Mostrando postagens com marcador Satélite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Satélite. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

The Swiss team tests a laser mapping submersible in Lake Annecy in France.
XPRIZE

Apenas 18% do fundo do oceano foi mapeado. XPRIZE drones poderia mudar isso

Na próxima semana, um pequeno barco de listras amarelas e brancas sairá do porto em Kalamata, na Grécia, e partirá da costa. O navio não carrega um capitão ou tripulação, apenas uma série de componentes eletrônicos que lhe dirá para onde ir e quando soltar a cápsula em formato de torpedo que está na popa. Uma vez liberado, o veículo equipado com sonar descerá vários quilômetros até o abismo gelado da Trincheira Helênica, a parte mais profunda do Mar Mediterrâneo, e mapeará o fundo do mar com pulsos de som. A equipe por trás do esforço é a primeira das oito competidoras nos próximos meses na final do US $ 7 milhões do Shell Ocean Discovery XPRIZE. "Não tenho certeza se estamos loucos ou não, mas decidimos ir primeiro", diz Rochelle Wigley, geóloga marinha da Universidade de New Hampshire, em Durham, que lidera a equipe XPRIZE da Fundação Nippon japonesa e do General Carta batimétrica dos oceanos (GEBCO), uma organização internacional.

A XPRIZE, uma organização sem fins lucrativos com sede em Culver City, Califórnia, realiza competições para estimular a inovação e, em 2015, voltou-se para o problema de mapear o fundo do oceano, diz a diretora do concurso, Jyotika Virmani. O catalisador foi o desaparecimento do Vôo 370 da Malaysia Airlines em algum lugar sobre o Oceano Índico, e a completa percepção de que as equipes de recuperação sabiam pouco sobre o que estava abaixo da superfície da área de busca. "Em vez do avião, infelizmente, eles encontraram dois novos vulcões, um dos quais é maior que o Vesúvio", diz ela.

Sharper pictures of the ocean floor could help companies look for resources such as oil. (The energy company Shell is the prize’s sponsor.) But researchers want a clearer view, too. For example, Dave Clague, a geologist at the Monterey Bay Aquarium Research Institute in Moss Landing, California, studies volcanic activity along midocean ridges—submarine mountain chains that generate new ocean crust—by identifying lava flows. But scientists have fine-scale maps for only a tiny fraction of the 65,000-kilometer-long system, limiting their understanding of how new crust forms and what happens to it as it moves away from the ridge.

Biologists also need better maps, to manage fisheries and identify deep-sea habitats. They have already discovered new colonies of cold-water corals just by looking for structures rising from the sea floor, says Craig Brown, a mapping expert at Nova Scotia Community College in Halifax, Canada. “They usually have quite dramatic topography,” he says.

So far, just 9% of the seafloor has been mapped in detail with modern sonar technology, Wigley says, and only 18% of the world’s ocean bottom has been surveyed at all, often at resolution so coarse that jumbo jets—and volcanoes—would have no trouble hiding. The rest—four-fifths of the two-thirds of the planet covered by water—is virtually unknown. As usual, the limitations are money and time. The research vessels that do high-resolution mapping cost up to $100,000 a day to operate. And they move so slowly that it would take centuries for them to chart the world’s oceans, Virmani says.

Corrida para o fundo

The eight teams competing for the ocean mapping XPRIZE use a mix of uncrewed surface vehicles and autonomous underwater vehicles (AUVs).
Team NameCountrySurface OpsNumber of AUVs
ArggonautsGermanyFive shipsFive
Blue Devil Ocean EngineeringUnited StatesTwo aerial dronesTwo
CFISSwitzerlandNone20
GEBCO-Nippon Foundation alumniInternationalOne shipOne
KuroshioJapanOne shipTwo
PISCESPortugalOne ship, two acoustic beaconsOne
Team TaoUnited KingdomOne shipFive
Texas A&MUnited StatesOne shipOne
(DATA) XPRIZE teams
Os satélites também podem mapear o fundo do mar, medindo pequenas variações na superfície oceânica causadas pela atração gravitacional de características maciças do fundo do mar. Mas a resolução é grosseira. Nos últimos anos, os pesquisadores se voltaram para veículos subaquáticos autônomos (AUVs). Eles seguem caminhos pré-programados usando sistemas de navegação inercial que rastreiam precisamente sua velocidade e direção, e transportam sonares de vários feixes em miniatura. Ao cruzar perto do fundo do oceano, eles podem detectar contornos no fundo do mar menores que um metro - uma grande melhora em relação à resolução de 50 metros de um sistema típico baseado em navios que trabalha no fundo do oceano, diz Clague, que não está envolvido. o concurso XPRIZE. Mas os AUVs ainda são lentos. Esforços para adicionar baterias e aumentar o tempo de mergulho apenas aumentam o AUV, exigindo navios maiores para lançá-los, “o que acaba com o objetivo”, diz Clague.

