A PALEOARTE DE RODOLFO NOGUEIRA Aproveitem um pouco de sua virtuose artística!!
Bela invasora do mar
10 de maio de 2016
Karina Toledo | Agência FAPESP – O nome pomposo
foi escolhido em homenagem a duas personagens da mitologia grega:
Cassiopeia, a rainha da Etiópia que com sua vaidade e arrogância teria
provocado a ira das Nereidas, e Andrômeda, sua filha, oferecida em
sacrifício a um monstro marinho enviado pelo deus Nereu para castigar o
reino etíope.
Pesquisadores confirmam a presença de medusas da espécie Cassiopea andromeda
no litoral brasileiro. Análises sugerem que o animal teria emigrado do
mar Vermelho para as Américas durante as grandes navegações (foto: Sergio Stampar)
Reservada, Cassiopea andromeda não é como outras espécies de
água-viva que saem por aí nadando em busca de comida e de parceiros
sexuais. Ela procura um canto para chamar de seu e por ali permanece, de
ponta-cabeça, durante boa parte da vida. Mas é exigente: o local deve
ter água calma, rasa, quente e transparente. É também de uma grande
beleza.
Até pouco tempo atrás, os cientistas acreditavam que essa espécie
originária do mar Vermelho não ocorria no litoral brasileiro – que, de
maneira geral, não lhe oferece as condições ideais de sobrevivência. Mas
sua presença na forma adulta – de medusa – foi pela primeira vez
confirmada no país em um estudo apoiado pela FAPESP e publicado recentemente no Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom.
Análises genéticas descritas no artigo sugerem que a presença de Cassiopea andromeda em águas brasileiras é bem mais antiga do que se poderia imaginar.
Uma das hipóteses é que ela teria vindo para as Américas na época das
grandes navegações e, inicialmente, se instalado na região da Flórida e
do Caribe. Em seguida, aproveitando o intenso fluxo de caravelas que
cruzavam o continente naquele período, teria alcançado o Havaí e o
litoral sul-americano.
“Nossa teoria é que, na forma de pólipo [a primeira fase de seu ciclo de vida],
a espécie teria grudado em alguma embarcação antiga e, assim, chegado
ao Brasil”, relatou Sérgio Nascimento Stampar, professor da Universidade
Estadual Paulista (Unesp) em Assis e coautor do artigo.
Assim como ocorre com outras espécies de águas-vivas, explicou o pesquisador, o ciclo de vida de Cassiopea andromeda é dividido em duas fases: pólipo e medusa.
As medusas adultas se reproduzem de forma sexuada e geram os pólipos –
organismos sésseis (que não se movimentam voluntariamente e vivem fixos
a rochas, conchas ou outras estruturas sólidas), com no máximo 5
milímetros de tamanho, que são considerados imortais pelos cientistas.
“Os pólipos podem se reproduzir de forma assexuada e dar origem a
novos pólipos com a mesma carga genética ou, se as condições do meio
forem favoráveis, podem brotar e se transformar em medusas. Na fase
adulta, o animal pode alcançar entre 30 e 40 centímetros de diâmetro, o
tamanho de uma pizza”, disse Stampar.
A presença de pólipos da Cassiopea andromeda já havia sido identificada no Brasil em 1999, no Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP).
“Não achávamos que encontraríamos a forma adulta em nosso litoral
porque elas preferem condições parecidas com as existentes no Caribe:
águas claras, que permitem a passagem da luz do sol. Essa dependência da
energia solar se deve ao fato de que a espécie vive em associação com
um organismo simbionte, um protista dinoflagelado que faz fotossíntese e
transfere parte do carbono gerado para a medusa em troca de acolhida e
proteção”, disse Stampar.
Além de ficar com parte da energia produzida pelo inquilino, a Cassiopea andromeda
também se alimenta de pequenos animais que habitam o sedimento marinho.
Para isso, ela permanece de ponta-cabeça e bate contra o fundo do
oceano para levantar uma nuvem de petiscos com a qual se delicia.
O professor André Carrara Morandini, chefe do Departamento de
Zoologia do Instituto de Biociências (IB) da USP e autor principal do
artigo, contou que recebeu em 2008 fotos de uma população de águas-vivas
bastante peculiar que havia aparecido no canal Itajuru, na cidade de
Cabo Frio (RJ).
“Na época, eu trabalhava em um campus da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ) próximo de Cabo Frio e me pediram ajuda para
identificar a espécie até então desconhecida. Sabíamos que pertencia ao
gênero Cassiopea, mas este abrange 12 diferentes espécies e não conseguíamos definir claramente em qual delas os animais se encaixavam”, disse.
Por meio das análises genéticas, o grupo confirmou que se tratava de Cassiopea andromeda. Ao comparar as amostras coletadas no Brasil com dados de bancos públicos, como o www.ncbi.nlm.nih.gov/genbank, notaram que o material genético era idêntico ao de animais encontrados no Caribe e na região do mar Vermelho.
