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terça-feira, 31 de maio de 2022

 

Urca recebe cerca de mil fósseis repatriados da França

25 de maio de 2022 - 16:45

Ascom Urca

Um dia para ficar na história da paleontologia brasileira. Cerca de mil peças fósseis de raro valor científico e cultural foram repatriadas da França e entregues à Universidade Regional do Cariri do Cariri (Urca), nessa terça-feira (24), em cerimônia realizada pela aduana francesa na cidade portuária Le Havre.

São fósseis do período Cretáceo, com cerca de 145 a 65 milhões de anos. Eles foram retirados ilegalmente da bacia do Araripe. Uma comitiva da Urca está na França para receber oficialmente os fósseis apreendidos. Nesta quarta-feira (25), acontece reunião de trabalho nas dependências da Unesco, em Paris, com a equipe brasileira.

O evento marcou o desfecho do caso iniciado em 2013, quando os bens foram apreendidos por agentes franceses e o Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar a venda ilegal de fóssil pela internet. Urca, Polícia Federal, MPF, cientistas e pesquisadores estiveram reunidos para celebrar o momento de entrega das peças e preparação para o material ser remetido ao Brasil em cerca de 30 dias.

Foram catalogadas 998 peças, apreendidas pelas autoridades francesas. Ao ter contato com o material, pesquisadores da Urca ficaram emocionados com a importância dos fósseis, alguns em perfeito estado de conservação dos tecidos, além da relevância do momento representativo para a valorização do patrimônio fossilífero e combate ao tráfico de fósseis.

Comitiva brasileira

Da equipe brasileira estiveram presentes pela Universidade o reitor em Exercício, Carlos Kleber de Oliveira; o diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, professor Allysson Pinheiro; o pró-reitor de Pós Graduação e Pesquisa, Edson Martins; o diretor de Cultura do Geopark Araripe, professor Patrício Melo; e a paleontóloga do Museu de Paleontologia, Marianna Senna; além dos representantes do MPF e outras instituições.

“São fósseis que apreendidos através de uma operação conjunta, com a Justiça brasileira e a francesa, através do governo francês. A partir de agora, as peças serão catalogadas e estudadas pelos cientistas da universidade e na sequência vão para exposição no Museu de Paleontologia, em Santana do Cariri”, declarou Carlos Kleber de Oliveira.

Segundo o diretor do Museu de Paleontologia, é um momento único para o Cariri, o Geopark Araripe e o Brasil, receber material inestimável, fruto de um trabalho em equipe. “O patrimônio recuperado irá diretamente para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. Vamos receber esses fósseis, trabalhar cientificamente e apresentar todo para a sociedade civil, que a partir daí poderá desfrutar desse bem cultural”, disse o professor Alysson.

O acervo devolvido impressiona pela variedade de peças com fósseis de pterossauros, peixes, plantas, insetos, e outras espécies animais. Serão encaminhadas para o Brasil caixas contendo 345 pedras de animais fossilizados e 648 pequenos quadrados de animais e plantas em formato de fóssil, todos oriundos da Chapada do Araripe, no Cariri cearense.

O secretário de Cooperação Internacional do MPF, Hindemburgo Chateaubriand, destacou que, ao longo de quase uma década de investigação, diante da importância e da complexidade do caso, várias instituições e autoridades brasileiras e francesas se envolveram nas diligências para solucionar a questão. “Deixo aqui registrado o nosso agradecimento pelas contribuições de cada uma delas”, ressaltou Chateaubriand.

Todo o material passou por um inventário jurídico e detalhado do acervo, que antecedeu a cerimônia e contou com a presença de paleontólogos, professores universitários, além de outras autoridades francesas e brasileiras. Também compuseram a comitiva brasileira que acompanhou os trabalhos em Le Havre o ministro da Cidadania, Ronaldo Vieira Bento, o embaixador do Brasil em Paris, Luiz Fernando Serra, e a encarregada de negócios do Brasil perante a Unesco, Regiane de Melo.

