Mostrando postagens com marcador cádmio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cádmio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O que são metais pesados e por que fazem mal à saúde?

O adjetivo "pesado" é literal, resultado de esses materiais serem mais densos

o-que-sao-metais-pesados-e-por-que-fazem-mal-a-saude
Tríade inimiga Mercúrio, chumbo e cádmio são os metais mais perigosos

PULMÕES
Ficam inflamados em contato com o cádmio

FÍGADO E RINS
São os órgãos mais danificados pelo cádmio

MÃOS
Suas articulações – até as dos dedos e do pulso – ficam paralisadas por contaminação de chumbo

CÉREBRO
Ingerido em peixes contaminados, o mercúrio debilita as funções cerebrais. E o vapor do metal causa distúrbios psíquicos, como depressão

APARELHO DIGESTIVO
É atacado pelo chumbo e pelo cádmio

Males metálicos Metais pesados têm diferentes graus de toxicidadeAltamente tóxicos
Tóxicos, mas os riscos de contaminação se restringem a trabalhadores da indústria
Úteis para o organismo em pequenas quantidades, mas tóxicos em grandes quantidades
Não-tóxicos em pequenas quantidades, mas tóxicos em grandes quantidades

METAL – CÁDMIO (Cd)
DANOS AO ORGANISMO – Inflamação nos pulmões, problemas no fígado e nos rins
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Fumaça de cigarro e alimentos preparados em vasilhas feitas com esse metal

METAL – CHUMBO (Pb)
DANOS AO ORGANISMO – Dores abdominais, distúrbios na visão, paralisia nas mãos
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Tintas e alimentos contaminados por pesticidas à base do elemento

METAL – MERCÚRIO (Hg)
DANOS AO ORGANISMO – Perda da visão, debilitamento das funções cerebrais, coma
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Ingestão de peixes contaminados e o vapor do metal
METAL – CROMO* (Cr)

DANOS AO ORGANISMO – Úlceras, inflamação nasal, câncer de pulmão
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Contato com resíduos na indústria de curtição de couros
METAL – NÍQUEL (Ni)

DANOS AO ORGANISMO – Doenças respiratórias, alergias
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Exposição a vapores do metal em indústrias metalúrgicas

METAL – PLATINA (Pt)
DANOS AO ORGANISMO – Urticária, problemas respiratórios

FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Contato com resíduos em fábricas que industrializam o metal

METAL – PRATA (Ag)
DANOS AO ORGANISMO – Dores abdominais, vômito e diarréia
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Ingestão acidental em indústrias que trabalham com derivados do material

METAL – COBALTO (Co)
DANOS AO ORGANISMO – Problemas respiratórios, alergias
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Contato com a poeira do metal em indústrias

METAL – COBRE (Cu)
DANOS AO ORGANISMO – Febre, náuseas, diarréia
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Ingestão de água contaminada pelo metal presente em encanamentos

METAL – FERRO (Fe)
DANOS AO ORGANISMO – Vômitos, diarréias e problemas intestinais
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Transfusões de sangue, excesso de ferro na alimentação

METAL – MANGANÊS (Mn)
DANOS AO ORGANISMO – Distúrbios neurológicos, como Mal de Parkinson
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Inalação de poeira do material na indústria de mineração

METAL – ZINCO (Zn)
DANOS AO ORGANISMO – Tosse, febre, náusea, vômitos
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Contato com resíduos de indústrias metalúrgicas

METAL – ESTANHO (Sn)
DANOS AO ORGANISMO – Náusea, vômito e diarréia
FORMAS DE CONTAMINAÇÃO – Resíduos do metal em comidas enlatadas

* O Cr(III) – uma das formas do cromo – é essencial para o corpo humano. Mas, nessa forma de Cr(VI), é nocivo à saúde.

Metais Pesados

Existe um grupo de metais pesados mais conhecidos pela sua tendência de apresentar sérios problemas ambientais, como são o mercúrio (Hg), o chumbo (Pb), o cádmio (Cd) e o tálio (Tl), assim como o cobre (Cu), o zinco (Zn) e o cromo (Cr), entre outros.

