenham se estendido por centenas de milhares de anos? Isso pode ser devido a pelo menos um par de razões, ele disse. Talvez um grupo específico de erupções tenha sido a chave para a extinção em massa, ou a morte só aconteceu depois que uma quantidade crítica de lava foi expelida, disse ele. Burgess e seu colega Samuel Bowring, professor de geologia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, detalharam suas descobertas online hoje

https://www.livescience.com/52017-catastrophic-volcanoes-caused-biggest-extinction.html 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015


A floresta da água e do fogo

Fósseis em mina de carvão no Rio Grande do Sul revelam paisagem pantanosa sujeita a incêndios frequentes há 290 milhões de anos 

MARIA GUIMARÃES | ED. 234 | AGOSTO 2015
Email this to someoneTweet about this on TwitterShare on Google+Share on FacebookShare on LinkedIn

© JOALICE DE OLIVEIRA MENDONÇA UFRJ/CC MN/IGEO / LAFO
Possível estrutura produtora de pólen ao microscópio de fluorescência
Possível estrutura produtora de pólen ao microscópio de fluorescência.

Muito mudou na paisagem da região Sul do Brasil nos últimos 290 milhões de anos. A América do Sul se separou da África e ergueu-se a serra Geral, cujas montanhas acompanham de perto o que hoje é a costa dos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Registros preservados nas rochas sugerem que, antes disso, a região tinha áreas alagadas onde brotavam árvores de cerca de 15 metros de altura do grupo das pteridospermas, coníferas ancestrais que dominavam o que hoje são ambientes geradores de carvão no hemisfério Sul.

O grupo da paleobotânica Margot Guerra-Sommer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), obteve mais do que fósseis em expedições à mina de carvão de Faxinal, no município gaúcho de Arroio dos Ratos. As rochas dali preservaram informações paleoecológicas que contam uma história de incêndios recorrentes em um ambiente onde se imaginava uma umidade constante.

“No meio do carvão mineral encontramos fragmentos de troncos com cerca de 20 centímetros de diâmetro”, conta a bióloga Isabela Degani-Schmidt, doutoranda no laboratório de Margot. O achado é incomum porque a matéria orgânica vegetal queimada é extremamente delicada e costuma quebrar-se em fragmentos de no máximo 4 a 5 centímetros no caminho até o local no qual fica acumulada e encontra condições de ser preservada para a posteridade. Não foi o que aconteceu na região estudada pelo grupo de Margot. Os fósseis de dimensões incomuns indicam que as árvores da região foram queimadas em pé. Os troncos, depois de caídos, permaneceram no mesmo lugar em que seriam encontrados bem mais tarde por mineradores e pesquisadores.

© JOALICE DE OLIVEIRA MENDONÇA UFRJ/CC MN/IGEO / LAFO
Brilho indica que pólen não foi queimado
Brilho indica que pólen não foi queimado.

O material guarda registros importantes do ambiente da época (início do período geológico conhecido como Permiano) naquela região, que agora podem ser interpretados. A fossilização dos troncos e das folhas indica que eram florestas em ambiente pantanoso. “São condições propícias à fossilização porque o material vegetal que cai na água acumula-se em um ambiente ácido inóspito para as bactérias e fungos responsáveis pela decomposição”, explica Isabela.

Por isso, a ideia até agora era de um pântano permanente na região. “Nessa turfeira alagada em todas as estações, não se imaginaria que ocorressem incêndios.”
Os achados recentes, publicados na edição de julho da revista International Journal of Coal Geology, pintam, porém, um quadro mais complexo. “O ambiente provavelmente nunca ficava seco”, propõe a pesquisadora, “mas haveria um período suficientemente seco para permitir incêndios naturais, que indicam nessas ocasiões uma atmosfera muito mais rica em oxigênio do que a atual”.

