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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Fóssil de caranguejo “ornitorrinco” intriga cientistas

Estranha combinação de características do fóssil indica todo um novo ramo da vida dos artrópodes marinhos
Callichimaera perplexa: o mais antigo caranguejo da era dos dinossauros (Daniel Ocampo R., Vencejo Films)

A quimera era um monstro da mitologia grega com cabeça de leão, corpo de bode e cauda de cobra. Isso foi o que veio à mente quando os paleontólogos da Universidade de Alberta descobriram uma nova – e bizarra – espécie de fósseis de caranguejos de 90-95 milhões de anos com características de muitos artrópodes marinhos diferentes.

“Começamos a olhar para esses fósseis e descobrimos que eles tinham o que parecia ser os olhos de uma larva, a boca de um camarão, garras de um sapo e a carapaça de uma lagosta”, disse Javier Luque, autor do estudo e paleontólogo no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Alberta e na Universidade de Yale. “Temos uma ideia de como é um caranguejo típico – e esses novos fósseis quebram todas essas regras.”

Mas embora o caranguejo incomum pareça ter características de muitas famílias diferentes, os paleontólogos descobriram que na verdade se trata de um novo ramo incomum na árvore da vida dos crustáceos – não muito diferente de um ornitorrinco do mundo dos caranguejos, explicou Luque.

A descoberta está nos detalhes

Os caranguejos fossilizados, recuperados na Colômbia, viveram em um mar raso durante o período Cretáceo. Os pesquisadores recuperaram mais de 70 dos espécimes em argila macia, junto com centenas de outros crustáceos como camarões e lagostas.

Embora os fósseis não sejam maiores que uma moeda, Luque explica que seu grau excepcional de preservação permitiu que os pesquisadores escolhessem detalhes – como pernas e olhos grandes, sugerindo que os caranguejos passavam a vida nadando, em vez de rastejar como a maioria dos caranguejos.
“Encontramos dezenas de animais, de pequenos espécimes de bebês a indivíduos maduros nos quais encontramos órgãos reprodutivos – uma arma fumegante que prova que eram organismos adultos e não larvas. Podemos até ver facetas individuais nos grandes olhos compostos dessas criaturas” disse Luque. “É uma quantidade incrível de detalhes, e nós conseguimos reconstruí-los como se eles estivessem vivendo ontem”.

Esse incrível grau de detalhe permitiu que os pesquisadores criassem um modelo 3D detalhado pronto para impressora 3D.

“É comum encontrar novas formas corporais em rochas mais antigas, por exemplo, do Paleozóico, quando a vida estava explodindo em muitas novas formas”, disse Luque. “Esta descoberta, do meio do Cretáceo, ilustra que ainda existem descobertas surpreendentes de organismos mais recentes e estranhos à espera de ser encontrados, especialmente nos trópicos. Faz você pensar ‘o que mais está lá fora para descobrirmos?’ “

A pesquisa foi conduzida com o apoio do Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia do Canadá (NSERC), do Killam Trusts, do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian (STRI), do Serviço Geológico Colombiano, da Associação Colombiana de Geólogos e Geofísicos do Petróleo e do ARES Corporação Geológica.
O artigo “Conservação excepcional de artrópodes marinhos do Cretáceo Médio e a evolução de novas formas via heterocronia” foi publicado na Science Advances.

UNIVERSIDADE DE ALBERTA

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Investigação pode ajudar a salvar espécie de caranguejo em extinção


Qua, 31 de Janeiro de 2018
Cardisoma guanhumi no mangue em Itamaracá - PE (Foto: arquivo pessoal Denise Moraes)O Brasil é um país que apresenta variedade incalculável de categorias em sua fauna e flora. Talvez por isso seja tão difícil catalogar informações suficientes de todas as classes, como é o caso da espécie de caranguejo Cardisoma guanhumi. “Apesar de ele ser fonte de subsistência para muitas famílias brasileiras, faltam dados sobre sua biologia, aspectos populacionais e mortalidade”, conta o pesquisador Ralf Schwamborn, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Schwamborn e a cientista Denise Moraes-Costa, também da UFPE, são autores de um estudo sobre o assunto recém-publicado pela revista científica Helgoland Marine Research. O artigo Site fidelity and population structure of blue land crabs (Cardisoma guanhumi Latreille, 1825) in a restricted-access mangrove area, analyzed using PIT tags está disponível* em texto completo para os usuários do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Cardisoma guanhumi no mangue em Itamaracá - PE (Foto: arquivo pessoal Denise Moraes)“No momento, o status do C. guanhumi junto ao Ministério do Meio Ambiente é ‘criticamente em perigo de extinção’, o que mostra que é extremamente vulnerável. Mesmo assim, continuam as buscas para comercialização. Essas capturas são o sustento de inúmeras famílias de pescadores artesanais, o que torna o assunto bastante complexo e controverso”, explica Schwamborn. “Entender os padrões de deslocamento e as variações sazonais da espécie contribui fortemente para o manejo adequado e a conservação”, avalia.