Pedido de devolução: primeira decisão definitiva do Judiciário francês

Segundo o Ministério Público Federal, o pedido para devolução dos fósseis foi feito à França no fim de 2019 pelo procurador da República Rafael Ribeiro Rayol, por meio da Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal (SCI/MPF). A solicitação foi amparada por laudos paleontológicos que certificaram a origem brasileira dos fósseis. A sentença que determinou a repatriação foi proferida pela Corte de Apelação de Lyon em fevereiro de 2020. Trata-se da primeira decisão definitiva do Judiciário francês em relação a pedidos de repatriação de fósseis feitos pelo MPF ao país europeu.

Ainda conforme o MPF, há outros dois casos em tramitação que envolvem um esqueleto quase completo de pterossauro da espécie Anhanguera com quase 4 metros de envergadura e outros 45 fósseis, que incluem tartarugas marinhas, aracnídeos, peixes, répteis, insetos e plantas, alguns com milhões de anos. Esse material está avaliado em quase 600 mil euros (R$ 4 milhões, aproximadamente, pelo câmbio atual) – dada a raridade, o interesse científico e a qualidade de preservação.

No fim de 2019, o procurador e integrantes da SCI/MPF participaram de reuniões com autoridades do MP e do Judiciário da Alemanha, França, Itália e Suíça para discutir a repatriação de fósseis brasileiros enviados ilegalmente para diversos países do bloco europeu. São milhares de exemplares retirados sem autorização do território da Chapada do Araripe. Os encontros foram realizados na Holanda.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Exposição na USP apresenta fósseis raros do Nordeste do Brasil

A partir desta sexta-feira, Instituto de Geociências mostra um dos mais valiosos acervos paleontológicos do País
Por - Editorias: Cultura
 
Dezembro de 2017.

Fóssil exposto na mostra que será aberta nesta sexta-feira, dia 15, no Instituto de Geociências da USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Ao entrar no Instituto de Geociências (IGc) da USP, uma trilha de pegadas de dinossauro guia os visitantes ao Museu de Geociências, onde parte de um riquíssimo tesouro brasileiro fica exposta a partir desta sexta-feira, 15 de dezembro. Trata-se da exposição Fósseis do Araripe, composta de cerca de 50 peças de um acervo de 3 mil fósseis oriundos da região da Bacia do Araripe, que se estende pelos Estados do Piauí, Pernambuco e principalmente Ceará. A coleção permite vislumbrar a biodiversidade que habitava a região no período Cretáceo (entre 145 e 65 milhões de anos atrás) e reúne exemplares raros, como o único pterossauro da espécie Tapejara navigans completo do mundo.
Fósseis que seriam vendidos como contrabando foram apreendidos pela Polícia Federal  e entregues à USP por determinação judicial – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Os fósseis chegaram à USP em 2014, após uma ação da Polícia Federal (PF) batizada de Operação Munique, que apreendeu três caminhões que contrabandeavam o material para a Alemanha, Estados Unidos, países asiáticos e outros da Europa. Um dos caminhões se encontrava no Ceará, e sua carga foi enviada à Universidade Regional do Cariri. O restante da coleção, cerca de 3 mil itens interceptados em caminhões em Minas Gerais, no interior de São Paulo e na casa de um dos traficantes, em São Paulo, ficou sob custódia da PF na sede estadual. Posteriormente, a Justiça Federal determinou que a USP fosse a fiel depositária do acervo, com a responsabilidade de preservá-lo e colocar em prática o tripé da Universidade: pesquisa, ensino e extensão.

Fósseis habitavam a região Nordeste do Brasil entre 145 e 65 milhões de anos atrás – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Conforme conta a professora do IGc Juliana de Moraes Leme Basso, curadora da exposição, a PF encontrou o material em condições péssimas de armazenamento e conservação, e o enviou lacrado em caixas sem numeração para o instituto. Após um ano catalogando cada peça na coleção científica da USP, pela qual Juliana é responsável, foi possível abrir o acervo para pesquisa, e desde 2015, em virtude de sua abrangência, há pesquisadores de diversas áreas trabalhando com ele, de universidades como a Federal do ABC, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Federal de Pernambuco, além da própria USP.
A professora Juliana de Moraes Leme Basso, do Instituto de Geociências da USP, curadora da exposição – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Faltava apenas a questão da extensão, que se materializa agora com a exposição”, afirma a curadora. “Estamos inaugurando agora justamente para aproveitar o período de férias escolares, quando crianças e jovens poderão vir conhecer esse bem que nos foi entregue e que é um bem da União, de todos nós. Não fosse a ação da PF, hoje ele estaria fora do País, em museus do exterior ou, pior ainda, em coleções particulares. Isso seria terrível, porque privaria a sociedade do acesso e do estudo que pode ser feito sobre esse material tão rico, e que acabaria se tornando meramente um objeto decorativo único na sala de uma pessoa, para alimentar seu ego.” Fazendo referência ao trabalho da PF, há um mural na exposição com fotos do material apreendido e um texto que detalha as leis que enquadram o tráfico de fósseis como crime ambiental no País.