XPRIZE hopes its competition will spark faster, cheaper autonomous systems. Starting from shore, the eight finalists must map between 250 and 500 square kilometers in 24 hours, at depths down to 4000 meters and resolutions of 5 meters or better. They must also carry instruments to collect images of 10 interesting features and find a trophy stashed on the sea floor. The technical challenges include building instruments to withstand enormous pressure, balancing battery life against speed, and making the robots smart enough to carry out the whole operation without human guidance. “Everything is hard,” says Martin Brooke, an engineer at Duke University in Durham, North Carolina, and leader of its XPRIZE team.

Brooke’s group—mostly engineering students—will try to gain time by using heavy-lift aerial drones to carry buoys that will lower tethered mapping pods into the ocean. Most teams use an autonomous surface vessel to save their AUV’s precious power and to serve as a communication hub. The Swiss CFIS team, led by Toby Jackson, a financial trader–turned–inventor, will send 20 lightweight, 3D-printed AUVs directly from shore. Instead of sonar, they will use lasers, which can bounce light off the sea floor because they are at such close range.
Team Tao will also use a swarm approach, launching five custom-built AUVs from an autonomous catamaran it calls the “vending machine.” Eventually, the system will carry two dozen subsea drones, says team leader Hua Khee Chan, an engineer at Newcastle University in the United Kingdom, allowing half to work while the others charge. Each AUV will follow a simple vertical path, enabling it to sample the temperature and salinity of the water column as it descends. Chan says it’s “extra data that we get for free while it’s traveling.” Both Chan and Jackson say they aim to produce their AUVs for less than $25,000 a pop—a bargain compared with the sophisticated models used today, which can cost $1 million or more.

Cheaper, more flexible systems could help researchers rapidly fill the gaps in seafloor maps—and enable repeat surveys to monitor changes over time. Clague would like to measure how much lava is produced during a single eruption on a midocean ridge, which gives clues about magma generation in the mantle. Repeat mapping could also track movement along offshore faults that generate earthquakes, and in seafloor sediments after major weather events.

As XPRIZE’s sponsor, Shell reserves first rights to negotiate with each team for use of its technology, which it could use for oil and gas exploration or to monitor production wells and pipelines. Companies hoping to mine the seafloor for minerals are also eager to get a better look. But Wigley says mapping could also aid in marine protection. “If we understand the seafloor better, we can manage where it’s happening better and understand the impacts better.”

For now, that’s a long way off, and most teams are just scrambling to prepare for the competition in Greece. A Portuguese team still hasn’t tested its acoustic positioning system, which relies on a constellation of floating beacons, in deep water. “From the math, it should work,” says team leader Nuno Cruz, an engineer at the University of Porto in Portugal. “But you go into the ocean and things are not like math.” Some teams already know they won’t win, but they are fine with that. Most entered for the challenge, not the purse, and XPRIZE is pleased with the progress they’ve made, Virmani says. “We’ve already shifted the field.”

*Correction, 31 October, 4 p.m.: An earlier version of the story misstated the resolution and coverage rate of typical AUVs.
Posted in:
doi:10.1126/science.aav9034

sábado, 4 de novembro de 2017

Laika, a cadela sacrificada em nome da corrida espacial há 60 anos



Moscou, 3 nov (EFE). - Laika, a cachorrinha retirada das ruas de Moscou, se transformou há 60 anos no primeiro ser vivo a orbitar a Terra num voo histórico e sem volta na tentativa de abrir as portas do espaço à humanidade.

