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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

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Morfologia cárstica e tipos de depósitos em cavernas

Morfologia cárstica e tipos de depósitos em cavernas

O relevo cárstico é particularmente desenvolvido sobre rochas carbonáticas, podendo se referir também a paisagens similares elaboradas em outras rochas, carbonáticas ou não, onde se destaca uma morfologia específica associada à atuação predominante dos processos de dissolução.
Constituídas por um sistema de canais horizontais e/ou verticais, com fraturas e estruturas geológicas de variações irregulares, as cavernas formam um complexo sistema de condutos de excepcional beleza cênica, onde a ação da água, em algum momento do tempo geológico e por meio de diferentes processos, dissolveu a rocha matriz.
Os processos que atuam no desenvolvimento de relevos cársticos, também estão presentes na evolução da paisagem não-cárstica. Porém, no carste, há processos de dissolução e abatimentos que são produtos da ação das águas sobre a rocha solúvel, fato que o torna um relevo frágil e dinâmico (KOHLER E CASTRO, 2011). A paisagem cárstica ocupa vastas áreas com presença de rochas solúveis, onde a drenagem é predominantemente subterrânea e o relevo se apresenta de forma runeiforme e esburacado (KARMANN, 2009).
As rochas calcárias são formadas principalmente pela calcita (carbonato de cálcio, CaCO3), mineral que tem propriedade de se dissolver quando entra em contato com a água acidulada. (NEVES e PILÓ, 2008). O relevo em regiões cartisticas forma uma grande quantidade de dolinas em variedade de tamanhos, formas e padrões genéticos, limitadas por paredões calcários lineares. Grandes maciços rochosos aflorantes ou parcialmente encobertos; lagos com diferentes comportamentos hídricos, associados às dolinas ou em amplas planícies rebaixadas, e uma complexa trama de condutos subterrâneos, comumente conectados com o relevo superficial (Figura 01) e, assim, acessíveis ao homem (CPRM, 1998). 
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Figura 01: Feições mais comuns observadas na paisagem cárstica. KARMANN, 2009).
A ação dessas águas sobre o calcário já descrito resulta geralmente em cavernas a princípio labirínticas justamente pela falta do caráter direcional do fluxo d’água. Em seu interior, há fortes indícios de ciclicidade de situações como estiagens e cheias, entre eles, deposição, lixiviação e redeposição sedimentar. Sobre a maioria delas, no entanto, a ausência do lago determinou uma superposição de formas, originadas principalmente do remodelamento imposto por ações intempéricas de enxurradas. (CPRM, 1998) 

Depósitos em Cavernas

Em geral, os solos cavernícolas são formados por sedimentos clásticos provindos do meio externo, que são carregados pelo vento, por águas fluviais e pluviais, e utilizam os condutos subterrâneos como rotas de fluxo. Minerais dissolvidos na água ao se precipitarem, também podem compor o sedimento cavernícola, muitas vezes, funcionando como cimento, para a formação de rochas. O solo também pode ser constituído pela decomposição e fragmentação da rocha matriz in situ e ainda pode ser composto por materiais trazidos, excretados ou produzidos por organismos que habitam esses ambientes. 


Depósitos clásticos
Os sedimentos clásticos possuem diferentes origens, meios de transporte e ambientes de deposição. Podem ser divididos em:
  • Colapso de teto e paredes das cavernas, formando cones de deposição, constituídos por clastos angulosos; 

  • Brechas de colapso e óssea, que são características de cavernas e são constituídas por uma mistura de solo, precipitações secundárias, fragmentos de rocha matriz cimentados em matriz argilo-arenosa. Fragmentos de espeleotemas e ossos também podem ser encontrados em meio ao depósito e se localizam nas fissuras e cavidades por meio de fluxo gravitacional; 

  • Depósitos formados por correntes de água, geralmente tem a origem externa, mas podem ser formados também por blocos caídos da rocha encaixante e fragmentos de espeleotemas. Estes depósitos apresentam clastos bem selecionados e arredondados que podem variar de granulometria desde matacões até argilas.
Depósitos químicos

Os sedimentos químicos possuem sua origem inteiramente química, ou seja, não são formados por clastos. Dentre os vários tipos de depósitos sedimentares químicos, encontram-se algumas precipitações calcárias em cavidades. Tais depósitos são chamados de espeleotemas. Espeleotema é o conjunto das feições deposicionais nas cavidades subterrâneas, que compõem as fácies cársticas e são caracterizados como um depósito mineral secundário e são formados basicamente por processos químicos de dissolução e precipitação de minerais. 

