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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Espécie primitiva de mamífero carnívoro recém identificada era maior que o urso polar

Há cerca de 22 milhões de anos, o Simbakubwa era um feroz predador que possuía "muitas lâminas", afirmam paleontólogos. Quarta-feira, 1 Maio

Por Catherine Zuckerman
Simbakubwa kutokaafrika, um carnívoro gigante conhecido em grande parte por sua mandíbula, partes do crânio e partes do esqueleto encontradas no Quênia, foi membro do extinto grupo conhecido como hienodontes.
 
O pequeno amontoado de misteriosos fósseis permaneceu intocado por décadas, guardado em segurança numa gaveta do Museu Nacional de Nairóbi, no Quênia. Mas, agora, a análise dos restos primitivos revela que pertenceram a um mamífero carnívoro gigante maior que o urso polar, uma espécie recém-descoberta e batizada de Simbakubwa kutokaafrika.

Relatado no Journal of Vertebrate Paleontology, o poderoso predador vagou pela Terra há mais ou menos 22 milhões de anos. Embora a palavra simbakubwa signifique "leão grande" no idioma suaíle, esse monstruoso animal não era, de fato, um felino grande.

Na verdade, ele é o mais antigo membro conhecido de um grupo extinto de mamíferos chamados hienodontes, assim batizados em função da semelhança dental com as hienas, muito embora os grupos não tenham relação entre si.

A descoberta ajuda a ligar alguns dos pontos evolutivos desse grupo de gigantes carnívoros, próximos ao topo da cadeia alimentar dos mesmos ecossistemas africanos em que também evoluíam os primeiros grandes primatas e os macacos. O fóssil pode ainda ajudar os cientistas a entenderem melhor por que esses exímios predadores acabaram não sobrevivendo.
Crânio do leão moderno do Quênia (parte superior) colocado próximo à mandíbula esquerda do carnívoro Simbakubwa kutokaafrika, de 22 milhões de anos de idade.
O achado "é uma boa chance de mostrarmos esses outros predadores carnívoros menos conhecidos", afirma Jack Tseng, biólogo evolutivo e paleontólogo de vertebrados na Universidade de Buffalo, que não participou do estudo. “Antes mesmo de os antepassados dos carnívoros modernos tão famosos entre nós evoluírem, como leões, hienas, lobos, a cena global dos predadores era basicamente dominada por esses hienodontes".

Muitas lâminas

Em 2013, o paleontólogo Matthew Borths realizava pesquisas no museu de Nairóbi para sua dissertação sobre os hienodontes, quando perguntou a um curador se podia dar uma olhada nos espécimes. Lá, encontrou os incomuns fósseis num armário que fazia parte de um acervo com a indicação de "hienas".
Os fósseis haviam sido escavados entre 1978 e 1980 em um sítio na região oeste do Quênia chamado Meswa Bridge. Então, Borths entrou em contato com a paleontóloga da Universidade de Ohio, e patrocinada pela National GeographicNancy Stevens, que descobrira um importante sítio arqueológico na Tanzânia somente alguns milhões de anos mais antigo. O destino dos dois foi então selado quando Stevens disse a Borths que havia aberto a mesma gaveta quando trabalhava em Nairóbi e também ficou surpresa com o conteúdo dela.
“Nós dois sentimos uma reciprocidade e dissemos: 'isso não é incrível? Precisamos fazer algo!”, diz Borths. Stevens depois pediu que Borths entrasse no laboratório dela como pesquisador de pós-doutorado e, juntos, os dois retornaram ao Museu Nacional de Nairóbi, em 2017, para começar a analisar e descrever os espécimes, que consistiam de grande parte da mandíbula do animal, bem como partes do esqueleto, do crânio e dos dentes.
Os carnívoros identificam-se principalmente pelos dentes caninos dianteiros, que ajudam a segurar a presa, mas os dentes traseiros também são importantes.
“É na parte de trás da cabeça que acontece a dilaceração da carne", diz Borths. Todos os carnívoros modernos — incluindo-se os gatos, cachorros, guaxinins, lobos e ursos — detêm um par desses dentes cortadores de carne. Os hienodontes tinham três pares.
“Esse animal tinha muitas lâminas”, afirma Borths.

