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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Estudo amplia de 39 para 74 os modos de reprodução conhecidos dos anfíbios e cria nova classificação Pererecas-marsupiais como a Fritziana goeldii carregam os ovos nas costas e depositam os girinos em água acumulada em bromélias ou ocos de bambu, onde eles concluem o desenvolvimento (foto: Edelcio Muscat)

Estudo amplia de 39 para 74 os modos de reprodução conhecidos dos anfíbios e cria nova classificação

08 de outubro de 2021

André Julião | Agência FAPESP – Estudo brasileiro publicado na revista Salamandra evidencia como os anfíbios são animais versáteis no que diz respeito a modos reprodutivos: seus ovos e larvas podem se desenvolver de pelo menos 74 formas diferentes.

Assinado por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o artigo compila dados disponíveis na literatura especializada e coletados pelos autores ao longo de décadas de estudo. Além disso, propõe um novo sistema de classificação dos modos reprodutivos para toda essa classe de animais composta por anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas), salamandras e cecílias (cobras-cegas).

“O sistema de classificação anterior, que dava conta só de anfíbios anuros, indicava a existência de 39 variações. Esse número já é impressionante e muito superior ao de outros vertebrados, como répteis, mamíferos e aves, mas ainda não mostrava a real diversidade reprodutiva dos anfíbios como um todo”, explica Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e coordenador do estudo, que tem como primeiro autor o doutorando Carlos Henrique Luz Nunes-de-Almeida.

No total, foram analisadas estratégias de 2.171 espécies de anfíbios, incluindo 80% das famílias desses animais existentes no mundo. O subgrupo dos anuros, composto de sapos, rãs e pererecas e com 7.315 espécies conhecidas, é o mais diverso e teve 2.012 espécies representadas no estudo. Não à toa, contabiliza 71 modos de reprodução, 56 deles exclusivos.

Além da diversidade, o fato de transitarem entre ambientes terrestres e aquáticos fez com que os anuros desenvolvessem as mais variadas estratégias reprodutivas. Em várias espécies de sapos-pipa (gênero Pipa), por exemplo, as fêmeas carregam os ovos nas costas no meio aquático e os filhotes saem prontos para a vida na água, sem que haja uma fase de girino.

No caso das pererecas-marsupiais (gênero Fritziana), as fêmeas, que são arborícolas, também carregam os ovos nas costas, mas na hora do nascimento de suas larvas procuram água acumulada em bromélias ou ocos de bambu, onde depositam os girinos, que concluem o desenvolvimento nesses ambientes aquáticos.

Endêmica da Serra do Japi, no Estado de São Paulo, a rãzinha-da-correnteza (Hylodes japi) deposita os ovos numa câmara subaquática construída no leito de pequenos riachos, comportamento antes registrado apenas em peixes (leia mais em: agencia.fapesp.br/22809).

Algumas espécies podem usar como ninho a água acumulada em bromélias, plantas carnívoras ou em ouriços da castanha-do-pará caídos no chão da floresta amazônica, como a perereca-de-alcatrazes (Scinax alcatraz), o sapinho Microhyla borneensis, de Bornéu, e o sapinho-da-castanha (Rhinella castaneotica), respectivamente (leia mais em: agencia.fapesp.br/23949).

“O estudo tem impacto em várias áreas. Não só para a história natural e o comportamento animal, mas também na compreensão da evolução dos anfíbios. Ele contribui ainda com futuros trabalhos de conservação e ecologia, pois mostra como espécies de anfíbios podem ser dependentes de certos hábitats e mesmo de outras espécies, como plantas. Uma lagoa que seca ou a extinção de uma bromélia, por exemplo, podem representar o fim de algumas espécies de sapos”, exemplifica Célio Fernando Baptista Haddad, professor do Instituto de Biociências da Unesp, em Rio Claro, coautor do estudo e responsável pela classificação anterior, publicada em 2005.

Algumas espécies têm mais facilidade para se adaptar, pois desenvolveram mais de uma estratégia para a reprodução. Esse é o caso do sapo Physalaemus spiniger, endêmico do Brasil, que pode se reproduzir de três formas distintas. A depender das condições locais, o casal pode fazer um ninho de espuma numa lagoa, no chão úmido da floresta ou dentro de uma bromélia.

Essa plasticidade pode ser uma vantagem em cenários de mudanças climáticas, por exemplo. Se as lagoas usadas secam ou as bromélias são extintas, em tese a espécie poderia sobreviver trocando de um modo para outro. Porém, a maioria das espécies, que contam com apenas um dos 74 modos reprodutivos, é considerada ameaçada por alterações no ambiente e no clima (leia mais: agencia.fapesp.br/23217).