Para haver presença de espeleotemas é necessário haver a presença de umidade. A água
levemente ácida, impregnada de gás carbônico, percola através das fendas presentes na rocha, dissolvendo e transportando o calcário, sob a forma de bicarbonato de cálcio. A água saturada em minerais, ao ressurgir em gotas na cavidade, entra em contato com a atmosfera cavernícola e, o gás carbônico contido na gota, é liberado e o carbonato de cálcio dissolvido pela água se precipita, sendo redepositado na cavidade. 

Para cada conjunto de características presentes, é dado um nome específico ao espeleotema, sendo que as formas mais comuns observadas nas cavidades são as estalactites, canudos de refresco, escorrimentos, coraloides, estalagmites, colunas e paleopiso (Figura 02).

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Figura 02: Tipo de espeleotemas observados em cavidades subterrâneas. (1) paleopiso, (2) helectites, (3) coralóides, (4) escorrimento, (5) estalactite, (6) estalagmite, (7) estalactite tipo canudo, (8) estalagmite tipo vela, (9) coluna, (10) cortina, (11) represa de travertino (VASCONCELOS, 2014).
Depósitos orgânicos

As cavernas também funcionam como verdadeiras armadilhas, aprisionando os sedimentos originados na superfície do relevo. Essa variação muitas vezes complexa está relacionada, por um lado, com o tipo de conexão da caverna com a superfície do relevo cárstico e, por outro, com a dinâmica sedimentar no interior da própria caverna (NEVES; PILÓ, 2008). 

Em se tratando de restos de paleovertebrados preservados em cavernas, são reconhecidos mecanismos de entrada de animais, ou de seus restos, nas grutas. Os animais podem ter adentrado nas grutas por diversos motivos: (a) a procura de abrigo ou (b) para lamber sal da terra e se perder em corredores escuros; (c) por terem sido carregados por predadores; (d) por terem caído em fendas e abismos ou (e) por terem sido levados por enxurradas, enquanto carcaças ou apenas seus restos esqueletais (Figura 03). 

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Figura 03: Hipóteses de entrada de animais (ou de seus restos) no interior das cavidades: (1) carregados por predadores (ex. corujas); (2) a procura de abrigo (ex. morcegos); (3a) levados por correntezas de água – somente os restos esqueletais (3b) levados por correntezas de água – como carcaças; (4) a procura de água ou sal; (5) queda através de fendas verticais (VASCONCELOS, 2014).


Referências Bibliográficas

CPRM. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. APA Carste de Lagoa Santa. Patrimônio Espeleológico, Histórico e Cultural. Belo Horizonte, 1998.v. III. 

CPRM. SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL. Geodiversidade do estado de Minas Gerais: Programa geologia do Brasil levantamento da geodiversidade. Belo Horizonte: CPRM, 2010. 18 p.

KARMANN, I.. Ciclo da água, água subterrânea e sua ação geológica. In: Teixeira, W.; Fairchild, T.R.; Toledo, M.C.; Taioli, F. (Eds.). Decifrando a Terra. Companhia Editora Nacional, São Paulo, p. 113-138. 2009.

KOHLER H.C., CASTRO J.F.M. 2011. Geomorfologia Cárstica. In: Cunha, S.B., Guerra, A.J.T. (Eds.) Geomorfologia: Exercícios, Técnicas e Aplicações. Bertrand, Rio de Janeiro, 239-249.

NEVES, A. W.; PILÓ, B. L. O Povo de Luzia. Em busca dos primeiros americanos. Editora Globo, São Paulo, 2008. 21-Piló, L.B. Morfologia cárstica e materiais constituintes: dinâmica e evolução da depressão poligonal Macacos-Baú – Carste de Lagoa Santa, MG. Doctoral Thesis, Universidade de São Paulo, Brazil. 1998

segunda-feira, 15 de abril de 2019

25 Agosto

Poço Encantado, Chapada Diamantina (Itaetê), BA


Na região central do Estado da Bahia, borda leste da Chapada Diamantina, ocorre um extenso planalto carbonático, drenado pela bacia do Rio do Una, no qual se insere o Poço Encantado, uma caverna de aspecto único e rara beleza, que atrai uma média de 7.000 visitantes por ano. 

A caverna do Poço Encantado é uma feição cárstica desenvolvida em dolomitos do Grupo Una, com grande relevância científica, uma vez que se trata de um local de observação direta do nível d’água, através de um grande e profundo lago, ilustrando um dos padrões morfológicos típicos de cavernas da região (salões de abatimento em fundos de depressões que levam ao nível d’água), servindo de abrigo para espécies endêmicas da região da Chapada Diamantina, o que torna esta caverna extremamente importante para preservação (Karmann, 2000) .