Além do medo que eles causavam, os dentes foram essenciais para que a dupla entendesse a existência completa de uma espécie extinta. Sem dentes em bom estado para estudar, diz Borths, "é como ter peças de tamanhos diferentes do quebra-cabeça e nenhuma outra peça para ligá-las".
O Simbakubwa “reúne informações dentais, um pouco de informação craniana e um pouco de informação sobre o esqueleto, ajudando a unir boa parte desse material que estava meio desconexa. É de grande ajuda para contextualizar todo esse grupo de carnívoros gigantes”, diz ele.

“A ciência é definitivamente algo impressionante", acrescenta Tseng. “Sempre que se tem um novo registro de algo desse tamanho na fauna e na rede alimentar ecológica, é necessário reconsiderar exatamente como eram as interações entre predador e presa”.

Adapte-se ou morra

Um dos objetivos da pesquisa, parcialmente financiada pela National Geographic Society, era colocar o Simbakubwa na árvore genealógica correta, diz Borths.
“Uma vez compreendidas as relações entre esses animais, pode-se começar a especular sobre o tamanho do ancestral comum dessas criaturas, como era o mundo durante a existência desse ancestral comum hipotético etc.", afirma. “Pode-se experimentar um pouco com os dados para que se tente descobrir como essas grandes mudanças evolutivas se situam dentro de outras mudanças, como a alteração climática e a deriva continental”.

À medida que a África se aproximava da Eurásia há 20 milhões de anos, os animais começaram a se misturar entre os continentes, criando uma troca ecológica que "dá origem a todo tipo de loucura", afirma Borths. E, quando os continentes mudaram e o rifte africano oriental começam a aparecer na superfície, as correntes oceânicas também se alteraram.
“Todas essas peças são experimentos naturais realmente fascinantes na forma como os diferentes grupos se adaptam", diz Borths.

Apesar de grande e dominador, o Simbakubwa não sobreviveu e até mesmo seus parentes já estavam extintos ao fim do Mioceno, há cerca de cinco milhões de anos. Mas por quê?
O animal "não era do tipo que errava", diz Borths, e sobreviveu por muito tempo depois de os hienodontes evoluírem na África e se espalharem para a Ásia e Europa. Porém, na condição de hipercarnívoro, o que, por definição, significa um animal que obtém da carne mais de 70% de suas calorias, é provável que o predador tenha sido vítima de uma rápida mudança ambiental.

Os hipercarnívoros modernos, como leões, hienas, tigres e lobos, "estão entre os mamíferos mais ameaçados atualmente e isso é em parte devido à ultrassensibilidade deles aos danos ambientais", afirma Borths. Pelo fato de as populações hipercarnívoras serem relativamente pequenas em comparação com outros organismos, elas sofrem quando a cadeia alimentar começa a se desestabilizar.

“Algo deixou [o Simbakubwa] no limite”, diz Borths. “As coisas mudaram muito rápido, a população da espécie de que ele se alimentava não se recuperou rápido o suficiente e esses animais acabaram sendo extintos”.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Building Better Skull Models For Ancient Carnivores

Tseng Skulls Comparison
Analyzing the skulls of living species showed unexpected similarities.
© AMNH/Z.-J. Tseng
When paleontologists put together a life history for a long-extinct animal, they try to understand its diet by looking at modern animals with similar skull shapes and tooth patterns. But this practice is far from foolproof. New modeling and tests based on living species conducted by scientists at the American Museum of Natural History show that the link between animal diets and skull biomechanics is complex, with a stronger influence from ancestry than previously thought.

“Traditionally, when we looked at a fossilized skull with pointy piercing teeth and sharp slicing blades, we assumed that it was primarily a meat eater, but that simplistic line of thinking doesn’t always hold true,” said John J. Flynn, the Museum’s Frick Curator of Fossil Mammals and a co-author on the new work published today in the journal PLOS ONE. “We’ve found that diet can be linked to a number of factors—skull size, biomechanical attributes, and often, most importantly, the species’ position in the tree of life.”

 Dr. Flynn and Z. Jack Tseng, a National Science Foundation and Frick Postdoctoral Fellow in the Museum’s Division of Paleontology, looked at the relationship between skull shape and function of five different modern carnivore species: “hypercarnivores” like wolves and leopards whose diet is more than 70 percent meat and more omnivorous “generalists” such as mongooses, skunks, and raccoons. The initial modeling, which mapped bite force against the stiffness of the animal’s skull, yielded a surprise.
“Animals with the same diets and biomechanical demands, like wolves and leopards—both hypercarnivores—were not linking together,” Dr. Tseng said. “Instead, we saw a strong signal driven mostly by ancestry, where, for example, the leopard and the mongoose bind together because they’re more closely related in an evolutionary context, although they have very different dietary preferences and feeding strategies.”
Tseng Fossil Skulls
Improving our understanding of skull structure could help researchers learn more about the habits of extinct animals.
© AMNH/Z.-J. Tseng
But once Tseng and Flynn accounted for the strong effects of ancestry and skull size on the models, hypercarnivores and generalists still could be distinguished based on biomechanics, in particular by looking at where along the tooth row the skull is strongest. The skulls of heavy meat eaters tend to be stiff near the front teeth for hunting, and the back teeth for crushing bones and slicing meat. In contrast, generalist skulls get slightly stiffer from the front row of teeth to the back row.