Diversidade

O novo sistema de classificação leva em conta 11 características. Considera, por exemplo, se ocorre postura de ovos ou diretamente das larvas ou filhotes; se os ovos são postos diretamente no local, em ninhos de espuma ou de bolhas produzidos pelo próprio anfíbio.

Os ovos podem ser carregados no corpo do animal, postos em ambiente aquático (rios, riachos, poças, lagoas, água acumulada em plantas) ou na terra (em pedras, encostas e mesmo em cupinzeiros). O sistema considera ainda se ocorre algum cuidado parental, como alimentação dos filhotes pelo pai ou pela mãe. As cecílias progenitoras das espécies Boulengerula taitanus e Siphonops annulatus, por exemplo, alimentam seus filhotes com a própria pele.

“A diversidade de modos de reprodução surgiu por pressões seletivas, como competição e predação. Uma lagoa, por exemplo, é um ambiente muito perigoso, cheio de predadores, como peixes, larvas de libélula e outros girinos carnívoros. Quando uma espécie consegue desovar fora da lagoa, numa folha pendurada acima dela, os ovos podem escapar de todos aqueles predadores aquáticos e o girino cai na água quando estiver pronto”, exemplifica Toledo.

Algumas espécies simplesmente pularam a fase larval e nem sequer saem da terra durante todo o ciclo de vida. A superfamília Brachycephaloidea, com mais de 1.100 espécies, entre elas o sapinho-pingo-de-ouro (Brachycephalus rotenbergae), se reproduz pelo chamado desenvolvimento direto. O filhote nasce do ovo como uma miniatura do adulto, pronto para a vida no chão da floresta, sendo suprimida a fase de girino.

Por conta de tamanha diversidade e das constantes descobertas, os pesquisadores ressaltam que o trabalho não é definitivo. Pelo contrário, a publicação abre caminho para que novos modos reprodutivos sejam descritos não só para os anfíbios, como para os outros vertebrados. A ideia é que o sistema possa incluir peixes, répteis, mamíferos e aves – e até mesmo ser adaptado para acrescentar novos grupos e modos de reprodução.

O trabalho é resultado de diferentes projetos de pesquisa ao longo dos anos, muitos deles apoiados pela FAPESP (08/50325-5, 11/51694-7, 14/23388-7, 19/18335-5, 13/50741-7, 14/50342-8).

O artigo A revised classification of the amphibian reproductive modes, de Carlos Henrique Luz Nunes-de-Almeida, Célio Fernando Baptista Haddad e Luís Felipe Toledo, pode ser lido em: www.salamandra-journal.com/index.php/home/contents/2021-vol-57/2054-nunes-de-almeida-c-h-l-c-f-b-haddad-l-f-toledo-1/.

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Mistérios de ser macho ou fêmea

Rã amazônica é o vertebrado com o maior número registrado de cromossomos sexuais
Entrevista: Thiago Gazoni
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Quando o biólogo Thiago Gazoni examinou pela primeira vez os cromossomos da rã conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus), durante o mestrado, que concluiu em 2011 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, não contava registrar o vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado, conforme descreveu em artigo publicado no final de janeiro no site da revista Chromosoma: são 12 desses pacotes de DNA que, nessa espécie, se organizam em forma de anel durante a divisão celular, como se dançassem uma ciranda. 
 
É um sistema muito distante do X e do Y que determinam se uma pessoa é homem ou mulher. O recordista anterior era o ornitorrinco, com 10 cromossomos sexuais.
 
“Menos de 5% dos anfíbios cujos cromossomos foram descritos até o momento têm cromossomos sexuais prontamente identificáveis”, diz Gazoni, que aprofundou o estudo durante o doutorado encerrado em 2015. Isso significa que quando se monta o cariótipo – uma forma de organizar e estudar o conjunto de cromossomos de um indivíduo –, na maioria das vezes é impossível distinguir visualmente aqueles relacionados à determinação do sexo. Na verdade, pouco se sabe sobre os genes específicos que tornam os anfíbios machos ou fêmeas, função desempenhada em mamíferos pelo gene SRY.

Mais curioso ainda, as 13 rãs estudadas (seis fêmeas e sete machos) têm mais cromossomos sexuais do que não sexuais (os autossomos). São 12 sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos. 


“O que define, visualmente, serem cromossomos sexuais é haver diferenças entre os cariótipos de machos e de fêmeas”, explica Gazoni. Os cromossomos exclusivos de um sexo seriam responsáveis por defini-lo. Durante a evolução, o que acontece é que os autossomos vão sofrendo alterações que podem dar origem a cromossomos com genes específicos para um dos sexos. Aos poucos, outros genes próximos ao determinador do sexo vão sendo inativados, dando origem a cromossomos especializados. As partes inativadas ficam mais condensadas e podem ser reconhecidas com métodos adequados de coloração.