Nos meses de abril a setembro um feixe de luz solar penetra através do pórtico de entrada, compondo um cenário que representa um dos mais conhecidos cartões postais da Chapada Diamantina. A caverna está situada no fundo de uma dolina. No seu interior encontra-se um salão, com um lago de águas cristalinas e tons azulados. A morfologia dominante na caverna é de abatimento com um padrão em rede parcialmente preservado. Mas atenção, se você está pensando em um belo mergulho nas águas encantadas do poço, saiba que não é permitido. Até 1990 ainda era possível se banhar nas águas do Poço Encantado, mas para a preservação do local os mergulhos foram proibidos.

Figura 1: Feixe de luz incidindo sobre as águas do Poço Encantado.
Geologia 
O Poço Encantado desenvolve-se em rochas carbonáticas neoproterozóicas da Formação Salitre, unidade superior do Grupo Una (Bonfim & Pedreira, 1990). De acordo com Inda & Barbosa (1978), o Grupo Una engloba seqüências cronocorrelatas ao Grupo Bambuí.
Figura 2: Coluna estratigráfica da Formação Salitre proposta por Bomfim et. al (1985)

Observações de campo segundo Pereira (1998) confirmam parcialmente para a região do rio Una, a leste do Poço Encantado, a estratigrafia de Misi (1979) e Souza et al. (1993) definida para a Formação Salitre na bacia de Iraquara, definindo uma unidade basal, constituída por calcilutitos e calcissiltitos avermelhados, finamente laminados correspondentes a unidade Nova América. No topo do pacote carbonático, dominam calcarenitos cinzentos finamente laminados (alternância de lâminas carbonáticas e lâminas com grande concentração de quartzo e feldspatos subordinados) atribuídos a Unidade Irecê. Em posição intermediária ocorrem calcarenitos cinzentos com intercalações de chert, passando para uma porção superior maciça com estilólitos, localmente exibindo brechas intraformacionais, com intraclastos centimétricos. Pereira (1998) registra ainda porções de calcarenitos esbranquiçados laminados, as vezes oolíticos e com estratificações cruzadas de pequeno porte, similares às descrições de Souza et. al., (1993), referentes à Unidade Jussara, de posição intermediária. Pela razão CaO/MgO estes carbonatos são classificados como dolomitos a calcários dolomíticos.

Formação da caverna 

As cavernas se formam através da dissolução das rochas, pelas águas das chuvas que se infiltram no subsolo. Estas águas se misturam com gases da atmosfera e restos de vegetais presentes no solo, tornando-se ligeiramente ácidas. No seu percurso descendente, em direção ao lençol freático, estas águas percolam as estruturas presentes nas rochas e começam a abrir pequenos vazios. Com o avanço do tempo, estes vazios transformam-se em cavidades subterrâneas, às quais damos o nome de cavernas, que vão sendo alargadas por desmoronamentos da rocha.
Os desmoronamentos ocorrem ao longo dos planos de fraqueza existentes na rocha, como os planos de acamamento e fraturas. Estes planos, por sua vez, estão associados à história de formação da rocha, podendo ser associados aos planos de deposição das camadas ou planos de fratura.
Figura 3: Mapa planimétrico e seções transversais da caverna Poço Encantado.
A caverna do Poço Encantado apresenta desenvolvimento de 506m em planta, com duas direções principais, uma orientada genericamente a NS e outra próxima a EW, preferencial. Seu desnível é de aproximadamente 100m até o nível d’ água. Medidas obtidas através de mergulhos, indicam uma lâmina d’água com até 65m de profundidade. A morfologia de abatimento é predominante na caverna. Apesar disto, dois domínios morfológicos podem ser identificados: rede de condutos secos superiores (no setor oeste da caverna) e salão do lago, que ocupa quase toda metade leste da caverna (Karmann, 2000).

Os estudos existentes até o momento sugerem que a Caverna do Poço Encantado, começou a se formar a cerca de 50 Milhões de anos atrás. Entretanto, estas datas ainda carecem de estudos confirmatórios.

Vegetação

Na região grande parte da vegetação natural  é caracterizada como Floresta Estacional Decídua Submontana (RadamBrasil, 1981), apresentando árvores de grande porte e madeira de lei, entretanto a mesma foi devastada e substituída por pastagens e agricultura. Atualmente restam na área somente agrupamentos residuais esparsos, remanescentes da formação vegetal primária. Nos arredores do Poço Encantado a vegetação original encontra-se totalmente descaracterizada.

