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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

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The Deinonychus exhibit in the Natural History Museum

Como os dinossauros evoluíram para os pássaros

Por Katie Pavid

É um relacionamento improvável, mas o humilde pombo é um descendente do grupo de dinossauros que também inclui o poderoso Tyrannosaurus rex .

As duas espécies compartilham um passado biológico notável. Nosso professor paleontólogo Paul Barrett explica como esse entendimento da evolução dos dinossauros está transformando a maneira como os cientistas pensam.

Os pássaros que enchem o céu do mundo hoje são dinossauros vivos, lembretes de um passado distante e estranho.

Décadas de novas descobertas e estudos principais convenceram os pesquisadores de que há um vínculo direto entre espécies de aves modernas e dinossauros terópodes .

Uma vez que os dinossauros foram considerados lagartos escalonados, mas agora são considerados de maneira muito diferente.

"Os dinossauros sempre desencadearam a imaginação, mas nossas opiniões sobre esses animais espetaculares mudaram continuamente com o tempo", diz Paul.

"Nossa imagem de dinossauros agora é bem diferente daquela apresentada pelos primeiros paleontólogos que trabalham nesses animais."

O renascimento do dinossauro

Estamos em um período em que os paleontologistas chamam de "Renascimento de Dinossauros".

Começou na década de 1960 com a revolucionária descoberta de Deinonychus , um pequeno dinossauro predatório que viveu cerca de 115 milhões de anos atrás.

Ele não apenas mostrou semelhanças únicas com os pássaros, mas também parecia ser um caçador inteligente e rápido de pacote, em vez de um réptil lento e arrastado.

Deinonychus animatronics in the Dinosaurs Gallery

Novo trabalho em espécimes antigos e as descobertas do dinossauro e das espécies de aves no campo apoiaram a idéia de que os dinossauros eram os ancestrais diretos dos pássaros. Muitas características e comportamentos que caracterizam os pássaros vivos também foram encontrados em seus ancestrais de dinossauros.

Dinossauros com penas

Talvez o mais surpreendente de tudo tenha sido a descoberta de dinossauros com penas. Isso mudou completamente a percepção da comunidade científica de sua aparência e comportamento.

O Deinonychus Animatronics em nossa galeria de dinossauros Sport Feathers, para dar aos visitantes uma idéia precisa de como esses animais pareciam.

"As reconstruções modernas dos dinossauros predatórias são surpreendentemente parecidas com pássaros e teriam sido completamente absurdas a muitos pesquisadores do século XIX", diz Paul.

"Nossa imagem dos dinossauros se mudou muito da foto da década de 1950 de lagartos letárgicos e escamosos, para um que é muito mais dinâmico e emocionante".

Terópodes que comem carne

Deinonychus era um teropode, um grupo de dinossauros bípedais e carnívoros que também incluíam T. rex .

Nosso conhecimento dessas criaturas está constantemente mudando à medida que novos fósseis são desenterrados.

Os cientistas agora sabem que os dinossauros evoluíram características semelhantes a pássaros muito antes do aparecimento de Archaeopteryx -o fóssil jurássico tardio às vezes chamado de pássaro mais antigo.

A painting of Archaeopteryx and our Archaeopteryx fossil

A mudança evolutiva gradual-desde os terópodes bípedes, de corrida rápida, que habitam o solo a pássaros voadores pequenos, alados e voadores-provavelmente começou cerca de 160 milhões de anos atrás.

Possivelmente, foi devido a um movimento por alguns pequenos terópodes em árvores em busca de alimentos ou proteção.

Corpos encolhidos

Durante o curso de sua história evolutiva, o tamanho corporal de alguns grupos terópodes diminuiu gradualmente. Essa tendência, juntamente com muitas outras mudanças no esqueleto, levou ao aparecimento de pássaros.

"Em 1996, o primeiro dinossauro emplumado foi anunciado e muitos outros vieram à tona desde então", diz Paul. "Este trabalho mostrou que Deinonychus , originalmente retratado como um dinossauro escamosa, estava na verdade."

“As primeiras descobertas de dinossauros foram feitas no início do século XIX. Inicialmente, pensava -se que os dinossauros parecem grandes lagartos e foram retratados como animais enormes, centenas de metros de comprimento. ”

"Novas descobertas significam que temos que atualizar constantemente as visualizações sobre aparência, comportamento e estilo de vida dos dinossauros".