Havia passado apenas um mês desde o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra, e os cientistas soviéticos estavam ansiosos para saber como um animal se comportaria, por exemplo, com a falta de gravidade, já que o objetivo era enviar o homem ao espaço.
Aquela, no entanto, não seria a primeira experiência com bichos. Os Estados Unidos já tinham usado um macaco e a própria União Soviética, um cachorro, só que em voos suborbitais.

Devido ao desenho do Sputnik 2, o cachorro deveria pesar de seis a sete quilos, ter não mais do que 35 centímetros altura, ser vira-lata - os de raça teriam menos resistência -, e de pelo claro, já que os especialistas acreditavam que assim seria mais fácil enxergá-lo no monitor.
Por questões de dimensão e higiene era preferível que fosse uma fêmea para facilitar a colocação do sistema sanitário.

Mas aquele era um voo sem retorno. O aparelho projetado tinha um deposito de comida, mas o sistema de circulação de ar tinha sido programado para funcionar por sete dias e não permitia o retorno à Terra.
Ao todo, três cachorrinhas eram candidatas ao posto: Albina, que tinha dois voos suborbitais na carreira, a novata Muja e a também principiante Laika. Albina foi poupada em virtude dos serviços já prestados à ciência. Muja tinha as patas dianteiras ligeiramente arqueadas e isso não favorecia as imagens. Laika foi a escolhida.
"Era importante fazer de tudo para o futuro voo do homem ao espaço. Era preciso um ensaio, eram necessários sacrifícios, mas, antes de Laika partir, até eu chorei. Todos sabíamos que ela morreria e pedimos perdão", lembrou a médica Adilia Kotovskaya, em entrevista ao jornal "Rossiyskaya Gazeta".

Laika foi operada para receber dois sensores, um na costela, para controlar a respiração; e o outro nas artérias carótidas, para acompanhar a pulsação. Durante os primeiros minutos de voo os cientistas já detectaram uma brusca aceleração nos batimentos e nos movimentos respiratórios.
Poucas horas depois do lançamento, por causa de erros de cálculo, a temperatura no interior da cápsula ultrapassou os 40 graus Celsius, causando a morte de Laika, depois de quatro voltas na Terra.
Durante semanas, as autoridades soviéticas preferiram esconder esse fato e informavam que a cadela, que tinha se tornado uma celebridade, estava bem, como se tudo transcorresse sem problemas, até que comunicaram que ela teve que ser sacrificada.

O Sputnik 2 continuou orbitando por mais seis meses, até que perdeu altura e se desintegrou nas camadas mais altas da atmosfera.

Laika foi o último cachorro soviético a ser enviado ao espaço e, uma nave sem sistema de retorno, mas não o último a morrer na corrida pela conquista do espaço. Em 28 de julho de 1960, as cadelas Chayka e Lisichka morreram na explosão do foguete portador do Korabl-Sputnik-5, já dotado de sistema de retorno, segundos depois do lançamento.

Apesar do fracasso que representou, o caso estimulou os especialistas soviéticos a projetar um sistema de ejeção de emergência durante a fase inicial do voo, que mais tarde salvaria a vida de quatro astronautas. EFE

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Por que a Lua fica laranja de vez em quando? E ela pode ficar azul?

Cintia Baio
Colaboração para o UOL, em São Paulo

Ampliar

Maior superlua em 68 anos é vista pelo mundo57 fotos

41 / 57
14.nov.2016 - Avião passa diante da superlua nos céus de Dubai, nos Emirados Árabes, nesta segunda-feira. Clique no link de "veja mais" para saber como mandar sua foto para o UOLVEJA MAIS >Imagem: Zhang Shumin/Xinhua
Nesta segunda, a maior superlua em 68 anos chamou a atenção dos brasileiros e do mundo. Tudo isso porque o fenômeno —que acontece quando o astro está mais próximo da Terra— deixa a Lua maior, mais brilhante e, consequentemente, ainda mais bonita, do que estamos acostumados.
E com tanta atenção (e câmeras fotográficas) voltada para ela, talvez você tenha percebido que, em alguns momentos, a Lua ficou com um tom mais avermelhado (ou alaranjado). Sabe por que isso acontece?
Antes da explicação, é bom lembrar que a Lua reflete a luz branca que vem do Sol —que é formada por ondas de vários comprimentos, portanto, formada por várias cores.  Embora nosso satélite pareça muito brilhante, reflete apenas 6,7% da luz que recebe do Sol.
As partes mais brilhantes de sua superfície são as regiões mais altas e com crateras, compostas de rochas ricas em cálcio e alumínio. As regiões mais escuras são zonas mais baixas, chamadas 'mares', compostas de rochas basálticas que refletem muito pouco a luz, daí sua cor acinzentada.