“Começamos, então, a discutir como essas águas-vivas teriam se
deslocado por distâncias tão grandes e concluímos que vieram durante as
grandes navegações. Com técnicas de datação molecular, modelos que
calculam a taxa de mutação de uma espécie, foi possível estimar quando
essa migração teria ocorrido. Mas ainda não sabemos se ela migrou
gradativamente do Caribe para o Brasil ou se houve uma segunda
introdução independente no continente americano”, disse Morandini.
Desaparecimento repentino
Por algum motivo que os pesquisadores ainda desconhecem, a população
de medusas encontrada em Cabo Frio se desenvolveu intensamente entre os
anos de 2008 e 2009 e depois entrou em declínio. No auge populacional,
os pesquisadores contaram mais de 2 mil indivíduos em uma área de 200
metros quadrados. Entre 2012 e 2013, todos desapareceram.
Os pólipos da espécie, no entanto, continuam por lá e podem ser encontrados em diversas partes do litoral brasileiro.
“Esse desaparecimento repentino das medusas é um indício de que se
trata de uma espécie não nativa, ou seja, introduzida ou invasora. Outra
evidência é que, nessa população de Cabo Frio, todos os indivíduos eram
machos”, disse Morandini.
No artigo, o grupo discute o risco ambiental representado por
espécies invasoras, que na ausência de predadores naturais podem dominar
uma determinada região e comprometer a sobrevivência de outras
espécies, gerando desequilíbrio ecológico.
“Em algumas partes do mundo, como no Japão, a explosão populacional
de águas-vivas é um problema sério. Elas são peçonhentas e podem matar
peixes e outros organismos marinhos que com elas tiverem contato –
prejudicando a piscicultura e a pesca. Como a Cassiopea andromeda é uma espécie introduzida no Brasil, isso pode ocorrer a qualquer momento, caso ela se adapte à região”, disse Stampar.
Morandini, porém, acredita que os riscos são pequenos. “A espécie
poderia, talvez, causar algum desequilíbrio em uma região mais fechada,
como uma baía ou uma lagoa. Como são animais com mobilidade bastante
reduzida, dificilmente vão se dispersar por grandes distâncias. Não
acredito que haveria um grande impacto no ambiente que chegasse a
prejudicar os humanos”, avaliou.
As análises que deram origem ao artigo foram feitas no âmbito de um Projeto Temático
coordenado pelo professor do IB-USP Antonio Carlos Marques, no âmbito
do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação,
Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP).
Maior
estudo genético de europeus da pré-história revela um passado complexo e
violento no qual populações inteiras foram forçadas a emigrar ou
desaparecer para sempre
Três crânios encontrados na República Checa associados com o período gravetiano. M. Frouz / J. Svoboda
O estudo genético de restos mortais de europeus que morreram há milhares de anos, abriu uma janela única para a pré-história do continente.
O trabalho abrange grande parte do Paleolítico Superior, de 45.000 até
7.000 anos atrás, e revela vários episódios até agora desconhecidos.
“O que vemos é uma história das populações tão complexa quanto a dos
últimos 7.000 anos, com muitos momentos em que populações substituem
outras, imigração em uma escala dramática e em um momento no qual o
clima estava mudando radicalmente”, resumiu David Reich, geneticista da
Universidade de Harvard e principal autor do estudo, publicado na revista Nature.
A primeira conclusão do estudo é que, embora os neandertais e os humanos modernos (os Homo sapiens)
se cruzaram e tiveram filhos férteis, a percentagem de DNA dessa outra
espécie que carregamos diminuiu rapidamente, passando de 6 % para os 2%
de hoje. Isto implica certa incompatibilidade evolutiva que já tinha
sido destacada por outros estudos recentes.
Há 19.000 anos, alguém enterrou na Cantábria uma das mulheres mais
misteriosas da pré-história europeia. Trata-se da Dama Vermelha, que em
seus 35 ou 40 anos recebeu uma sepultura muito estranha, o que poderia
indicar um significado sagrado. Seu cadáver tinha decomposto ao ar livre
e, em seguida, seus ossos foram cobertos com tinta vermelha. Tanto
deviam respeitar aquela mulher que um de seus ossos foi cuidadosamente
devolvido ao túmulo depois que um animal selvagem o profanou para se
alimentar. Além de uns desenhos esquemáticos e a presença de pólen,
pouco se sabe sobre a mulher e o significado que a cultura à qual
pertencia queria dar à sua sepultura. A senhora é um dos 51 indivíduos
que foram analisados neste estudo. A equipe de Manuel González Morales
está preparando uma reconstrução do aspecto que teve essa mulher, cujo
genes mostram que era negra, explica.
Embora os primeiros sapiens tenham chegado à Europa há cerca de
45.000 anos, sua marca genética desapareceu completamente nas populações
atuais. As primeiras populações que possuem algum parentesco com os
europeus de hoje remontam a uns 37.000 anos atrás. Os autores do
trabalho identificam essa população com o período aurignaciano.