 
Em 2014, Gazoni passou três meses na Universidade de Cambridge, Reino Unido, no laboratório do geneticista Malcolm Ferguson-Smith, para desenvolver uma sonda que conseguisse marcar os cromossomos das rãs e mapear o trânsito de pedaços trocados entre cromossomos distintos. No futuro, um dos objetivos é identificar e localizar os genes relacionados à determinação do sexo nesses anfíbios.

“Ainda não se sabe o significado dos cromossomos sexuais múltiplos”, diz a bióloga Patricia Parise-Maltempi, da Unesp de Rio Claro, orientadora de Gazoni durante o doutorado – que teve como coorientador o zoólogo Célio Haddad, da mesma instituição. Há 10 anos ela fez um estágio de pós-doutorado com Ferguson-Smith para aprender técnicas como a pintura cromossômica, que permite distinguir partes específicas dos cromossomos e comparar cariótipos. Ela se especializou sobretudo em peixes, que também apresentam cromossomos sexuais múltiplos, mas conta que o conhecimento sobre a determinação sexual é ainda bem restrito. Aparentemente, no caso de peixes e da rã L. pentadactylus, os excedentes não são inativados – como é o caso nas fêmeas de mamíferos, que empacotam um dos cromossomos X de maneira a manter a atividade genética equiparada à dos machos, portadores de apenas um deles (ver Pesquisa FAPESP nº 260).

Enigma evolutivo
 
Também não há cromossomos inativados no recordista anterior: o ornitorrinco, estranho animal australiano que, apesar de exibir patas com membranas entre os dedos, bico achatado e pôr ovos, não é pato e sim mamífero. Um mamífero à parte – junto com a espinhuda equidna pertence à ordem dos monotremados –, mas mesmo assim alimenta seus filhotes com leite, embora não tenha propriamente mamas. Desde os anos 1970 sabe-se que esses curiosos caçadores subaquáticos têm 52 cromossomos, dos quais 10 sexuais que aparecem enfileirados durante a divisão celular. 

Demorou cerca de 30 anos para que existissem ferramentas adequadas para estudar esse sistema, segundo explica o geneticista alemão Frank Grützner, da Universidade de Adelaide, na Austrália, que desde 2002 se dedica ao enigma. “Eu tinha aprendido uma técnica chamada hibridização in situ por fluorescência, na qual é possível marcar cromossomos em cores diferentes”, conta. “Era claro que ela permitiria solucionar esse complexo sistema, mas foram necessários vários anos de trabalho duro para mostrar que se tratava de cinco pares de cromossomos XX ou XY, que se alternam em fileira durante a meiose, na divisão celular” (ver infográfico).

 

Especialmente relevante para entender a evolução dos sistemas de determinação sexual foi a descoberta de que essa cadeia de cromossomos dos ornitorrincos tem genes típicos dos cromossomos X de mamíferos e Z de aves, de acordo com artigo publicado por Grützner em 2004 na revista Nature. É um indício de origem comum entre esses sistemas que até então se acreditava terem surgido de forma independente. Mesmo assim, até agora não está claro qual gene determina os sexos nesse animal. Esforços de sequenciamento do genoma completo estão em curso, com mais dificuldades no que diz respeito ao cromossomo Y. “Recentemente, em colaboração com Henrik Kaessmann [da Universidade de Heidelberg, na Alemanha], descobrimos um candidato potencial – um gene AMH ligado ao Y”, detalha. “É um gene tradicionalmente ligado ao desenvolvimento dos órgãos reprodutivos, será interessante ver como ele pode atuar na determinação sexual nessa espécie.”

Impressão digital
 
Além das profundas implicações evolutivas do sistema genético de determinação sexual, a configuração dos cromossomos é muito usada como parte da caracterização de espécies, algo como uma impressão digital. Esse era um dos objetivos de Gazoni durante o mestrado orientado pela citogeneticista Sanae Kasahara, da Unesp de Rio Claro, falecida em janeiro deste ano. “Havia questões taxonômicas mal resolvidas no gênero, e por isso pesquisadores à época no laboratório de Haddad – Olívia Araújo e Felipe Toledo – nos trouxeram um L. pentadactylus macho coletado em Paranaíta, em Mato Grosso”, conta ele. “Logo vimos que havia vários rearranjos cromossômicos.”
O trabalho se desdobrou por outros caminhos, mas a busca pela classificação continua. “Mostramos no trabalho recente que há duas espécies atualmente sendo chamadas de L. pentadactylus, precisamos saber qual delas é a verdadeira”, diz Gazoni. O plano é batizar a nova espécie em homenagem à primeira orientadora, que dedicou a carreira à pesquisa em citogenética de vertebrados.