With an improved shape-function computer model in hand, Flynn and Tseng applied the research to a pair of extinct species: Thinocyon velox, a predatory mammal that was part of the now-extinct Creodont group, and Oodectes herpestoides, an early fossil predecessor of modern carnivores. The results suggested that T. velox likely had a unique hypercarnivorous feeding style that emphasized prey capture with its front teeth and powerful slicing and crushing with its back teeth, while O. herpestoides was a generalist.
“Beyond feeding adaptations of extinct species, we also want to decipher how adaptations evolved using reconstructed ancestors of living and fossil forms,” Tseng said. “We are applying similar types of skull shape and biomechanical analyses to reconstructed hypothetical ancestor skulls of Carnivora and their relatives to map out and better understand the long history of feeding adaptation of living top predators.”

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Fossa is Species of the Day

The fossa (Cryptoprocta ferox) is a unique carnivore, endemic to Madagascar, is EDGE Mammal number 43, and is today’s IUCN Species of the Day.
There has been considerable dispute over where the fossa sits in the mammal evolutionary tree – it was originally classified as a felid due to its cat-like head and body shape (actually a result of convergent evolution), but was then moved to the family Viverridae which contains civets and genets. Finally, the fossa was assigned to the Eupleridae, a small group of Malagasy carnivores which also contains the falanouc.

The family Eupleridae contains just eight living species, thought to have evolved from a single ancestor which colonised Madagascar from the African mainland 18 – 24 million years ago.
Madagascar’s largest carnivore, the fossa is unusual-looking, rather like a cross between a dog and a cat. Active both during the day and at night, its diet consists mostly of small mammals and birds, but also includes reptiles, frogs and insects. It is a powerful predator, and has keen senses of vision, hearing and smell. An excellent climber, the fossa uses its long tail (almost the same length as its body) to provide balance when pursuing lemurs through the trees, which it climbs with its cat-like retractable claws.

Fossas have a very unusual mating system – a single female will exclusively occupy a site high in a tree, below which a number of males congregate. The males compete for mating rights and over the course of a week the female will mate with a number of different males. Once the original female has left, a new female will take over the site and, like her predecessor, mates with the males there. These ‘mating trees’ are used for many years.
Sadly the population of fossa is estimated to be fewer than 2,500, separated between several smaller groups, the largest of which probably has fewer than 400 fossa. The species’ forest habitat continues to be lost and fragmented, largely as a result of conversion of forest to agricultural land, and from logging, and fossa are also killed as a pest because they sometimes prey on domestic fowl.

A captive breeding programme has been established for the fossa – check out some brilliant footage of young fossa here – but protection of large, in-tact forest habitat is still required to guarantee the future of this wonderful creature.
The EDGE of Existence works to raise awareness and implement conservation actions for unusual threatened species that are overlooked by existing conservation initiatives.
To help conserve these forgotten species, please donate here.

terça-feira, 20 de março de 2012

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Da France Presse
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Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales) 
Multituberculado teria vivido convivido com
dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)
 
Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.
O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

"Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam", disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.
Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica "Nature".

Características

Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos - em grande parte primatas, ungulados e roedores - ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.
Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.
Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A vez do tempo

24/11/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Graças às novas tecnologias e a investimentos satisfatórios, os estudos sobre biodiversidade têm explorado com eficiência a dimensão espacial dos biomas. Mas, para que o conhecimento avance, é preciso investir na dimensão temporal, com estudos de longa duração.
Essa foi a síntese da palestra de abertura do International Workshop on Long-Term Studies on Biodiversity apresentada pelo coordenador do evento, Luciano Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).
O encontro, promovido pelo Programa Biota-FAPESP, foi realizado nesta terça-feira (23/11), em São Paulo, com o objetivo de sensibilizar a comunidade científica a respeito dos chamados programas de estudos de longa duração sobre biodiversidade.
A vez do tempo
Modelos para representar distribuição espacial de espécies são eficazes, mas precisam considerar a dimensão temporal, diz pesquisador em workshop do Biota-FAPESP (foto: Biota)