O estudo de amostras de troncos e pólen por microscopia de fluorescência e eletrônica de varredura revelou também que não eram incêndios avassaladores. A medula dos troncos e os pólens não foram carbonizados, revelando temperaturas relativamente baixas. Isabela interpreta o achado como indicação de que as estações secas nunca eliminavam por completo a umidade e o solo provavelmente ficava sempre recoberto por um filme d’água, favorecendo a fossilização no próprio local e pela queima incompleta.
© IS ABELA DEGANI-SCHMIDT
Vistas a olho nu...
Folhas carbonificadas…
Flora especializada
A hipótese mais plausível para a origem dos incêndios, segundo Isabela, é que seriam causados por raios. Outra possibilidade aventada seria vulcanismo, reforçada pela presença de uma camada de rocha de cor branca, rica em folhas fossilizadas, em meio ao carvão, interpretada como cinza vulcânica. Examinando essa camada de rocha, o grupo de Margot concluiu que as cinzas já teriam caído frias sobre a região e devem ter vindo de longe. Ainda não se sabe de onde. “Não há indícios de fontes de atividade vulcânica por ali”, afirma Isabela.
Mais do que uma flora carbonizada, os achados revelam uma dinâmica ecológica. A pesquisadora defende que a mata era adaptada ao fogo. “Encontramos a deposição de fósseis de pteridospermas em camadas diferentes, indicando que essas plantas permaneciam ali ao longo do tempo”, explica. Falta determinar se tinham recursos para subsistir nessas condições. “Estamos analisando estruturas nas folhas para ver se tinham especializações nesse sentido.”
© IS ABELA DEGANI-SCHMIDT
...folhas carbonificadas
…Vistas a olho nu
Os fósseis encontrados, assim como as condições ambientais que eles permitem inferir, podem ser uma pista de que a diversidade vegetal era um tanto limitada por ali, determinada pela capacidade de resistir aos incêndios constantes. São estudos curiosos porque revelam uma paisagem da qual já não há vestígios vivos, com protagonistas completamente extintos. Antes vistas como um elo evolutivo entre as samambaias e as coníferas, as pteridospermas pertenciam a um grupo de gimnospermas ancestrais cujos parentes mais próximos atuais são, provavelmente, as cicas e o ginkgo. “Não há nada parecido hoje no local”, conta a pesquisadora, que não conhece nenhuma paisagem como a que vê desenhar-se a partir dos fósseis. “Só analisando as rochas para extrair o que está preservado.”

Artigo científico

DEGANI-SCHMIDT, I., et al. Charcoalified logs as evidence of hypautochthonous/autochthonous wildfire events in a peat-forming environment from the Permian of southern Paraná Basin (Brazil). International Journal of Coal Geology, v. 146, p. 55-67. 1º jul. 2015.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) coordena um estudo que tem a colaboração de pesquisadores de instituições dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Inglaterra e África do Sul, e tem o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da National Geographic.
national geographic ufpi fossil permiano
Foto: National Geographic

A pesquisa tem como objetivo encontrar vertebrados do Período Permiano (280 milhões de anos atrás), especialmente vertebrados terrestres, e é coordenada pelo professor Juan Cisneros, do Centro de Ciências da Natureza (CCN/UFPI).
De acordo com o professor, existe uma lacuna nos estudos sobre a Era Paleozoica. "Nosso interesse se deve a que se conhece muito pouco no mundo sobre os animais que viveram nesse período geológico, especialmente nos trópicos do antigo continente de Gondwana, que é onde o Piauí está localizado. A microrregião de Teresina é muito rica em fósseis, uma prova disso é a Floresta Fóssil do Rio Poti, a qual nos dá informação sobre as plantas que viveram nessa época no Brasil. Com as nossas pesquisas, poderemos saber quais eram os animais que viveram nessa floresta fóssil", destacou.
A pesquisa teve início em 2011e tem a participação de profissionais de diferentes subáreas da paleontologia e geologia, como especialistas em répteis, peixes, anfíbios, ancestrais dos mamíferos e geologia sedimentar. A equipe se reúne uma vez ao ano em Teresina para realizar escavações e percorrer vários municípios do Piauí e do Maranhão em busca de fósseis.