Embora os primeiros sapiens tenham chegado à
Europa há cerca de 45.000 anos, sua marca genética desapareceu
completamente nas populações atuais.
“Estão associados a esta cultura os primeiros exemplos de arte e
música, assim como as pinturas da caverna de Chauvet na França ou as
flautas de ossos”, diz Manuel González Morales, pesquisador da
Universidade da Cantábria e coautor do trabalho.
Naquela época, a Europa vivia a última idade do gelo, com geleiras
avançando do norte da Europa e empurrando povos inteiros à migração ou
ao extermínio. Segundo dados do trabalho, há 33.000 anos outro grupo
substitui quase totalmente o anterior e é associado com o período
gravetiano, caracterizado por pinturas com as mãos em negativo e as
redondas estatuetas das Vênus paleolíticas esculpidas em osso, explica
González.
Inesperadamente, há cerca de 19.000 anos, reaparecem os descendentes
do período aurignaciano. Os restos humanos encontrados na Cantábria
mostram agora que os habitantes desta região estavam diretamente
relacionados com eles.
Uma das possíveis explicações é que aquele povo migrou para refúgios
quentes do sul da Europa, em particular a Península Ibérica. Depois do
momento mais frio da última idade do gelo esta população volta a se
expandir para o norte da Europa, recuperando o território perdido e substituindo seus habitantes.
Última onda
Mais uma vez, cerca de 14.000 anos atrás, outra população vinda das
terras do Oriente Médio desembarca no continente e passa a ser
dominante, substituindo boa parte das anteriores. Esta última onda, que
não era conhecida até agora, foi identificada pelos restos de um caçador
e coletor encontrado em Villabruna, Itália e que deu nome a esta
população.
A marca genética deste grupo se perpetuou durante milênios, já que,
por exemplo, o caçador coletor de La Braña (Leão), que viveu há 7.000
anos estava relacionado com este grupo.
Os genes do homem de La Braña mostram que tinha pele escura e olhos azuis.
De acordo com González, até a chegada de seus ancestrais à Europa cerca
de 14.000 anos atrás, todos os europeus tinham a pele escura e os olhos
castanhos. “O trabalho mostra que os primeiros indivíduos com genes de
pele clara viveram há uns 13.000 anos”, explica o pesquisador da
Universidade da Cantábria. Depois, com a chegada dos primeiros
agricultores do Oriente Médio começa o Neolítico e a pele branca se
torna muito mais comum. Em outras palavras, os europeus foram negros
durante a maior parte de sua história.
Palleon,Archaius,Kinyongia,Nadzikambia--The Last Chameleons, Part 3
In
the two previous articles in this series–devoted to the living
chameleons of the world–we’ve looked at the full spread of chameleon
diversity (Part 1, Part 2).
There are the small, short-tailed leaf chameleons and pygmy chameleons,
the little heartland-dwelling African dwarf chameleons, the sometimes
giant Calumma chameleons, the ornate, sometimes horned Trioceros chameleons, and so on.
In
this, the third and final article in this series, we look at the few
taxa not discussed so far. I’ve left them until last for two reasons.
One is that they include the most recently named members of the group.
Two is that the places they occupy in chameleon phylogeny are
particularly informative as goes what we think about the evolutionary
history of these remarkable lizards. What am I getting at? Read on… Palleon from Madagascar. We’ll begin with Palleon, named in 2013 (Glaw et al. 2013) for two distinctive Madagascan species (P. nasus and P. lolontany, the latter only named in 1995) previously included within Brookesia.
They’re small (c 4-9 cm in total), short-tailed, laterally compressed
in the body and with a wave-like dorsal crest and beak-like nasal
appendage in males. In fact these chameleons are so distinctive that
some studies have hypothesised that they might be the sister-group of
all other chameleons (Raxworthy et al. 2002). More recent analyses have found them to be part of the Brookesia lineage, though outside the clade that contains all definite Brookesia species (Townsend et al. 2011, Tolley et al. 2013).
The name Palleon is a contracted version of ‘Palae-leon’ and refers to the inferred ancient origin of this little group (Glaw et al. 2013). If Palleon-lineage
chameleons really have been around for 50 or 60 million years or more
(as suggested by molecular divergence data) you’d expect there to be
more than two species: are they another of those lineages that’s been a
chronic ‘slow evolver’ relative to their close kin? It seems so, though
we should of course be on the lookout for additional member of the
lineage.
Close-up of P. nasus. Check out those details of head ornamentation as well as the spines along the back. Photo by Heinonlein, CC BY-SA 4.0.
Anyway… the genetic and morphological support putting these animals close to Brookesia (Townsend et al. 2011, Glaw et al. 2013, Tolley et al. 2013) means that Brookesiinae currently contains both Palleon and Brookesia. Archaius of the Seychelles. Next up is Archaius – a name used solely for the Seychelles tiger chameleon A. tigris. Yes, a chameleon endemic to the Seychelles – what gives? Archaius isn’t a new name (it was published by Gray in 1865), but it’s only recently been resurrected, having long been subsumed into Chamaeleo, and more recently into Calumma.