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Registros do Cretáceo

Algas ajudaram a preservar pegadas de dinossauro na Paraíba 

IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 209 - Julho de 2013
© FABIO COLOMBINI
Trilha fossilizada no Vale dos Dinossauros, no município de Sousa
Trilha fossilizada no Vale dos Dinossauros, no município de Sousa

Para quem quiser deixar uma marca duradoura de sua existência na Terra, fica a dica: caminhe à beira de um lago, onde houver lama ou areia fina e molhada, coberta de limo. Centenas de dinossauros fizeram isso, e suas pegadas permanecem intactas, gravadas nas rochas do sertão nordestino, no município de Sousa, interior da Paraíba, graças à ação das algas verdes e azuis do limo onde pisaram há mais de 100 milhões de anos.

A conclusão é dos paleontólogos Ismar Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Giuseppe Leonardi, do Instituto Cavanis, em Kinshasa-Ngaliema, na República Democrática do Congo. Em parceria com o geólogo Leonardo Borghi, da UFRJ, eles apresentaram, em artigo publicado em maio deste ano na revista Cretaceous R  esearch, a primeira prova material da importância do limo na preservação de pegadas fósseis. O filme gelatinoso criado pelos microrganismos crescendo sobre a lama pisada teria impedido que as pegadas fossem apagadas pelo vento e pela chuva, antes que ela endurecesse e fosse recoberta por uma nova camada de sedimento que a protegeria da erosão.

“É incrível como microrganismos ajudaram a registrar a vida de alguns dos maiores animais que já viveram”, comenta Leonardi, considerado um dos principais especialistas em icnologia, o estudo de marcas deixadas por animais extintos, os chamados icnofósseis, para determinar sua postura e comportamento. Foi por meio de pegadas, por exemplo, que os paleontólogos deixaram de montar incorretamente os esqueletos fósseis nos museus. Antigamente achava-se que os dinossauros andavam como os crocodilos, arrastando o ventre e a cauda no chão. As pegadas, no entanto, mostram que as criaturas andavam com a cauda e corpo suspensos, com seu peso distribuído igualmente sobre as patas.
As pegadas de Sousa foram descritas pela primeira vez em 1924, pelo engenheiro de minas Luciano Jacques de Moraes. O estudo dessas marcas, entretanto, só começou em 1975, quando Leonardi passou um ano explorando a região. Nascido na Itália em uma família de geólogos e paleontólogos, Leonardi, 74 anos, sempre dividiu seu tempo entre a carreira de pesquisador e a de padre católico. Ele se prepara para lançar um livro sobre Sousa, escrito em colaboração com Carvalho, ao mesmo tempo que atua na educação de crianças no Congo.



As rochas de Sousa se formaram a partir de sedimentos acumulados em um vale aberto no início da separação entre a América do Sul e a África, no começo do chamado período Cretáceo. Entre 142 milhões e 130 milhões de anos atrás, o vale abrigava rios e lagos, atraindo a fauna da região. Sua lama transformada em rocha registrou a passagem de quase 400 indivíduos — dinossauros, crocodilos, sapos e tartarugas. Também há marcas de ondulações produzidas por água corrente e até pequenos buracos criados por gotas de chuva.

Cenas do passado

Não há, porém, ossadas fósseis em Sousa, ao contrário do que ocorre na bacia sedimentar vizinha do Araripe, no Ceará, local da descoberta de muitos dinossauros do Cretáceo. Leonardi explica que os sedimentos e o ambiente das bacias eram distintos. O ambiente mais ácido de Sousa corroía os ossos, enquanto no Araripe enxurradas arrastavam e soterravam rapidamente as carcaças dos animais, mantendo os ossos em condições favoráveis à petrificação.

“Em geral, os fósseis são registros da morte, enquanto as pegadas são registros da vida”, afirma Carvalho. Dificilmente as pegadas permitirão identificar a espécie do animal que as produziu. Mesmo assim, os pesquisadores conseguem classificá-las de acordo com certos grupos de dinossauros e, em locais onde há muitas delas, podem reconstruir cenas do passado.

© ARIEL MILANI MARTINE
O cotidiano dos dinossauros de Sousa lembra a vida dos grandes mamíferos das savanas africanas de hoje. Há trilhas feitas por bandos numerosos de saurópodes, imensos herbívoros quadrúpedes, semelhantes aos brontossauros. Em certo local é possível notar que um saurópode adulto diminuiu sua marcha para acompanhar o passo de um filhote. Em outros pontos, esses bandos são perseguidos por pequenos grupos de terópodes, carnívoros bípedes parecidos com tiranossauros ou velocirraptores. Mais ativos que os herbívoros, os terópodes deixaram mais pegadas registradas, apesar de provavelmente terem sido em menor número.