Tendência em vários países, esses estudos possibilitam entendimento – em escalas espacial e temporal mais amplas – dos processos biológicos e humanos que determinam o padrão de distribuição e a abundância de espécies.
De acordo com Verdade, que é membro da coordenação do Biota-FAPESP, os estudos de longo prazo em documentação e conservação da biodiversidade não são apenas uma tendência, mas uma necessidade incontornável.
“Quando levamos em conta a complexidade dos estudos que tratam da conservação e abundância das espécies, vemos que se trata de uma necessidade. Por isso, o workshop não tem como objetivo apenas apresentar o estado da arte de determinado tema ligado à biota. Temos foco em um objetivo prático: trazer para São Paulo a experiência de grupos de pesquisa que tenham trabalhado em estudos de longa duração”, disse.

O evento, segundo ele, é coerente com as diretrizes da segunda fase do programa da FAPESP, chamada de Biota+10 e iniciada em 2009. Em sua primeira década, o programa teve foco em levantamento da fauna e flora em território paulista. Nos dez anos seguintes, estabeleceu-se que, além desses objetivos, seriam acrescentadas novas abordagens interdisciplinares.
“Esperamos que o compartilhamento dessas experiências internacionais possa despertar o debate para que possamos, com o Biota e a FAPESP, implantar programas de estudo de longo prazo”, disse Verdade.
O desafio de realizar estudos de longa duração em São Paulo não representa apenas uma necessidade de aumentar o tempo cronológico das pesquisas, mas também de considerar uma nova forma de percepção do tempo. “Precisamos passar a perceber o tempo de forma diferente, não apenas em termos cronológicos, mas em forma de processos”, disse.

Verdade explicou que na Grécia pré-helênica o conceito de tempo era dividido em duas palavras diferentes, correspondentes a dois deuses: Cronos e Cairos. O primeiro correspondia ao tempo cronológico, massacrante e implacável. O segundo era o deus das estações e correspondia a um tempo “existencial”, ligado aos processos.

“Na cultura ocidental moderna temos uma só palavra para a ideia de tempo, mas na prática o tempo tem várias faces. Precisamos nos voltar para esse tempo dos processos”, disse.
Com a instrumentação disponível atualmente, a partir de investimentos com satélites e estruturas computacionais, entre outros, foi possível construir uma ideia avançada da percepção da heterogeneidade espacial dos biomas.

“Isso ganhou tanta projeção que muitas vezes subestimamos o papel da heterogeneidade temporal para a realidade que queremos monitorar e modificar. Os modelos são, em geral, baseados na presença e ausência de espécies, mas não em sua abundância. Em geral, a dimensão do tempo é achatada, de forma que os modelos consideram apenas os padrões momentâneos. Outra limitação do aparato de satélites e dos modelos é que eles só permitem observar os padrões modernos”, afirmou.

Dimensão temporal

Quando se observa uma matriz composta de plantações de eucaliptos e de alguns remanescentes de vegetação nativa, por exemplo, é fácil perceber que a presença de carnívoros é maior nos pontos onde a paisagem é mais heterogênea. Isto é, a heterogeneidade espacial influencia os padrões de presença e abundância das espécies.
“Mas as projeções mostram essas comunidades em um só momento, não sendo capazes de trazer uma compreensão dinâmica de seu padrão ao longo do tempo. Uma das premissas que geralmente usamos nos artigos científicos é que há uma correlação entre os índices de abundância e a abundância real dos animais. Mas é possível que haja variação, de forma que essas figuras representem algo mais influenciado pelo método de observação do que a realidade de fato”, afirmou.
Na discussão de resultados, muitas vezes, os artigos científicos partem da premissa de que os padrões detectados não variam com o tempo, segundo Verdade.
“A partir daí se recomenda aos gestores públicos que qualquer mudança nos padrões é um perigo para a biodiversidade. Mas, quando se insere a dimensão temporal, sabemos que é inevitável que haja mudanças nos padrões. Portanto, é arriscado recomendar a manutenção de padrões definidos sem a dimensão temporal”, explicou.
Outra premissa comum é que espécies raras sejam mais propensas à extinção. “Sabemos que essa premissa também não é sempre verdadeira. Pelo contrário, na natureza é comum ser raro. E é raro ser comum. Por isso, partir do pressuposto de que as espécies raras são bons indicadores de qualidade do habitat também é arriscado”, disse.
“Quando vamos a campo e partimos da imagem de satélite para algo mais próximo às espécies em si, em relação à paisagem, percebemos que há muitos fragmentos de florestas e matrizes de pastagens e de cana-de-açúcar. Esse é um ambiente típico no Estado de São Paulo. Cada uma dessas manchas que forma a paisagem tem uma variação ao longo de um ano que pode ser dramática para os padrões que vamos encontrar”, disse Verdade.