The Tiger chameleon is small (total length = c 16 cm) and with a
pointed projection on its chin. Its parietal crest (the one that runs
sagitally along the upper surface of the braincase) is forked, as is
also the case in some Trioceros species.
Archaius tigris, the Seychelles Tiger chameleon. Photo by Hans Stieglitz, CC BY-SA 3.0.
While Archaius might not be especially remarkable from a
morphological point of view, the really interesting thing about it is
where it sits in the phylogeny. For, despite looking enough like a
‘conventional’ chamaeleonine chameleon that it has often been regarded
as one, molecular data indicates that Archaius is actually most closely related to Rieppeleon, and hence is outside the clade that includes Rhampholeon and remaining chamaeleonines (Townsend et al. 2011, Tolley et al. 2013). Why is this a big deal?
A more complex depiction of chameleon phylogeny (relative to versions shown in the previous two articles), based on Tolley et al. (2013). Brookesia by Frank Wouters, CC BY-SA 2.0; Palleon by Axel Strauß, CC BY-SA 3.0; Rieppeleon by R. J. Blach, CC BY-SA 3.0; Archaius by Hans Stieglitz, CC BY-SA 3.0; Rhampholeon by Martin Nielsen, CC BY-SA 4.0; Bradypodion by Javier Abalos Alvarez, CC BY-SA 2.0; Chamaeleo by Raju Kasambe, CC BY-SA 3.0; Furcifer by Gunnar M. Kvifte, CC-BY; Calumma by Steve Wilson, CC BY 2.0 Kinyongia by Ales Kocourek, CC BY 2.0; Trioceros by Benjamint444, CC BY-SA 3.0.
You’ll recall that Rieppeleon and Rhampholeon are
both ‘leaf chameleons’: small, short-tailed, cryptic chameleons that
lack some of the key anatomical and lifestyle features associated with
‘conventional’ chameleons. Furthermore, brookesiines are ‘leaf
chameleons’ of a sort, as well. Look at the phylogeny, employ your
Dawkinsian powers of concestor reconstruction, and it would look as if
chameleons were all ‘leaf chameleons’ right up to the origin of the clade that includes Bradypodion, Chamaeleo and kin.
This tree-based hypothesis has some interesting ramifications. It
would suggest that key chameleon traits evolved within the context of
especially small size, a cryptic lifestyle and an ecology that mostly
involved leaf litter, low herbage and twiggy shrubs. It would also mean
that we might seek to explain why, at some point during the leafy,
tropical Eocene, chameleons suddenly evolved larger size, prehensile
tails, and morphed into (relatively) giant, flamboyant, ornamented
beasts associated with tall trees.
Here is where Archaius saunters in and says “No... probably”
to the above. Its position suggests that the ‘leaf chameleon’ way of
doing things was not retained across chameleonhood until late in the
game: the position of Archaius makes it at least as
likely that the ‘conventional’ chameleon ecotype is the ancestral one,
and that the ‘leaf chameleon’ ecotype is the weird, divergent one, at
least within Chamaeleoninae. This would mean that the ‘leaf chameleon’
ecotype shared by Rieppeleon and Rhampholeon is convergent.
The presence of this species on the Seychelles is presumably the
result of a single over-water dispersal event from Africa (Townsend et al. 2011), and likely not from Madagascar as argued by Raxworthy et al.
(2002). In fact, chameleons as a whole – well, the crown-chameleon
clade, anyway – seem to have originated on Africa and dispersed from
here multiple times. Why this ‘eastwards from Africa’ hypothesis, rather
than one invoking long-time residence on various broken fragments of
Gondwana? The reason is that crown-chameleons aren’t old enough for
Gondwanan fragmentation to explain their presence in such places as
Madagascar or the Seychelles. Crown-chameleons might be 60 million years
old or so, but a group would need to have originated more than 80
million years ago to get stranded on the Seychelles as a consequence of
Gondwanan fragmentation (Raxworthy et al. 2002, Townsend et al. 2011).
Two of the most familiar of Kinyongia chameleons. Left: K. fischeri, photo by Denise Chan, CC BY-SA 2.0 [UPDATE: no, this is K. matschiei: see comment below by CVAnderson]. Right: K. xenorhina, photo by David Udvardy, CC BY-SA 3.0.
Kinyongia, kin of Trioceros. Next up is Kinyongia, an east African taxon named in 2006 for a group of 10 species previously included in Bradypodion (see the previous article for more on Bradypodion) (Tilbury et al. 2006). The number of species has about doubled since then. Kinyongia
chameleons tend to be mid-sized animals of highland habitats in Kenya,
Tanzania, the eastern Democratic Republic of the Congo and so on.