Fauna do Lago

Os únicos vertebrados aquáticos viventes do lago são representados por uma população de bagres cegos. Tal espécie, ainda não descrita, pertence à Família Pimelodidae, Subfamília Heptapterinae. Estes peixes estão concentrados próximos às margens do lago, desde a superfície até 10 m de profundidade. Folhas, troncos, galhos, insetos (especialmente coleópteros) e alguns pequenos vertebrados que caem acidentalmente na água através da grande abertura existente no salão, são normalmente observados no lago.
Quanto aos vertebrados que podem utilizar a caverna como abrigo foram registradas espécies de morcegos, em relação à fauna de artrópodes terrestres foram encontrados artrópodes como  heterópteros, dípteros, himenópteros, lepidópteros, crustáceos, isópodes e aracnídeos.

E vocês já conheciam ou visitaram esse lugar? Conte nos comentários sua experiência e deixem sugestões de sítios geológicos e paleontológicos do Brasil que querem ver por aqui!!

Referências Bibliográficas

Bonfim, L.F.C.; Roch, A.J.D.; Pedreira, A.J.; Morais, J.C., P; Guimaraes, J.T.; Tesch, N.A. 1985. Projeto Bacia de Irecê. Salvador, CPRM. (Relatório Final).

Inda, H.A.V. & Barbosa, J.F. -1978- Texto Explicativo para o Mapa Geológico do Estado da Bahia, escala 1:1.000.000. SME/CPRM, Salvador

Karmann, I; Pereira, R. G. F. de A.; Mendes, L. F. Poço Encantado, Chapada Diamantina (Itaetê), BA: caverna com lago subterrâneo de rara beleza e importância cientifica. In: Sitios geológicos e paleontológicos do Brasil[S.l: s.n.], 2002.

Misi, A. -1979- O grupo Bambui no Estado da Bahia. In: Inda, H.V.A.(Ed.) Geologia e recursos minerais do Estado da Bahia:textos básicos. Salvador: SME, V.1, p.-119-154

Pereira, R.G.F. de A. –1998- Caracterização Geomorfológica e Geoespelelógica do Carste da Bacia do Rio Una, Borda Leste da Chapada Diamantina (Município de Itaetê, Estado da Bahia). Dissertação de Mestrado. Instituto de Geociências USP.

Radambrasil, Projeto.1981. Folha SD 24 (Salvador). Ministério das Minas e Energia. Secretaria Geral -. Rio de Janeiro

Souza, S.L.; Brito, P.C.R. e Silva, R.W.S. 1993. Estratigrafia, sedimentologia e recursos minerais da Formação Salitre na Bacia de Irecê, Bahia. Integração e síntese por Augusto José Pedreira. CBPM, Salvador. Vol.2.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Geólogos descobrem fósseis de 29 animais em cavernas na Bahia

Eles são todos do Pleistoceno – o período retratado no filme "A Era do Gelo". E, por sorte, já haviam sido extraídos do chão pela erosão. Era só pegar.

Duas cavernas com 7 km de túneis cada uma, nas redondezas do pequeno município de Serra do Ramalho, no sudoeste da Bahia, contêm fósseis de 29 animais que viveram no Pleistoceno – o período geológico imediatamente anterior ao atual, que vai de 2,5 milhões a 11 mil anos atrás.

Os ossos foram coletados entre 2012 e 2014 e analisados por pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil, em parceria com as universidades federais do Paraná (UFPR) e do estado do Rio de Janeiro (Unirio). Os resultados estão neste artigo científico. Os 450 fragmentos estão guardados no Museu de Ciências da Terra (MCTer), no Rio de Janeiro. 

O Pleistoceno faz parte do imaginário popular: nele ocorreu o evento de glaciação mais recente, que é representado na animação A Era do Gelo. Mamíferos como preguiças e capivaras gigantes são dessa época, bem como tigres dentes-de-sabre, mastodontes e rinocerontes lanudos – peludos de grande porte que foram extintos em parte graças a mudanças climáticas, em parte por causa de predadores de outra espécie: o Homo sapiens. 
Os fósseis, já no laboratório.
Os fósseis, já no laboratório. (Rafael Costa da Silva/Serviço Geológico do Brasil/Divulgação)
Tudo começou em 2011, quando pesquisadores do CPRM (sigla pela qual é conhecido o Serviço Geológico) analisavam cavernas de nove municípios do sudoeste da Bahia. É sempre bom ficar de olho em fósseis nessas situações – às vezes eles dão as caras em locais inexplorados –, mas encontrá-los não era o objetivo principal do levantamento.
Calhou que, em duas das cavernas, havia fósseis. Muitos. E eles sequer precisaram ser escavados: já estavam expostos graças a uma ajudinha da mãe Natureza.