Tesouros à mostra

O ponto alto da exposição, segundo a professora, é o pterossauro Tapejara navigans. “Apesar de não ser uma espécie nova, é o único exemplar completo já encontrado no mundo. Isso permite que muitas dúvidas e detalhes sobre a morfologia do animal sejam respondidas, e não só questões da estrutura morfológica, que pode agora ser muito mais bem detalhada, mas também de paleoecologia. O modo de vida dessa espécie pode ter novas interpretações a partir de um fóssil bem preservado como esse, que tem até partes moles como a crista ainda intactas. Pode-se supor como ele vivia, do que se alimentava, qual era a sua relação com outras espécies de pterossauros”, explica.
A exposição Fósseis do Araripe, no Museu de Geociências do Instituto de Geociências da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Outro destaque é o Susisuchus anatoceps, um animal da ordem dos crocodilianos, cujo esqueleto em exposição é a junção de duas partes de indivíduos diferentes da espécie, formando o corpo completo. Trata-se apenas do segundo exemplar no mundo com o crânio inteiramente preservado.
Também muito raro é o peixe Oshunia brevis, do qual, até a chegada do material da Bacia do Araripe, só havia um fóssil na coleção de mais de 7 mil peixes que o Instituto de Geociências possui, o que, segundo a professora, dá ideia da dificuldade para se encontrar vestígios do animal. “Essa raridade dá muito valor ao fóssil, tanto no quesito científico, porque é possível estudar muito mais a fundo um animal nesse nível de preservação, quando no aspecto monetário, para os traficantes. O pterossauro, por exemplo, foi estimado em cerca de US$ 1 milhão”, ressalta Juliana.
Fóssil de um escorpião – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A professora afirma que as plantas fossilizadas à mostra também são especiais. “Todo esse material é do período Cretáceo, que foi quando surgiram as angiospermas, as plantas com flores, e temos aqui uma riqueza e diversidade muito grandes dessas plantas num período inicial da evolução delas. Para quem as estuda, é espetacular ter tamanha variedade tão bem preservada nesse estágio evolutivo.” Há ainda na exposição uma série de plantas aquáticas, samambaias, pinhas, insetos – como grilos, gafanhotos, baratas, cigarras, libélulas, moscas e  mosquitos – e aracnídeos, como aranhas e escorpiões.
 O peixe Oshunia brevis: raríssimo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Devido a essa variedade, a curadora da exposição contou com uma grande equipe para ajudá-la na montagem. Enquanto ela assina os textos que explicam o que são e como surgem os fósseis, os murais que trazem informações sobre cada grupo de fóssil foram escritos pelos pesquisadores que atualmente trabalham com o material. Eles informam sobre a geologia da região, sua localização, quando os fósseis se formaram e características e curiosidades específicas que os tornam especiais ou interessantes.
Fóssil de uma libélula – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Os pesquisadores também auxiliaram Juliana a selecionar as peças que seriam expostas. “Às vezes um fóssil tem imenso valor científico por trazer uma estrutura nunca descrita, por exemplo, mas não tem apelo visual. Uma criança, digamos, não vai querer ler os textos do mural, ela quer ver um fóssil bonito, fascinante, e fazer suas perguntas. Tivemos, então, essa preocupação de trazer as informações científicas corretas e com boas fontes, mas também de escolher peças que sejam visualmente atrativas para o público leigo. A exposição é para todo o público, não só para os acadêmicos. Queremos aproveitar o caráter público da Universidade para mostrar essa riqueza que o Brasil possui, e que muitos desconhecem, para a maior variedade de pessoas possível”, afirma a curadora.