E quando fica alaranjada?

Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo
Lua é vista da ponte Rio Negro, em Manaus
A coloração alaranjada acontece ao anoitecer e ao amanhecer, da mesma maneira que vemos o Sol ou céu nesse horário. Quando nasce, a Lua está tão próxima do horizonte que a luz por ela refletida precisa passar por uma espessa camada de atmosfera terrestre antes de chegar aos nossos olhos, diferentemente do que acontece quando o satélite aparece alto no céu, onde o ar é mais rarefeito. 
Quando atravessa a atmosfera da Terra, a luz refletida pela Lua se dissipa pelo ar. Em contato com as moléculas de gases que compõem o ar, algumas cores se dispersam e ficam imperceptíveis. No caso da Lua (e até o Sol) próxima do horizonte, a atmosfera mais densa "absorve" a cor verde, azul e violeta e deixa passar somente os tons vermelhos.
O tom avermelhado fica mais intenso quando há partículas de queimadas, erupções vulcânicas ou poluição na atmosfera.
Agora, quando ela está bem no alto do céu, a luz refletida conserva a cor original, que é o branco (reunião de todas as cores). Isso porque o ar rarefeito das altitudes elevadas faz com que a perda das tonalidades azul, verde e violeta sejam pequenas. 

Lua azul existe?

Bill Ingalls/NASA
Lua cheia vista do centro legislativo dos Estados Unidos.Esta foi a segunda vez que a lua apareceu cheia no mês de julho de 2015, e, por isso, é chamada de "Lua Azul"
É claro que quando dizemos "lua azul", o primeiro pensamento é que, se olharmos para o céu, o astro estará azulado. Mas não se trata disso.
O termo não está relacionado com uma possível mudança na cor da Lua, mas sim às suas fases. Cada um dos quatro ciclos da Lua (nova, cheia, minguante e crescente) dura, em média, sete dias. Como os meses possuem quatro semanas, dificilmente uma fase se repete no mesmo mês.
No entanto, os movimentos da Lua ao redor da Terra não têm esse ciclo mensal perfeito. Por isso, a cada dois anos e meio ou três, a Lua cheia ocorre duas vezes em um mesmo mês. E é essa segunda Lua cheia que recebe o nome de "lua azul". O termo foi usado pela primeira vez na década de 1940.
Fora a repetição no calendário, a "lua azul" não tem nada de especial. O astro aparece com o mesmo tamanho e brilho que as outras luas cheias.
Como o acontecimento é raro, no inglês, a expressão "once in a blue moon" (uma vez a cada lua azul) é usada quando queremos dizer que determinado acontecimento dificilmente ocorre.
Mas não precisa eliminar todas as esperanças de ver uma Lua com a cor azul de verdade. Acontecimentos raros, como a erupção de um vulcão, podem deixar a "cor" do astro momentaneamente azulada. Isso por conta das partículas expelidas pela erupção que ficam no ar.
Fontes: Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Leandro Guedes, astrônomo do Planetário do Rio de Janeiro

sábado, 22 de março de 2014

Sob efeito da Lua

Força gravitacional lunar causa perturbações na atmosfera da Terra, facilitando interferência na comunicação com satélites 

RICARDO ZORZETTO | Edição 217 - Março de 2014
© NASA / EARTH OBSERVATORY
Um clássico de 1968: a Terra vista pela equipe da Apollo 8, a primeira missão tripulada a orbitar a Lua
Um clássico de 1968: a Terra vista pela equipe da Apollo 8, a primeira missão tripulada a orbitar a Lua

A Lua, o maior objeto celeste próximo à Terra, influencia mais do que o nível dos oceanos. Assim como faz as águas subirem e baixarem ao longo do dia, a Lua também deforma a atmosfera do planeta – bem pouco, é verdade, cerca de 1 metro – e a deixa alongada como uma bola de futebol americano. Esse esticão sutil, decorrente da atração gravitacional lunar, gera perturbações na alta atmosfera que foram agora mapeadas em escala global por uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O grupo coordenado pelo físico Paulo Prado Batista usou dados coletados durante 10 anos por um satélite norte-americano projetado para estudar a alta atmosfera da Terra e produziu o mais detalhado levantamento das variações na temperatura a altitudes superiores a 30 quilômetros (km) – três vezes mais alto do que voam os aviões comerciais.