Água mole em pedra dura, tanto bate…
Água mole em pedra dura, tanto bate… (Rafael Costa da Silva/Serviço Geológico Brasileiro/Divulgação)

“As cavernas da região costumam apresentar muitas fendas e claraboias, por onde a água da chuva penetra e forma pequenos córregos, que não correm com muita energia”, explica Rafael Silva, pesquisador do CPRM que conversou com a SUPER. “Esses córregos causam uma erosão lenta, que carrega os sedimentos mais leves, como areia e argila, para regiões mais profundas e inacessíveis das cavernas. Mas a água não tem força suficiente para carregar os fósseis, que são maiores e mais pesados. E aí eles acabam se acumulando no chão.”

A variedade era excepcional: havia tigres dentes-de-sabre, mastodontes, lhamas – na época, elas existiam por aqui –, preguiças gigantes, capivaras de 2 metros de comprimento, onças, porcos, veados, toxodontes (veja com seus próprios olhos) e litopternos (imagine um mamífero de corpo atlético, com cabeça de anta e pescoço comprido).

Esses animais, tão diferentes entre si, obviamente não foram encontrados juntos porque marcavam um barzinho na caverna. Os ossos de cada um deles foram parar lá dentro em momentos diferentes, por motivos diferentes. “Alguns dos animais, como as preguiças gigantes, provavelmente frequentavam as cavernas em busca de abrigo – e eventualmente morriam lá dentro devido a inundações repentinas ou doenças”, explica Rafael.

“Outros animais morriam no entorno da caverna, sofriam decomposição e seus ossos eram posteriormente carregados pela água para o subterrâneo. Também encontramos marcas de mordidas em ossos, levando a crer que um predador possa ter carregado as carcaças para consumo no interior das cavernas, como as onças fazem até hoje.”
Olá!
Olá! (Rafael Grudka/Serviço Geológico do Brasil/Divulgação)

Foram encontrados, ao todo, 29 taxa. Isso é quase o mesmo que dizer que foram encontrados 29 animais – mas não exatamente. É o seguinte:

Taxa é o plural de táxon. Para entender o que é táxon, vamos voltar rapidamente ao sistema de classificação criado pelo sueco Lineu no século 17 – que você aprendeu nas aulas de biologia do Ensino Médio. Primeiro: todo ser vivo pertence a uma espécie – no caso de um lobo, a espécie é lupus.

Essa espécie, por sua vez, pertence a um gênero, que é escrito em letra maiúscula (Canis lupus). Os animais que são parentes próximos do lobo são Canis também: há o Canis latrans, por exemplo (que é o coiote), e o Canis familiaris (que é o cachorro).

Os gêneros, por sua vez, são reunidos em uma família (Canidae, que inclui também a raposa). E as famílias, reunidas em uma ordem (Carnivora, que inclui… bem, os carnívoros). E assim por diante.
Às vezes, quando um paleontólogo encontra um fóssil, ele está extremamente fragmentado – e não dá para classificá-lo ao nível da espécie. Dá para saber no máximo a família. Ou a ordem. Então existe uma palavra que se refere a qualquer nível de classificação, seja ele muito ou pouco específico. Essa palavra é o tal táxon.
O lado de fora. (Rafael Costa da Silva/Serviço Geológico do Brasil/Divulgação)

O Brasil é um ótimo lugar para encontrar resquícios do Pleistoceno. As condições climáticas e geológicas da época eram propícias à formação de fósseis, e colabora o fato de o período ser recente – ainda não houve tempo suficiente, em termos geológicos, para a destruição dos depósitos.

Os pesquisadores do Serviço Geológico são herdeiros de uma longa tradição, da qual fez parte Darwin em pessoa: foi ele que descobriu os toxodontes em sua passagem pelo Brasil durante a viagem do HMS Beagle, entre 1831 e 1836.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

[Invertebrate • 2018] Diversity and Evolution of the Stygobitic Speleonerilla nom. nov. (Nerillidae, Annelida) with Description of Three New Species from Anchialine Caves in the Caribbean and Lanzarote