O trabalho foi realizado em uma área preservada de manguezal, inserida no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA/ICMBio), em Itamaracá (Pernambuco). De acordo com Schwamborn, na área de estudo foi estimada a média do tamanho da população da área de coleta – cerca de 1312 indivíduos – através dos dados de 291 indivíduos de C. guanhumi marcados com o Passive Integrated Transponder (PIT). Cabe destacar que este foi o primeiro estudo a utilizar o método de marcação com o PIT para mostrar mudanças sazonais no comportamento da espécie.

O pesquisador Ralf Schwamborn, da UFPE, é um dos autores do trabalho (Foto: acervo pessoal)Os indivíduos estudados apresentaram em média largura da carapaça de 43,5 mm, bem abaixo do permitido para captura no Nordeste do Brasil, que é de 60,0 mm. “Foi observado em 77% dos indivíduos recapturados um comportamento de fidelidade à sua área de origem (local onde foram capturados pela primeira vez desde o início do estudo), mesmo que fossem soltos em áreas distantes”, conta. Manter-se fiel ao sítio pode ser uma estratégia para evitar predação natural e proteger suas tocas ou pode estar relacionado ao ciclo de reprodução. “Na prática, essa população poderia ser despescada em poucos dias se não estivesse em uma área fechada e protegida”, pontua o especialista.

A cientista Denise Moraes, da UFPE, também é responsável pelo estudo sobre o C. guanhumi (Foto: acervo pessoal)Os machos demostraram ser mais ativos, enquanto as fêmeas apresentaram em média 96% de fidelidade à sua área. “Talvez os indivíduos machos se desloquem explorando novas áreas ou buscando as fêmeas. Neste estudo, pela primeira vez foram observadas migrações sazonais devido ao método utilizado de marcação e recaptura. O padrão sazonal observado em outubro como o de menor fidelidade à área pode estar relacionado com o início do período reprodutivo e as buscas por parceiros”, explica Schwamborn. Por esse motivo, o estudo sugere que a proibição da captura, ou seja, o período de defeso, tenha início no mês de outubro e não em dezembro, como exige a legislação atual, o que aumentaria a proteção da espécie.

Legislação brasileira
No Brasil, segundo Ralf Schwamborn, a legislação vigente indica o tamanho apropriado para a captura dos indivíduos machos de C. guanhumi em cada estado. A Instrução Normativa nº 90 de 02/02/06 estabeleceu para o estado de Pernambuco capturas de indivíduos a partir de 60,0 mm de largura do cefalotórax/carapaça, excluindo-se os meses de dezembro a março devido ao período reprodutivo da espécie. Desde 2002, foi proibida a captura das fêmeas nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Em dezembro de 2014, o Ministério do Meio Ambiente, através da portaria nº 445, publicou a “Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos”. As espécies constantes na lista foram categorizadas e as medidas de proteção foram deliberadas. “O C. guanhumi foi classificado como criticamente em perigo de extinção e ficou protegido de modo integral, incluindo, entre outras medidas, a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização”, detalha o pesquisador.

Mas o documento já foi substituído pelas portarias 98/2015, 163/2015 e 161/2017, sendo que esta última informa que as restrições previstas no art. 2º da portaria 445/2014 entrarão em vigor em 30 de abril de 2018. “Até lá, as capturas e a comercialização devem seguir as normas vigentes de ordenamento. Os estoques deverão ser declarados até 5 de maio de 2018 e comercializados até 30 de junho de 2018”, explica. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a prorrogação das medidas de manejo publicadas na portaria 445/2014 devem ser estabelecidas de forma mais estruturada para um manejo adequado.

Portal de Periódicos como principal ferramenta de pesquisa
Ralf e Denise são usuários da biblioteca virtual da CAPES e afirmam que utilizam com frequência o acervo para compor suas pesquisas. “O Portal de Periódicos da CAPES é um importante instrumento para a ciência no Brasil. A gama de excelentes artigos científicos dispostos de forma clara e de fácil acesso são fundamentais para a contribuição que o Portal nos oferece. Em nossa área de atuação, estamos satisfeitos com o Portal de Periódicos e esperamos que a qualidade dos materiais disponíveis se mantenha”, reconhece Schwamborn.

A revista científica Helgoland Marine Research pode ser localizada por meio do link buscar periódico do Portal.

*Verifique o conteúdo do Portal de Periódicos disponível para sua instituição

O Portal de Periódicos da CAPES autoriza a reprodução parcial ou total de suas notícias desde que seja citada a fonte

Alice Oliveira dos Santos

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Por que o caranguejo anda de lado?

