Avatares do Mesozoico
Cientistas do Brasil e da China descobrem nova espécie de
pterossauro chinês que viveu há 120 milhões de anos. O animal, cujo nome
remete à sua semelhança com criaturas aladas da ficção, pode ter
adotado uma estratégia de alimentação parecida com a de pelicanos.
Publicado em 12/09/2014
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Atualizado em 12/09/2014
A nova espécie de pterossauro tem uma grande crista na
mandíbula, que servia como base para sustentar uma bolsa gular, onde
poderiam ser guardados peixes. (imagem: Maurílio Oliveira/ Museu
Nacional UFRJ.
A China é um dos países que mais têm contribuído para aumentar nosso
conhecimento sobre os seres pré-históricos. Além de um grande
investimento em pesquisas, o país abriga um dos mais ricos sítios
paleontológicos do mundo em Liaoning – e foi justamente de uma das
formações desse terreno fértil em vestígios do passado, chamada
Jiufotang, que saiu a mais nova descoberta da área. Um grupo de
cientistas chineses e brasileiros descreveu, em artigo publicado na revista Scientific Reports, dois exemplares de uma nova espécie de pterossauro, um réptil alado que viveu há cerca de 120 milhões de anos.
Os dois esqueletos foram encontrados com crânios, mandíbulas e outras partes dos ossos, separados por uma distância de 25 a 30 quilômetros. Com base nos fósseis, foi possível estabelecer com boa precisão algumas das características físicas da espécie, que recebeu o nome de Ikrandraco avatar, devido à semelhança com os banshees, animais voadores do filme Avatar.
“O que mais nos chamou a atenção é que eles tinham uma crista bem grande localizada na mandíbula, o que é raro, já que esse tipo de protuberância costuma aparecer na parte superior do crânio”, explica um dos autores da pesquisa, o paleontólogo brasileiro Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colunista da CH On-line. O estudo, realizado pela Academia Chinesa de Ciências em parceria com o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Federal do Espírito Santo, foi cofinanciado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Com base nessas peculiaridades físicas, os pesquisadores estimaram como deveriam ser os hábitos alimentares do animal. “Imaginamos que ele voava baixo sobre a água e mergulhava sua crista para capturar os peixes, podendo guardá-los e transportá-los para longe na bolsa gular”, deduz Kellner. “A área onde os indivíduos foram encontrados era rica em peixes, então provavelmente eles faziam parte da dieta da espécie, assim como de outros pterossauros já conhecidos e que vivam na mesma região”.
Isabelle Carvalho
Ciência Hoje On-line
Os dois esqueletos foram encontrados com crânios, mandíbulas e outras partes dos ossos, separados por uma distância de 25 a 30 quilômetros. Com base nos fósseis, foi possível estabelecer com boa precisão algumas das características físicas da espécie, que recebeu o nome de Ikrandraco avatar, devido à semelhança com os banshees, animais voadores do filme Avatar.
“O que mais nos chamou a atenção é que eles tinham uma crista bem grande localizada na mandíbula, o que é raro, já que esse tipo de protuberância costuma aparecer na parte superior do crânio”, explica um dos autores da pesquisa, o paleontólogo brasileiro Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colunista da CH On-line. O estudo, realizado pela Academia Chinesa de Ciências em parceria com o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Federal do Espírito Santo, foi cofinanciado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Físico peculiar
Além da crista, o novo pterossauro também apresenta um conjunto de características que o diferem das espécies já conhecidas: asas com cerca de dois metros e meio, crânio mais baixo e alongado e, principalmente, uma estrutura óssea em forma de gancho localizada no final da crista inferior. “Acreditamos que esse gancho sirva como base para sustentar tecidos moles, como um saco gular, uma espécie de bolsa, presente hoje em animais como avestruzes e pelicanos”, conta Kellner.Com base nessas peculiaridades físicas, os pesquisadores estimaram como deveriam ser os hábitos alimentares do animal. “Imaginamos que ele voava baixo sobre a água e mergulhava sua crista para capturar os peixes, podendo guardá-los e transportá-los para longe na bolsa gular”, deduz Kellner. “A área onde os indivíduos foram encontrados era rica em peixes, então provavelmente eles faziam parte da dieta da espécie, assim como de outros pterossauros já conhecidos e que vivam na mesma região”.
Isabelle Carvalho
Ciência Hoje On-line
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