Speleonerilla saltatrix (Worsaae et al. 2004)
 Speleonerilla Worsaae, Sterrer & Iliffe, 2018

in Worsaae, Gonzalez, Kerbl, Nielsen, Jørgensen, et al., 2018. 
Abstract
Anchialine caves have revealed a variety of highly adapted animals including several records of nerillid annelids. However, only one stygobitic lineage, Speleonerilla nom. nov. (previously known as Longipalpa), seems obligate to this environment. We here provide new information on this lineage including the description of three new species, two new records, and the first phylogeny of the genus. All species have been collected from the water column of anchialine caves in the Caribbean, Bermuda, and Canary Islands, contrary to their benthic and interstitial nerillid relatives. New species were described combining light, scanning electron, and confocal laser scanning microscopy and named after traditional dances from their corresponding countries. Speleonerilla isa sp. n. is morphologically the most divergent species, characterized by the presence of nine segments, two pairs of spermioducts, and parapodial cirri present on all segments. Speleonerilla calypso sp. n. and S. salsa sp. n. are mainly distinguished from S. saltatrix by the presence of one additional pair of nephridia and are diagnosed based on unique combinations of characters including the specific arrangements of trunk ciliation, parapodial cirri, and number of chaetae. Two additional records from anchialine caves in Northeast Cuba and México were not described due to limited available material. Phylogenetic analyses of four molecular markers recovered the East Atlantic S. isa as sister to a clade containing the West Atlantic species, the interrelationship of which did not further reflect the geographical distances within the Caribbean. Evolutionary adaptations are discussed, such as the long ciliated palps and pygidial lobes of Speleonerilla used for swimming and their high tolerance to changing salinities when apparently feeding on bacteria in the halocline of the anchialine cave systems.
Keywords: Interstitial, Cave fauna, Meiofauna, Troglomorphism, Stygofauna 
Drawing of Speleonerilla saltatrix (Worsaae et al. 2004),
scale bar 100 μm
Family Nerillidae Levinsen, 1883
Genus Speleonerilla Worsaae, Sterrer & Iliffe, 2018. 
Speleonerilla is new replacement name for Longipalpa Worsaae, Sterrer & Iliffe, 2004 
[preoccupied: Longipalpa Pagenstecher, 1900 (Insecta: Lepidoptera) (see Pagenstecher,1900)].  
  
Remarks: A new generic name, Speleonerilla nov. nom., is here proposed in order to eliminate the homonymy between the genera Longipalpa Pagenstecher, 1900, junior synonymy of Bytharia Walker, 1865 (Geometridae, Lepidoptera) (see Walker, 1865) and Longipalpa Worsaae, Sterrer and Iliffe, 2004 (Nerillidae, Annelida).
....
Speleonerilla calypso sp. n.
Etymology: The species is named after the dance calypso, which originated in Trinidad & Tobago and later spread to other Caribbean Islands, including the Bahamas.

Speleonerilla salsa sp. n.
Etymology: The species is named after the dance salsa, the musical roots of which lie in Eastern Cuba.

Speleonerilla isa sp. n.
Etymology: The species is named after the Canarian traditional folk dance “isa” from Lanzarote.
Katrine Worsaae, Brett C. Gonzalez, Alexandra Kerbl, Sofie Holdflod Nielsen, Julie Terp Jørgensen, Maickel Armenteros, Thomas M. Iliffe and Alejandro Martínez. 2018. Diversity and Evolution of the Stygobitic Speleonerilla nom. nov. (Nerillidae, Annelida) with Description of Three New Species from Anchialine Caves in the Caribbean and Lanzarote. Marine Biodiversity  DOI:  10.1007/s12526-018-0906-5 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A Single Grave, Several Generations: Paleoecological Insights From Skeletons Of An Extant Species

It is not rare to find in the fossil record of vertebrates cases in which fossils from one or few extinct species predominate over others represented in a bone assemblage. This type of findings has happened in deposits of several geological ages and environmental contexts.
A very common interpretation for such deposits is that a single event of mortality occurred (i.e. catastrophic mortality). In this case, what we have is a “family portrait,” because what we find is similar to what the population was at a given moment in the past and reflects the abundance of individuals in different age groups at a given time.

Another possible explanation for this sharp, uneven representation of species in a bone assemblage, most often not considered, is that multiple death events occurred to a single or few individuals of a species (i.e. attritional mortality). In this case, we have a “photo album,” because what we find is individuals who did not coexist in time and represent samples of different generations of the population.

Depending on the interpretation one assumes for the bone assemblage formation, different paleoecological conclusions can be drawn from the same bone assemblage. Since the prevailing view is of catastrophic mortality for such assemblages, the most common interpretation for the existence of a predominant extinct species is that it was gregarious. However, if one considers that attritional mortality was the major process, nothing can be concluded about the behavior of a predominant species.