Projetos
 
1. Contribuições para o entendimento da origem e evolução dos cromossomos sexuais de vertebrados, baseado no estudo de DNAs repetitivos (nº 17/00195-7); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Patricia Pasquali Parise-Maltempi (Unesp); Investimento R$ 106.795,21.

2. Diversidade e conservação dos anfíbios brasileiros (nº 13/50741-7); Modalidade Projeto Temático; Programa Biota; Pesquisador responsável Célio Fernando Baptista Haddad (Unesp); Investimento R$ 4.386.814,61.

Artigos científicos

GRÜTZNER, F. et al. In the platypus a meiotic chain of ten sex chromosomes shares genes with the bird Z and mammal X chromosomes. Nature. v. 432, n. 7019, p. 913-7. 24 out. 2004.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Rã brasileira é nova recordista mundial de cromossomos sexuais

Espécie de anfíbio da Amazônia tem 6 pares de cromossomos X ou Y, superando o ornitorrinco, que tem 5, segundo cientistas da Unesp

Herton Escobar
31 Janeiro 2018 | 07h00
Leptodactylus pentadactylus. Foto: Thiago Gazoni

Imagine só: Pesquisadores brasileiros descobriram na floresta amazônica a espécie com o maior número de cromossomos sexuais de que se tem notícia no reino animal dos vertebrados. Ela é a Leptodactylus pentadactylus, uma grande rã que vive em meio ao folhiço no chão da mata e que, segundo os cientistas, tem 6 pares de cromossomos X ou Y — um par a mais do que o famoso (e esquisito) ornitorrinco, que era o detentor do recorde até agora.

Os cromossomos sexuais são aqueles que determinam o sexo do indivíduo. Os seres humanos, assim como a maioria dos mamíferos, tem apenas um par (XX nas fêmeas ou XY, nos machos) dentre os 23 que compõem o genoma da nossa espécie. Os pesquisadores ainda não sabem dizer qual seria a vantagem — ou necessidade — de ter tantos cromossomos sexuais a mais, como no caso desta rã; mas o fato é que eles estão lá. Ela, inclusive, tem mais cromossomos sexuais (12) do que não sexuais (10), o que é totalmente inusitado.

“Ainda precisamos elucidar o significado biológico disso”, contou ao blog o biólogo Thiago Gazoni, do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro. Ele é o primeiro autor do trabalho publicado nesta semana na revista Chromosoma, detalhando a descoberta.

O achado foi tão inusitado que a primeira vez que a equipe examinou os cromossomos na lâmina do microscópico, pensou: “Tem alguma coisa errada aqui”, lembra a professora Patricia Maltempi, que orientou o trabalho. “Isso é inédito e mostra um sistema totalmente diferente do que já é conhecido para vertebrados”, explica. “Esses dados são só o início para muita coisa que ainda temos para estudar e mostrar sobre a determinação do sexo, e a relação disso com a evolução em geral.”
A descoberta foi ainda mais surpreendente porque um dos últimos lugares onde os cientistas esperariam encontrar algo desse tipo seria numa rã. Isso porque os anfíbios não costumam ter cromossomos que diferem morfologicamente (heteromórficos) entre machos e fêmeas. “E quando têm, é apenas um par, como nos mamíferos”, explica Gazoni.

O achado apareceu em meio ao seu trabalho de doutorado, envolvendo a análise da composição cromossômica (citogenética) de várias espécies desse mesmo gênero. O Leptodactylus pentadactylus é um bicho bastante comum na Amazônia e não tem nenhuma característica morfológica que “salte aos olhos” como algo fora do comum — como saltaram seus cromossomos, logo que os pesquisadores bateram os olhos neles. Ele é um dos maiores anfíbios do país, podendo chegar a 20 cm de comprimento, e pertence a um grupo popularmente conhecido como “rãs-pimenta” (porque secretam substâncias “ardidas” como pimenta na pele para se proteger de predadores).

“É um bicho de floresta que vive perto de corpos d’água; normalmente em ambientes de água parada”, diz o pesquisador Celio Haddad, especialista em anfíbios da Unesp Rio Claro, que co-orientou a pesquisa.

Prova de que nem sempre é preciso viajar para lugares remotos e caçar bichos raros para fazer grandes descobertas. Coisas novas e fascinantes podem surgir mesmo das espécies mais comuns e ordinárias, quando nos damos ao trabalho de pesquisá-las. Mais um bom exemplo da beleza da ciência básica e da riqueza da biodiversidade brasileira!