As paisagens cobertas por plantações de cana-de-açúcar – que totalizam 9 milhões de hectares no Brasil – têm variações anuais entre zero e 100 toneladas de biomassa por hectare, segundo Verdade. Essa biomassa proporciona o aparecimento de espécies como roedores, por exemplo, que atraem seus predadores para essas áreas.
“A presença de muitas das espécies pode variar se considerarmos os padrões ao longo do tempo. Algo parecido ocorre nas plantações de eucalipto, que variam entre zero e 300 metros cúbicos de madeira em ciclos de seis a sete anos. Algumas espécies conseguem usar esses recursos criando cadeias tróficas mais simples que a da cobertura original, mas que não podem ser ignoradas”, explicou.
Certas flutuações tendem a ser cíclicas em maior ou menor escala. Outras mostram um padrão de espécies que aumentam sua presença, colonizando a paisagem. Outras, ainda, tendem a desaparecer, por não se adaptar. Algumas podem desaparecer e depois voltar.
“Algumas espécies podem apresentar um padrão caótico de flutuação e outras podem apresentar variações populacionais determinadas por eventos singulares”, indicou.

Mais dados

A presença humana, que também varia ao longo do tempo, precisa ser considerada quando se vai a campo, segundo o professor do Cena. “Além disso, temos que considerar a evolução das espécies, uma vez que elas se adaptam às mudanças do ambiente”, disse.
“Esse processo de adaptação pode ser fisiológico, de aclimatação, mas pode ser proveniente também de uma mudança no patrimônio gênico de certas espécies. Para algumas delas, poucas décadas representam centenas de gerações”, completou.
Por conta de todas essas modificações constantes dos padrões ao longo do tempo, os estudos em biodiversidade precisam considerar uma escala espaço-temporal mais longa.
“Para estudar os processos ao longo do tempo, precisamos trabalhar em rede nessas paisagens, montando e mantendo um banco de dados aberto, que mostre nossos diversos biomas e as paisagens agrícolas principais do estado. Os dados gerados precisam ser compatíveis e comparáveis – o que não é trivial sob nenhum ponto de vista”, afirmou Verdade.

A vantagem desse tipo de estudo, segundo ele, é que a precisão conseguida pelos modelos de presença, abundância e distribuição das espécies é muito maior.
“Hoje, os lugares vazios nos mapas correspondem à ausência de evidências da presença de uma espécie. Queremos que esses vazios passem a ser, ao contrário, a evidência de ausência das espécies. Isto é, muitas das lacunas que temos atualmente nos mapas não significam que ali há pouca presença das espécies. Significa que há pouca presença de dados”, disse.

Fonte: Fapesp

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

08/11/2010
Ilustração do Irritator em vida
© Pablo Moreno
Reconstrução de Angaturama limai: o Irritator deveria ser semelhante
© Orlando Grillo

Nome científico: Irritator challengeri.
Significado do Nome: Irritante.
Tamanho: 8 metros de comprimento e 3 metros de altura aproximadamente.
Alimentação: Carnívora.
Peso: 1 tonelada aproximadamente.
Viveu: Brasil.
Período: Cretáceo, Aptiano - Albiano, há 110 milhões de anos.

Veja onde foi encontrado o Irritator!
© Modoficado por Marcus CabralVeja quando viveu o Irritator
© Marcus Cabral

