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sábado, 26 de outubro de 2019

Este pássaro de 100 milhões de anos preso em Amber é o melhor que já vimos

Os garimpeiros que descobriram o espécime pensaram ter encontrado uma garra de lagarto "estranha", até que os pesquisadores perceberam que o pé pertencia a um pássaro da época dos dinossauros.


O filhote foi encontrado congelado no âmbar 99 milhões de anos atrás.

Os cientistas descobriram um espécime incrível em Mianmar que nos deu um vislumbre da vida de 100 milhões de anos atrás - um pedaço de âmbar contendo os restos notavelmente preservados de um filhote de pássaro antigo.

Dentro do âmbar, você pode distinguir a cabeça, cauda e pescoço do pássaro, mas são as asas e os pés que são as verdadeiras maravilhas - o pedaço de resina de árvore fossilizada preservou perfeitamente as penas, a carne e as garras do pássaro, e nos dá uma visão de um grupo condenado de espécies pré-históricas chamadas de "pássaros opostos".

"É a visão mais completa e detalhada que já tivemos", disse à New Scientist um dos membros da equipe, Ryan McKellar, do Museu Real Saskatchewan, no Canadá.


"Ver algo tão completo é incrível. É simplesmente deslumbrante."

A equipe suspeita que o passarinho tenha caído em uma poça de coníferas logo após a eclosão e ficou preso no líquido parecido com alcatrão.

Curiosamente, apesar de ser uma parte tão importante da nossa compreensão do mundo pré-histórico, os cientistas ainda não estão totalmente certos da química exata em jogo no processo de preservação do âmbar.

O que sabemos é que, depois que os animais ficam presos na resina da árvore, ela começa a endurecer e, se você tiver os níveis certos de pressão e temperatura, ele se transformará em uma substância semi-fossilizada chamada copal.

"Os cientistas não concordam quando a resina se torna oficialmente copal ou quando a copal oficialmente se torna âmbar. Alguns dizem que o âmbar deve ter pelo menos 2 milhões de anos, mas esse corte é arbitrário".

Infelizmente, embora pareça quase bom como novo, sentado naquele âmbar, a carne do pássaro provavelmente se decompôs em carbono puro, o que significa que seu DNA provavelmente já se foi há muito tempo.

Mas o que podemos extrair desse espécime é o fato de que provavelmente era um membro dos chamados pássaros opostos, ou Enantiornithes - um grupo de pássaros pré-históricos, que se pensava ter evoluído ao mesmo tempo que os ancestrais dos pássaros modernos, mas por algum motivo, morreu com os dinossauros não aviários.

"Na aparência, os pássaros opostos provavelmente se assemelhavam aos pássaros modernos, mas tinham uma articulação de encaixe nos ombros, onde os pássaros modernos têm um encaixe de encaixe - daí o nome", relata Michael Le Page para a New Scientist.

"Eles também tinham garras nas asas, maxilares e dentes em vez de bicos - mas na época em que os filhotes viviam, os ancestrais dos pássaros modernos ainda não haviam desenvolvido os bicos.


Close-up de garra. Crédito: Xing Lida

Amostra âmbar completa. Crédito: Lida Xing,
Close-up da asa. Crédito: Ming Bai
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A ave mais antiga do Brasil

Cientistas brasileiros e argentinos encontraram na Bacia do Araripe, no Ceará, o fóssil da ave mais antiga até hoje já registrada na América do Sul. Com 14 centímetros de comprimento, o novo espécime pertence ao grupo dos Enantiornithes
 
Por: Valentina Leite
Publicado em 03/06/2015 | Atualizado em 03/06/2015
A ave mais antiga do Brasil
A pequena ave pré-histórica, ainda sem nome científico, é uma representante do extinto grupo dos Enantiornithes. O fóssil foi encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará, e é o mais antigo registro de ave na América do Sul. (ilustração: Deverson Pepi) 
 
Mesmo pequeno, um fóssil recém-descoberto no Ceará trouxe grandes novidades para a paleontologia brasileira. Encontrado em um estado raro de conservação excepcional, o exemplar mais antigo de uma ave brasileira foi escavado entre as rochas calcárias da Bacia do Araripe. A espécie, nova para a ciência, foi descrita na revista Nature Communications em uma colaboração de pesquisadores do Brasil e da Argentina.

Representante do grupo dos Enantiornithes – aves pré-históricas que diferem das atuais especialmente pelos ossos do peito –, o animal pré-histórico traz novas pistas para o estudo da evolução das aves na América do Sul, já que foi conservada grande parte de sua plumagem original. Além disso, aumenta significativamente a área do planeta que sabemos ter sido ocupada por aves durante a era Mesozoica (entre 251 e 65,5 milhões de anos atrás), mais especificamente no período Cretáceo, há 115 milhões de anos.
“Até hoje, todos os fósseis de espécies plumadas (que possuem penas) que haviam sido encontrados estavam localizados em rochas na China”, explica o paleontólogo Fernando Novas, do Museo Argentino de Ciências Naturales, um dos autores do estudo. “Pela primeira vez descobrimos uma no Brasil, o que amplia a área de alcance desses seres”.
Com duas asas proeminentes, olhos grandes, plumagem espessa e apenas 14 centímetros de comprimento – sendo oito apenas de cauda –, a espécie recém-descrita era menor do que um beija-flor e provavelmente alimentava-se de insetos que viviam na região onde foi encontrado. Análises ósseas indicam que o fóssil pertence a um exemplar jovem.
Fóssil Enantiornithes
Bem preservado, o fóssil mantém penas que carregam indícios de seu pigmento original. (foto: Ismar Carvalho)
“As penas, longas, têm um aspecto interessante: grânulos que se distribuem de maneira regular ao longo dela”, observa o geólogo Ismar Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que coordenou o estudo. Essa característica pode ser um indício dos pigmentos originais que davam cor à plumagem.
Além de terem sido muito bem preservadas nas rochas de calcário, as penas desta Enantiornithes deixaram sua impressão em um formato em três dimensões, raro nos fósseis encontrados até hoje. “Isso se deve aos mais diversos fatores, como baixa quantidade de oxigênio e águas cristalinas da bacia na época”, revela Carvalho.

O fóssil foi localizado em 2011, em pedreiras existentes na região do Crato, no município de Nova Olinda, que faz parte da Bacia Sedimentar do Araripe. “Nessa região têm sido descobertos excelentes registros”, pontua o cientista. “Isso ocorre por ser uma área de pedreiras, com sucessões de calcários laminados, que conservam esses seres durante milhões de anos”.
Pedreira na Bacia do Araripe
A ave foi encontrada em rochas de 115 milhões de anos, em pedreiras existentes na região do Crato, município de Nova Olinda. (foto: Ismar Carvalho)
Ele explica que essas rochas calcárias foram formadas a partir de uma precipitação química de carbonato de cálcio, num ambiente saturado em sais e que possibilitava a formação de uma lama muito fina, composta por calcita – um mineral comum de carbonato. “Naquela época, com clima quente e seco, o carbonato de cálcio se precipitava com facilidade, envolvendo os organismos e, posteriormente, transformando-se em rochas. Essa substância foi responsável por proteger grande parte dos registros fósseis encontrados atualmente na região”, diz. Hoje, essas rochas são amplamente usadas em construção civil, para pavimentação de ruas e residências.

Para Carvalho, a grande importância da descoberta reside no fato de ela enriquecer o entendimento da origem das aves Enantiornithes e sua distribuição paleobiogeográfica. “Além disso, também contribui para o estudo de aves do Brasil, da América do Sul e de Gondwana – supercontinente que unia América do Sul, África, Antártica e outras regiões do planeta”. Estamos diante, portanto, de uma pequena descoberta que pode fazer grande diferença! “Esse achado é uma joia da paleontologia brasileira e dificilmente há registros de tão boa qualidade como ele”.

Baixe o PDF:

http://www.nature.com/ncomms/2015/150526/ncomms8141/full/ncomms8141.html 

Valentina Leite
Instituto Ciência Hoje/ RJ

[PaleoOrnithology • 2015] 

A Mesozoic Bird from Gondwana preserving Feathers

The 2011 finding is now the oldest known bird from Brazil. The fossil shows exceptional preservation of the bird's ribbonlike tail feathers.
(Image: Ismar de Souza Carvalho)
The fossil record of birds in the Mesozoic of Gondwana is mostly based on isolated and often poorly preserved specimens, none of which has preserved details on feather anatomy. We provide the description of a fossil bird represented by a skeleton with feathers from the Early Cretaceous of Gondwana (NE Brazil). The specimen sheds light on the homology and 3D structure of the rachis-dominated feathers, previously known from two-dimensional slabs. The rectrices exhibit a row of rounded spots, probably corresponding to some original colour pattern. The specimen supports the identification of the feather scapus as the rachis, which is notably robust and elliptical in cross-section. In spite of its juvenile nature, the tail plumage resembles the feathering of adult individuals of modern birds. Documentation of rachis-dominated tail in South American enantiornithines broadens the paleobiogeographic distribution of basal birds with this tail feather morphotype, up to now only reported from China.

An artist's interpretation of an Enantiornithes [UFRJ-DG 031 Av]
(Image: Deverson Pepi)
Systematic paleontology
Aves Linnaeus, 1758 
Ornithothoraces Chiappe, 1996 
Enantiornithes Walker, 1981
Euenantiornithes Chiappe and Walker, 2002
Indeterminate genus and species
A drawing of the 115-million-year-old fossilized bird uncovered in northeastern Brazil. Researchers are waiting to give the bird a new genus and species, but said it fits into the Enantiornithes group, which encompasses a large diversity of birds that lived during the time of the dinosaurs.
(Image: Gabriel Lio)
Figure 1: Main slab and interpretative drawing of specimen UFRJ-DG 031 Av.
Referred material
UFRJ-DG (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Department of Geology collection) 031 Av, partial skeleton of a possible juvenile specimen preserved in slab and counterslab, including poorly preserved skull bones, fore- and hindlimbs, portions of vertebral column, and most of both pectoral and pelvic girdles. The skeleton is exposed in lateral view, but the proximal caudal vertebrae and pygostyle are exposed dorsally. The same applies to the tail feathers, attached to the pygostyle.
The very small body size, large orbit, elongate caudal series, poorly developed proximal humerus and distal ends of other long bones (femur, tibia), as well as the lack of fusion in the metatarsus indicates that the specimen is probably a juvenile.
Locality and horizon
Pedra Branca Mine, Nova Olinda County, Ceará State, Brazil (7° 6′51.9″S, 39° 41′46.9″W). Araripe Basin, Crato Formation (Early Cretaceous, Aptian). This formation has yielded abundant and exceptionally preserved fossils of a large variety of plants and animals, representing one of the best well-known terrestrial ecosystems for the Early Cretaceous. Isolated feathers probably belonging to birds have been described from these beds, as well as succinct reports on avian skeletons associated with poorly preserved feathers.
  


Ismar de Souza Carvalho, Fernando E. Novas, Federico L. Agnolín, Marcelo P. Isasi, Francisco I. Freitas and José A. Andrade. 2015. A Mesozoic Bird from Gondwana preserving Feathers. Nature Communications. DOI: 10.1038/ncomms8141
Photos: Dinosaur-Era Bird Sported Ribbonlike Feathers
Finalmente, uma ave da Bacia do Araripe, no Ceará! Um exemplar completo, com penas e até pigmentação, do grupo dos Enantiornithes, encontrado no município de Nova Olinda.

Parabéns aos descobridores e pesquisadores! Esta escapou do tráfico de fósseis e veio iluminar a história das aves cretácicas no Gondwana:

Vídeo de divulgação com os paleontólogos Ismar Carvalho (UFRJ) e Fernando Novas (Museu Argentino de Ciências Naturais):