O que são os Metais Pesados?

Existem várias formas de definir o termo “metal pesado”, sendo uma delas relativa ao peso atômico, que define um metal pesado como um elemento químico compreendido entre 63.55 (Cu) e 200.59 (Hg); a outra forma refere-se aos metais de densidade entre 4 g/cm³ até 7 g/cm³, existindo ainda outra classificação relativa ao número atômico.

Nem todos os metais de densidade alta são especialmente tóxicos em concentrações normais (sendo alguns deles necessários para o ser humano). No entanto, existe uma série de metais pesados mais conhecidos pela sua tendência de apresentar sérios problemas ambientais, como são o mercúrio (Hg), o chumbo (Pb), o cádmio (Cd) e o tálio (Tl), assim como o cobre (Cu), zinco (Zn) e o cromo (Cr). Às vezes fala-se de contaminação por metais pesados para outros elementos tóxicos ligeiros, como o berílio (Be), o alumínio (Al) ou um semimetal como o arsênico (As).

Como nos podem afetar os Metais Pesados?

A perigosidade dos metais pesados reside no facto de não ser possível serem degradados (nem química, nem biologicamente) e, além disso, tendem a bioacumular e a biomagnificar (o que significa que se acumulam nos organismos vivos alcançando concentrações maiores do que a que alcançam nos alimentos ou no meio ambiente, e que estas concentrações aumentam à medida que ascendemos na cadeia trófica), provocando efeitos tóxicos de caráter muito variado. No ser humano foi detectada uma infinidade de efeitos físicos (dores crônicas, problemas sanguíneos, etc.) e efeitos psíquicos (ansiedade, passividade, etc.).

As emissões de metais pesados associam-se a processos industriais como as grandes instalações de combustão, o emprego de combustíveis fósseis no transporte, as cimenteiras e as centrais de incineração de resíduos, entre outros.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O impacto de metais tóxicos na produtividade agrícola

01 de fevereiro de 2016


José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – A contaminação do solo e da água por metais tóxicos constitui um grave problema para a agricultura, prejudicando os produtores, com a perda de produtividade das plantas afetadas; e os consumidores, com efeitos danosos que o consumo dessas plantas pode acarretar para a saúde.
As várias facetas do problema foram estudadas em profundidade pelo projeto temático “Estresse oxidativo induzido por metais: novas abordagens”. Desenvolvida ao longo de cinco anos, de 2010 a 2015, a pesquisa teve o apoio da FAPESP.
“Os dois metais que estudamos foram o alumínio e o cádmio. E a planta eleita para a nossa investigação foi o tomateiro”, disse à Agência FAPESP o pesquisador responsável pelo projeto, Ricardo Antunes de Azevedo, professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).
“Diferentemente do que ocorre com o zinco, o níquel e outros metais, o alumínio e o cádmio não são utilizados pelos seres vivos como nutrientes”, afirmou o pesquisador. “Ao contrário, sua toxicidade prejudica as plantas de várias maneiras – por exemplo, inibindo o desenvolvimento radicular e, assim, rebaixando a absorção de água e nutrientes pelas raízes. As consequências podem ir da diminuição da produtividade da lavoura até a morte das plantas.”
A grande quantidade de alumínio é uma característica natural da crosta terrestre. Ele é, de fato, o elemento metálico mais abundante da crosta. Como a hidrólise do alumínio produz íons de hidrogênio, a forte presença desse metal constitui um dos principais fatores de acidificação do solo. “Em pH neutro, o alumínio é geralmente inofensivo, mas, em solos ácidos, pode ter um impacto muito negativo no desenvolvimento das plantas”, informou Azevedo.