Riquezas de outra era

Quem visita hoje a região da Bacia do Araripe jamais poderia imaginar a riqueza que já existiu ali – atualmente fossilizada sob a terra – entre 145 e 65 milhões de anos atrás, no período Cretáceo, último da Era Mesozoica. O que é hoje em dia parte do sertão nordestino, uma região de caatinga, já foi coberto de lagos e até pelo oceano, quando se deu a separação entre o continente africano e a América do Sul. Essas características, dentre outras, explicam por que se encontram tantos fósseis em elevado estado de preservação no local, de acordo com Juliana.
Fósseis de insetos também integram a exposição – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Por ter sido uma região lacustre (de lagos), a Bacia do Araripe era muito rica em vida, tanto de plantas e animais aquáticos como crocodiliformes, peixes e tartarugas, quanto de vegetação terrestre e seres alados, como os pterossauros. Provavelmente o clima era favorável também para essa abundância de seres vivos, o que atraía predadores grandes. Quando esses seres morriam, seus restos eram sedimentados no solo calcário do local, que é uma rocha que preserva muito bem os sedimentos. E o fato de tratar-se de um lago, com águas calmas, e não uma região marinha de água rasa, na qual ondas quebram e podem danificar os ossos, o ambiente era excelente para a preservação, assim como ocorreu depois que foi coberto pelo oceano.”
Fóssil de uma cigarra – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Para ajudar a visualizar essa Bacia do Araripe tão diferente da atual, será exposto um mural com desenhos de como era esse ambiente quando os fósseis à mostra ainda eram vivos, e será exibido também um vídeo produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sobre a região. Outras atrações previstas para a exposição são uma mesa interativa, na qual fósseis reais serão cobertos de areia para que as crianças possam encontrá-los, e mesas com desenhos dos fósseis para serem pintados.

Fóssil de uma barata – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Temos em alguns lugares do mundo, como o Canadá, a Alemanha e a China, regiões tidas como excelentes para a preservação. E temos isso no Brasil também, é disso que se trata a Bacia do Araripe, e é por isso que ela é tão visada: é um local cujo ambiente tinha as características ideais para a preservação de qualidade impressionante dos seres que viviam ali, e aqui temos uma mostra dessa qualidade e dessa diversidade”, conclui Juliana.

O pterossauro Tapejara navigans: o único exemplar completo já encontrado no mundo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A exposição Fósseis do Araripe abre na sexta-feira, 15 de dezembro, às 9 horas, e permanece no Museu de Geociências do Instituto de Geociências (IGc) da USP por um ano. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, com entrada gratuita. A exposição foi viabilizada por meio de um edital da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP. O endereço do IGc é Rua do Lago, 562, na Cidade Universitária, em São Paulo.

Veja abaixo uma parte do documentário Tesouros do Araripe, produzido por pesquisadores da UFPE e que será exibido na exposição, que mostra como era a região da Bacia do Araripe no período Cretáceo. As outras partes do documentário também estão disponíveis no Youtube.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Pesquisadores da UFPE identificam espécie inédita de pterossauro

Publicado em 02/10/2014, às 17h09 | Atualizado em 11/11/2014, às 13h01

O fóssil foi encontrado no Sítio São Gonçalo, no município de Santana do Cariri (CE) / Foto: divulgação UFPE O fóssil foi encontrado no Sítio São Gonçalo, no município de Santana do Cariri (CE) Foto: divulgação UFPE
Pesquisadores das Universidades Federal de Pernambuco (UFPE), Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Regional do Cariri (Urca) anunciaram nesta quinta-feira (2) a descoberta de uma espécie de pterossauro, encontrada em solo nordestino. O fóssil do Maaradactylus kellneri, que viveu há 111 milhões de anos, foi encontrado no Sítio São Gonçalo, no município de Santana do Cariri, no Ceará, distante 500 quilômetros da capital Fortaleza.

A apresentação da novidade aconteceu no Auditório Reitor João Alfredo, na Reitoria da UFPE, Campus Recife, onde foi exposto o crânio do animal, com dois fragmentos de dentes e a reconstrução em três dimensões do crânio e da mandíbula. A descoberta foi publicada na edição deste mês da revista científica neozelandesa Zootaxa.