Nova espécie? — Aliás, para fechar a história com chave de ouro, é muito provável que as rãs usadas na pesquisa representem uma nova espécie, diferente do Leptodactylus pentadactylus “comum”. O estudo foi todo baseado em amostras biológicas de 13 indivíduos (7 machos e 6 fêmeas) coletados entre 2012 e 2014 das florestas de Paranaíta, município no norte de Mato Grosso. Os dados indicam fortemente que esse grupo é geneticamente distinto de outras populações de Leptodactylus pentadactylus, encontradas em outras regiões — suficientemente diferente para ser considerado uma nova espécie.

Caso isso seja confirmado, a nova espécie deverá ser batizada em homenagem à professora Sanae Kasahara, bióloga e geneticista da Unesp, falecida no início deste ano, prestes a completar 71 anos de idade.
Leptodactylus pentadactylus. Foto: Thiago Gazoni

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Seis espécies de anfíbios invasores são identificadas no Brasil

10 de novembro de 2017

Peter Moon  |  Agência FAPESP – A invasão de ecossistemas brasileiros por espécies provenientes de outros biomas, países ou continentes é um desafio para os conservacionistas. Há vários exemplos, como os javalis originários da Europa e importados para fazendas no Uruguai, de onde escaparam para o Brasil nos anos 1990, alastrando-se desde então pelas regiões Sul e Sudeste.
Seis espécies de anfíbios invasores são identificadas no Brasil Pesquisadores publicam na PLOS ONE primeiro levantamento de anfíbios invasores dos biomas brasileiros. Algumas invasões são recentes, como é o caso da perereca-assobiadora, e outras são antigas, como a rã-touro (foto: rã-touro (Lithobastes castesbeianus / divulgação) 
 
 

Entre os invasores há também anfíbios. Um grupo de biólogos das universidades paulistas acaba de publicar o primeiro levantamento de anfíbios invasores dos biomas brasileiros. Contabilizaram a presença de nada menos que seis espécies diferentes, entre sapos, rãs e pererecas, espalhados por boa parte do país.

Algumas invasões são recentes, como é o caso da perereca-assobiadora (Eleutherodactylus johnstonei), introduzida acidentalmente na cidade de São Paulo há menos de uma década. Outros casos são mais antigos, como o sapo-cururu (Rhinella jimi), que chegou ao arquipélago de Fernando de Noronha há 130 anos.

Resultados do trabalho foram publicados na PLOS ONE em artigo de Lucas Forti, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luís Felipe Toledo, chefe do Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros da Unicamp, Célio Haddad, professor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e outros. A pesquisa contou com diversos apoios da FAPESP, na forma de Auxílios e Bolsas.

A ideia de fazer um levantamento dos anfíbios invasores nos biomas brasileiros surgiu no verão de 2013-2014, quando Forti observou nos jardins de um condomínio no Guarujá (SP) uma infestação de pererecas-das-bromélias (Phyllodytes luteolus). “Trata-se de uma espécie cujo habitat original são as porções de Mata Atlântica que se estendem desde o norte do Rio de Janeiro até a Paraíba”, disse.
O herpetólogo suspeita que as pererecas-das-bromélias devem ter sido introduzidas no Guarujá acidentalmente, por meio do comércio de plantas ornamentais, uma vez que a espécie, como seu nome indica, costuma viver nos acúmulos de água entre as folhas das bromélias.

Segundo Forti, a invasão põe em risco a sobrevivência de pererecas nativas que vivem em habitats semelhantes na Baixada Santista, especialmente a do gênero Ischnocnema . O risco advém da vocalização dos invasores. Ocorre que os machos de P. luteolus, em seus cantos noturnos para chamar a atenção das fêmeas, vocalizam na mesma faixa de frequência dos machos de Ischnocnema.

O ruído causado pela vocalização de uma espécie invasora provavelmente prejudica o sistema acústico de comunicação em espécies nativas, fato que, especificamente, deve colocar em risco a reprodução na espécie nativa do gênero Ischnocnema nos locais de simpatriaquando duas espécies ocorrem na mesma área geográfica – com P. luteolus.

“Isso potencialmente atrapalha a comunicação acústica das espécies e talvez possa ter efeitos negativos sobre a habilidade das fêmeas localizarem os machos no ambiente reprodutivo”, disse Forti.

Outra invasão foi identificada em algumas ruas do bairro do Brooklin, na zona sul da cidade de São Paulo. Em 2014, diversas famílias começaram a se queixar de um barulho ensurdecedor que tirava seu sono (confira no vídeo em www.youtube.com/watch?v=9cV11UPneHc).