In our paper “The dominance of an extant gregarious taxon in an attritional accumulation: Taphonomy and palaeoecological implications,” published in the journal Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, we added information to challenge the common notion that assemblages dominated by one or few extinct species means that these species were gregarious. We studied a not completely buried bone assemblage formed in the 65m deep pitfall cave Sumidouro do Sansão. This cave is located in the Serra da Capivara region, northeast Brazil, which is one of the richest archaeological and paleontological areas in the country.
Bottom of the cave. Image courtesy FUMDHAM Archives
We analyzed more than 900 bone/teeth pieces from this assemblage housed in the collection of Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), Piauí State, Brazil.  By far, the most abundant species of the assemblage was Kerodon rupestris, an endemic-extant rodent from Brazil. This rodent is gregarious, and a habitat specialist that inhabits rocky outcrops. From a total of 38 individuals securely identified, 35 belong to Kerodon rupestris.
A male individual of K. rupestris. Image courtesy Elver Mayer
The emplacement of Kerodon rupestris remains was probably due to the pitfall entrapment of individuals. Besides the morphology of the cave that is suggestive of such process, our interpretation is supported by the fact that we found remains representing skulls and many bones from different parts of the skeleton, and that the skeletons are relatively complete and do not present extensive fragmentation.

Based on the known gregarious behavior of the species and its adaptations for climbing, a very logical conclusion for our findings is of catastrophic mortality (e.g. lightning stroke the colony, since the cave is in an elevated position, killing several individuals at once). However, fortunately, we were able to obtain radiocarbon dating from four individuals of Kerodon rupestris. Our chronology reveals that ages range approximately from 8kyr BP to 4kyr BP. Thus, the bone assemblage was formed by the addition of individuals in multiple events, characterizing an attritional accumulation.
Skull of K. rupestris. Image courtesy Elver Mayer
Our finding was surprising because since these rodents inhabit rocky outcrops and are known for their climbing skills — we would not expect them to get trapped in a cave. However, the cave pitfall has steep walls and is deep, which may explain the imprisoning of those animals. In addition, this environment is part of their habitat, representing a regular risk of injuries and entrapment. Lastly, given the chronological range of the assemblage, a death every 115 years would be enough to account for the number of individuals found.

After death, each skeleton remained exposed on the bottom of the pit during an uncertain period of time until the recovery. This period was marked by the occurrence of post-depositional damage on the skeletons. They were disarticulated,  their bones were fragmented and a few developed features due to weathering. Also, some bones were covered by incrustation and others perforated by invertebrates, probably for pupation purposes.
Scheme of assemblage formation. Figure courtesy Elver Mayer
Our study shows that even a species that is known to live in groups, such as Kerodon rupestris, can dominate bone assemblages formed by the subsequent death of individuals from different generations of the population. The main paleoecological implication of our finding is that the association of many individuals from the same species in a bone assemblage does not necessarily mean a single event of mortality, and it is not reliable to infer gregariousness for extinct species based solely on the disproportional abundance of one or few species. 

Thus, understanding the genesis of a fossil assemblage is mandatory to interpret the paleoecological information preserved in the fossil record.

These findings are described in the article entitled The dominance of an extant gregarious taxon in an attritional accumulation: Taphonomy and palaeoecological implications, recently published in the journal Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology. This work was conducted by Elver Luiz Mayer from the Universidade Federal do Rio Grande do SulLeonardo Kerber from the Universidade Federal de Santa MariaAna Maria Ribeiro from the Universidade Federal do Rio Grande do Sul and the Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, and Alex Hubbe from the Universidade Federal da Bahia and the Instituto do Carste.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Palaeolithic cave art in Borneo

Nature (2018) | Download Citation 


Pinturas rupestres figurativas da ilha indonésia de Sulawesi datam de pelo menos 35.000 anos atrás (ka) e arte de estêncil de mão da mesma região tem uma data mínima de 40 ka1. Aqui mostramos que arte rupestre semelhante foi criada durante essencialmente o mesmo período de tempo na ilha adjacente de Bornéu.   A análise da série de urânio dos depósitos de carbonato de cálcio que cobrem uma grande pintura figurativa laranja avermelhada de um animal em Lubang Jeriji Saléh - uma caverna de calcário em Kalimantan Oriental, Bornéu indonésio - rendeu uma data mínima de 40 ka, que para nosso conhecimento é atualmente a data mais antiga para obras de arte figurativas de qualquer lugar do mundo. Além disso, dois estênceis de mão laranja-avermelhada do mesmo local produziram uma data mínima de 37,2 ka na série de urânio, e um estêncil de terceira mão do mesmo matiz tem uma data máxima de 51,8 ka.