Bem, até que enfim postarei sobre um dinossauro da minha terra, brasileiro. Seu nome é Irritator challengeri e os únicos fósseis foram encontrados no membro Romualdo, parte da Formação de Santana, por sua vez localizada na Bacia do Araripe - estado do Ceará. A única parte do corpo do animal encontrada foi um crânio, parcial, mal preservado, que foi coletado por vendedores de fósseis e por isso a data exata da coleta é incerta. O local do achado era igualmente desconhecido, mas depois de análises puderam encontrar o local, pelo menos aproximado.
Estes mesmos contrabandistas infelizmente alteraram o fóssil, que consiste num crânio que inteiro teria 60 centímetros de comprimento aproximadamente, mas o exemplar não estava inteiro e sendo a medida baseada em material incompleto podem surgir futuramente alterações de valores. Na verdade, se olharmos no artigo original de 1996, a estimativa era de 84 centímetros, levando-se em consideração o crânio não preparado. Ao limpá-lo e restaurá-lo devidamente, notou-se que seria menor, com base nas proporções do crânio do Baryonyx, o que foi relatado no artigo de Sues e seus colegas em 2002.
De qualquer forma este seria o crânio de espinossaurídeo mais completo já descoberto. até o momento. Essas alterações foram prejudiciais para a descrição do espécime, deixando os paleontólogos profissionais frustrados pela dificuldade do trabalho de identificação e os dando ao mesmo tempo uma idéia para nomear o novo dinossauro. Calma, eu explico melhor! Ocorreu da seguinte maneira: os traficantes de fósseis (isso mesmo, traficantes porque a venda de fósseis brasileiros é proibida por lei desde 1942) encontraram o material do crânio incompleto, com a maior porção sendo da parte traseira da cabeça e reconstruíram partes do fóssil (com material da própria matriz, rocha onde o fóssil foi achado e material sintético) deixando-o mais bonito para vender, alcançando assim melhor valor.

O crânio então foi vendido a paleontólogos europeus, provavelmente sem que os compradores em questão analisassem o material antes da compra, e por isso estes não ficaram sabendo da reconstrução de algumas partes e só notaram a parte modificada depois de comprar o material. A descoberta ocorreu quando usaram um scanner para analisar o crânio e perceberam que este havia sido alterado. Assim mesmo continuaram a estudá-lo, mas primeiro precisavam definir e entender o que era fóssil real e o que foi montado.
Veja o crânio parcial: difícil identificar o animal
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Reconstrução do crânio: áreas em branco são matriz ou material sintético
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Sues et. al. (2002)Reconstrução do crânio: áreas em branco são matriz ou material sintético
© Sues et. al. (2002)

A descoberta de que o fóssil era parcialmente alterado e o trabalho da separação foi tão difícil que eles ficaram irritados com o problema e no fim da história, resolveram nomear o animal como Irritator challengeri, sendo que o primeiro nome significa Irritante, aparentemente derivando da língua inglesa, e o segundo é uma homenagem ao personagem Professor Challenger, do livro O Mundo Perdido, do escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle.

A primeira descrição oficial do animal só foi publicada em 1996 no Journal of Geological Society, pelos paleontologistas D. M. Martill, A. R. I. Cruilkshank, E. Frey, P. G. Small e M. Clarke, descrevendo o fóssil holótipo marcado como SMNS 58022, estando no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe - Alemanha. Inicialmente estes pesquisadores haviam confundido o material, imaginando tratar-se de um Maniraptor, grupo de terópodes mais modernos, como os raptores emplumados do Cretáceo. Isso se comprova diretamente pelo título do artigo de Martill e seus colegas, "A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil. " Inclusive pode baixar o arquivo do artigo em PDF no link ao fim da postagem.

No entanto, no mesmo ano, Alexander Kellner, um paleontólogo brasileiro, estava trabalhando com um colega no artigo sobre um crânio parcial de um espinossaurídeo proveniente também do membro Romualdo, da formação de Santana, o qual viria a ser denominado Angaturama limai. O artigo sobre o Irritator foi publicado apenas algumas semanas antes de Kellner e Campos publicarem o estudo sobre o Angaturama. Assim, ao ver as fotos do material estudado na Europa, Kellner afirmou que seriam restos de um espinossaurídeo, o que foi confirmado posteriormente e atualmente é aceito pela maioria da comunidade científica.