Haddad, professor da Unesp em Rio Claro, foi contatado pelos moradores para investigar a causa da barulheira e acabou identificando a bioinvasão. Era o canto de centenas de pererecas-assobiadoras.
“Todo o barulho é produzido pelo macho da espécie, pois a fêmea é muda. É o macho que tem o papel de coaxar para atrair a fêmea. A espécie é nativa das Antilhas e achamos que foi trazida acidentalmente em plantas ornamentais”, disse Haddad, que coordena o Projeto Temático “Diversidade e conservação dos anfíbios brasileiros”.

O problema das pererecas-assobiadoras no bairro paulista já provoca consequências econômicas, como a desvalorização imobiliária naquelas ruas onde está por enquanto circunscrita a invasão. Os animais estão se reproduzindo nos quintais das casas.
Segundo Haddad, deve-se combater e eliminar o problema enquanto a invasão está restrita a um bairro. “Se nada for feito, a população de pererecas-assobiadoras vai se alastrar e, caso venha a atingir uma área de mata, sair de controle”, disse.

Cururu e rã-touro

Há dois outros casos de bioinvasão que são há muito de conhecimento dos cientistas. Um deles é na ilha de Fernando de Noronha, onde os primeiros sapos-cururus, naturais do Nordeste, foram introduzidos pelo padre Francisco Adelino de Brito Dantas (1825-1893), que em 1888 foi ser o capelão da colônia penal que lá funcionava.

Estima-se que o religioso tenha levado o cururu como forma de controle biológico dos insetos que infestavam suas hortaliças. Outra suposição é que o cururu teria sido introduzido por militares dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, quando mantiveram uma base na ilha. Eles teriam trazido os cururus como forma de controle da população de mosquitos.

O problema do cururu é a sua voracidade. “Em Noronha, sabemos que o cururu está comendo bichos ameaçados de extinção”, disse Toledo, que estudou o problema da invasão de cururus no arquipélago.
O anfíbio bioinvasor com presença mais ampla no Brasil e com as consequências mais graves é a rã-touro (Lithobastes castesbeianus). Natural da América do Norte, foi importada para a ranicultura nos anos 1930 e logo escapou dos ranários para o meio ambiente, encontrando-se hoje disseminada pelas manchas de Mata Atlântica em diversos estados do Sul e do Sudeste. É um animal grande, de até 20 centímetros, e que come de tudo, entre insetos, filhotes de pequenos mamíferos, pequenas aves e até membros jovens da própria espécie.

Além de competir com espécies nativas por recursos, a rã-touro é um reservatório natural de Batrachochytrium dendrobatidis, um fungo que ameaça a população mundial de anfíbios. O fungo é o causador de uma doença chamada quitridiomicose, que ataca a pele dos anfíbios e interfere na troca gasosa dos animais com o meio ambiente.

Nos últimos anos, tem sido registrada uma acentuada extinção de espécies de anfíbios em várias regiões do planeta. A bioinvasão de rã-touro, que se alastra por diversos continentes, pode estar relacionada a tais extinções em massa, pois o fungo foi identificado pelos cientistas brasileiros na pele da rã-touro, que é resistente à doença.

“Tudo indica que a proliferação invasiva da rã-touro está disseminando o fungo. Se for o caso, trata-se de uma constatação muito importante e que servirá de base para o combate à doença e à proteção das diversas populações de anfíbios ameaçados”, disse Toledo.

As outras duas espécies de anfíbios bioinvasores identificadas no estudo são a perereca-de-banheiro (Scinax x-signatus), natural da Venezuela e da Colômbia e que, como o cururu, também infesta Noronha, e a rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus), que hoje se prolifera na Amazônia central.
Os autores do levantamento dos anfíbios invasores também investigaram qual poderá ser a distribuição futura das seis espécies em função das mudanças climáticas. Simulações foram feitas tomando por base os prognósticos climáticos para 2100 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“A boa notícia é que, das seis espécies invasoras identificadas, quatro terão a sua área de distribuição reduzida até 2100, inclusive a famigerada rã-touro. Não é o caso, contudo, da perereca-assobiadora e do sapo-cururu, que podem vir a ter a sua distribuição ampliada”, disse Toledo.
O artigo Perspectives on invasive amphibians in Brazil, de Lucas Rodriguez Forti , C. Guilherme Becker, Leandro Tacioli, Vânia Rosa Pereira, André Cid F. A. Santos, Igor Oliveira, Célio F. B. Haddad e Luís Felipe Toledo, pode ser lido em https://doi.org/10.1371/journal.pone.0184703.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

30 novas espécies de rãs são descobertsa na floresta de Madagascar

30 new frogs discovered in Madagascan forest

Potential amphibian gold mine discovered in a 2228 hectare fragment of Madagascan forest
April 2012. Betampona Nature Reserve of protects one of the last remaining relicts (about 2,228 ha) of low elevation rainforests in eastern Madagascar. Yet little research has been undertaken about the amphibian fauna of this rainforest. During 2004 and 2007, Betampona was surveyed over a total period of 102 days using three different techniques: Opportunistic searching, pitfall trapping and acoustic surveys.