O cádmio também é encontrado, porém, em quantidade muito menor. Nesse caso, sua presença se deve principalmente à poluição ambiental decorrente de fatores antrópicos, como, por exemplo, a mineração desse metal e a fabricação e descarte de produtos derivados, como pilhas de níquel-cádmio, pigmentos etc.
“O grande problema em relação ao cádmio, que pode estar presente no solo ou na água de irrigação, decorre do fato de que ele é facilmente absorvido e acumulado pela planta mesmo quando em concentrações muito baixas no ambiente. E, se essa planta vier a ser utilizada por animais ou seres humanos, o metal tóxico poderá eventualmente chegar ao organismo do consumidor”, informou o pesquisador.
Um aspecto muitas vezes negligenciado da questão e apontado pelo estudioso é que a contaminação por cádmio pode ocorrer mesmo quando a planta não é diretamente ingerida. É o caso, por exemplo, do tabaco. As folhas da planta acumulam cádmio e, durante a queima, o metal é eventualmente transferido ao consumidor por meio do sistema respiratório. Pesquisas demonstraram que a concentração de cádmio tende a ser maior em fumantes do que em não fumantes.

Produtividade da lavoura

Além dos danos potenciais à saúde dos consumidores, a contaminação por cádmio pode comprometer também a produtividade da lavoura, devido principalmente ao estresse causado nas plantas. “As plantas sofrem dois tipos de estresses: abióticos, provocados por metais, falta de água, excesso de temperatura etc.; e bióticos, provocados por patógenos. Faz parte do metabolismo celular normal a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). Mas há um mecanismo de autorregulação que mantém essa produção abaixo do patamar crítico. Em situação de estresse, porém, ocorre um desbalanceamento e a produção de EROs torna-se muito maior. Dependendo do nível, isso pode levar até mesmo à morte da planta” explicou Azevedo.

A pesquisa abordou a questão por vários ângulos. Especialmente interessante foi o estudo feito com a técnica de enxertia. “Trata-se de uma técnica bastante antiga e muito disseminada na agricultura. Utilizamos a enxertia para entender como uma parte da planta, contaminada por cádmio, sinaliza para a outra parte, não contaminada, que está sendo estressada”, disse o pesquisador.
Na enxertia, o porta-enxerto é constituído pela raiz e base do caule; a ele é acoplado o enxerto, composto pela parte aérea da planta. O procedimento adotado no estudo foi cultivar plantas em presença do metal e plantas sem presença do metal e, depois, fazer a enxertia recíproca. “Em outras palavras, trocamos as partes de cima das plantas, conectando ao porta-enxerto contaminado o enxerto não contaminado e ao porta-enxerto não contaminado o enxerto contaminado. A ideia é simples, mas sua realização prática exigiu um grande número de controles, pois o próprio processo da enxertia já constitui um estresse para a planta, mesmo que temporário”, afirmou Azevedo.

O resultado foi publicado no artigo “Cadmium stress antioxidant responses and root-to-shoot communication in grafted tomato plants”, na revista Biometals .
A conclusão foi que ocorre a sinalização do estresse tanto em um sentido como no outro. Não apenas o metal da raiz é transportado para a parte aérea (o que era de esperar, apesar da quantidade transportada variar), mas também o metal da parte aérea é transportado para a raiz (e este não era um resultado intuitivo).

Outro tópico importante explorado pela pesquisa foi a genotoxicidade. No caso específico, tratou-se de investigar o efeito do metal tóxico na estrutura dos ácidos nucleicos da planta. Isto é, se o cádmio se ligava ou não ao DNA, e, caso a resposta fosse positiva, que consequências resultariam disso. “Verificamos que, sim, o cádmio altera bastante a taxa de divisão celular e provoca uma série de aberrações cromossômicas. Entre elas, a formação de quebras e pontes cromossômicas durante a mitose – o processo de divisão celular. Isso ocorre mesmo em concentrações muito baixas do metal. Estas não provocam nenhuma manifestação visível de que a planta esteja estressada. Mas as alterações intracelulares são muito expressivas”, declarou o pesquisador.
As consequências do efeito dos metais dependem de uma série de variáveis. Uma delas é o tipo de cultivar exposto ao metal. Há cultivares mais tolerantes e cultivares menos tolerantes. Ou seja, existe uma diversidade de mecanismos envolvidos, que podem modificar a taxa de absorção do cádmio pela planta ou reduzir o efeito do metal uma vez absorvido. Por isso, o projeto também envolveu a mutagênese e a seleção de mutantes mais tolerantes. Para o produtor, a compreensão de tais mecanismos possibilita que estes sejam explorados em programas de melhoramento, com vistas a obter plantas mais resistentes. Mas, para o consumidor, o consumo de uma planta mais resistente pode até mesmo significar, eventualmente, a absorção ainda maior do metal tóxico.