Primeiro de tudo, você pode indagar como é que se sabe a procedência deste fóssil, como se tem certeza de que é brasileiro, veio do Ceará, especificamente do Membro Romualdo, parte da Formação de Santana.
Os pesquisadores conseguiram definir este detalhe a partir da matriz do fóssil, que nada mais é do que o pedaço de rocha onde ele estava encravado. Analisando as características litológicas foi possível perceber detalhes compatíveis com as rochas cretáceas da Formação de Santana, gerando assim novas análises com base em microfósseis. Este tipo de fóssil é formado por animais muito pequenos ou plantas ou bactérias minúsculas. Nas rochas de Santana há muita ocorrência de microfósseis do gênero Pattersoncypris, um tipo de crustáceo microscópico e como na matriz do fóssil do terópode haviam Pattersoncypris, foi confirmada a suspeita inicial além de escamas de peixes do gênero Cladocyclus, comuns no Membro Romualdo.
Sabendo isto, definiram de que país o fóssil veio, de que período e de que Formação, mas ainda faltava descobrir o local exato da extração. Então um dos pesquisadores mostrou uma foto do fóssil aos traficantes de fósseis da região, dos quais um lembrou do material e indicou um local perto da vila de Buxexé, na área de Santana do Cariri, parte da Chapada do Araripe, há cerca de 650 metros de altitude.
As rochas do local ainda estavam expostas, indicando boas chances de ser a origem do crânio, embora não se possa ter certeza. A camada data do Cretáceo Inferior, idades Aptiana e Albiana. e a consistência e cores da rocha batem com a matriz no crânio. Estima-se que o crânio venha de camadas de 110 milhões de anos de idade, ou seja, que foram formadas quando a América do Sul e África ainda estavam ligadas em um ponto ao norte do Brasil.
© Adaptado por Marcus Cabral

Aquele lugar apresentava lagunas de água doce ou salobra e sabe-se disso porque as rochas apresentam características deste tipo de formação, incluindo inúmeros fósseis de insetos encontrados ali, mostrando que haviam fontes de água doce das quais necessitam os insetos para botar suas larvas. Mas também foi encontrado o Santanachelys, uma tartaruga adaptada à ambientes marinhos, o que nos faz deduzir que haviam lagos ou praias de salobra ou salgada. Uma teoria é que o sítio era uma lagoa de água salobra, que era conectada ao mar e o clima era tropical, correspondendo ao clima atual no Brasil.

O Irritator era um terópode espinossaurídeo, que possuía o característico crânio com focinho alongado já tradicionalmente associado à este grupo de dinossauros. O fóssil foi interpretado como tendo uma crista, cuja parte posterior teria sido fabricada pelos contrabandistas de fósseis. No novo estudo publicado por Sues & Martill (2002), assume-se que a crista na verdade não é uma crista como imaginada, ou seja, o fóssil havia sido mal interpretado pelas más condições e alterações sofridas. Sim, ele tinha a crista, o que mudou é a localização dela e o fato é que não se sabe a forma ou tamanho real dela.
Cabeça do Irritator mostrando uma crista
© Felipe Alves Elias

Seu focinho comprido e fino, era extremamente estreito, comprimido lateralmente e tinha uma organização homogênea de dentes cônicos e lisos, adaptados para pegar e agarrar, ao contrário dos dentes de terópodes de outros grupos, cuja borda é serrilhada e funciona como uma faca, para cortar e arrancar pedaços de carne.
Observe as características do Irritator
© Andrey Atuchin

Essas adaptações serviriam provavelmente para agarrar peixes em lagoas e rios rasos e até mesmo na praia.
Há uma possibilidade de que comia répteis voadores, pois um dente de um carnívoro do grupo dos espinossaurídeos foi encontrado em um fóssil de pterossauro. Acredita-se que o dente pertence ao outro espinossaurídeo do Brasil, o Angaturama limai. Estes seres voadores habitaram o mundo todo durante a Era Mesozóica e na região de Santana no Cretáceo eram particularmente numerosos, apresentado grande diversidade de espécies.
Não há indício direto de que o Irritator ou mesmo o Angaturama apresentasse a vela dorsal como o Espinossauro. Porém diversos artistas gostam de dar sua interpretação do animal e mostram-no com vela, porém menor que a do parente africano.
Irritator com vela dorsal
© K. TerakoshiIrritator com vela dorsal
© Dorling Kindersley

Pesquisadores ainda debatem sobre o comportamento deste animal, sendo que alguns acreditam que o dinossauro deve ter sido como crocodilos de hoje, um oportunista que come de tudo, contanto que possa capturar e engolir.
Particularmente no Irritator e no Suchomimus, nota-se uma convergência com crocodilos que é regularmente discutida na literatura especializada. Diversos espécimes de espinossaurídeos foram, no passado, identificados erroneamente como de crocodilos extintos. Por exemplo, fósseis de um Barionix encontrados em Portugal foram originalmente descritos como Suchosaurus e somente em 2007 foram reconhecidos como sendo do espinossaurídeo.