They’re usually sexually dimorphic, the males possessing short, robust
rostral protuberances. The most familiar of the lot is probably
Fischer’s chameleon K. fischeri, a species sometimes said to
have the longest tongue of any chameleon. I have no idea whether this is
true or not [UPDATE: it's not. See comment below by CVAnderson]. Front cover of Spawls et al. (2004), featuring Kinyongia xenorhina.
Some Kinyongia species are especially odd. Among these is the Strange-nosed chameleon or Single welded-horn chameleon K. xenorhina,
males of which are equipped with a laterally compressed, oval rostral
projection that’s similar in size and shape to the casque. A great photo
of one of these chameleons adorns the cover of Spawls et al.’s A Field Guide to the Reptiles of East Africa (Spawls et al. 2004). Then there’s the Uluguru one-horned chameleon or Sharp-nosed chameleon K. oxyrhina of the Tanzanian Uluguru and Udzungwa Mountains, males of which have a long, blade-like horn. And there are others…
You might have noted that these animals sound Trioceros-like overall (Trioceros
being the mostly Afromontane chameleon group that famously includes
several horned species). Indeed, some molecular phylogenetic studies
find the two to be sister-groups (Tolley et al. 2013).
K. fischeri in Tanzania, most familiar of the Kinyongia chameleons [UPDATE: no, this is K. multituberculata: see comment below by CVAnderson]. Photo by Jjgodox, CC BY-SA 4.0.
Nadzikambia. Finally, we come to another recently named taxon: Nadzikambia, named in 2006 in the same study that also named Kinyongia (Tilbury et al. 2006). Only two Nadzikambia species are currently known: the Mlanje Mountain chameleon N. mlanjensis from Malawi, named in 1965, and the Mount Mabu chameleon N. baylissi
from Mozambique, named in 2010. What appears to be a third species was
reported (but is as yet unnamed, so far as I can tell) in 2014. All are
fairly conservative, mid-sized chameleons with a low casque and finely
heterogenous scalation (Tilbury et al. 2006). N. baylissi
is famous because its discovery (by Julian Bayliss) resulted from a
targeted search involving the identification of the right kind of forest
via Google Earth (for more on this amazing story, go here).
Juvenile N. baylissi: a screengrab from a short film available here.
It’s always been thought that Nadzikambia is close to, or even part of, Chamaeleo. And some recent molecular studies finds the two to be sister-taxa (Tilbury & Tolley 2009, Tolley et al. 2013), the two perhaps diverging at the start of the Oligocene, about 30 million years ago (Tolley et al. 2013). Another study (Townsend et al. 2011) found Nadzikambia to be closest to Bradypodion,
the inferred divergence date of the two being put at over 40 million
years ago. At the risk of repeating myself, consider these inferred
divergence dates relative to the divergence dates of other, more
familiar tetrapod groups. These rather similar chameleon lineages have
been distinct for longer than deer have been distinct from antelopes and
cattle, or walruses have been distinct from seals.
There aren't any Nadzikambia images online that are widely available for use, so here's another picture of a Kinyongia: this is K. vosseleri (based on a photo by Jan Stipala). I initially prepared this illustration because I thought it was a depiction of Nadzikambia, sigh...
Maybe there are two ways of looking at this. One is to say that
chameleons are fairly conservative, relatively little morphological and
ecological change having accrued in the timeframe concerned. Another is
to say that the lineages are really far more disparate, ‘more distinct’
than we’ve conventionally assumed, and that we’ve understated how much
evolution and diversification might actually have evolved.
That’s it, for now. And with that, we’ve done it:
looked briefly at all major, named lineages within the crown-chameleon
radiation. There is, of course, so much more to say. Much could be said
of chameleon anatomy and functional morphology, of the fossil history
and broader affinities of chameleons within the lizard clade Iguania,
and of chameleon ecology, behaviour and lifestyle. Plus there are an
enormous number of species – a great many of them recently named – that
really warrant a more detailed look. But, for now, this will do. I hope
you’ve enjoyed this look at chameleon diversity and I’m sure we’ll be
returning to them in time.
For previous Tet Zoo articles on iguanian lizards, see...
Refs - -
Glaw, F., Hawlitschek, O. & Ruthensteiner, B. 2013. A new genus
name for an ancient Malagasy chameleon clade and a PDF-embedded 3D model
of its skeleton. Salamandra 49, 237-238.
Raxworthy, C. J., Forstner, M. R. J. & Nussbaum, R. A. 2002. Chameleon radiation by oceanic dispersal. Nature 415, 784-787.
Tilbury, C. R. & Tolley, K. A. 2009. A re-appraisal of the systematics of the African genus Chamaeleo (Reptilia: Chamaeleonidae). Zootaxa 2079, 57-68.
Tilbury, C. R., Tolley, K. A. & Branch, W. R. 2006. A review of the systematics of the genus Bradypodion (Sauria: Chamaeleonidae), with the description of two new genera. Zootaxa 1363, 23-38.