“Para um consumo totalmente seguro, seria preciso saber se o solo ou água utilizados no cultivo estavam ou não contaminados, e, estando, em que parte da planta se acumulou o metal, se naquela que será consumida ou naquela que será descartada. Há uma grande quantidade de fatores, o que torna o estudo bastante complexo”, ponderou Azevedo.

Por isso, outra vertente do projeto temático foi exatamente estudar o processo de fitorremediação, isto é, de recuperação de solos contaminados mediante o plantio de espécies vegetais altamente resistentes capazes de absorver e, assim, retirar os metais pesados do ambiente. São plantas como a Dolichos lablab, que acumulam grande quantidade de cádmio sem ter seu desenvolvimento afetado, podendo ser utilizadas como fitoestabilizadoras de cádmio.

Artigo a respeito foi submetido para publicação no Journal of Soils and Sediments e encontra-se atualmente no prelo: “Physiological and biochemical responses of Dolichos lablab L. to cadmium support its potential as a cadmium phytoremediator”.

No total, o projeto temático já ensejou mais de 50 artigos em publicações especializadas e há vários outros em processo de elaboração. Toda a experimentação foi realizada em estufa, em plantios no solo ou em sistema hidropônico. O tomateiro foi escolhido por ser uma planta-modelo em genética, com grande quantidade de cultivares e grande quantidade de mutantes. Além disso, uma das cultivares dessa espécie, a Micro-Tom (tomate-cereja miniatura), que produz uma planta de pequeno porte e frutos pequenos, tem um ciclo de vida muito curto, ao redor de 90 dias, o que constitui uma grande vantagem para a prática experimental. Finalmente, o tomate é um produto economicamente importante, consumido em larga escala no mundo inteiro, tanto in natura como por meio de derivados.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pesquisa analisa metais tóxicos encontrados em caranguejos

13/05/2014
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – Um trabalho de pesquisa feito no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB/USP) levantou dados importantes sobre contaminação ambiental ao trabalhar com o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), um crustáceo de mangue presente no litoral do Estado de São Paulo.


Estudo feito com crustáceos de mangue no litoral paulista revela detalhes de contaminação e abre espaço para novas ações de controle ambiental (divulgação)

Coordenado pela pesquisadora Flavia Pinheiro Zanotto, do Departamento de Fisiologia do IB/USP, o projeto “Caracterização do transporte de cádmio em interação com o cálcio em células epiteliais de Ucides cordatus, um caranguejo de mangue” recebeu apoio FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e revelou dados importantes sobre a contaminação desses animais e do ambiente.

A pesquisa se concentrou na análise de traços de cádmio encontrados nesses animais. “Os animais, de maneira geral, não usam esse metal para nenhuma função biológica; por isso, gostaríamos de saber como o cádmio entra na célula sem que exista um transportador específico para introduzi-lo”, disse Zanotto.
A resposta, segundo ela, é que esse metal se utiliza dos transportadores do cálcio para penetrar na estrutura celular. Ambos os elementos, o cádmio e o cálcio, possuem raios iônicos parecidos e são divalentes, o que os torna competidores de certos transportadores de membrana quando estão juntos, e que pode ser extrapolado quando estão presentes no ambiente.