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tauana Marin
DIário do Grande ABC




Os caranguejos andam, principalmente, de lado, porque é desta forma que conseguem se movimentar mais rápido, gastando menos energia. No entanto, o que muitos não sabem é que eles também podem se deslocar para frente e para trás, caso seja necessário.

Eles possuem dez patas, duas delas com finalidade de agarrar o alimento e, as demais, utilizadas para locomoção. Cada uma possui sete partes menores (artículos), que se conectam entre si por articulações. A que une corpo-coxa é mais complexa, permitindo um deslocamento lateral, mas também para a frente e para trás. No entanto, as outras seis articulações se movem em única direção, que é a lateral.

Esses crustáceos pertencem ao filo Arthropoda, a exemplo do que ocorre com os insetos, lacraias, aranhas e escorpiões. A característica de todos é apresentar esqueleto externo (exoesqueleto) que recobre seu corpo, sendo duro pela presença de substância chamada quitina. Detalhe para o fato de que necessitam trocar essa espécie de armadura durante alguns momentos da vida. Quando deixa o exoesqueleto, o animal – ainda com corpo ‘mole’ – consegue ingerir água (se for aquático) ou ar (se terrestre) para aumentar de tamanho, seguindo-se ao enrijecimento da nova cutícula.

Atualmente existem 6.600 espécies de caranguejos em todo o mundo, exceto nos desertos. Eles precisam da água para viver e é nela onde se hidratam, reproduzem e respiram. Os que conseguem ficar mais tempo na terra, como o caranguejo guaiamú, podem viver mais longe das fontes de água pelo fato de possuírem câmaras branquiais bem amplas nas laterais de sua carapaça, permitindo que ‘guardem’ ar na parte superior.

O tipo de alimentação desses animais também varia conforme a espécie. Alguns são herbívoros (se alimentando dos brotos e folhas verdes de algumas árvores de manguezal) e outros são carnívoros (comem mexilhões, caramujos e até mesmo peixes). Há também os onívoros (comem de tudo um pouco, como animais, vegetais e organismos mortos) e as espécies comensais (que se nutrem de restos de alimento de outras espécies).

O tempo de vida dos caranguejos também varia, podendo ser de dois anos. No caso de alguns siris, a exemplo do caranguejo-uçá, chegam a viver até dez anos.

MULTIPLICAÇÃO - Os caranguejos nascem de ovos, que desenvolvem por cerca de 15 dias em temperatura de 25°C e que se abrem, gerando descendentes, que podem emergir como larvas. Os machos têm dois pênis localizados nas coxas do último par de patas, servindo para a transferência de espermatozoides para o interior dos dois poros genitais que as fêmeas possuem. Após o desenvolvimento dos ovários das fêmeas, seus óvulos passam por pequenos sacos internos, onde os espermatozoides são guardados e, como ovos, deixam o corpo da fêmea. Dependendo da família de caranguejo a que pertence, a espécie pode ter de dois a até oito estágios larvais. Já os caranguejos de água doce não possuem fase larval, saindo dos ovos como jovens.

O maior caranguejo do mundo é o japonês. Ele vive a 600 metros de profundidades no Oceano Pacífico e pode chegar a 20 quilos. Se suas pinças forem distanciadas uma da outra, podem medir cerca de quatro metros

Consultoria de Marcelo Antonio Amaro Pinheiro, biólogo marinho e professor doutor do Instituto de Biociências da Unesp – Campus do Litoral paulista.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pesquisa analisa metais tóxicos encontrados em caranguejos

13/05/2014
Por Fabio Reynol
Agência FAPESP – Um trabalho de pesquisa feito no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB/USP) levantou dados importantes sobre contaminação ambiental ao trabalhar com o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), um crustáceo de mangue presente no litoral do Estado de São Paulo.


Estudo feito com crustáceos de mangue no litoral paulista revela detalhes de contaminação e abre espaço para novas ações de controle ambiental (divulgação)

Coordenado pela pesquisadora Flavia Pinheiro Zanotto, do Departamento de Fisiologia do IB/USP, o projeto “Caracterização do transporte de cádmio em interação com o cálcio em células epiteliais de Ucides cordatus, um caranguejo de mangue” recebeu apoio FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular e revelou dados importantes sobre a contaminação desses animais e do ambiente.

A pesquisa se concentrou na análise de traços de cádmio encontrados nesses animais. “Os animais, de maneira geral, não usam esse metal para nenhuma função biológica; por isso, gostaríamos de saber como o cádmio entra na célula sem que exista um transportador específico para introduzi-lo”, disse Zanotto.
A resposta, segundo ela, é que esse metal se utiliza dos transportadores do cálcio para penetrar na estrutura celular. Ambos os elementos, o cádmio e o cálcio, possuem raios iônicos parecidos e são divalentes, o que os torna competidores de certos transportadores de membrana quando estão juntos, e que pode ser extrapolado quando estão presentes no ambiente.