Tolley, K. A., Townsend, T. M. & Vences, M. 2013. Large-scale
phylogeny of chameleons suggests African origins and Eocene
diversification. Proceedings of the Royal Society of London B, 280, 20130184.
Townsend, T.M., Tolley, K. A., Glaw, F., Böhme, W. & Vences, M.
2011. Eastward from Africa: palaeocurrent-mediated chameleon dispersal
to the Seychelles islands. Biology Letters 7, 225-228.
MARMOTA
Por: Marcus V. Cabral
A marmota (Marmota marmota) é um roedor mamífero da família Sciuridae,
parente próxima, portanto, dos esquilos. Robustas e roliças, as
marmotas medem até 75 cm de comprimento, fora a cauda, que pode ter mais
de 15 cm. No outono, quando se preparam para hibernar, as marmotas
chegam a pesar até 8 kg. Ao fim do inverno pesam aproximadamente 4 kg.
As pequenas orelhas e patas contrastam com a cabeça grande desse roedor.
A pelagem da marmota é cinza com tons amarelados.
Marmota alpina. Foto: François Trazzi [GFDL or CC-BY-SA-3.0], via Wikimedia Commons.
Vivem em grupos de, em média, 12 indivíduos, nas regiões montanhosas do hemisfério norte, na Europa e na Ásia,
em locais de clima rigoroso onde a vegetação é reduzida a algumas
ervas. As marmotas são encontradas em maior número na região dos Alpes.
Animais de hábitos diurnos, as marmotas moram em tocas que são
interligadas por uma rede de túneis profundos e extensos. Durante o
inverno, as marmotas se recolhem em suas tocas para a hibernação,
período que chega há seis meses. Esses meses são de sono profundo. As
batidas do coração e a respiração são lentas, e a temperatura corporal
da marmota cai aproximadamente 7° C. Essas são as formas que o organismo
encontrou para economizar as energias.
Herbívoras, as marmotas alimentam-se principalmente de raízes. É raro beberem água.
As marmotas emitem sons para se comunicarem, sobretudo quando se
sentem ameaçadas. São muito sociáveis. Têm como inimigos naturais às aves de rapina.
Assim que acaba o período de hibernação, as marmotas estão magras e
famintas. Após se recuperarem, tem inicio a época da reprodução. A
gestação dura de 5 a 6 semanas. É comum que os filhotes nasçam em meados
de abril. Em cada ninhada podem nascer de 2 a 7 filhotes. Ao nascer são
cegos e pelados, por isso permanecem na toca por cerca de 6 semanas. Os
pequenos filhotes demoram dois anos para se tornarem adultos, sendo que
a fêmea só terá outra ninhada após esse período.
São conhecidas 14 subespécies do gênero marmota, sendo as mais comuns a Marmota monax (Canadá), Marmota bobak (Europa oriental, Sibéria e baixo Himalaia).
Quanto à expectativa de vida, as marmotas vivem de 15 a 18 anos, sendo que geralmente as fêmeas vivem mais que os machos.
'Marmota dos pampas', tuco-tuco vive no litoral e nos campos do RS
Roedor habita tocas nas dunas ou em terrenos arenosos do Pampa. Ameaçada, espécie é de interesse para estudos sobre evolução.
Márcio Luiz - Do G1 RS
Das oitos espécies de tuco-tuco do Brasil, cinco ocorrem no RS
(Foto: Tatiane Noviski/Arquivo Pessoal)
Na próxima vez que você fizer um passeio pelas dunas do litoral do Rio Grande do Sul
ou pelos campos do pampa gaúcho, tente prestar mais atenção por onde
pisa. Com um pouco de sorte, será possível avistar um simpático roedor
que vive nessas regiões: o tuco-tuco.
Esse pequeno mamífero é assim conhecido popularmente por causa do som
que os machos emitem quando sentem-se ameaçados. Para a ciência, eles
são roedores pertencentes ao gênero Ctenomys. Vivem em galerias
subterrâneas cavadas por eles mesmos rentes à superfície, que chegam a
medir 15 metros de comprimento.
Os tuco-tucos lembram as marmotas do hemisfério Norte, mas na verdade
são parentes das capivaras, ratões-do-banhado, preás e outros roedores
encontrados só na América do Sul. Eles estão distribuídos do sul do Peru
até a Terra do Fogo, ocorrendo no Paraguai, Bolívia, Argentina, Chile,
Uruguai e Brasil.
Tuco-tuco da espécie C. flamarioni é um rato de praia: vive nas dunas próximas do mar
(Foto: Tatiane Noviski/Arquivo Pessoal)
Das 60 espécies do gênero catalogadas, oito são encontradas no Brasil:
três na região Centro-Oeste e cinco no Rio Grande do Sul e no sul de
Santa Catarina. “Os tuco-tucos vivem na Planície Costeira do Rio Grande
do Sul e no Pampa. Ocupam as dunas ou os campos arenosos em ambas as
regiões”, diz o biólogo Thales de Freitas.