Execução da pesquisa

Por meio do estudo da geologia local e de imagens de satélite, são escolhidos os locais onde os pesquisadores acreditam ter um maior potencial para achados de fósseis. "Juntamos a equipe e partimos para esses locais, onde fazemos buscas por caminhamento, até encontrar, ou não, indícios de fósseis. Após achar um fóssil, anotamos informações sobre o local exato e a camada de terra onde foi achado, e tentamos extraí-lo. Este processo pode ser mais ou menos lento e pode ser necessário o uso de equipamentos específicos, como a cortadora de rocha", informou o professor Juan Cisneros.
Os fósseis são levados ao laboratório da UFPI no CCN e lá passam por um processo de limpeza que pode durar dias, semanas ou meses. Posteriormente, são iniciados estudos mais aprofundados para tentar identificar e comparar as espécies. Esses estudos podem culminar com publicações em revistas especializadas. Todos os fósseis permanecem na UFPI, embora alguns possam ser enviados temporariamente ao exterior para análises específicas.
Cidade Verde - 04/08/2015 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Karoo reveals mass extinction around 260 million years ago

This is an illustration of the Guadalupian extinction.
Credit: Wits University
An international team led by researchers from the Evolutionary Studies Institute (ESI) at the University of the Witwatersrand, Johannesburg, has obtained an age from rocks of the Great Karoo that shed light on the timing of a mass extinction event that occurred around 260 million years ago.

This led to the disappearance of a diverse group of early mammal-like reptiles called dinocephalians, which were the largest land-living animals of the time.

The project was led by Dr Michael Day, a postdoctoral fellow at Wits University, and the findings are contained in paper, titled: When and how did the terrestrial mid-Permian mass extinction occur? Evidence from the tetrapod record of the Karoo Basin, South Africa, published today, 8 July 2015, in the latest issue of the Royal Society's biological journal, Proceedings of the Royal Society B.

The Karoo is very rich in fossils of terrestrial animals from the Permian and Triassic geological periods, which makes it one of the few places to study extinction events on land during this time. As a result South Africa's Karoo region provides not only a historical record of biological change over a period of Earth's history but also a means to test theories of evolutionary processes over long stretches of time.

By collecting fossils in the Eastern, Western and Northern Cape Provinces the team was able to show that around 74-80% of species became extinct along with the dinocephalians in a geologically short period of time.

The new date was obtained by high precision analyses of the relative abundance of uranium and lead in small zircon crystals from a volcanic ash layer close to this extinction horizon in the Karoo.

This provides a means of linking the South African fossil record with the fossil record in the rest of the world. In particular, it helps correlate the Karoo with the global marine record, which also records an extinction event around 260 million years ago.

"A mid-Permian extinction event on land has been known for some time but was suspected to have occurred earlier than those in the marine realm. The new date suggests that one event may have affected marine and terrestrial environments at the same time, which could mean its impact was greater than we thought," says Day.

The mid-Permian extinction occurred near the end of what geologists call the Guadalupian epoch that extended from 272.3 to around 259.1 million years ago. It pre-dated the massive and much more famous end-Permian mass extinction event by 8 million years.

"The South African Karoo rocks host the richest record of middle Permian land-living vertebrate animals. This dataset, the culmination of 30 years of fossil collecting and diligent stratigraphic recording of the information, for the first time provides robust fossil and radioisotopic data to support the occurrence of this extinction event on land," says Day.

"The exact age of the marine extinctions remains uncertain," says Jahandar Ramezani of Massachusetts Institute of Technology and who was responsible for dating the rocks, "but this new date from terrestrial deposits of the Karoo, supported by palaeontological evidence, represents an important step towards a better understanding of the mid-Permian extinction and its effect on terrestrial faunas."

Reference:

Michael O. Day, Jahandar Ramezani, Samuel A. Bowring, Peter M. Sadler, Douglas H. Erwin, Fernando Abdala, Bruce S. Rubidge. When and how did the terrestrial mid-Permian mass extinction occur? Evidence from the tetrapod record of the Karoo Basin, South Africa. Proceedings of the Royal Society B, 2015 DOI: 10.1098/rspb.2015.0834

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Antes dos dinossauros

Mais antigos que os dinossauros, os ‘pelicossauros’ chegaram a ser os vertebrados dominantes na Terra entre 300 e 250 milhões de anos atrás. De aspecto estranho, essas formas extintas são o tema da coluna deste mês de Alexander Kellner. 
 