The survey work confirmed the occurrence of 76 species of amphibian, of which 36 are currently candidate species (Candidate for listing as an endangered or threatened species) and about 30% were first considered as undescribed species. 24 of these species are potentially endemic to this low elevation eastern region.
Hugely important relic forest
Considering the relatively small area of the Betampona forest, and its narrow elevational range, 76 amphibian species represents an unusually high richness compared to other sites in Madagascar. Although the eastern region is now largely deforested, these results reveal the importance of this relict forest, which is protecting a diverse amphibian fauna that includes many potentially new and endemic species.
150 new species in last 10 years
The number of newly identified frog species during the last decade exceeds 150, most of them still undescribed, and some authors believe that the total number of amphibian species in Madagascar may reach more than 500.

Some of the frogs found during the study


 
Anuran species of RNI de Betampona:
  • a Ptychadena mascareniensis,
  • b Heterixalus madagascariensis,
  • c Heterixalus punctatus,
  • d Paradoxophyla palmata,
  • e Scaphiophryne spinosa,
  • f Rhombophryne coudreaui,
  • g Plethodontohyla sp. aff. brevipes ,
  • h Plethodontohyla notosticta,
  • i Stumpffia sp.,
  • j Stumpffia sp.
  • k Stumpffia sp. 
  • l Stumpffia sp. aff. grandis,
  • m Stumpffia sp. aff. tetradactyla
  • n Platypelis grandis,
  • o Platypelis sp. aff. cowani 
  • p Platypelis tuberifera,
  • q Platypelis sp. aff. grandis 
  • r Platypelis sp. aff. cowani 
  • s Platypelis sp. 
  • t Platypelis sp. aff. tetra [Ca
  • u Anodonthyla sp. aff. boulengeri 
  • v Anodonthyla boulengeri, 
  • w Aglyptodactylus madagascariensis,
  • x Boophis tephraeomystax,
  • y Boophis calcaratus.
All photos by Goncalo M. Rosa

quinta-feira, 15 de março de 2012

Menor espécie de sapo do Brasil é registrada no ES, diz pesquisadora

2012-03-14 17:16

A descoberta foi feita na região de Serra das Torres, em Atílio Vivacqua.
Espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimentro.

 
Amanda Monteiro Do G1 ES
 
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O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)
O menor sapo do Brasil mede entre entre 7 e10 milímetros de comprimentro (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)
A menor espécie de sapo do Brasil, e segunda do Hemisfério Sul, foi encontrada pela primeira vez no Espírito Santo, na região conhecida como Serra das Torres, em Atílio Vivacqua, no Sul do estado, e registrada pela pesquisadora do Programa de doutorado em Ecologia e Evolução da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jane de Oliveira. O animal raro, já visto na Mata Atlântica carioca, fará parte de uma publicação cientifica em abril.
Segundo a pesquisadora, a espécie mede entre 7 e10 milímetros de comprimento, ou seja, o sapo caberia com sobra em uma moeda de cinco centavos. “Durante o curso de Mestrado, eu e a minha equipe encontramos uma espécie de anfíbio, o ´, um morador do chão das florestas, que é possivelmente o menor animal vertebrado do Brasil e um dos menores do mundo”, conta.
Feliz com a descoberta, Jane de Oliveira chama a atenção para a importância do Espírito Santo para a ciência nacional. “Fazer o registro de uma espécie, com a ecologia ainda praticamente desconhecida para a ciência, no Espírito Santo, mostra o quanto este estado é importante biologicamente. Uma área devastada pode ser sinônimo da perda de dezenas de espécies, desconhecidas neste estado e mesmo para a ciência”, diz a pesquisadora.

Jane afirma que a espécie era conhecida apenas no Rio de Janeiro. "Este foi o primeiro registro dele fora do estado. É possível que a espécie exista também em outras localidades do Espírito Santo, porém a visualização destes sapos é muito difícil. É um animal minúsculo, de coloração idêntica às folhas mortas caídas no chão da mata, de movimentos lentos e que entra em atividade apenas durante a noite”, diz a pesquisadora.
Com uma adaptação curiosa entre os anfíbios, a espécie - que também é conhecida como sapo Pulga - sobrevive confortavelmente com a umidade das folhas. “É um animal com uma adaptação muito interessante. Ele sofreu redução no número de falanges e no número de dedos  apresentando apenas o equivalente ao nosso dedo médio. Além disso ele não vive em ambientes com água, como a maioria, para ele basta a umidade existente entre as folhas caídas”, afirma.
A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)
A visualização destes sapos é muito difícil porque, além de minúsculos, eles têm coloração idêntica às folhas (Foto: Renata Pagotto/ Divulgação)