Ilustração do pterossauro feita pelo paleoartista Maurílio Oliveira Ilustração do pterossauro feita pelo paleoartista Maurílio Oliveira Foto: divulgação
De acordo com as características físicas do dinossauro, acredita-se que o animal se alimentava de peixes. “A crista fina e os dentes à frente do crânio ajudavam a romper a superfície da água para pegar os peixes”, explicou a professora Juliana Sayão, do Centro Acadêmico de Vitória (CAV)/UFPE e do Programa de Pós-Graduação em Geociências do Centro de Tecnologia e Geociências (CTG), Campus Recife/UFPE.

A docente integra a equipe de pesquisa junto com os professores Gustavo Oliveira (Departamento de Biologia/UFRPE) e Antônio Álamo Saraiva (Laboratório de Paleontologia/Urca), além do doutorando em Geociências Renan Bantim (UFPE), que analisou o fóssil na sua pesquisa de dissertação do Mestrado em Geociências da UFPE, sob a orientação de Juliana Sayão. Esta é a primeira vez que uma espécie de pterossauro é descrita por um grupo de pesquisadores sediado no Nordeste do País.

O fóssil do crânio foi coletado, em 2010, sobre o solo, sem necessidade de escavação, um fato comum no Sítio São Gonçalo (o terreno é uma propriedade privada e pertence ao diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri/Urca, professor Plácido Cidade Nuvens). Na época, Renan Bantim era aluno de graduação do curso de Ciências Biológicas da Urca, então, o material foi guardado para estudo durante a pós-graduação dele, iniciada no ano seguinte, na UFPE.

A nova espécie de pterossauro é da Era Mesozoica, período Cretáceo, e viveu na região da Bacia Sedimentar do Araripe, localizada no sul do Ceará, alcançando os estados de Pernambuco e Piauí. Antes do Maaradactylus kellneri, a última identificação de uma nova espécie de pterossauro dentado (Anhangueridae) no local aconteceu em 2003.

O estudo de achados paleontológicos prossegue na Bacia Sedimentar do Araripe. Os professores Juliana Sayão e Gustavo Oliveira realizam duas excursões didáticas ao ano, cada um, com alunos de graduação e pós-graduação. Também são feitas coletas e escavações periódicas por grupos de pesquisadores no local.

O NOME - A origem do nome Maaradactylus remonta a uma lenda dos índios Cariri, que habitaram a região sul do Ceará. Os longos dentes do pterossauro fazem alusão à lenda de Maara, filha do chefe da tribo que, por um feitiço, foi transformada em um monstro com grandes dentes que atraía e abocanhava pescadores no rio. A terminação “dactylus” (do grego “dedo” – em alusão ao “dedo de voo”) é normalmente atribuída a animais desse gênero. Já kellneri homenageia o pesquisador Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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Pterossauro

É a 1ª vez que uma espécie de pterossauro é descrita por grupo de pesquisadores sediado no Nordeste
Crédito: UFPE

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

bacia do araripe

Encontrados198 fósseis do período jurássico no Cariri

21.12.2011


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FOTOS: YAÇANÃ NEPONUCENA
Paleontólogo Álamo Feitosa coordena as pesquisas na Bacia do Araripe
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A quantidade e a qualidade das peças superaram as expectativas dos pesquisadores. Ainda não havia registro de acervos fósseis do período jurássico no Cariri. Achados devem fortalecer o turismo científico na região
Material raro com cerca de 160 milhões de anos estão sendo achados nas escavações feitas em Missão Velha
Crato. Os 198 fósseis encontrados nas escavações em Missão Velha são realmente do período jurássico, com 160 milhões de anos, aproximadamente, segundo confirmam paleontólogos da Universidade Regional do Cariri (Urca). A pesquisa foi iniciada no último dia 9. Esta é a primeira vez que material fossilífero daquele período é encontrado na região. As peças medem de poucos centímetros até cerca de meio metro.

O material foi retirado do solo denominado de formação Brejo Santo. Embora existam poucos registros fossilíferos do jurássico, em todo o mundo, foram identificados, na região, muitos ossos desarticulados de celacantos - peixes com nadadeiras articuladas estão na linha evolutiva entre peixes e anfíbios. Vários ossos de outros peixes ainda não identificados e ossos que possivelmente foram de tartarugas também foram encontrados.