Por: Alexander Kellner
Publicado em 21/02/2014 | Atualizado em 21/02/2014
Antes dos dinossauros
O desenho reproduz a aparência de um ‘Edaphosaurus’, ‘pelicossauro’ herbívoro que viveu há cerca de 300 milhões de anos. (imagem: Wikimedia Commons/ ДиБгд) 
 
Muitas vezes recebo mensagens de colegas e leitores perguntando como escolho os temas de minha coluna. Geralmente procuro destacar novidades que acabam de ser publicadas ou tomo por base dicas que recebo de pesquisadores. Mas também recebo sugestões de leitores sobre temas interessantes. Esse é o caso da proposta de Jéssica Reis, que pediu para que eu escrevesse sobre os ‘pelicossauros’.

Confesso que no início a ideia não me entusiasmou tanto. Mas isso mudou à medida que ia preparando o texto. Além de possibilitar a divulgação de uma obra de revisão recém-publicada sobre esses animais, o tema permite falar de vertebrados que antecederam os dinossauros no domínio dos ambientes terrestres e torna possível mencionar a principal extinção em massa ocorrida no planeta. Além disso, escrever sobre os ‘pelicossauros’ acaba nos levando a falar sobre o início da carreira de um importante pesquisador brasileiro.
A obra mencionada intitula-se Primeiros estágios da história evolutiva dos sinapsídeos (tradução livre de Early evolutionary history of the Synapsida). Esse livro, o mais recente sobre os ‘pelicossauros’, foi publicado pela editora Springer e editado por Christian Kammerer, Kenneth Angielczyk e Jörg Fröbisch. Os capítulos abordam os principais aspectos desses vertebrados e foram escritos pelos pesquisadores que mais os estudaram. Mas, afinal, como eram esses animais?

Os amniotas

Para explicar o que são os ‘pelicossauros’, temos que entender primeiro os amniotas, grupo de vertebrados que desenvolveram uma membrana (chamada amniótica) para proteger o embrião. Tal característica os tornou menos dependentes da água para seu desenvolvimento embrionário e evitava que eles tivessem que passar por um estágio larvar seguido de metamorfose, como ocorre com os anfíbios. Geralmente os amniotas possuem ovos de casca dura que podem ser postos em terra firme e não mais dentro de corpos aquosos. Eles podem ser divididos em dois grandes grupos: os répteis e os sinapsídeos.

Para explicar o que são os ‘pelicossauros’, temos que entender primeiro os amniotas, grupo de vertebrados que desenvolveram uma membrana (chamada amniótica) para proteger o embrião
De forma simplificada, dentro do agrupamento Reptilia encontramos os dinossauros, pterossauros e crocodilomorfos (e muitos outros), enquanto os Synapsida reúnem os mamíferos e formas aparentadas. Não conhecemos um ancestral direto que teria dado origem aos amniotas, mas podemos dizer que deve ter sido um animal que estava perdendo os hábitos anfíbios e pelo menos iniciando o desenvolvimento do ovo amniótico.

Entre os primeiros vertebrados que podem ser classificados como Amniota, alguns têm características semelhantes aos mamíferos, como uma abertura na parte posterior do crânio, distinta da que se observa nos répteis (na região lateral, após a órbita). Dessa condição, denominada sinápsida, deriva o nome do grupo. Por outro lado, a dentição mais uniforme e o aspecto do corpo que lembra superficialmente os répteis levaram os pesquisadores a se referir a esses vertebrados como “répteis mamaliformes”, que foram classificados em um grupo denominado ‘Pelycosauria’.

Hoje se evita esse termo, já que é um agrupamento considerado parafilético, isto é, incompleto, não reunindo todos os organismos que representam a história evolutiva do grupo. Por isso usamos o termo ‘pelicossauros’, entre aspas, significando uma aplicação mais informal.
Edaphosaurus
Esqueleto de ‘Edaphosaurus’ montado no Museu Field, em Chicago, Estados Unidos. Sua marca peculiar é a presença de vértebras com espinho neural alto, formando uma espécie de vela no dorso. (imagem: Andrew Y. Huang/ Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)
Dessa forma, os ‘pelicossauros’ não são répteis, mas sinapsídeos basais. As espécies mais antigas foram encontradas em rochas da Nova Escócia, no Canadá, cuja idade varia de 314 e 311 milhões de anos. Cabe salientar que o réptil mais antigo que se conhece (Hylonomus, de crânio do tipo anápsida, ou seja, desprovido de aberturas temporais) também foi encontrado nos mesmos depósitos.