Os pesquisadores verificaram que na faixa que vai dos 30 km aos 110 km de altura – e envolve a estratosfera e a mesosfera, na última estão as temperaturas mais baixas da atmosfera (até 100 graus Celsius negativos) – a temperatura pode oscilar até 8 graus ao longo do dia por influência, em grande parte, da atração gravitacional lunar. A força exercida pela Lua sobre o planeta provoca vibrações nas camadas mais baixas da atmosfera que se propagam para as mais altas na forma de ondas semelhantes às que surgem quando se agita uma corda. Assim como fazem a superfície do oceano oscilar, essas ondas, conhecidas como marés lunares, fazem a atmosfera pulsar. “Nos oceanos, a força gravitacional da Lua se manifesta como uma mudança de altura, já na atmosfera ela altera a temperatura ou a velocidade dos ventos”, explica Batista. Ele e as físicas Inez Staciarini Batista, pesquisadora do Inpe, e Ana Roberta Paulino, sua ex-aluna de doutorado no Inpe, apresentaram os detalhes desse mapeamento em dezembro de 2013 no Journal of Geophysical Research.
056-059_Atm-Lunar_217-infoAs variações observadas pelo trio se tornam maiores à medida que se sobe na atmosfera – e atingem o grau máximo por volta dos 110 km de altura, onde o ar é mais rarefeito e a densidade de gases menor. Essas oscilações de temperatura ocorrem em ciclos com 12 horas e 25 minutos de duração, característicos das marés lunares. O período corresponde ao tempo que leva para o planeta dar meia volta em torno de seu eixo e o ponto de sua superfície que estava mais próximo à Lua se tornar o mais distante – tanto a rotação da Terra como a translação da Lua ocorrem no mesmo sentido, embora o movimento da Lua seja mais lento, razão por que esse tempo não coincide com 12 horas. Como a atração gravitacional entre dois corpos depende da distância entre eles, quanto mais próximo da Lua, maior a força e quanto mais distante, menor. Tanto no ponto em que a força é máxima como naquele em que é mínima a atmosfera se esgarça: no primeiro caso, por sofrer um puxão mais intenso e, no segundo, por tender a escapar onde a força é mais fraca. É por causa dessa combinação que a atmosfera ganha a aparência de bola de futebol americano.

O mapeamento do Inpe fornece as evidências mais abrangentes de que as marés lunares na atmosfera, de cuja existência já se duvidou, de fato existem e são importantes para conhecer melhor o clima de uma região do espaço habitada por satélites de pesquisa e comunicação.
Quando formulou sua lei de gravitação universal no final do século XVII, o físico e matemático inglês Isaac Newton propôs que, assim como provoca oscilações no nível dos oceanos, a Lua também poderia influenciar a atmosfera, que também se comporta como um fluido. Pierre-Simon Laplace, astrônomo e matemático francês, retomou o tema cerca de um século mais tarde, mas os dados observacionais disponíveis eram insuficientes. Só em 1846 o coronel inglês Edward Sabine publicou as primeiras medições consideradas confiáveis das marés lunares na atmosfera, feitas no observatório da ilha britânica de Santa Helena, próximo à costa ocidental da África. Mas tanto essas medições como as feitas nas primeiras décadas do século XX eram pontuais. Agora, com o auxílio do satélite Timed, se conseguiu coletar informações sobre a estratosfera e a mesosfera numa faixa que se estende da latitude 50 Norte, mais ou menos na altura do Canadá e da Rússia, até a latitude 50 Sul, onde ficam a Nova Zelândia e o sul do Chile e da Argentina.