Etapas
O estudo está em sua terceira etapa. No momento, as escavações estão suspensas. Agora, estão sendo realizados os trabalhos de preparação dos fósseis em laboratório. Consiste na retirada dos ossos de dentro do pacote de sedimentos que os envolve. A próxima etapa, que os pesquisadores acreditam ser necessário um prazo de um ano de trabalho para sua conclusão, refere-se à fase de preparação, identificação das peças e montagem dos esqueletos dos animais.

Toda a pesquisa é coordenada pela Universidade Regional do Cariri, por meio do Laboratório de Paleontologia. Para evitar problemas ambientais, ao termino da etapa de escavações, foi reconstruída a área onde foram abertas as cavidades para retirada das peças. A quantidade e qualidade dos achados surpreendeu e superou as expectativas dos pesquisadores.

Antes, nunca haviam sido encontrados fósseis do período jurássico na região do Cariri. Embora estejam completos, os ossos estão desarticulados, ao contrário do que aconteceu com o acervo do período cretáceo, encontrado na Bacia do Araripe, onde todos os fósseis estavam articulados. As peças darão informações sobre a origem de muitas espécies hoje existentes.

Ao longo do processo de pesquisa, os paleontólogos irão descrever o material encontrado, para que, após a nomeação, as peças possam ser publicadas em revistas científicas internacionais. Todos os fósseis serão depositados no Museu de Paleontologia da Urca, no Município de Santana do Cariri.

De acordo com o professor e paleontólogo coordenador dos estudos, Álamo Feitosa, o sucesso da pesquisa irá aumentar a importância da Bacia do Araripe no cenário paleontológico nacional e mundial, o que poderá render bons frutos ao turismo científico da região.

"Eu espero que a gente tenha encontrado nesse material espécies novas, não descritas. Isso poderá se tornar mais um item de atração para o Geopark Araripe, que tem, entre outras atribuições, fortalecer o turismo científico", revela o professor.

O estudo tem o apoio do Instituto Nacional de Paleontologia do Semiárido e Geopark Araripe. As pesquisas são financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Na década de 70, o pesquisador Murilo Rodolfo de Lima já havia feito todo o levantamento palinológico da Bacia do Araripe. É através desse método de grãos de pólen e esporos fósseis, que melhor os pesquisadores se utilizam para fazer a datação de extratos geológicos. Na época, Murilo apontou a formação Brejo Santo como sendo de idade jurássica. Já nos anos 90, foram realizados trabalhos de mapeamento da Bacia do Araripe. Os estudos identificaram as várias áreas de ocorrência da formação Brejo Santo, na região.

Dinossauros
Mesmo já tendo sido confirmada a existência de fósseis do Jurássico na Bacia do Araripe, paleontólogos ainda não encontraram fósseis de dinossauros. Porém, eles acreditam que, como existem condições de fossilização de ossos de peixes e tartarugas, há possibilidades de ossos de dinossauros, tartarugas e crocodilos também serem encontrados no local.

Para localizá-los, os pesquisadores promoverão escavações que serão iniciadas após o período chuvoso de 2012. Durante as pesquisas, eles farão uma avaliação dos extratos geológicos, para aprofundar os estudos.

Mais informações
Escritório Geopark Araripe/ Universidade Regional do Cariri
Rua Teófilo Siqueira, 754, Centro
Município do Crato
Telefone: (88) 3102.1237

FIQUE POR DENTRO
Fases geológicas contam história da vida na Terra
O período jurássico faz parte da era mesozóica. Compreende-se entre os anos 200 e 145 milhões. Antes do jurássico, a era é composta pelos períodos triássico, entre 245 e 200 milhões de anos, e depois pelo período cretáceo, entre 145 e 65 milhões de anos. Este último teve inicio no final do permiano, quando 95% da vida na terra foi extinta pela erupção de um grande vulcão, localizado onde hoje é a Sibéria. Com o fim da era mesozóica, foi possível que os mamíferos e os vegetais com frutas se expandissem, o que deu início às bases para o aparecimento do homem no planeta Terra. O fim da era foi provocado quando um grande asteroide caiu na localidade que atualmente é a Península Yucatan, no México. O fato provocou a extinção de dinossauros, pterossauros e muitas espécies de plantas e animais marinhos.

YAÇANÃ NEPONUCENAREPÓRTER