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sexta-feira, 24 de março de 2023

 

Fóssil do estado da Califórnia - tigre dente de sabre (Smilodon californicus)

Em 1973, a legislatura do estado da Califórnia designou o tigre-dente-de-sabre (Smilodon californicus) como o fóssil do estado da Califórnia. Além do dinossauro de bico de pato, Augustynolophus morrisi foi designado como o dinossauro do estado da Califórnia em 2017.

A nomeação de um fóssil do estado da Califórnia em 1973 realmente causou alguma controvérsia, pois dois fósseis diferentes foram propostos e defendidos por políticos rivais. Um lado defendeu os trilobitas cujos restos são alguns dos fósseis mais antigos do estado, enquanto o outro lado fez lobby do tigre dente-de-sabre cujos fósseis foram encontrados nos poços de alcatrão de La Brea, em Los Angeles. Por fim, eles decidiram ir com o gato e seus dentes grandes, assustadores e parecidos com adagas.

Uma reconstrução artística de Smilodon Por Dantheman9758 Creative Commons License
Uma reconstrução artística de Smilodon Por Dantheman9758 Creative Commons License


Comumente conhecidos como tigres dente de sabre ou gatos dente de sabre, os Smilodons não estão realmente relacionados a gatos ou tigres modernos. Esses predadores ferozes viveram durante o Pleistoceno de cerca de 2,5 milhões a 11.700 anos atrás. Eles pesavam até 600 libras e tinham enormes caninos em forma de sabre de até 7 polegadas de comprimento que se estendiam além de sua mandíbula inferior. Eles teriam predado a megafauna da idade do gelo e foram extintos ao mesmo tempo que suas presas.

Esqueleto de Smilodon (Smilodon californicus) do La Brea Tar Pits em Los Angeles.  Foto de James St. John Licença Creative Commons
Esqueleto de Smilodon (Smilodon californicus) do La Brea Tar Pits em Los Angeles. Foto de James St. John Licença Creative Commons


Mais de 160.000 ossos fósseis de Smilodon foram recuperados do La Brea Tar Pits em Las Angeles, Califórnia. Esses poços de piche prenderam dezenas de milhares de animais, muitos dos quais teriam sido presas de Smilodon. Acredita-se que os Smilodons ficaram presos enquanto tentavam obter uma refeição fácil. De facto, cerca de 90% dos ossos escavados nos poços de alcatrão pertencem a predadores, pelo que são referidos como " armadilhas de predadores ".

Nota: O nome Smilodon californicus e Smilodon fatalis são sinônimos. Smilodon fatalis é mais popularmente usado, embora Smilodon californicus seja tecnicamente o nome correto.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019


Mauricio Antón

Tigres dentes-de-sabre tinham uma dieta surpreendente, fósseis revelam

Gatos com dentes de sabre: Está bem no nome deles. Esses antigos predadores distinguem-se por seus enormes dentes caninos feitos para rasgar suas presas. No entanto, novas pesquisas estão mudando nossa percepção do que estava no cardápio para esses grandes felinos, mais formalmente conhecido como Smilodon fatalis .  

Novos estudos de seus fósseis mostram que eles jantavam em criaturas que viviam na floresta como veados, em vez de em cavalos, bisontes e outros pastores que pastavam nas pastagens, informou a National Geographic . Os fósseis também revelam que os gatos com dentes de sabre podem ter tido dietas menos flexíveis do que os animais como os coiotes , segundo a Current Biology , o que pode explicar por que os coiotes ainda estão por aí e os gatos com dentes de sabre não.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