“Essas marcas são estruturas tão delicadas, tão fáceis de serem apagadas pelas intempéries”, diz Carvalho. “Queríamos entender como foram preservadas.” Segundo ele, os pesquisadores costumavam concordar que, para as pegadas serem preservadas, bastava que o sedimento onde estavam impressas tivesse certas características especiais. Ele deveria ser fino, úmido e plástico na medida certa, como a argila. Todos os estudos experimentais feitos até agora, porém, demonstram que isso muitas vezes não é o suficiente.

De uma década para cá, começaram a aparecer evidências de que as pegadas menos erodidas são aquelas cobertas por limo. Em 2009, por exemplo, um grupo de arqueólogos suíços observou exatamente isso ao estudar o endurecimento de pegadas humanas impressas há poucos anos na beira de lagos no Caribe e no Oriente Médio. Carvalho notou algo semelhante na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Outros paleontólogos começaram a suspeitar de que as chamadas esteiras microbianas que compõem o limo funcionariam como uma cola entre os grãos do sedimento, preservando os traços das pegadas, além de os protegerem contra o vento e a chuva. Os microrganismos ajudariam ainda na petrificação, acumulando o cálcio que endurece o sedimento.
Carvalho e seus colegas descobriram a primeira evidência material do fenômeno ao analisarem ao microscópio as lâminas de rochas extraídas de um poço na Fazenda Cedro, em Sousa. Encontraram várias camadas de microbialitos, um tipo de rocha formado a partir dos restos de esteiras microbianas do Cretáceo.

Outra evidência indireta é a presença em Sousa de fósseis de conchostráceos, um crustáceo protegido por duas conchas, aparentado de caranguejos e camarões.

Os conchostráceos existem até hoje e quase nunca ultrapassam meio centímetro de comprimento. Uma das espécies de Sousa, porém, atinge 4,5 centímetros.

Carvalho acredita que os conchostráceos de Sousa cresceram tanto por conta do ambiente de águas quentes, calmas e ricas em nutrientes que favoreceram a proliferação das esteiras microbianas nas margens dos lagos onde os dinossauros pisavam.

Mais limo, mais detalhes

As pegadas mais ricas em detalhes, que vistas bem de perto revelam de marcas de unhas a ranhuras da planta das patas e dos dedos, seriam aquelas formadas onde as esteiras teriam crescido mais. O limo teria ajudado a preservar também as rebordas que aparecem em volta de algumas pegadas. As rebordas são feitas da lama espirrada quando o animal pisou e podem informar seu peso.
Além do sedimento argiloso e das esteiras microbianas, os ciclos de deposição dos sedimentos seguindo as estações secas e chuvosas também ajudou a preservar as pegadas em Sousa. Pegadas eram gravadas e endurecidas durante a estação seca, para então serem enterradas por uma nova camada de sedimento trazida pelas chuvas. A nova camada serviria então de substrato para gravar mais pegadas na estação seca seguinte. Em um local conhecido como Passagem das Pedras, em Sousa, Leonardi escavou 25 dessas camadas com pegadas, produzidas por variações cíclicas na borda de um lago.

Carvalho, cuja pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), espera agora examinar lâminas de rochas de outros lugares do mundo com pegadas fósseis. O maior deles fica em Sucre, na Bolívia. “Tenho quase certeza de que os microbialitos estão presentes lá”, diz.

“As esteiras microbianas estão na moda”, comenta o paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, da Universidade Federal de São Carlos, cujo laboratório possui a maior coleção de icnofósseis do país, muitos deles coletados no interior paulista, principalmente em Araraquara, onde foram descobertas pegadas até em rochas das calçadas da cidade. Fernandes conta que espera analisar em breve o que ele acredita ser rastros deixados por invertebrados ao rasgarem esteiras microbianas crescendo no fundo dos lagos glaciais, que deram origem às rochas sedimentares conhecidas como os varvitos de Itu.