A maioria desses ‘pelicossauros’ foi encontrada na Europa e América do Norte. Eles se extinguiram durante o Permiano, alguns milhões de anos antes da maior extinção em massa ocorrida na Terra, há cerca de 252 milhões de anos (o limite Permiano-Triássico). Estimativas sugerem que cerca de 95% das espécies marinhas e perto de 70% da formas terrestres se extinguiram. Esse evento foi bem mais intenso e destrutivo que a extinção em massa ocorrida há 66-65 milhões de anos, que dizimou a maioria dos dinossauros e diversos outros grupos de vertebrados.

Edaphosaurus e Dimetrodon

Voltemos aos sinapsídeos basais, os ‘pelicossauros’. São conhecidos seis principais grupos (Caseidae, Edaphosauridae, Eothyrididae, Varanopidae, Ophiacodontidae e Sphencodontia), e todos eles desenvolveram estratégias alimentares diferentes.

Os sinapsídeos basais mais famosos talvez sejam Edaphosaurus e Dimetrodon
Os sinapsídeos basais mais famosos talvez sejam Edaphosaurus e Dimetrodon. Com base no exame de sua dentição, Edaphosaurus é tido como forma herbívora que se alimentava de plantas de folhas espessas e resistentes. Tinha cabeça relativamente pequena se comparada com o corpo. Mas sua característica mais peculiar é a presença de vértebras com o espinho neural bastante alto, formando uma espécie de vela no dorso.

E o mais curioso: havia numerosas projeções laterais, diferentes de tudo o que se conhece hoje e cuja função é totalmente ignorada. Alguns pesquisadores defendem que essa vela poderia ter auxiliado o animal a controlar a temperatura de seu corpo ou ter servido para que membros de uma mesma espécie pudessem se reconhecer mais facilmente. Há ainda os que defendem ser esse tipo de estrutura destinada a distinguir machos e fêmeas ou mesmo servir para a atração sexual.
Outro exemplo de sinapsídeo basal é o Dimetrodon. Tendo vivido na mesma época que o Edaphosaurus (há cerca de 300-270 milhões de anos), essa forma possuía um crânio bem maior e dentes que sugerem hábitos de predador. Dimetrodon também desenvolveu uma vela na região dorsal do esqueleto, ainda maior que a de seu companheiro herbívoro (que talvez tenha sido sua presa). Mas ela é diferente, por não possuir as enigmáticas projeções laterais.
Dimetrodon
Esqueleto de ‘Dimetrodon’, sinapsídeo basal (‘pelicossauro’) predador, depositado no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, Alemanha. (imagem: H. Zell/ Wikimedia Commons – CC BY-SA 3.0)
É importante frisar ainda que, quando se fala nos sinapsídeos basais, não se pode deixar de mencionar o pesquisador brasileiro Llewellyn Ivor Price (1905-1980), que iniciou sua carreira ao lado do famoso paleontólogo americano Alfred Sherwood Romer (1894-1973). Com este, Price aprendeu a base da pesquisa de répteis fósseis.

Um dos primeiros trabalhos de Price, publicado em coautoria com Romer, foi justamente uma revisão dos ‘pelicossauros’. Embora tendo havido diversas mudanças no conhecimento desses sinapsídeos basais graças ao desenvolvimento de novas técnicas e à descoberta de mais exemplares, a obra de Romer e Price, publicada em 1940, ainda é considerada um verdadeiro marco no estudo desses vertebrados.
Obrigado pela dica, Jéssica!

Alexander Kellner
Museu Nacional/UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

segunda-feira, 7 de outubro de 2013



Dinossauros e a Vida Pré Histórica

Permiano

Introdução

No início do período Permiano, o hemisfério sul ainda estava dominado pela era glacial que começou no final do período Carbonífero. Assim que a era terminou, os continentes foram dominados por um período desértico - formando a "New Red Sandstone". O fim do Permiano mostra um grande surto de atividades vulcânicas, a grande maioria na Sibéria.