Fonte:http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/03/menor-especie-de-sapo-do-brasil-e-registrada-no-es-diz-pesquisadora.html

Leia mais: http://bioloukos.webnode.com/news/menor-especie-de-sapo-do-brasil-e-registrada-no-es-diz-pesquisadora/
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rã virtual

Pesquisador da Unicamp cria programa de computador que simula experimentos com animais vivos nas aulas de fisiologia. A ferramenta evita a morte de rãs e ainda reforça o ensino de forma interativa.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 20/04/2011 | Atualizado em 04/05/2011
Rã virtual
O Fisioprat reproduz todos os passos de uma aula prática de fisiologia sobre reflexos medulares. (imagem: divulgação) 
 
Em abril de 1987, uma estudante de 15 anos dos Estados Unidos, Jennifer Graham, se recusou a dissecar uma rã durante uma aula de biologia. A aluna propôs substituir a tarefa por algum trabalho que não envolvesse a morte de um animal, mas sua sugestão foi recusada pela escola. O caso extrapolou os limites da sala de aula, virou bandeira de ativistas defensores de animais e ganhou destaque internacional.
Desde então, o uso de rãs em aulas de anatomia e fisiologia vem diminuindo. Uma iniciativa que contribui com essa tendência acaba de ser desenvolvida no Brasil. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um programa de computador que simula virtualmente um experimento comum em aulas de fisiologia para verificar os reflexos de uma rã.
Batizado de Fisioprat, o programa reproduz todos os passos de uma aula prática da disciplina. Nos experimentos tradicionais, é aplicado ácido acético, em diferentes concentrações, sobre a pele de uma rã viva, que reage contraindo seus músculos. Em um segundo momento, a medula do animal é destruída e ele para de reagir ao ácido, o que demonstra que esse órgão é o responsável pelos reflexos.

Confira um trecho do programa em funcionamento:


Com o Fisioprat, a morte do animal não é necessária. O simulador mostra o comportamento da rã por meio de animações gráficas e ainda complementa a aula prática com conteúdo teórico sobre cada passo do procedimento e exercícios que reforçam as explicações.
“O nosso objetivo com esse programa foi justamente criar uma alternativa ao uso de animais que, além de não prejudicar o ensino, agregasse mais”, afirma o biólogo Francisco Cubo Neto, idealizador do Fisioprat. Ele destaca que uma das grandes vantagens do programa é a possibilidade de os alunos repetirem o experimento quantas vezes forem necessárias.
“Na aula prática tradicional, se o aluno perder a explicação ou não visualizar o procedimento realizado, é necessário repetir o experimento com outro animal, o que é inviável”, diz. “Além disso, nas aulas tradicionais é usado, em média, um animal para cada dez alunos. Com o programa a autonomia é maior, uma vez que cada aluno pode ter o seu computador.”

Testado e aprovado

O Fisioprat foi testado nas aulas de fisiologia de quatro cursos da Unicamp: bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas, Medicina e Enfermagem. Os alunos tiveram a aula teórica de praxe e depois foram divididos em dois grupos. Metade dos estudantes assistiu à aula tradicional com a rã viva e a outra metade usou o programa.
Fisioprat
Alunos da Unicamp testam o programa. (foto: Francisco Cubo Neto)
Ao final do procedimento os alunos responderam a um questionário sobre as metodologias usadas e foram submetidos a uma avaliação sobre o conteúdo apresentado.
As maiores notas foram obtidas pelos estudantes que usaram o Fisioprat. “As duas metodologias foram bem avaliadas, comprovando a importância da aula prática, mas o desempenho do grupo que usou nosso programa foi melhor”, conta Cubo.
O programa está em processo de patenteamento e já foi escolhido para substituir o uso dos animais nas aulas do Departamento de Anatomia, Biologia Celular, Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia da Unicamp.
As outras universidades, no entanto, terão que esperar até que Cubo decida se vai comercializar o produto ou distribuí-lo de forma gratuita.

Sofia MoutinhoCiência Hoje On-line

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A rã arborícola Agalychnis callidryas

A study from Caldwell and colleagues published online ahead of print demonstrates for the first time that an arboreal vertebrate—the red-eyed treefrog Agalychnis callidryas—uses plant-borne vibrations for agonistic communication. This infrared video first shows a close-up of a male's aggressive tremulation display and then shows a contest between two males: the male that begins at the lower right of the frame behaves aggressively, tremulating several times before his opponent retreats.