Artigo científico

CARVALHO, I. et al. Preservation of dinosaur tracks induced by microbial mats in the Sousa Basin (Lower Cretaceous), Brazil. Cretaceous Research. Publicado on-line. 10 mai. 2013.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dinossauros e aves modernas são parentes

18/6/2009 11:28,  Redação, com Agência Fapesp
O dinossauro tinha quatro dedos
O dinossauro tinha quatro dedos
Se as aves do presente são os dinossauros do passado, algumas dúvidas precisam ser esclarecidas. Uma delas diz respeito ao membro superior desses animais. Ou simplesmente: como os dedos dos dinossauros evoluíram para as asas das aves modernas?
Os membros superiores, ou as “mãos” das aves atuais, são reduzidos e integrados às asas. Estima-se que eles derivem dos segundos, terceiros e quartos dedos de uma mão ancestral. Entretanto, os dinossauros terópodes, que viveram do Triássico Superior ao Cretáceo, tinham apenas três dedos.
Uma possível resposta para o problema acaba de ser dada por um dos mais bem-sucedidos “caçadores de dinossauros”, o paleontólogo Xing Xu, do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia Vertebradas de Beijing, na China.
Ao lado de James Clark, da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, e um grupo internacional de pesquisadores, Xu descreve na edição desta quinta-feira da revista Nature a descoberta de um “elo perdido” que pode ajudar a esclarecer a questão.

Trata-se de um fóssil de um terópode herbívoro, pequeno e primitivo que viveu há cerca de 159 milhões de anos e foi encontrado no vale de Junggar, no oeste da China. O dinossauro tinha quatro dedos: um primeiro dedo bastante reduzido ao lado de outros três bem mais desenvolvidos.
Segundo os autores do estudo, a evolução de mãos para asas envolveu alterações complexas nos pulsos e dedos, e o fóssil descoberto fornece uma pista de como tais mudanças ocorreram.
O estudo demonstra também que os dinossauros terópodes eram mais diversos ecologicamente durante o Jurássico (de cerca de 199 milhões a 145 milhões de anos atrás) do que se acreditava até então.
– Essa descoberta é realmente empolgante, pois ela muda o que achávamos que sabíamos sobre as mãos dos dinossauros –, disse Xu sobre o dinossauro ao qual deram o nome Limusaurus inextricabilis. O animal tinha bico e era desdentado. A ausência de dentes, braços curtos sem garras afiadas e a presença de moela indicam que se tratava de um herbívoro, apesar de ligado aos dinossauros carnívoros do período.
Os dinossauros terópodes teriam perdido dois dedos durante o curso da evolução, ficando com os três internos. De modo semelhante, embriões sugerem que as aves atuais perderam também dois dedos, só que ficaram com os três do meio. Diferentemente dos demais terópodes conhecidos, o limussauro teve seu primeiro dedo reduzido e o segundo aumentado. Ou seja, mais próximo das aves atuais do que os outros dinossauros.
O limussauro é o primeiro ceratossauro encontrado no leste da Ásia e um dos mais primitivos membros conhecidos do grupo. Ceratossauros eram terópodes que muitas vezes tinham cristas ou chifres, além de ausência de garras.
Entre as descobertas feitas por Xu e colegas no vale de Junggar estão o mais velho tiranossauro (Guanlong wucaii, o mais velho dinossauro com chifre (Yinlong downsi) e o estegossauro Jiangjunosaurus junggarensis.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

08/11/2010
Ilustração do Irritator em vida
© Pablo Moreno
Reconstrução de Angaturama limai: o Irritator deveria ser semelhante
© Orlando Grillo

Nome científico: Irritator challengeri.
Significado do Nome: Irritante.
Tamanho: 8 metros de comprimento e 3 metros de altura aproximadamente.
Alimentação: Carnívora.
Peso: 1 tonelada aproximadamente.
Viveu: Brasil.
Período: Cretáceo, Aptiano - Albiano, há 110 milhões de anos.

Veja onde foi encontrado o Irritator!
© Modoficado por Marcus CabralVeja quando viveu o Irritator
© Marcus Cabral