Pesquisador do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
Thales é o que se pode chamar de um “tucólogo”. Ele estuda esses
roedores desde 1979 e há cerca de 13 anos coordena o Projeto Tuco-Tuco,
vinculado à UFRGS. O objetivo do programa é estudar a evolução da
espécie e ajudar na conservação dela.
A descoberta mais recente do grupo de pesquisadores foi feita no ano
passado, quando foi descrita uma nova espécie de tuco-tuco, a Ctenomys
ibiquensis, que habita uma área de cerca de 500 quilômetros quadrados no
Oeste do estado. As outras espécies encontradas em solo gaúcho são a C.
flamarioni, C. lami, C. minutus e C. torquatus.
De acordo com Thales, os tuco-tucos possuem hábitos curiosos. Além de
serem animais solitários, passam a maior parte da vida no subsolo.
Nascem, crescem, se alimentam e se reproduzem dentro das tocas. Daí a
dificuldade de serem vistos. “Nos finais de tarde eles sempre aparecem
limpando as tocas. Não são ariscos e nem agressivos, mas não devem ser
manipulados, pois aí se defendem”, diz ele.
Outra característica peculiar dos tuco-tucos é de interesse para os
estudos sobre evolução das espécies. Os pesquisadores da UFRGS
descobriram que esses roedores apresentam variações no número de
cromossomos, ao contrário de mamíferos como os humanos, que costumam ter
um número definido de pares das estruturas responsáveis por armazenar o
DNA.
De acordo com os pesquisadores, essa diferença no número de cromossomos
pode ser resultado de um processo de especiação, que é a formação de
uma nova espécie. Isso teria ocorrido em função do isolamento geográfico
entre as diferentes populações do animal.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores também constataram que diferentes
espécies de tuco-tuco estão cruzando entre si, após anos de isolamento, o
que resultou em uma espécie híbrida. Barreiras naturais que antes
separavam esses animais já não existem mais. “Todas as variações
encontradas estão relacionadas às mudanças que vêm ocorrendo na Planície
Costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina por mais de 20 mil
anos”, diz Thales.
As alterações no habitat pela ação do homem, aliás, são as principais
ameaças ao tuco-tuco. A construção de áreas de lazer ou de moradias nas
dunas do litoral e as mudanças na vegetação nativa do Pampa, destruída
para dar lugar a plantações de soja ou florestas de pinus e eucaliptos,
são responsáveis por colocar a espécie na lista da fauna ameaçada no
estado.
Roedores passam quase a vida toda dentro das tocas feitas por eles (Foto: Tatiane Noviski/Arquivo Pessoal)
sábado, 7 de maio de 2016
Rincossauro "torto" é descrito após 40 anos
06 de maio de 2016
Peter Moon | Agência FAPESP – O mais recente
troféu da paleontologia brasileira não é um dinossauro, mas uma espécie
até então desconhecida de rincossauro, um réptil herbívoro pertencente à
linhagem ancestral dos crocodilos e das aves. A novidade ganhou o nome
de Brasinorhynchus mariantensis.
O brasinorrinco viveu no Rio Grande do Sul há cerca de 238 milhões de
anos, em meados do Triássico, período imediatamente anterior ao do
surgimento dos dinossauros. Quando os primeiros dinossauros apareceram
nos pampas, cerca de 7 milhões de anos depois, sabe-se que por lá
pastavam manadas de rincossauros, porém nenhum deles parecido com o
brasinorrinco.
Com base em crânio coletado nos anos 1970, pesquisadores da UFRGS, USP e Unesp publicam a descrição do Brasinorhynchus mariantensis, réptil herbívoro pertencente à linhagem ancestral dos crocodilos e das aves (fotos: divulgação)
Isto o torna a um só tempo o mais antigo e o mais bizarro exemplar de
rincossauro da América do Sul, além de ser o primeiro exemplar a
dividir afinidades inequívocas com os rincossauros que pastavam na
África, mais uma evidência da união dos continentes austrais no
supercontinente Gondwana.
O trabalho de descrição é de autoria dos paleontólogos Cesar Schultz,
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Max Langer, da
Universidade de São Paulo (USP), e Felipe Montefeltro, da Universidade
Estadual Paulista (Unesp).
A nova espécie foi descrita com base em um crânio um tanto deformado
coletado nos anos 1970. “Sabia da existência daquele crânio desde 1980,
quando entrei no Setor de Paleovertebrados da UFRGS. Comecei a olhar com
mais atenção para aquele ‘rincossauro torto’ a partir de 1987, quando
comecei o doutorado”, contou Schultz.