A propagação dessas marés na atmosfera agita as moléculas dos gases, provocando a mudança na temperatura. Os dados coletados de 2002 a 2012 pelo satélite Timed mostram que as variações térmicas são maiores nos meses de dezembro e janeiro em boa parte da alta atmosfera e menores entre março e maio. Elas também ocorrem com maior intensidade de junho a setembro no hemisfério Norte e em novembro e dezembro no hemisfério Sul. Segundo Batista, essas variações dependentes da latitude já eram bem explicadas por dois fatores: a excentricidade da órbita da Lua (sua trajetória ao redor da Terra não é circular, mas elíptica); e pela influência combinada da Lua e do Sol sobre a temperatura da atmosfera (enquanto a Lua faz a temperatura mudar pela atração gravitacional, o Sol altera a temperatura pela energia que fornece diretamente na forma de radiação).

© NASA
Um perfil da atmosfera: ônibus espacial Endeavour diante da troposfera (em laranja), estratosfera (em amarelo) e mesosfera (em azul)
Um perfil da atmosfera: ônibus espacial Endeavour diante da troposfera (em laranja), estratosfera (em amarelo) e mesosfera (em azul)

Variação longitudinal

Um resultado, porém, surpreendeu os pesquisadores. Além da variação de acordo com a latitude, eles também observaram variações longitudinais (leste-oeste). Em alguns meses do ano houve picos de flutuação de temperatura nas regiões da alta atmosfera localizadas sobre a Amazônia, a África e o oceano Pacífico. Segundo o físico, algum efeito longitudinal era até esperado, mas não na intensidade observada – como a Terra gira em torno de seu eixo, todos os pontos do eixo longitudinal em algum momento são expostos à mesma força de atração da Lua, o que homogeneizaria essa influência. “Conseguimos separar a influência da componente lunar das demais perturbações na atmosfera”, conta Ana Roberta, atualmente pesquisadora na Universidade Estadual da Paraíba, em Campina Grande.

“Nossos dados indicaram, porém, que as características da superfície do planeta se refletem até alturas muito elevadas”, conta Batista. “A deformação na atmosfera decorrente da atração gravitacional da Lua sofre influência da distribuição dos mares e dos continentes no globo”, explica o físico. Além disso, continua Batista, “vimos que a flutuação no nível dos mares, a maré oceânica, afeta a atmosfera mais do que o esperado”.
As implicações desses achados não se restringem ao plano teórico. Do ponto de vista prático, conhecer melhor as variações de temperatura nessa faixa da alta atmosfera deve permitir a elaboração de modelos mais precisos de como funciona o clima em uma região ainda mais alta – a ionosfera, situada entre 100 km e 1.500 km de altitude –, onde estão os satélites de pesquisa e comunicação e é alta a concentração de partículas eletricamente carregadas. “Para modelar com precisão a ionosfera, não se pode mais ignorar fenômenos como as marés lunares”, afirma Batista.

“Esse mapeamento global do efeito das marés lunares é de grande importância para a previsão do clima espacial”, conta o engenheiro Clezio De Nardin, atual gerente do Centro de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (Embrace) do Inpe. As marés lunares são um dos três fatores que disparam a formação de bolhas na ionosfera. Os outros dois motivos são: os campos elétricos ao redor do equador e os fenômenos meteorológicos como a formação de nuvens de tempestade, o deslocamento de frentes frias ou ventos intensos na camada mais baixa da atmosfera (troposfera), onde estão 90% dos gases.

Bolhas de íons

As bolhas são regiões com menor densidade de íons. Elas começam a se formar em geral no início da noite a cerca de 250 km de altura na região do equador magnético da Terra, próximo ao equador geográfico. As marés lunares, explica De Nardin, funcionam como um peteleco que impulsiona o desenvolvimento dessas bolhas que podem alcançar milhares de quilômetros de extensão.

Como são menos densas que o ambiente ao redor, essas bolhas, à medida que crescem, sobem para regiões mais altas da atmosfera e reduzem a concentração de íons na atmosfera superior. Essa mudança na densidade de íons dificulta – e até bloqueia – a passagem das ondas de rádio emitidas pelos satélites de comunicação de baixa órbita, situados a alturas entre 400 e 600 km; pelos satélites do sistema GPS, que estão a 22 mil km de altura; e pelos satélites de comunicação geoestacionários, que orbitam a Terra a 36 mil km de altura. “Quando há bolhas, a comunicação com os satélites é extremamente degradada e até interrompida, às vezes, por horas”, conta De Nardin. Essa interrupção afeta a navegação aérea e marítima, a exploração de petróleo e a agricultura de precisão. “Se nenhuma medida é tomada, ela pode durar o suficiente para um barco em alto-mar se perder ou para romper um duto de uma empresa que faz exploração de petróleo”, exemplifica.