Bem, até que enfim postarei sobre um dinossauro da minha terra, brasileiro. Seu nome é Irritator challengeri e os únicos fósseis foram encontrados no membro Romualdo, parte da Formação de Santana, por sua vez localizada na Bacia do Araripe - estado do Ceará. A única parte do corpo do animal encontrada foi um crânio, parcial, mal preservado, que foi coletado por vendedores de fósseis e por isso a data exata da coleta é incerta. O local do achado era igualmente desconhecido, mas depois de análises puderam encontrar o local, pelo menos aproximado.
Estes mesmos contrabandistas infelizmente alteraram o fóssil, que consiste num crânio que inteiro teria 60 centímetros de comprimento aproximadamente, mas o exemplar não estava inteiro e sendo a medida baseada em material incompleto podem surgir futuramente alterações de valores. Na verdade, se olharmos no artigo original de 1996, a estimativa era de 84 centímetros, levando-se em consideração o crânio não preparado. Ao limpá-lo e restaurá-lo devidamente, notou-se que seria menor, com base nas proporções do crânio do Baryonyx, o que foi relatado no artigo de Sues e seus colegas em 2002.
De qualquer forma este seria o crânio de espinossaurídeo mais completo já descoberto. até o momento. Essas alterações foram prejudiciais para a descrição do espécime, deixando os paleontólogos profissionais frustrados pela dificuldade do trabalho de identificação e os dando ao mesmo tempo uma idéia para nomear o novo dinossauro. Calma, eu explico melhor! Ocorreu da seguinte maneira: os traficantes de fósseis (isso mesmo, traficantes porque a venda de fósseis brasileiros é proibida por lei desde 1942) encontraram o material do crânio incompleto, com a maior porção sendo da parte traseira da cabeça e reconstruíram partes do fóssil (com material da própria matriz, rocha onde o fóssil foi achado e material sintético) deixando-o mais bonito para vender, alcançando assim melhor valor.

O crânio então foi vendido a paleontólogos europeus, provavelmente sem que os compradores em questão analisassem o material antes da compra, e por isso estes não ficaram sabendo da reconstrução de algumas partes e só notaram a parte modificada depois de comprar o material. A descoberta ocorreu quando usaram um scanner para analisar o crânio e perceberam que este havia sido alterado. Assim mesmo continuaram a estudá-lo, mas primeiro precisavam definir e entender o que era fóssil real e o que foi montado.
Veja o crânio parcial: difícil identificar o animal
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Reconstrução do crânio: áreas em branco são matriz ou material sintético
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Sues et. al. (2002)Reconstrução do crânio: áreas em branco são matriz ou material sintético
© Sues et. al. (2002)

A descoberta de que o fóssil era parcialmente alterado e o trabalho da separação foi tão difícil que eles ficaram irritados com o problema e no fim da história, resolveram nomear o animal como Irritator challengeri, sendo que o primeiro nome significa Irritante, aparentemente derivando da língua inglesa, e o segundo é uma homenagem ao personagem Professor Challenger, do livro O Mundo Perdido, do escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle.

A primeira descrição oficial do animal só foi publicada em 1996 no Journal of Geological Society, pelos paleontologistas D. M. Martill, A. R. I. Cruilkshank, E. Frey, P. G. Small e M. Clarke, descrevendo o fóssil holótipo marcado como SMNS 58022, estando no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe - Alemanha. Inicialmente estes pesquisadores haviam confundido o material, imaginando tratar-se de um Maniraptor, grupo de terópodes mais modernos, como os raptores emplumados do Cretáceo. Isso se comprova diretamente pelo título do artigo de Martill e seus colegas, "A new crested maniraptoran dinosaur from the Santana Formation (Lower Cretaceous) of Brazil. " Inclusive pode baixar o arquivo do artigo em PDF no link ao fim da postagem.

No entanto, no mesmo ano, Alexander Kellner, um paleontólogo brasileiro, estava trabalhando com um colega no artigo sobre um crânio parcial de um espinossaurídeo proveniente também do membro Romualdo, da formação de Santana, o qual viria a ser denominado Angaturama limai. O artigo sobre o Irritator foi publicado apenas algumas semanas antes de Kellner e Campos publicarem o estudo sobre o Angaturama. Assim, ao ver as fotos do material estudado na Europa, Kellner afirmou que seriam restos de um espinossaurídeo, o que foi confirmado posteriormente e atualmente é aceito pela maioria da comunidade científica.