As análises feitas, no entanto, mostraram que, quando colocados simultaneamente em contato com o animal, cálcio e cádmio não competiam para entrar na célula, mas, ao se ministrar um inibidor de cálcio, a absorção de cádmio era reduzida.
“Isso abre espaço para novas ações de controle ambiental como, por exemplo, introduzir no ambiente íons inofensivos que tenham prioridade de transporte em relação ao cádmio, fazendo com que sejam absorvidos no lugar do metal tóxico”, disse Zanotto.
Segundo ela, em ambientes ricos em cálcio, por exemplo, os animais estarão menos suscetíveis à absorção de metais como cobre, zinco e o próprio cádmio.
O cálcio é elemento essencial para o animal. Já o cádmio é um metal potencialmente tóxico encontrado em baterias e um contaminante ambiental. Em trabalhos anteriores, Zanotto já havia detectado a presença de metais tóxicos em manguezais do litoral de São Paulo, tanto nos animais como em plantas que lhes serviam de alimentos.

“A quantidade detectada estava dentro dos limites da legislação brasileira, com exceção do cromo”, disse Zanotto, baseando-se em resultados de outro trabalho desenvolvido em parceria com o pesquisador Marcelo Antônio Amaro Pinheiro, do campus de São Vicente da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Mais cádmio nas células

A outra pesquisa consistiu em coletar animais de mangues do litoral sul de São Paulo e analisar células dos chamados epitélios de troca, como brânquias, hepatopâncreas e glândula antenal, estrutura análoga ao rim humano. Esses locais regulam a passagem de íons do meio externo, por isso são especialmente interessantes para a pesquisa.
Para se medir a quantidade de cádmio foi utilizado um marcador fluorescente sensível a esse metal. O marcador penetra na célula e se liga ao metal gerando fluorescência. Caso a célula receba mais cádmio o marcador aumenta a fluorescência, detectada com precisão por meio de um equipamento de leitura para esse tipo de luz.
Ao comparar os animais coletados em regiões diferentes, os pesquisadores descobriram que caranguejos de Itanhaém tinham mais facilidade de adquirir cádmio, por ser esta a região com maior índice de contaminação do metal, o que deixava os animais ainda mais suscetíveis a ele, em comparação aos animais coletados na região da Jureia, onde há menor concentração desse contaminante.
“Isso significa que, quanto mais cádmio existir dentro de suas células, menos o animal consegue lidar com o metal e mais suscetível ele será para o contaminante. Ou seja, entra mais cádmio nas células do animal que habita uma região já contaminada”, disse Zanotto.
Contudo, o caranguejo U.cordatus não se mostrou um bom marcador de contaminação ambiental. Zanotto explica que, por esse animal ter uma vida relativamente longa – dez anos em média – seria de se esperar que ele portasse um histórico da contaminação do ambiente.

“No entanto, ele consegue eliminar o metal com relativo sucesso. Boa parte dele se concentra na carapaça, por exemplo, que é trocada periodicamente, por isso, ele não reflete com fidelidade a contaminação ambiental”, disse. Essa característica é mais comum em animais filtradores, como ostras e mexilhões, que acumulam o que está no ambiente.

A pesquisa gerou o capítulo Cellular Cadmium Transport in Gills and Hepatopancreas of Ucides cordatus, a Mangrove Crab publicado no livro Crabs: Anatomy, Habitat and Ecological Significance. (ed. Kumiko Saruwatari and Miharu Nishimura. Hauppauge NY: Nova Science Publishers, p. 107-122).
O trabalho também embasou a dissertação de mestrado “Transporte de cádmio em células branquiais do caranguejo de mangue Ucides cordatus”, de Priscila Ortega, apresentada em 2012 no IB/USP.
“Entre as maiores contribuições desse projeto estão o papel do cálcio como protetor para evitar absorção de metais tóxicos e o efeito cumulativo do cádmio que se acentua quanto mais tempo o animal for exposto ao contaminante”, disse Zanotto.

“Como esses caranguejos são consumidos pelo homem, torna-se extremamente importante saber o nível de contaminação em que se encontram”, comentou.

Recentemente, a pesquisadora também publicou o artigo Characterization of copper transport in gill cells of a mangrove crab Ucides cordatus no periódico Aquatic Toxicology, fruto de outra pesquisa, mostrando como outro metal tóxico, cobre, entra pelas brânquias de caranguejos nos manguezais de São Paulo. Como o cádmio, o cobre também interage com o cálcio nas células das brânquias. O artigo pode ser lido em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166445X13002877