“Na época, estudava o modo como a fossilização típica do período
Triássico do Rio Grande do Sul deformava alguns fósseis, a ponto de
fazer com que pertencessem a táxons diferentes. Entretanto, aquele
crânio, apesar de estar claramente comprimido lateralmente, não era de
modo algum semelhante aos outros rincossauros gaúchos que já
conhecíamos. Era mais comprido do que largo, exatamente o oposto à
morfologia craniana dos rincossauros mais comuns no Rio Grande, mais
largos do que compridos”, disse.
Schultz conta que o fóssil do brasinorrinco foi achado em Mariante,
um distrito do município de Venâncio Aires (RS) e quase foi descartado,
pois havia muitos outros rincossauros. Mas os paleontólogos resolveram
retirar o fóssil, que saiu inteiro e foi levado para um laboratório.
Em 1991, Schultz incluiu em sua tese de doutorado os primeiros estudos sobre os espécimes do Brasinorhynchus. “Fiz uma descrição preliminar”, disse.
Em 1995, Schultz, já como orientador do Curso de Pós-Graduação em
Geociências da UFRGS, teve Max Langer como seu primeiro orientando de
mestrado, sendo que o projeto deste, é claro, acabou se dirigindo aos
rincossauros. Entretanto, o objetivo de Max não era a descrição
anatômica de novos espécimes, mas a análise filogenética dos
rincossauros.
Desse modo, o então conhecido “rincossauro de Mariante” foi analisado
junto com os demais, mas não teve a sua publicação formal concluída.
Essa tarefa foi repassada a um novo estudante de mestrado, alguns anos
depois. Este iniciou o trabalho, mas acabou se desinteressando. Com
isso, o brasinorrinco voltou mais uma vez para a prateleira e lá
permaneceu por quase 20 anos.
Nesse meio tempo, Felipe Montefeltro realizou seu mestrado, sob
orientação de Langer. Durante o trabalho de Montefeltro, novamente o
“rincossauro de Mariante” foi citado e usado nas comparações, embora
seguisse sem ter ainda a sua própria identidade formal.
Camaradagem argentina
Em 2016, esta longa novela científica chega finalmente à sua
conclusão. “Colegas argentinos me avisaram que encontraram um animal
semelhante e que já haviam começado a descrevê-lo. Como eles sabiam da
existência desse fóssil brasileiro, disseram que aguardariam nossa
descrição ser publicada para publicar a deles”, disse Schultz,
destacando o exemplo de camaradagem científica do grupo argentino.
“Nós três nos reunimos e fizemos um esforço concentrado de pesquisa
para descrever e publicar o trabalho o mais rápido possível,” explica o
mineiro Langer, chefe do Laboratório de Paleontologia da USP de Ribeirão
Preto.
“O brasinorrinco deve ter tido o tamanho de um porco grande. Com o
rabo, teria uns 3 metros de comprimento. Seu crânio, afilado, estreito e
alto, lembra um pouco o crânio de um cavalo”, disse Langer.
Como todos os rincossauros, o brasinorrinco possuía um bico (rhynchus,
em grego) ósseo que empregava para abocanhar e cortar a vegetação, como
se fosse uma faca. Seus dentes eram diminutos, próprios para macerar o
alimento. “Na fauna atual, não há animais com esse tipo de dentição”,
explicou Langer.
No Triássico médio, os pampas eram lar de animais que pareceriam
muitos estranhos aos nossos olhos. Não eram dinossauros, nem mamíferos,
nem crocodilos, lagartos, tartarugas ou aves. Todas essas formas de vida
ainda estavam por evoluir.
Quem dominava aquela antiga paisagem eram répteis primitivos. No
registro fóssil do Rio Grande do Sul no Triássico médio, há 238 milhões
de anos, havia de um lado os dicinodontes e cinodontes. Estes últimos
foram possivelmente os ancestrais de todos os mamíferos.
Do outro lado estavam os arcossauromorfos, de cuja linhagem evoluíram
os crocodilos e as aves. Os rincossauros pertenciam a esse grupo,
juntamente com o maior predador da época, um terrível carnívoro do
tamanho de um grande crocodilo, o Prestosuchus.
Já no registro fóssil gaúcho do Triássico superior, há 231 milhões de anos, os dicinodontes desaparecem, assim como o Prestosuchus.
Mas os rincossauros, ao contrário, se tornam abundantes. É nesse
momento que surge, de forma ainda tímida, um novo grupo de animais
destinado a dominar o planeta pelos 150 milhões de anos seguintes.
Eram os primeiros dinossauros, cujos exemplares mais antigos são
achados na Argentina e no Rio Grande do Sul. E cujas primeiras formas
carnívoras se alimentavam, provavelmente, de rincossauros.
O artigo A new rhynchosaur from south Brazil (Santa Maria Formation)
and rhynchosaur diversity patterns across the Middle-Late Triassic
boundary (doi: 10.1007/s12542-016-0307-7 ), de Cesar Leandro Schultz, Max Cardoso Langer e Felipe Chinaglia Montefeltro, publicado no Paläontologische Zeitschrift, pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1007%2Fs12542-016-0307-7.