Primeiro de tudo, você pode indagar como é que se sabe a procedência deste fóssil, como se tem certeza de que é brasileiro, veio do Ceará, especificamente do Membro Romualdo, parte da Formação de Santana.
Os pesquisadores conseguiram definir este detalhe a partir da matriz do fóssil, que nada mais é do que o pedaço de rocha onde ele estava encravado. Analisando as características litológicas foi possível perceber detalhes compatíveis com as rochas cretáceas da Formação de Santana, gerando assim novas análises com base em microfósseis. Este tipo de fóssil é formado por animais muito pequenos ou plantas ou bactérias minúsculas. Nas rochas de Santana há muita ocorrência de microfósseis do gênero Pattersoncypris, um tipo de crustáceo microscópico e como na matriz do fóssil do terópode haviam Pattersoncypris, foi confirmada a suspeita inicial além de escamas de peixes do gênero Cladocyclus, comuns no Membro Romualdo.
Sabendo isto, definiram de que país o fóssil veio, de que período e de que Formação, mas ainda faltava descobrir o local exato da extração. Então um dos pesquisadores mostrou uma foto do fóssil aos traficantes de fósseis da região, dos quais um lembrou do material e indicou um local perto da vila de Buxexé, na área de Santana do Cariri, parte da Chapada do Araripe, há cerca de 650 metros de altitude.
As rochas do local ainda estavam expostas, indicando boas chances de ser a origem do crânio, embora não se possa ter certeza. A camada data do Cretáceo Inferior, idades Aptiana e Albiana. e a consistência e cores da rocha batem com a matriz no crânio. Estima-se que o crânio venha de camadas de 110 milhões de anos de idade, ou seja, que foram formadas quando a América do Sul e África ainda estavam ligadas em um ponto ao norte do Brasil.
© Adaptado por Marcus Cabral

Aquele lugar apresentava lagunas de água doce ou salobra e sabe-se disso porque as rochas apresentam características deste tipo de formação, incluindo inúmeros fósseis de insetos encontrados ali, mostrando que haviam fontes de água doce das quais necessitam os insetos para botar suas larvas. Mas também foi encontrado o Santanachelys, uma tartaruga adaptada à ambientes marinhos, o que nos faz deduzir que haviam lagos ou praias de salobra ou salgada. Uma teoria é que o sítio era uma lagoa de água salobra, que era conectada ao mar e o clima era tropical, correspondendo ao clima atual no Brasil.

O Irritator era um terópode espinossaurídeo, que possuía o característico crânio com focinho alongado já tradicionalmente associado à este grupo de dinossauros. O fóssil foi interpretado como tendo uma crista, cuja parte posterior teria sido fabricada pelos contrabandistas de fósseis. No novo estudo publicado por Sues & Martill (2002), assume-se que a crista na verdade não é uma crista como imaginada, ou seja, o fóssil havia sido mal interpretado pelas más condições e alterações sofridas. Sim, ele tinha a crista, o que mudou é a localização dela e o fato é que não se sabe a forma ou tamanho real dela.
Cabeça do Irritator mostrando uma crista
© Felipe Alves Elias

Seu focinho comprido e fino, era extremamente estreito, comprimido lateralmente e tinha uma organização homogênea de dentes cônicos e lisos, adaptados para pegar e agarrar, ao contrário dos dentes de terópodes de outros grupos, cuja borda é serrilhada e funciona como uma faca, para cortar e arrancar pedaços de carne.
Observe as características do Irritator
© Andrey Atuchin

Essas adaptações serviriam provavelmente para agarrar peixes em lagoas e rios rasos e até mesmo na praia.
Há uma possibilidade de que comia répteis voadores, pois um dente de um carnívoro do grupo dos espinossaurídeos foi encontrado em um fóssil de pterossauro. Acredita-se que o dente pertence ao outro espinossaurídeo do Brasil, o Angaturama limai. Estes seres voadores habitaram o mundo todo durante a Era Mesozóica e na região de Santana no Cretáceo eram particularmente numerosos, apresentado grande diversidade de espécies.
Não há indício direto de que o Irritator ou mesmo o Angaturama apresentasse a vela dorsal como o Espinossauro. Porém diversos artistas gostam de dar sua interpretação do animal e mostram-no com vela, porém menor que a do parente africano.
Irritator com vela dorsal
© K. TerakoshiIrritator com vela dorsal
© Dorling Kindersley

Pesquisadores ainda debatem sobre o comportamento deste animal, sendo que alguns acreditam que o dinossauro deve ter sido como crocodilos de hoje, um oportunista que come de tudo, contanto que possa capturar e engolir.
Particularmente no Irritator e no Suchomimus, nota-se uma convergência com crocodilos que é regularmente discutida na literatura especializada. Diversos espécimes de espinossaurídeos foram, no passado, identificados erroneamente como de crocodilos extintos. Por exemplo, fósseis de um Barionix encontrados em Portugal foram originalmente descritos como Suchosaurus e somente em 2007 foram reconhecidos como sendo do espinossaurídeo.