How the Smilodon Got Its Teeth

 
New research shows that the fearsome teeth of the saber-toothed cat Smilodon fatalis grew at a rate about double that of their living relatives, but still took years to fully emerge. The findings, published today in the journal PLOS ONE and based on a new technique that combines isotopic analysis and x-ray imaging, for the first time provide specific ages for developmental events in Smilodon, notably in their teeth.
Adult Saber Tooth
This fossilized jaw of an adult Smilodon fatalis shows the fully erupted canine.
© AMNH/J. Tseng
The study estimates that the eruption rate of S. fatalis’s permanent upper canines was 6 millimeters per month—double the growth rate of an African lion’s teeth. But the extinct cat’s dagger-like canines weren’t fully developed until about three years of age.
“For predators such as big cats, an important determinant of an individual’s full hunting ability is the time required to grow their weapons—their teeth,” said Z. Jack Tseng, a National Science Foundation and Frick Postdoctoral Fellow in the American Museum of Natural History’s Division of Paleontology and a coauthor on the new paper. “This is especially crucial for understanding sabertoothed predators such as Smilodon.”
Baby saber tooth:
The partial fossilized jaw of a baby Smilodon fatalis. One of its adult canines (inside, left) was erupting alongside the baby canine.
© AMNH/J. Tseng
Smilodon fatalis lived in North and South America until going extinct about 10,000 years ago. About the size of a modern tiger or lion but bulkier, the cats are famous for their protruding canines, which could grow to be 18 centimeters (about 7 inches) long. Although well-preserved fossils of these cats are available to researchers—including those in the Museum’s own collection—little is known about the absolute ages at which the animals reached key developmental stages.
Smilodon Family
Life reconstruction of a family group of Smilodon fatalis.
Illustration by and courtesy of Mauricio Antón, from his 2013 book Sabertooth.
By using the eruption rate to calibrate a previously published tooth-replacement sequence for the saber-toothed cat, the researchers calculated the timing of various growth events in months. The researchers say that the technique they demonstrate in the paper could be applied to a variety of extinct species to better understand the manner and rate at which other extinct animals grew.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tamanho não é documento

Espécie pré-histórica de dente-de-sabre foi um superpredador, mas sua mordida era tão fraca quanto a de um gato 

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 14:30 12 de julho de 2013
© CLAIRE HOUCK/WIKICOMMONS
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Crânio do Thylacosmilus atrox: seu enorme dente canino era maior que o de qualquer outra espécie dente-de-sabre

Um grupo de pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos deu um passo importante na compreensão do comportamento de caça do Thylacosmilus atrox, espécie pré-histórica de dente-de-sabre que habitou a América Latina, sobretudo a região da Argentina, há 3,5 milhões de anos. Com base em modelos computacionais tridimensionais, eles examinaram o desempenho biomecânico do animal ao atacar suas presas. Esses modelos foram digitalizados e, em seguida, submetidos a um software que simulou a força de sua mordida.

Os resultados foram comparados com os do Smilodon fatalis, o famoso e emblemático tigre-dente-de-sabre, extinto há 10 mil anos, e do leopardo que conhecemos hoje. Concluíram que a musculatura da mandíbula das duas espécies com dentes-de-sabre eram fracas quando comparadas à do leopardo, mas a do T. atrox surpreendeu. Apesar do tamanho – em torno de 1,5 metro e 100 quilogramas (kg) – e dos enormes dentes caninos superiores, sua mordida era tão ou mais fraca que a de um gato doméstico.
De acordo com o artigo, publicado na edição de junho da revista PloS One, isso era compensado, porém, pelos músculos de seu pescoço, responsáveis justamente pela movimentação de seus dentes gigantescos. “Os músculos da mandíbula do T. atrox eram constrangedores”, afirma Stephen Wroe, pesquisador da University of New South Wales, na Austrália, e autor principal do estudo. “Mas seu desempenho biomecânico durante as simulações sugere que ele, assim como o Smilodon fatalis, era bem adaptado às forças geradas pelos músculos de seu pescoço”.