As análises feitas, no entanto, mostraram que, quando colocados simultaneamente em contato com o animal, cálcio e cádmio não competiam para entrar na célula, mas, ao se ministrar um inibidor de cálcio, a absorção de cádmio era reduzida.
“Isso abre espaço para novas ações de controle ambiental como, por exemplo, introduzir no ambiente íons inofensivos que tenham prioridade de transporte em relação ao cádmio, fazendo com que sejam absorvidos no lugar do metal tóxico”, disse Zanotto.
Segundo ela, em ambientes ricos em cálcio, por exemplo, os animais estarão menos suscetíveis à absorção de metais como cobre, zinco e o próprio cádmio.
O cálcio é elemento essencial para o animal. Já o cádmio é um metal potencialmente tóxico encontrado em baterias e um contaminante ambiental. Em trabalhos anteriores, Zanotto já havia detectado a presença de metais tóxicos em manguezais do litoral de São Paulo, tanto nos animais como em plantas que lhes serviam de alimentos.

“A quantidade detectada estava dentro dos limites da legislação brasileira, com exceção do cromo”, disse Zanotto, baseando-se em resultados de outro trabalho desenvolvido em parceria com o pesquisador Marcelo Antônio Amaro Pinheiro, do campus de São Vicente da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Mais cádmio nas células

A outra pesquisa consistiu em coletar animais de mangues do litoral sul de São Paulo e analisar células dos chamados epitélios de troca, como brânquias, hepatopâncreas e glândula antenal, estrutura análoga ao rim humano. Esses locais regulam a passagem de íons do meio externo, por isso são especialmente interessantes para a pesquisa.
Para se medir a quantidade de cádmio foi utilizado um marcador fluorescente sensível a esse metal. O marcador penetra na célula e se liga ao metal gerando fluorescência. Caso a célula receba mais cádmio o marcador aumenta a fluorescência, detectada com precisão por meio de um equipamento de leitura para esse tipo de luz.
Ao comparar os animais coletados em regiões diferentes, os pesquisadores descobriram que caranguejos de Itanhaém tinham mais facilidade de adquirir cádmio, por ser esta a região com maior índice de contaminação do metal, o que deixava os animais ainda mais suscetíveis a ele, em comparação aos animais coletados na região da Jureia, onde há menor concentração desse contaminante.
“Isso significa que, quanto mais cádmio existir dentro de suas células, menos o animal consegue lidar com o metal e mais suscetível ele será para o contaminante. Ou seja, entra mais cádmio nas células do animal que habita uma região já contaminada”, disse Zanotto.
Contudo, o caranguejo U.cordatus não se mostrou um bom marcador de contaminação ambiental. Zanotto explica que, por esse animal ter uma vida relativamente longa – dez anos em média – seria de se esperar que ele portasse um histórico da contaminação do ambiente.

“No entanto, ele consegue eliminar o metal com relativo sucesso. Boa parte dele se concentra na carapaça, por exemplo, que é trocada periodicamente, por isso, ele não reflete com fidelidade a contaminação ambiental”, disse. Essa característica é mais comum em animais filtradores, como ostras e mexilhões, que acumulam o que está no ambiente.

A pesquisa gerou o capítulo Cellular Cadmium Transport in Gills and Hepatopancreas of Ucides cordatus, a Mangrove Crab publicado no livro Crabs: Anatomy, Habitat and Ecological Significance. (ed. Kumiko Saruwatari and Miharu Nishimura. Hauppauge NY: Nova Science Publishers, p. 107-122).
O trabalho também embasou a dissertação de mestrado “Transporte de cádmio em células branquiais do caranguejo de mangue Ucides cordatus”, de Priscila Ortega, apresentada em 2012 no IB/USP.
“Entre as maiores contribuições desse projeto estão o papel do cálcio como protetor para evitar absorção de metais tóxicos e o efeito cumulativo do cádmio que se acentua quanto mais tempo o animal for exposto ao contaminante”, disse Zanotto.

“Como esses caranguejos são consumidos pelo homem, torna-se extremamente importante saber o nível de contaminação em que se encontram”, comentou.

Recentemente, a pesquisadora também publicou o artigo Characterization of copper transport in gill cells of a mangrove crab Ucides cordatus no periódico Aquatic Toxicology, fruto de outra pesquisa, mostrando como outro metal tóxico, cobre, entra pelas brânquias de caranguejos nos manguezais de São Paulo. Como o cádmio, o cobre também interage com o cálcio nas células das brânquias. O artigo pode ser lido em: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166445X13002877