O Mundo no Permiano




Esse período é nomeado em homenagem à região de Perm na Rússia, onde as rochas datadas dessa época se encontram bem expostas. No Permiano, praticamente todos os continentes se acumularam em uma única grande massa de terra. As montanhas dos períodos Devoniano e Carbonífero foram erodidas em morros, e havia menos erosão formando os deltas dos rios. As florestas de carvão secaram e foram substituídas por desertos.

Características do Deserto

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhXmfpTfPSMJk7HIKHlc1FtGbLIBMvgiZ2IamlzqX8yx3Ta4Y4Fys9vw4vlXgLB_K9ofgWFDjh7TBpJx66cIxfdcfZVFaGmbW-NHopTuUAUsWHsSmC8AEmDSWNvJL8S6XAj47Uf9-AHCbk/s1600/permiano2.jpg
 Características do deserto vistas em rochas permianas:


  • Aterramento de dunas
  • Arenito vermelho mostrando ambientes de oxidação seca
  • Camadas de seixos grossos que foram moldadas pelo vento

Recifes

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiOH3czJR2qRJG8cQUPzEQVO-JiD3GrWGyadRZ_qIjNcIoBvnLn8lVmJp69c0o6fCWGBZrmCiAOfj_hLiz9YfMeI0OtO9f5vIeM1QTDe0O-YP_gwhWF9tejhWmfQ0hSymWrsCL4IIjblBQ/s1600/permiano3.jpg
Os tipos de animais que viviam nos mares no início fizeram suas últimas aparições no período Permiano. Na região onde hoje é o estado do Texas, Estados Unidos, havia grandes recifes. Recifes modernos são feitos de corais. Os recifes permianos eram formados por:


  • Esponjas
  • Algas
  • Moluscos bivalves
  • Crinoides (lírios-do-mar)
  • Braquiópodes (animais com duas conchas, mas sem parentesco com bivalves)

Mesossauro

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjWJaBv78KbDrke8dKBbut2zcWdGXm4BDuiGIFXMquNjH3_tIQ-LEZKe2EgxCyxNcFqHEfVk7JxydZlXLsqnXxmg5m4OzJOscNjt4XICD3XDeUToKnjvt3ytTsb7_5eKKLa5dkJIvdgL8/s1600/permiano4.jpg

Significado: meio lagarto
Período: início do Permiano
Tamanho: 1m
Alimentação: pequenos animais aquáticos
Informação: a era dos répteis havia chegado de verdade, com formas aquáticas e aéreas, além de espécies que vivam na terra. Fósseis do Mesossauro, um animal de água doce, foram encontrados na África do Sul e no Brasil, indicando que esta área era um só continente na época.

Pareiassauro

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgnDLufSG7g6ECMj8GSNcIROxRcLB0E2JA1KQ_ZnvAatCSu3XF3tHEj4apHgihf85xnQaX4BhsXsFti64lxIRnpnjtqGRM6E9PxJZlUXr0182prQn1MJxZbKZMRZgZzHq8DruDRxNTJMrk/s1600/permiano5.jpg

Significado: lagarto ombro-a-ombro
Período: final do Permiano
Tamanho: 2,5m
Alimentação: plantas
Informação: vertebrados herbívoros surgiram por esta época. Espécies grandes como o Pareiassauro se alimentavam nas vegetações rasteiras e nas coníferas dos oásis desérticos.

Dimetrodonte

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhY7ocQD2gJnlYdy9hSUNMrqZKGaKaq-8mVZ_e7YIY9yBqpzW7TCrlYcj9fHtbFGKFmGucX8gSb_HDbxmOHhiVa2g0cVRIKvIK58_oklmIomtMPl-xep4j75K0M_B_3M3OioRztQEhAXDY/s1600/permiano6.jpg

Significado: dois tamanhos de dente
Período: início do Permiano
Tamanho: 3m
Alimentação: outros répteis
Informação: um importante grupo de répteis com características de mamíferos. Esse grupo foi ancestral dos mamíferos. Tinha em suas costas uma espécie de vela, que ajudava a regular sua temperatura no calor do deserto.