Segundo De Nardin, o mapeamento feito pelo grupo de Batista mostra que os períodos de marés lunares mais intensas coincidem com a temporada de bolhas na ionosfera, que vai de novembro a março. “Esse levantamento nos ajuda a prever e a explicar melhor qual o período em que é mais provável a ocorrência de bolhas”, diz De Nardin. Batista completa: “Não é possível impedir a formação das bolhas, mas se pode ajudar a evitar problemas com os satélites caso se consiga prever com maior precisão quando elas podem ocorrer”.

Artigo científico

PAULINO, A.R et al. A global view of the atmospheric lunar semidiurnal tide. Journal of Geophysical Research: Atmospheres. v. 118, p. 13.128-139. 16 dez. 2013.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nasa divulga imagens inéditas da superfície lunar

A Nasa apresentou nesta terça-feira (06) uma coleção de imagens feitas pelas câmeras da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), revelando alguns vestígios deixados pelas missões Apolo e também comprovando a presença do homem na Lua.
As imagens capturadas pela sonda são as mais nítidas feitas do espaço. Nas fotos é possível visualizar o rastro das missões Apolo 12, 14 e 17, tanto dos lugares nos quais elas pousaram, assim como as pegadas que os astrounautas deixaram ao explorar a superfície lunar.


Em entrevista coletiva, as imagens foram apresentas por Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária da Nasa; Mark Robinson, principal pesquisador do LRO na Universidade do Arizona, e Richard Vondrak, cientista do projeto LRO no centro espacial Goddard, da Nasa, localizado em Greenbelt, Maryland. As novas fotografias permitirão aos especialistas seguir os passos dos astronautas com mais clareza. O objetivo é encontrar o local onde foram recolhidas as amostras da Lua trazidas à Terra, além de desmentir as afirmações de que os humanos nunca viajaram à Lua, indicaram os cientistas.

Os especialistas mostraram as marcas das antigas missões Apolo ao pousar, assim como os rastros que os astronautas deixaram quando saíram do módulo lunar e foram explorar a pé a superfície rochosa. Inclusive pode-se ver a última rota realizada por humanos na Lua.
Além de impactante, as imagens também terão grande utilidade científica, assegurou Green. Isso porque as fotos vão facilitar visualmente uma possível comparação entre as rochas na Terra com a das áreas ainda não exploradas, como as imagens da LRO.
Essa é uma grande chance para dar continuidade ao processo de cartografia da Lua, sendo possível obter mais precisão ao determinar novos lugares de aterrissagem em missões futuras.
A missão da LRO, iniciada em 2009 para encontrar possíveis lugares de aterrissagem para naves tripuladas, foi ampliada com o envio de uma bateria de 1,5 mil imagens para análise dos cientistas.
A precisão dos instrumentos ajuda na montagem de um mapa da superfície lunar em três dimensões e alta resolução, além de fazer um exame ultravioleta do satélite.
Um dos detalhes revelados é um rastro em forma de "L", que marca a localização dos cabos que ligavam a nave matriz até o lugar onde os astronautas do Apolo 12 colocaram o experimento ALSEP para medir o meio ambiente lunar e seu interior.
Os engenheiros da Nasa modificaram a órbita do LRO, que é ligeiramente oval, para conseguir a máxima resolução das imagens. Dessa forma, a sonda desceu de uma altura de 50 quilômetros para 21 quilômetros ao passar sobre a superfície lunar.

A nave espacial se manteve nesta órbita durante 28 dias, tempo suficiente para que a Lua fizesse seu movimento rotativo completo, permitindo uma cobertura total da superfície pela câmera.
A nave espacial voltará à sua órbita habitual nesta terça-feira e antecederá o lançamento da missão "Grail" (sigla de Gravity Recovery Interior Laboratory), prevista para ser lançada na quinta-feira. O objetivo da nova missão da Nasa é investigar o campo de gravidade da Lua.