Ele explica que seus enormes dentes, cujas raízes podiam se estender até a caixa craniana, eram frágeis. Por isso, o animal precisava abater suas presas rapidamente, de modo a não comprometer os caninos. Assim, o T. atrox tinha de imobilizá-las usando os antebraços. Em seguida, numa mistura de força e precisão, valia-se de sua poderosa musculatura e inseria os dentes na traqueia da vítima, atingindo suas artérias. “Presas de grande porte são perigosas, mesmo para superpredadores. Por isso, quanto mais depressa elas são abatidas, menores serão as chances de o predador se machucar ou de atrair a atenção de outros concorrentes”, disse o pesquisador.

Apesar da semelhança, o T. atrox não tem parentesco evolutivo com o Smilodon fatalis, o representante máximo dos mamíferos superpredadores. Na verdade, explica Wroe, o Smilodon é resultado de um de pelo menos cinco “experimentos” independentes registrados na história evolutiva dos dentes-de-sabre no decorrer da Era dos Mamíferos, que se estende por cerca de 65 milhões de anos.
“Essas duas espécies estão separadas por pelo menos 125 milhões de anos de evolução”, afirma Wroe. Trata-se de um caso clássico de convergência evolutiva, fenômeno em que duas ou mais espécies, independentemente, desenvolvem características semelhantes. “Sabe-se hoje que, do ponto de vista evolutivo, os T. atrox tem os marsupiais como parentes mais próximos”, explica.

Artigo científico

WROE, S., et al. Comparative Biomechanical Modeling of Metatherian and Placental Saber-Tooths: A Different Kind of Bite for an Extreme Pouched Predator. PloS One. v.8. jun. 2013.

domingo, 17 de junho de 2012

O MÚSCULO POR TRÁS DOS DENTES

sabertooth
Se você acha que um leão ou um tigre já metem medo hoje, imagine voltar no tempo alguns milhões de anos e dar de cara com o dono desse crânio aí de cima: um tigre-dente-de-sabre (Smilodon fatalis).

Ele tinha mais ou menos o tamanho de um tigre (o maior dos felinos atuais), podendo passar dos 3 metros de comprimento e dos 300 quilos de peso. Um predador pra presa nenhuma botar defeito. Imagine só!
O que mais impressiona nesse bicho, claro, são os dentes. Em especial, os gigantescos caninos superiores, que desciam do maxilar como duas adagas mortais, usadas para perfurar e rasgar o couro e a carne das presas. Mas não era só de dentes que se fazia esse “monstro” … Um estudo publicado esses dias na revista PLoS One revela que o dente-de-sabre tinha também “braços” (membros dianteiros) extremamente fortes, comparados aos dos felinos atuais (que já são bastante fortes para começo de conversa). Os cientistas deduziram isso comparando a anatomia dos ossos fossilizados do Smilodon com os de 28 espécies vivas de felinos.

Os resultados comprovam a tese de que o dente-de-sabre precisava derrubar suas presas e prendê-las ao chão antes de dar a mordida fatal. Isso porque seus caninos, por serem tão grandes e terem uma estrutura ovalada, podiam quebrar com mais facilidade do que os dentes menores e mais cilíndricos de outros gatos. Então não dava para sair mordendo qualquer bisão em movimento por aí, no meio de uma corrida….
Aliás, um estudo publicado em 2007 na revista PNAS revelou que a mordida de um dente-de-sabre tinha apenas 1/3 da força da mordida de um leão.  Como os dentes eram muito grandes, o Smilodon tinha que abrir a boca até 120 graus para conseguir morder alguma coisa, e isso enfraquecia sua mordida. Por isso é provável que, além de ter de derrubar a presa primeiro, a mordida fosse sempre dada no pescoço, onde havia menos risco de chocar “sabres” com osso.

Então os dentões impressionavam, mas tinham também os seus pontos fracos.
O Smilodon viveu de 2,5 milhões até 10 mil anos atrás.

Foi extinto, infelizmente, como tantos outros animais magníficos do Pleistoceno — muitos deles, suas presas. Felizmente temos os fósseis e os paleontólogos para nos contar um pouco da sua história.
Abraços a todos.