As narinas no Irritator eram localizadas na região posterior do crânio e essa característica junto com a presença de um palato secundário tornava possível a respiração mesmo que a maior parte da mandíbula estivesse abaixo da água ou segurando uma presa. A presença de uma crista sagital no Irritator, aumenta a área de ligação com os músculos do pescoço, e isso indica que tinha uma musculatura do pescoço bem forte, que poderia ser necessária para empurrar a mandíbula fechada rapidamente contra a superfície da água quebrando a sua resistência e logo em seguida retirar a cabeça, provavelmente com uma presa na boca, sem sofrer com a resistência da água ou força de correnteza de um rio, como proposto em D. M. Martill et al. (1996). No entanto, não posso afirmar com certeza se essa hipótese continua válida, uma vez que a posição e tamanho da crista foram revistas em 2002. Apesar de classificar o animal como um maniraptor, Martill e sua equipe notaram a semelhança dos dentes com os de espinossaurídeos e a partir disso passaram a vê-lo como um pescador, um dinossauro piscívoro.
Irritator comendo peixe© Ezequiel Vera
Sues et al. (2002) afirmam, no entanto, que não há razão para assumir que os espinossaurídeos eram completamente especializados em pescar. Eles dizem que a morfologia da cabeça do animal indica hábito alimentar generalista, com preferência por presas pequenas. De fato, restos de um jovem Iguanodon, que é um dinossauro terrestre, foram encontrados dentro do esqueleto fóssil de um Barionix, que é um espinossaurídeo europeu.
Em Naish et al. (2004) suportam a teoria que o Irritator caçava tanto animais terrestres quanto aquáticos, de forma generalista dentro da área costeira e provavelmente procurava por carniça também.

O Angaturama limai foi considerado como sinônimo de Irritator, pois seus restos curiosamente parecem completar o crânio do outro animal, indicando que ambas as peças seriam partes de um mesmo animal. Mas fósseis mais completos de Angaturama mostram que embora sejam muito semelhantes, talvez não fossem a mesma espécie.

O Angaturama limai, da mesma época e período, foi descrito por Alexander Kellner e Diogenes A. Campos em fevereiro de 1996 com base nos fósseis encontrados na Formação Santana. Seu nome provém de um espírito protetor da cultura dos índios Tupi chamado Angaturama e o nome limai foi definido em honra de Murilo R. de Lima, que informou Kellner sobre o espécime em 1991.
Posteriores pesquisas nos anos recentes desenterraram pelo menos 60 % do esqueleto, permitindo que se criasse uma réplica do esqueleto para ser exposta montada no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Análises nos restos do Angaturama mostraram que seu focinho tem uma forte compressão lateral e uma crista sagital fina no topo da premaxila. Peixes devem ter sido grande parte de sua dieta. No entanto um fóssil de pterossauro foi encontrado com um dente de Angaturama encravado, sugerindo que o carnívoro predava estes répteis voadores, abundantes na região.
Angaturama limais atacando um pterossauro
© Maurilio Oliveira

Waiters e Campos (2000) assim como Machado e Waiters (2005) acreditam que os fósseis vem de dois diferentes gêneros, sendo que o Angaturama tem claramente um crânio mais alto e lateralmente mais chato que o Irritator. Se Angaturama e Irritator fossem realmente membros de um mesmo gênero, Irritator challengeri deveria ser o nome escolhido para representar o animal porque foi criado antes que o outro nome. O fóssil consiste somente da parte da frente da cabeça, o que é caracterizado pelo fato de que tal osso é bem estreito e mostra uma crista sagital na premaxila, que tem um dente quebrado com a coroa parcial. Tal fóssil corresponde ao do Irritator. Ao todo a premaxila apresenta 7 dentes, sendo o terceiro deles o mais longo, O fóssil é mantido sob o número USP GP32T-5 na Universidade de São Paulo.
O I. challengeri foi um membro da família Spinosauridae, especificamente da subfamília Spinosaurinae. Tem parentesco próximo com Spinosaurus e possivelmente Siamosaurus, porém esse último gênero é conhecido de pouco material fóssil, o que torna suas características duvidosas.