As narinas no Irritator eram localizadas na região posterior do crânio e essa característica junto com a presença de um palato secundário tornava possível a respiração mesmo que a maior parte da mandíbula estivesse abaixo da água ou segurando uma presa. A presença de uma crista sagital no Irritator, aumenta a área de ligação com os músculos do pescoço, e isso indica que tinha uma musculatura do pescoço bem forte, que poderia ser necessária para empurrar a mandíbula fechada rapidamente contra a superfície da água quebrando a sua resistência e logo em seguida retirar a cabeça, provavelmente com uma presa na boca, sem sofrer com a resistência da água ou força de correnteza de um rio, como proposto em D. M. Martill et al. (1996). No entanto, não posso afirmar com certeza se essa hipótese continua válida, uma vez que a posição e tamanho da crista foram revistas em 2002. Apesar de classificar o animal como um maniraptor, Martill e sua equipe notaram a semelhança dos dentes com os de espinossaurídeos e a partir disso passaram a vê-lo como um pescador, um dinossauro piscívoro.
Irritator comendo peixe© Ezequiel Vera
Sues et al. (2002) afirmam, no entanto, que não há razão para assumir que os espinossaurídeos eram completamente especializados em pescar. Eles dizem que a morfologia da cabeça do animal indica hábito alimentar generalista, com preferência por presas pequenas. De fato, restos de um jovem Iguanodon, que é um dinossauro terrestre, foram encontrados dentro do esqueleto fóssil de um Barionix, que é um espinossaurídeo europeu.
Em Naish et al. (2004) suportam a teoria que o Irritator caçava tanto animais terrestres quanto aquáticos, de forma generalista dentro da área costeira e provavelmente procurava por carniça também.

O Angaturama limai foi considerado como sinônimo de Irritator, pois seus restos curiosamente parecem completar o crânio do outro animal, indicando que ambas as peças seriam partes de um mesmo animal. Mas fósseis mais completos de Angaturama mostram que embora sejam muito semelhantes, talvez não fossem a mesma espécie.

O Angaturama limai, da mesma época e período, foi descrito por Alexander Kellner e Diogenes A. Campos em fevereiro de 1996 com base nos fósseis encontrados na Formação Santana. Seu nome provém de um espírito protetor da cultura dos índios Tupi chamado Angaturama e o nome limai foi definido em honra de Murilo R. de Lima, que informou Kellner sobre o espécime em 1991.
Posteriores pesquisas nos anos recentes desenterraram pelo menos 60 % do esqueleto, permitindo que se criasse uma réplica do esqueleto para ser exposta montada no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Análises nos restos do Angaturama mostraram que seu focinho tem uma forte compressão lateral e uma crista sagital fina no topo da premaxila. Peixes devem ter sido grande parte de sua dieta. No entanto um fóssil de pterossauro foi encontrado com um dente de Angaturama encravado, sugerindo que o carnívoro predava estes répteis voadores, abundantes na região.
Angaturama limais atacando um pterossauro
© Maurilio Oliveira

Waiters e Campos (2000) assim como Machado e Waiters (2005) acreditam que os fósseis vem de dois diferentes gêneros, sendo que o Angaturama tem claramente um crânio mais alto e lateralmente mais chato que o Irritator. Se Angaturama e Irritator fossem realmente membros de um mesmo gênero, Irritator challengeri deveria ser o nome escolhido para representar o animal porque foi criado antes que o outro nome. O fóssil consiste somente da parte da frente da cabeça, o que é caracterizado pelo fato de que tal osso é bem estreito e mostra uma crista sagital na premaxila, que tem um dente quebrado com a coroa parcial. Tal fóssil corresponde ao do Irritator. Ao todo a premaxila apresenta 7 dentes, sendo o terceiro deles o mais longo, O fóssil é mantido sob o número USP GP32T-5 na Universidade de São Paulo.
O I. challengeri foi um membro da família Spinosauridae, especificamente da subfamília Spinosaurinae. Tem parentesco próximo com Spinosaurus e possivelmente Siamosaurus, porém esse último gênero é conhecido de pouco material fóssil, o que torna suas características duvidosas.

O Irritator foi originalmente descrito como um maniraptor dentro de Tetanurae, provavelmente devido à dificuldade de definir a forma original do crânio. Foi inserido na família Baryonychidae, junto com Angaturama, Baryonyx, Suchomimus e Spinosaurus por Oliver Rauhut em 2003.
Holtz et al. (2004) considerou que Baryonychidae era um sinônimo da família Spinosauridae e colocou os gêneros dentro desta última família. Revisões mais recentes tem mantido tal classificação.
Irritator atacando pterossauros numa praia© Felipe A. Elias


Fontes: