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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

 

Agulhas de costura revelam as raízes da moda

Os humanos fabricam peças de vestuário há mais de 40.000 anos – e ferramentas antigas sugerem que o calor não era a sua única preocupação.
história da moda

F. d'Errico/L. Doyon

O RIO INYA, no sudoeste da Sibéria, serpenteia por uma paisagem de marcantes mudanças sazonais. No verão, águas cristalinas banham as florestas alpinas. À medida que o inverno se aproxima, o rio congela, fortes tempestades de neve envolvem as montanhas e as temperaturas despencam.

O clima se torna perigoso para os humanos. Mas evidências de ferramentas de caça com 50 mil anos sugerem que caçadores-coletores da Idade da Pedra já habitaram a região. Qual era o segredo deles para a sobrevivência? Roupas.

No ano passado, numa caverna acima do curso médio do rio Inya, os cientistas descobriram agulhas de costura com 20 mil anos de idadeApesar da origem antiga, as agulhas são sofisticadas. Eles não apenas são afiados o suficiente para perfurar peles grossas de animais, mas também possuem um “olho” de agulha, que teria permitido aos primeiros alfaiates enfiar a linha na agulha e costurar.

Num novo estudo , publicado na edição de dezembro do Journal of Human Evolution , uma equipe de pesquisadores reuniu o que sabemos sobre a fabricação de roupas antigas usando artefatos de agulha coletados em todo o mundo, inclusive no local próximo ao rio InyaA costura, revela a análise, pode oferecer um portal para a tecnologia e a cognição humanas no Paleolítico Superior, um período que se estende entre 50 mil e 10 mil anos atrás.

“Muitas das agulhas que descobrimos não eram usadas apenas para fabricar roupas, mas para bordados e enfeites. Havia um papel estético”, diz Francesco d'Errico, antropólogo da Universidade de Bordeaux, na França, e coautor do estudo.

Por outras palavras, os humanos antigos não se preocupavam apenas em encontrar calor no inverno – eles também podem ter-se vestido para comunicar a identidade social, exibir afiliações tribais e, de facto, para terem uma boa aparência.

A EVIDÊNCIA MAIS ANTIGA da fabricação de roupas vem de uma fonte improvável: os piolhos. Entre 80.000 e 100.000 anos atrás, os piolhos da cabeça e do corpo tornaram-se espécies distintas. “Esta é uma indicação de que os indivíduos começaram a usar peles”, diz Sarah Wurz, antropóloga da Universidade de Witwatersrand, que não esteve associada ao estudo d'Errico. “Os piolhos viviam neles e, portanto, evoluíram para uma espécie separada.”

Não sabemos qual espécie de Homo neanderthalensis ou sapiens – foi a primeira a usar peles. Mas há 76 mil anos, os antropólogos acreditam que o Homo sapiens estava a criar furadores de osso, um precursor da agulha, na África do SulNos milênios que se seguiram, artefatos sugerem que a maior parte da produção de roupas antigas ocorria no Hemisfério Norte, onde climas mais frios tornavam o isolamento extra útil.

Para o novo estudo, d'Errico e seus colegas reuniram um banco de dados de agulhas de costura com olhos encontradas no Hemisfério Norte, muitas das quais datam do período Paleolítico Superior. Eles analisaram todas as agulhas em termos de forma e função. A datação por radiocarbono permitiu à equipe avaliar a idade de vários espécimes.

Os pesquisadores descobriram que os humanos desenvolveram agulhas de costura com olhos no que hoje é a Sibéria e a China já há 45 mil anos. Na Europa, a fabricação de roupas provavelmente começou há cerca de 26 mil anos; provavelmente começou há cerca de 13.000 anos na América do Norte.

Para o novo estudo, a equipe de pesquisa examinou agulhas do período Paleolítico de um local de escavação na China, na foto acima.

Para o novo estudo, a equipe de pesquisa examinou agulhas do período Paleolítico Superior em um local de escavação na China, na foto acima.

Huijie Mei

Além disso, d'Errico e os seus colegas descobriram evidências de extensos locais de produção de agulhas e vestuário. Por exemplo, num local nos desertos do norte da China, os investigadores extraíram agulhas com mais de 10.000 anos, juntamente com ferramentas que podem ter ajudado na sua criação. Algumas das agulhas são largas e planas, talvez usadas para costurar peles grossas. Outras são estreitas e circulares, o que pode indicar que foram utilizadas para trabalhos delicados como bordados.

Os pesquisadores também descobriram que alguns dos primeiros trabalhos de costura mais sofisticados do mundo podem ter vindo da América do Norte. Locais no leste do Wyoming e no centro de Washington produziram agulhas com 13.000 anos de idade que apresentam um nível impressionante de refinamento e sugerem o que os investigadores chamam de “domínio nunca antes alcançado” na produção de agulhas.

A incrível diversidade de tipos de agulhas, que diferiam por região, exibiam formas variadas e evoluíram ao longo do tempo, sugere duas coisas. Primeiro, múltiplas sociedades os criaram de forma independente. Em segundo lugar, as pessoas destas sociedades tinham ferramentas para criar diferentes tipos de vestuário, que podem ter tido significado cultural ou estético. Na Europa Ocidental, por exemplo, onde os antropólogos acreditam que grupos distintos de humanos interagiam frequentemente, os estilos de agulhas variavam consoante o local, sugerindo que o estilo de vestir pode ter delineado a afiliação tribal.

Há outras evidências de trajes decorativos no Paleolítico Superior. Por exemplo, num projeto anterior , d'Errico e a sua colega Marian Vanhaeren, antropóloga da Universidade de Bordéus, identificaram conchas nos restos mortais de uma criança na Caverna Madeleine, em França, um local que atribuem ao final do período Magdaleniano, cerca de 10.000 anos atrás. Pequenos buracos sugerem que alguém costurou esses enfeites nas roupas da criança, embora o próprio tecido tenha se desintegrado desde então.

AO MESMO tempo que a agulha desencadeou uma revolução estética no vestuário, poderá ter sinalizado dois outros desenvolvimentos integrantes da pré-história humana: a capacidade de viajar longas distâncias e a capacidade de pensamento complexo.

Os antropólogos acreditam que há cerca de 50 mil anos, o primeiro Homo sapiens começou a deixar África e a dirigir-se para norte. “Uma das questões candentes nas primeiras pesquisas humanas é quais tecnologias permitiram que as pessoas saíssem de África e eventualmente colonizassem o resto do mundo”, diz Justin Bradfield, antropólogo baseado na Universidade de Joanesburgo, na África do Sul, que não estava associado com o estudo.

O novo estudo não determina definitivamente se as agulhas de costura permitiram as migrações humanas, mas sugere que o seu papel poderia ter sido crucial. Afinal de contas, alguns dos espécimes mais sofisticados estão associados a pessoas da América do Norte – que também percorreram as maiores distâncias nos climas mais rigorosos. Ser capaz de costurar roupas quentes pode ter aberto as portas para o Novo Mundo.

Além disso, as agulhas oferecem uma pista sobre as habilidades cognitivas das pessoas que viveram durante o Paleolítico Superior, o que mais tarde tornaria possível a arquitetura e a falsificação. “O processo de produção envolvido na fabricação e uso de agulhas envolve muitas etapas”, diz Wurz. As pessoas conceituariam a necessidade de uma ferramenta, encontrariam os materiais corretos, produziriam linhas e costurariam roupas, explica ela. “Essa longa cadeia de pensamento e a combinação de diferentes elementos são evidências de uma cognição complexa que caracteriza todos os humanos hoje.”

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Little Foot" hominin emerges from stone after millions of years

Scientists are starting to piece together the evolution of a 3.67 million-year-old early human who may have been among the first to walk like we do.
Palaeoanthropologists recovering Little Foot
Palaeoanthropologists recovering Little Foot from a rock inside a cave.Credit: Patrick Landmann/Science Photo Library
After a tortuous 20-year-long excavation, a mysterious ancient skeleton is starting to give up its secrets about human evolution.

The first of a raft of papers about ‘Little Foot’ suggests that the fossil is a female who showed some of the earliest signs of human-like bipedal walking around 3.67 million years ago. She may also belong to a distinct species that most researchers haven’t previously recognized.
“It’s almost a miracle it’s come out intact,” says Robin Crompton, a musculoskeletal biologist at the University of Liverpool, UK, who has collaborated with the research team that excavated the skeleton.
As well echoing the mythical ‘Bigfoot’, the nickname Little Foot comes from the small size of the foot bones that were among the first parts of the skeleton to be discovered.

The first signs that there was an invaluable hominin specimen up for grabs came in 1994. Ronald Clarke, a palaeoanthropologist at the University of the Witwatersrand (Wits University) in Johannesburg, South Africa, was rifling through boxes of fossils at a field laboratory at the Sterkfontein caves, about 40 kilometres northwest of Johannesburg. He realized that a handful of small bones in the collection belonged to an early hominin. 

He established that the bones were those of a species of Australopithecus — ape-like hominins that were present in Africa between about 4 million and 2 million years ago, before the human genus Homo rose to dominance1

Clarke and his colleagues then found many more bones embedded in a matrix of solid rock deep in the Sterkfontein caves. They began carefully excavating Little Foot, piece by fragile piece, using hammers and chisels, followed by precision tools. The entire process took them almost 20 years.
“The fossilized bone is actually softer than the matrix,’ says Crompton. “It’s been an absolute devil to get it out.”
Little Foot Australopithecus fossil hand bones
Little Foot’s fossil bones. Credit: Patrick Landmann/Science Photo Library

A near-complete puzzle

By late last year, Clarke’s team had successfully removed enough bones to reconstruct more than 90% of the skeleton, and the specimen was unveiled to the world. No other Australopithecus fossil comes close to that level of completeness. For comparison, the most famous Australopithecus — Lucy — is around 40% complete.
On 29 November, Clarke’s team, posted two papers on Little Foot to the bioRxiv preprint server — one on the age of the specimen2, the other on the limbs and locomotion3. On 4 December, the researchers posted a third, on the skull and on the potential relationship to a known hominin species4. The team posted a fourth paper5, this time focusing on the arms and an injury Little Foot received during her life, on 5 December.

Further papers, on the hand, teeth and inner ear, are expected in the near future, says Crompton. Most will ultimately appear in a special edition of the Journal of Human Evolution.
 
The bioRxiv papers crystallize ideas that emerged in earlier publications about the age of the fossil. They also cover some new ground, suggesting that Little Foot was an adult female and stood about 130 centimetres tall — just 10 centimetres shorter than the average woman in some modern-human populations. “Little Foot was quite big,” says Crompton.

The paper covering limbs and locomotion3 reveals that Little Foot’s legs are longer than her arms, similar to modern humans, making her the oldest hominin for which we can be sure of that feature, says Crompton. This means that Little Foot was better adapted to walking upright on the ground than many other australopiths, at least some of which seem to have spent more time moving through trees.

A species first

Little Foot’s skull bones and teeth are so unusual that Clarke and his colleagues have categorized her as a distinct species4. They chose not to give this species a new name, but instead designate it as Australopithecus prometheus.
A. prometheus was suggested in 1948 on the basis of a skull fragment found roughly 250 kilometres north of Johannesburg6, but quickly fell out of fashion when researchers decided it was simply an unusual representative of an already recognized species, called A. africanus. Clarke doesn’t think that Little Foot belongs to A. africanus, and says the simplest option is to resurrect the name A. prometheus for Little Foot and a handful of similar fossils.
The preprint also suggests that A. prometheus is potentially an ancestor of a group of hominins called Paranthropus4, which co-existed with early Homo species for about a million years.
Lee Berger, an archaeologist also at Wits University who was not involved in the excavations, but is working on publications about Little Foot, disagrees with the decision to resurrect A. prometheus. In a paper that is scheduled to be published on 10 December in the American Journal of Physical Anthropology, Berger argues that the name A. prometheus was never properly defined.
He hasn’t yet decided whether Little Foot constitutes a distinct species — but if she does, Berger thinks a new name is needed.
Berger adds he is disappointed by the lack of solid information in the papers on the age and locomotion findings — he would have liked to have seen detailed measurements of the fossil bones, for instance. “There’s no data — there are almost no measurements of the fossils,” he says. Berger hopes to provide those data in his own publications — although he is still at an early stage of his analysis.
Crompton responds that the locomotion paper is essentially an overview that attempts to reconstruct how Little Foot moved by drawing on the solid data given in the other papers. More-detailed data can be found in the team’s other papers, he says.
Gabriele Macho, a biological anthropologist at the University of Oxford, UK, agrees that the locomotion paper is light on solid data, but notes that the team acknowledges that it is a work in progress.
She looks forward to see more-detailed papers in the future. “The positive thing is this skeleton is tremendously important,” she says. “No question about it.”
Nature 564, 169-170 (2018)
doi: 10.1038/d41586-018-07651-z

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Archaeologists say human-evolution study used stolen bone

Bizarre tale of theft and suspicious packages casts doubt on claims for early-human occupation in northern Europe.
Updated:

Marc Steinmetz
The Untermassfeld site in Germany has yielded more than 14,000 large animal fossils dating from between 900,000 and 1.2 million years ago.

Serious concerns have surfaced about three research papers claiming evidence for one of the earliest human occupations of Europe.

In an extraordinary letter posted to the bioRxiv.org preprint server on 31 October1, archaeologists allege that the papers, published in 2013, 2016 and 2017, included material of questionable provenance, and that results reported in the 2016 paper were based on at least one stolen bone.

Editors at the journals concerned have now published expressions of concern about the papers.
There is no suggestion that the authors of those papers were involved in theft, but the researchers behind the letter say they are concerned that appropriate questions regarding the provenance of the material appear not to have been asked. They also reject the authors’ conclusion that a German site known for animal remains was also home to hominins, ancient relatives of humans, 1 million years ago. The authors have denied the allegations and say they stand by their conclusion.
The letter was initiated by archaeologist Wil Roebroeks at Leiden University in the Netherlands, and Ralf-Dietrich Kahlke, a palaeontologist and head of the Senckenberg Research Station of Quaternary Palaeontology in Weimar, Germany, who leads excavations at Untermassfeld, a fossil site about 150 kilometres northeast of Frankfurt. Their preprint describes repeated disappearances of bones from Untermassfeld, as well as fossils delivered in anonymous packages. The authors of the disputed papers insist, however, that they analysed independent collections of bones and stones, and reject the suggestion that any of it was stolen.

Untermassfeld, which has yielded more than 14,000 large animal fossils dating from between 900,000 and 1.2 million years ago, holds the most complete record of northern European wildlife from this time period. But since yearly excavations began in the late 1970s, no hominin bones or signs of occupation have been found, says Kahlke. Hominins first settled in southern Europe around 800,000 to 1 million years ago, most archaeologists agree, and expanded farther north only sporadically until around 500,000 years ago.

Uncertain origins

One of the first claims that hominins lived near Untermassfeld more than 1 million years ago appeared in a 2013 paper in the journal Quaternary International, which contended that rocks from the site resembled stone tools2. In a 2016 Journal of Human Evolution paper3, two of the original paper's authors, Günter Landeck at the North Hessian Society of Prehistory and Archeology of the Medieval in Bad Hersfeld, Germany, and Joan Garcia Garriga at the Universitat Oberta de Catalunya in Barcelona, concluded that marks on animal bones from Untermassfeld were made by humans. In 2017, Landeck and Garcia Garriga published further analysis of the bones in another Quaternary International paper4.

There is no suggestion that the other co-authors of the 2013 paper had any connection with the material from Untermassfeld. And after this article was published, Garcia Garriga contacted Nature to say that he, also, did not have connections with the material; he said that Landeck had done the analysis, while he himself helped in discussing data and writing up its archaeological implications.
In their papers, Landeck and Garcia Garriga attributed the material, along with hundreds of rock fragments of limestone and chert, to “the Schleusingen collection”, which they stated was recovered by a biology teacher in the late 1970s and early 1980s.

Kahlke says he is personally unaware of a Schleusingen collection and questions whether the material was collected at this time. Rocks like those described in the papers can be found in the vicinity of the site, but he says that animal fossils are concentrated in a small area that has been under excavation since 1978. No other research teams had permission to excavate the site during that time, Kahlke says. But he says that material was routinely stolen from the site — which he reported to the police, most recently in 2012 — until the site and fossil bed were better secured. There is no suggestion that Landeck and Garcia Garriga were involved in these thefts.
Ralf-Dietrich Kahlke
Researchers excavating at Untermassfeld allege that part of a deer bone protruding from the sediment on 28 May 2009 (in box, left) had disappeared several days later.

One fossil that Kahlke considers suspicious is a right limb-bone fragment from an extinct species of fallow deer, described in Landeck and Garcia Garriga’s 2016 Journal of Human Evolution paper. Kahlke says that the bone in the paper seems to match a piece of deer bone that thieves broke from a larger chunk of sediment at Untermassfeld, leaving part of the bone behind. The bone fragment is present in a photograph taken on 28 May 2009, and missing in a photograph taken several days later. A rhinoceros limb fragment that disappeared from the site in 2012 also closely resembles a fossil described in the 2016 paper, Kahlke says.

Case unsolved

Deepening the mystery, a deer bone fragment was among a jumble of bones and rocks in two packages sent anonymously to a museum near Untermassfeld in March 2014. Ralf Werneburg, a palaeontologist and director of the Natural History Museum Schloss Bertholdsburg in Schleusingen, Germany, recognized the material as originating from Untermassfeld and contacted Kahlke.
Ralf-Dietrich Kahlke
An anonymous package sent to a museum in Schleusingen contained a deer bone fragment (lower bone), which appears to match a fragment left behind (upper bone) after a theft from the Untermassfeld site in 2009. (The fragments are shown pieced together in the view on the far-right).

In Kahlke's opinion, the returned deer bone fragment is the one described in the 2016 paper, and matches up with the piece left behind after the 2009 theft. He says that the sixty-three other bone fragments in the packages also closely resemble some of the fossils described in the 2016 paper (the rhinoceros limb bone was not among them), and 11 rock fragments resemble artefacts in the 2013 Quaternary International paper.

Roebroeks and Kahlke’s team analysed the material in the returned packages, and concluded that it does not support a hominin occupation at Untermassfeld. They argue that the claimed cut-marks on the animal bones, including the deer bone, were probably caused by rodents or other natural wear, they say, and the rock fragments lack telltale marks typical of hominin tools. They say that it wasn't possible to analyse other material from Landeck and Garcia Garriga’s paper because its location is unclear.

Nature exchanged multiple e-mails with Landeck and Garcia Garriga about this mystery and asking for comment on the contents of this article. The researchers responded that most of the material they examined, including the deer bone fragment, was from two private collections amassed in the 1970s and early 1980s, and that much of it came from the same geological layer as Untermassfeld, but not within the site itself. They said that they presumed that some of this material was returned to the Natural History Museum Schloss Bertholdsburg in 2014 by the individual who had loaned it to them. They would not name the individual, but insisted: “We have nothing to do with a stolen bone. They added that they are planning to publish a detailed response to Roebroeks and Kahlke's allegations.
The regional prosecutor’s office in Meiningen that investigated the 2009 theft told Nature the case had been closed unsolved later that year. A 5-year statute of limitation prevents it from being reopened. The case involving the 2012 theft of the rhinoceros bone was reopened early this year after the Journal of Human Evolution paper was published. The prosecutor’s office said that an individual, whom it declined to name because of data protection laws, had been found guilty and fined.

Ongoing inquiry

Expressions of concern published on each of the three papers note that the location of the Untermassfeld material “was not stated accurately in the publication”, and that the authors have been unable to adequately clarify where it is now. Landeck and Garcia Garriga declined to comment to Nature on the specific details of the notes but said that they plan to publish a response.
Sarah Elton, an anthropologist at the University of Durham, UK, and an editor at the Journal of Human Evolution, says that an investigation into the accusations is ongoing. She adds that, as a result of the case, the journal now asks prospective authors to supply complete information about the location of material included in a study, as well as how it was accessed.

Other experts have been shocked by the revelations. “This paper should be retracted, of course,” says Jean-Jacques Hublin, an anthropologist and a director at the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology in Leipzig, Germany, about the 2016 paper. But the concerns go beyond questions of provenance. Hublin says that, like Roebroeks and Kahlke, he does not accept the claim that Untermassfeld contains signs of hominin presence, and he worries that its appearance in prominent journals will cause others to accept the idea, despite the lack of evidence for it.

The debate around Untermassfeld, Roebroeks and his colleagues say, underscores the importance of providing accurate descriptions of the provenance of published material, which is needed to verify claims. The desire to set the record straight about the arrival of hominins to Europe was the primary motivation for the team’s letter, he says. Based on his analysis, Roebroeks argues: “These bones and stones are not indicative of hominin presence.”
With additional reporting by Alison Abbott
Nature
551,
279–280
()
doi:10.1038/nature.2017.22984

Updates

Updated:
This article was updated on 13 November to note that expressions of concern have been published on all three papers, and to include a statement made after publication by Garcia Garriga: that he was not involved in analysing the material from Untermassfeld.

References

  1. Roebroeks, W., Gaudzinski-Windheuser, S., Baales, M. & Kahlke, R.-D. Preprint at bioRxiv https://www.biorxiv.org/content/early/2017/10/31/211268 (2017).
    Show context
  2. Garcia, J., Landeck, G., Martínez, K. & Carbonell, E. Quat. Int. 316, 7393 (2013).
    Show context
  3. Landeck, G. & Garriga, J. G. J. Hum. Evol. 94, 5371 (2016).
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  4. Landeck, G. & Garriga, J. G. Quat. Int. 436, 138161 (2017).
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O supermacaco das Américas

Paleontólogos reconstroem o estilo de vida versátil do Cartelles coimbrafilhoi, o maior símio que já habitou o continente 

IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 213 - Novembro de 2013

Há mais de 15 mil anos viveu onde hoje é o Brasil um macaco duas vezes maior que o muriqui, o maior macaco vivo no Novo Mundo. A prova da existência desse supermacaco das Américas é um esqueleto fóssil quase completo, descoberto em 1992 em uma caverna no município de Campo Formoso, no interior da Bahia. Descrito pelo paleontólogo Cástor Cartelle, hoje pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), o fóssil do supermacaco foi analisado em detalhes mais recentemente por Lauren Halenar e Alfred Rosenberger, paleontólogos da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY). Lauren e Rosenberger concluíram que a espécie, batizada este ano de Cartelles coimbrafilhoi, explorava o chão da floresta tão bem quanto um chimpanzé.

Ao mesmo tempo, apesar do tamanho avantajado, esse macacão podia escalar as árvores e se pendurar em seus galhos com a mesma habilidade, embora um pouco mais lentamente, que as espécies menores de sua família – a dos Atelidae, à qual pertencem o bugio, o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e o muriqui. “O Cartelles provavelmente não se movia ou se comportava como nenhuma espécie de macaco do Novo Mundo viva hoje”, diz Lauren.

O fóssil do Cartelles coimbrafilhoi, segundo os pesquisadores, é um dos mais importantes para reconstituir a história evolutiva, ainda pouco conhecida, dos macacos dessa região. A classificação desse fóssil em uma nova espécie – na verdade, gênero e espécie – eleva para quatro o número de espécies de macacos que viveram na América do Sul no final do Pleistoceno e hoje estão extintos. A descoberta de novos fósseis, como os encontrados nos últimos anos por Rosenberger e colaboradores em cavernas submersas da República Dominicana, deve ajudar a completar esse quadro, que ainda tem como peça importante o macaco achado em Campo Formoso em 1992.

Naquele ano, explorando um pequeno trecho da Toca da Boa Vista, que tem 110 quilômetros de extensão e é considerada a maior caverna do hemisfério Sul, uma equipe de espeleólogos encontrou um dos esqueletos e avisou ao grupo de Cartelle, que achou dois esqueletos fósseis de macacos bastante completos, com mais de 90% dos ossos preservados. Os animais devem ter vivido em campos e florestas ao redor da caverna em algum momento, entre 360 mil e 15 mil anos atrás, no final do período geológico chamado Pleistoceno. Logo após a morte dos bichos, suas carcaças devem ter sido levadas por fortes enxurradas para o interior da caverna, onde seus ossos foram preservados. “Encontrar um esqueleto quase completo de qualquer táxon [grupo de organismos] é muito raro”, Lauren comenta.

As primeiras descrições desses fósseis foram publicadas em 1996, em dois artigos científicos escritos por Cartelle e pelo paleontólogo norte-americano Walter Hartwig, da Universidade Touro, na Califórnia. O esqueleto detalhado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) não representou grande desafio. Estudos posteriores confirmaram que a espécie, chamada de Caipora bambuiorum, foi uma versão maior do atual macaco-aranha. Embora pesasse cerca de 20 quilos (o dobro de um macaco-aranha), o Caipora devia se mover de maneira muito parecida, sendo capaz de usar tanto braços e pernas quanto sua cauda preênsil para se deslocar com agilidade entre os galhos das árvores.
Mais enigmático era o outro esqueleto, descrito por Hartwig e Cartelle na Nature. Os pesquisadores concluíram que a hipótese mais provável era que se tratava de um segundo fóssil de uma espécie descoberta um século e meio antes em uma caverna no município de Lagoa Santa, Minas Gerais, a mais de 1.200 quilômetros da Toca da Boa Vista. Em Lagoa Santa, o paleontólogo dinamarquês Peter Lund encontrou em 1836 um fragmento de fêmur e um pedaço de osso do braço, que ele identificou como o primeiro fóssil de primata descoberto na história. O Protopithecus brasiliensis é mencionado por Charles Darwin em seu clássico de 1859, Sobre a origem das espécies, e as estimativas mais recentes sugerem que pesava até 24 quilos.

Cartelle conta, no entanto, que sempre desconfiou que era preciso confirmar se os dois fósseis eram mesmo do Protopithecus. Ele e Hartwig haviam comparado o esqueleto da Toca da Boa Vista com fotos dos fragmentos do Protopithecus brasiliensis, guardados no Museu de História Natural da Dinamarca. Os dois pesquisadores haviam notado pequenas diferenças entre os fósseis, mas as interpretaram como variação natural entre indivíduos da mesma espécie. “Pensava comigo que iria um dia à Dinamarca examinar melhor”, conta Cartelle, que ainda não teve a oportunidade de realizar a viagem.

O suposto Protopithecus da Toca da Boa Vista apresentava ainda uma combinação muito estranha de características para os pesquisadores. Em seu doutorado concluído em 2005, a bióloga Patrícia Guedes, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluiu que a dentição do fóssil, embora um pouco desgastada, reunia características de duas subfamílias dos Atelidae: a dos Alouattinae e a dos Atelinae. Ela observou ainda que a forma do crânio era semelhante à dos outros Alouattinae, subfamília a que pertencem os bugios, enquanto seus dentes pareciam mais com os da subfamília dos Atelinae, a mesma do macaco-aranha, do macaco-barrigudo e do muriqui. Outros estudos, tanto do crânio quanto do resto do corpo, também sugeriam que a espécie misturava características dessas duas subfamílias, separadas há mais de 12,9 milhões de anos.

Para tentar resolver essas contradições, Rosenberger propôs a Lauren, então sua estudante de doutorado, que dedicasse sua tese a esmiuçar completamente os fósseis do P. brasiliensis de Lagoa Santa e da Toca da Boa Vista. Durante algumas semanas em Copenhague e em Belo Horizonte, ela mediu as formas e as dimensões dos ossos fossilizados, para depois comparar com os ossos de centenas de indivíduos de várias espécies de macacos atuais do acervo do Museu Americano de História Natural, em Nova York. O objetivo era determinar onde os fósseis se encaixavam na árvore filogenética dos macacos e deduzir como eles se movimentavam, a partir da forma de seus ossos. “Inferimos a função dos elementos do esqueleto de espécies extintas ao comparar a forma de seus ossos com a dos ossos de espécies vivas”, Lauren explica.
“Lauren notou imediatamente que alguns dos ossos eram bem diferentes anatomicamente”, lembra Rosenberger. Em artigo publicado neste mês no Journal of Human Evolution, ele e Lauren estão propondo que cada um dos fósseis atribuídos ao Protopithecus brasiliensis pertence, na realidade, a uma espécie diferente.

O P. brasiliensis de Lagoa Santa, segundo os pesquisadores, devia ser um atelíneo. Embora seja difícil afirmar qualquer coisa mais detalhada a seu respeito a partir de dois fragmentos de ossos, Lauren supõe que a espécie fosse como um muriqui, mas duas vezes maior. Já o esqueleto da Toca da Boa Vista era da mesma subfamília dos bugios, mas pertencente a um gênero diferente. Sua espécie foi batizada de Cartelles coimbrafilhoi, em homenagem a Cartelle, que há 50 anos estuda os mamíferos do Pleistoceno brasileiro – pelo menos quatro espécies extintas levam seu nome –, e a Adelmar Coimbra-Filho, um dos pioneiros da primatologia brasileira, que atuou para salvar o mico-leão-dourado da extinção.
Lauren estima que o Cartelles coimbrafilhoi pesava entre 25 e 28 quilos, o que faz dele a maior das quatro espécies de grandes macacos que viveram na América pleistocênica. O C. coimbrafilhoi media 1,67 metro do topo da cabeça à ponta da cauda e a base de seu crânio e sua mandíbula lembram as do macaco-barrigudo. Mas o formato geral do crânio se parece com o de um bugio, inclusive com o mesmo grande espaço próximo à garganta, que abriga o aparelho vocal desses macacos capazes de emitir urros audíveis a até 5 quilômetros de distância. Lauren explica, no entanto, que não é possível saber se o C. coimbrafilhoi urrava tão ou mais forte do que os bugios, pois a potência do chamado desses macacos não se relaciona de maneira simples com seu tamanho – ela depende também dos hábitos sociais de cada espécie e do ambiente em que vive.

O restante do esqueleto lembra o de um macaco-aranha, só que mais robusto. O formato de seus ossos sugere uma musculatura bem desenvolvida, adaptada para escalar e se dependurar. Hartwig e Cartelle já haviam proposto que o animal devia se sentir em casa no topo das árvores. Mas, por conta de seu tamanho, alguns pesquisadores descartaram a ideia, sugerindo que a espécie vivesse apenas no chão. De modo geral, apenas as espécies menores costumam ter um estilo de vida arborícola, pois os animais grandes correm mais risco de quebrar um galho e cair. Mas nem sempre é o caso. “O peso da grande maioria dos macacos arborícolas do Velho Mundo está na casa dos 10 quilos”, explica o primatólogo Stephen Ferrari, da Universidade Federal de Sergipe. “Entretanto, o maior primata arborícola, o orangotango, pode chegar aos 100.”

Além de ser bem menor que um orangotango, o Cartelles coimbrafilhoi talvez contasse ainda com a ajuda de sua grossa e longa cauda para se agarrar aos galhos, embora ainda faltem estudos biomecânicos para confirmar se a sua cauda podia ser usada como um quinto membro preênsil, capaz de se pendurar em galhos e sustentar o peso inteiro do animal, como fazem várias espécies vivas da família dos Atelidae.
Em todo caso, os ossos também indicam que a espécie tinha hábitos terrestres bem desenvolvidos. “Parece provável que o comportamento do Cartelles era mais parecido com o dos chimpanzés atuais, que são trepadores habilidosos, mas passam a maior parte de seu tempo no chão”, sugere Ferrari.

Patrícia concorda, lembrando que mesmo bugios e muriquis, normalmente arborícolas, às vezes exploram o chão. Recentemente a equipe da primatóloga Karen Strier, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, registrou entre muriquis-do-norte vivendo em uma reserva particular protegida em Minas Gerais o desenvolvimento de hábitos terrestres. Em artigo publicado em 2012 na Plos One, Karen defende que a mudança de comportamento esteja ligada ao aumento da população, que passou de 60 para 300 indivíduos nos últimos 30 anos, e a falta de espaço para tantos macacos na reserva. Segundo a pesquisadora, ao aprender a explorar o chão, os muriquis encontraram mais comida e houve um aumento da taxa de natalidade, embora os animais também tenham se tornado mais vulneráveis ao ataque de predadores.
As quatro espécies extintas de macacos brasileiros – Cartelles coimbrafilhoi, Caipora bambuiorum, Protopithecus brasiliensis e Alouatta mauroi– conviveram com a megafauna, mamíferos de grande porte, como as preguiças-gigantes e os tigres-dente-de-sabre, que habitaram as Américas no Pleistoceno e podem ter sido extintos por causa das mudanças climáticas. “Espécies grandes de primatas são muito mais vulneráveis à extinção, não importa a causa”, Lauren explica.
Até o momento, não há como saber se alguma espécie de macaco atual descende da linhagem de algum desses grandalhões. “O trabalho de Lauren e Rosenberger chama atenção por mostrar a carência de dados disponíveis sobre a morfologia pós-craniana de primatas americanos”, comenta Patrícia. “Compreender a variação da morfologia dos platirrinos [grupo que inclui os macacos do Novo Mundo, com narinas distantes e voltadas para os lados] é muito importante para propor hipóteses de relacionamento entre eles e compreender a diversificação desses mamíferos na América do Sul.”

Um fim de ano bom

Equipe achou dois fósseis de primatas às vésperas do ano-novo
Ricardo Zorzetto

© ADRIANO GAMBARINI
O fotógrafo Adriano Gambarini registrou Cartelle (à esq.) e seus dois colaboradores durante coleta de fósseis em 1992 na  Toca da Boa Vista
O fotógrafo Adriano Gambarini registrou Cartelle (à esq.) e seus dois colaboradores durante coleta de fósseis em 1992 na Toca da Boa Vista

O ano de 1992 havia praticamente acabado quando Cástor Cartelle, paleontólogo especialista em preguiças extintas, fez uma das descobertas mais importantes da primatologia brasileira. Era 30 de dezembro e ele e dois colegas haviam caminhado duas horas por um labirinto de túneis, passagens estreitas e abismos para chegar ao salão da Toca da Boa Vista, onde estavam, lado a lado, os fósseis de duas das maiores espécies de macacos que viveram nas Américas no final do Pleistoceno. “Inicialmente pensei que fossem um macho e uma fêmea”, conta Cartelle, que mais tarde saberia que os fósseis pertenciam a espécies distintas, ainda não descritas.

Ele e seus colaboradores Mauro Ferreira e Rodrigo Lopes Ferreira não chegaram lá sozinhos. No dia anterior, quatro ou cinco integrantes do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, uma equipe grande que durante anos mapeou a Toca da Boa Vista, havia começado a explorar um trecho da caverna chamado “além mundo”, avistado os fósseis e levado uma amostra ao acampamento, uma escola em Laje dos Negros, distrito de Campo Formoso. “Alguém, não lembro quem, trouxe um crânio e nos mostrou”, conta Rodrigo, à época estudante de biologia na UFMG que trabalhava com Cartelle. “Vimos que era de um macaco e pedimos para nos levarem aonde o tinham encontrado.”
© ADRIANO GAMBARINI
Um dos salões da caverna
Um dos salões da caverna

No dia 30 de dezembro, ao deparar com os fósseis, os pesquisadores se surpreenderam. “Estava um a cinco metros do outro e o estado de conservação era impressionante”, recorda Rodrigo. Por mais de oito horas ele, Cartelle e Mauro esquadrinharam o chão do local coletando tudo o que encontravam do esqueleto dos macacos, depois descritos como Caipora bambuiorum e Protopithecus brasiliensis (este, rebatizado agora de Cartelles coimbrafilhoi), e de um fóssil de preguiça.  Réplicas dos esqueletos estarão expostas no Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, que reabre em dezembro, depois de um incêndio no ano passado.

Na época em que viveram os macacos a região de Campo Formoso abrigava uma floresta tropical úmida, resultado do encontro da vegetação do Atlântico com a da Amazônia. Com o fim da última era glacial, o clima da região se tornou semiárido. No dia da coleta, ao calor e à secura da região se somaram as altas temperaturas da caverna. “Passamos um dia na antessala do purgatório”, conta Cartelle, “nunca suei tanto”. Até ele, que não bebe, naquela tarde tomou um ou dois copos de cerveja para comemorar.

Artigo científico

HALENAR, L. B. e ROSENBERGER, A. L. A closer look at the “Protopithecus” fossil assemblages: new genus and species from Bahia, Brazil. Journal of Human Evolution. v. 65, n.4, p. 374-90. out. 2013.