O Irritator foi originalmente descrito como um maniraptor dentro de Tetanurae, provavelmente devido à dificuldade de definir a forma original do crânio. Foi inserido na família Baryonychidae, junto com Angaturama, Baryonyx, Suchomimus e Spinosaurus por Oliver Rauhut em 2003.
Holtz et al. (2004) considerou que Baryonychidae era um sinônimo da família Spinosauridae e colocou os gêneros dentro desta última família. Revisões mais recentes tem mantido tal classificação.
Irritator atacando pterossauros numa praia© Felipe A. Elias


Fontes:

sábado, 25 de setembro de 2010

Abelissauro

Abelissauro
 
    O Abelissauro cujo o nome significa " réptil de Abel ", viveu no Brasil e chegava a ter até 3 metros de altura e 7 metros de comprimento e pertencia ao grupo dos dinossauros terópodes Abelisauridae, era um terrível animal carnívoro que caçava por toda a América do Sul, sendo muito comum também na Argentina, o local onde foi encontrado e leva em seu nome cientifico é Comahue.
   O Abelissauro possuía um crânio grande e leve que poderia ultrapassar 80 centímetros de comprimento, possibilitando mover a cabeça com facilidade, isso aliado à pernas musculosas, o transformavam em um temível predador. Ele se alimentava tanto de carne fresca quanto de carniça, .
Dados do Dinossauro:
Nome: Abelissauro
Nome Científico: Abelisaurus comahuensis
Época: Cretáceo
Local onde viveu: América do Sul
Peso: Cerca de 2,5 toneladas
Tamanho: 3 metros de altura e 7 de comprimento
Alimentação: Carnívora
Xixianykus
    O Xixianykus viveu há aproxmadamente 145 milhões de anos atrás na China, durante o período Cretáceo, media cerca de 0,5 metros de comprimento, um dos menores dinossauros já descobertos e pertencia ao grupo dos Terópodes.
   Era um dinossauro caçador que usava a agilidade para se alimentar de pequenos animais, como insetos, moluscos, anfíbios, répteis, ovos e mamíferos, podendo inclusive escavar, saltar e correr velozmente a procura dos mesmo.
   Seu fóssil, bastante incompleto, foi encontrado na província Chinesa de Henan, a metade superior do animal acabou não sendo preservada, dificultando assim efetuar maiores descobertas. A pesquisa foi patrocinada pela Academia Chinesa de Ciências.
Dados do Dinossauro:
Nome: Xixianykus
Nome Científico: Xixianykus zhangi
Época: Cretáceo
Local onde viveu: Ásia
Peso: Cerca de 10 Kilogramas
Tamanho: 0,5 metros de comprimento
Alimentação: Herbívora

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desenvolvimento de penas em dinossauros era diferente do que em aves modernas


Plumagem antiga era mais diversificada e produzida por processos mais complexos

por Katherine Harmon
19 de maio de 2010

Um raro fóssil de dois jovens terópodes emplumados revelou que esses animais tinham muito mais penas do que as aves modernas adultas.



Os pesquisadores liderados por Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, descreveram os espécimes de dinossauros como do gênero Similicaudipteryx do Cretáceo Inferior. Os fósseis foram encontrados no oeste da província de Liaoning, na China. Os dois pequenos oviraptorosaurus foram preservados em diferentes estágios de desenvolvimento e mostraram tipos de penas distintas, com um padrão muito maior do que é visto nas várias fases de maturação das aves modernas.

"Essa descoberta sugere que as penas originais eram mais diversificadas do que as modernas, e algumas características de desenvolvimento e dos morfotipos resultantes foram perdidas na evolução”, segundo os pesquisadores em seu estudo, publicado online na revista Nature (Scientific American faz parte do Nature Publishing Group).

O menor dos dois espécimes (conhecido como STM4-1) é um terço menor que o Similicaudipteryx mais velho (referido como STM22-6). Tinha pequenas penas de vôo rasante no antebraço e muito mais penas na cauda, além de plumas cobrindo o resto do seu corpo. O maior dos dois, o STM22-6, também tinha muitas penas, mas permaneciam em maior abundância em seu antebraço e em sua cauda, “possivelmente refletindo um aumento do papel funcional das penas, como a aproximação da idade adulta do individuo”, sugerem os autores. Também tinham penas longas em torno de suas cabeças e pelves.

Esse padrão complexo de desenvolvimento de pena "não é conhecido nos pássaros modernos", concluíram Xu e seus colegas, apesar do fato de que os dinossauros serem antepassados dos pássaros modernos. A equipe especula que, ao contrário da expressão precoce dos genes que iniciam o crescimento da maturidade da penas em aves jovens de hoje, a ativação de genes semelhantes no jovem Similicaudipteryx "era provavelmente atrasada e incompleta", produzindo o estado curioso e diversificado do crescimento das penas observados nos dois dinossauros.

Fonte: www.sciam.com