Também obtivemos determinações em série de urânio para motivos de arte rupestre de Lubang Jeriji Saléh e outras três cavernas cársticas de Kalimantan Oriental, que nos permitem restringir a cronologia de uma fase distinta e mais jovem da produção de arte rupestre do Pleistoceno nessa região. Estênceis de roxo escuro, alguns dos quais são decorados com motivos intricados, datam de 21 a 20 ka e uma representação rara do Pleistoceno de uma figura humana - também colorida de roxo escuro - tem uma data mínima de 13,6 ka.

Nossas descobertas mostram que a pintura rupestre apareceu no leste de Bornéu entre 52 e 40 ka e que um novo estilo de arte parietal surgiu durante o Último Máximo Glacial. É agora evidente que uma importante província de arte rupestre do Paleolítico existia na extremidade leste da Eurásia continental e no Wallacea adjacente de pelo menos 40 ka até o Último Máximo Glacial, o que tem implicações para entender como as primeiras tradições da arte rupestre emergiram, se desenvolveram e se espalharam Pleistoceno Sudeste Asiático e mais longe.



Figurative cave paintings from the Indonesian island of Sulawesi
date to at least 35,000 years ago (ka) and hand-stencil art from
the same region has a minimum date of 40ka
1
. Here we show that
similar rock art was created during essentially the same time period
on the adjacent island of Borneo. Uranium-series analysis of calcium
carbonate deposits that overlie a large reddish-orange figurative
painting of an animal at Lubang Jeriji Saléh—a limestone cave in
East Kalimantan, Indonesian Borneo—yielded a minimum date
of 40ka, which to our knowledge is currently the oldest date for
figurative artwork from anywhere inthe world. In addition, two
reddish-orange-coloured hand stencils from the same site each
yielded a minimum uranium-series date of 37.2ka, and a third hand
stencil of the same hue has a maximum date of 51.8ka. We also
obtained uranium-series determinations for caveart motifs from
Lubang Jeriji Saléh and three other East Kalimantan karst caves,
which enable us to constrain the chronology of a distinct younger
phase of Pleistocene rock art production in this region. Dark-
purple hand stencils, some of which are decorated with intricate
motifs, date to about 21–20ka and a rare Pleistocene depiction of a
human figure—also coloured dark purple—has a minimum date of
13.6ka. Our findings show that cave painting appeared in eastern
Borneo between 52 and 40ka and that a new style of parietal art
arose during the Last Glacial Maximum. It is now evident that a
major Palaeolithic caveart province existed in the eastern extremity
of continental Eurasia and in adjacent Wallacea from at least
40ka until the Last Glacial Maximum, which has implications for
understanding how early rock art traditions emerged, developed and
spread in Pleistocene Southeast Asia and further afield.
Since the 1990s, thousands of rock art images have been documented
in the karst caves of the Sangkulirang–Mangkalihat Peninsula in East
Kalimantan, a province in the Indonesian portion of Borneo
2–11
(P.S.,
unpublished observations) (Fig.1). This remote and difficult-to-access
region contains 4,200km
2
of karst outcrops
9,12
that are formed of late
Eocene to early Pliocene limestone
13
. The karst terrain is character-
ized by densely forested mountain chains and towering cliffs that reach
heights of several hundred metres. The Sangkulirang–Mangkalihat
Peninsula is adjacent to the edge of the Sunda Shelf—a continental
shelf that descends to about 2,500m in depth—and therefore even
during low sea-level stands in the Pleistocene, the karsts were situated
essentially at the southeastern tip of Eurasia (Fig.1). Fifty-two rock
art sites have been recorded in eight different karst mountain areas
between the Berau and East Kutai districts, spanning a distance of about
100km. The art is often found in remote, high-level caves that contain
little other evidence of human habitation. Few sites in the region have
been excavated; the oldest published archaeological remains date to
19,761 ± 87years before present (, taken as 1950; an uncalibrated
accelerator mass spectrometry
14
C date on charcoal)
14
. Previous ura
-
nium-series (U-series) and
14
C dating of a cave drapery that overlies a
hand stencil at Lubang Jeriji Saléh suggested a minimum date of about
10ka for this motif
15
(Supplementary Information).
On the basis of the superimposition of different styles, the rock art
of the Sangkulirang–Mangkalihat Peninsula comprises at least three
chronologically distinct phases
9
. The oldest style is characterized by
large in-filled, reddish-orange-coloured paintings of animals—mainly
the Bornean banteng (Bos javanicus lowi), a type of wild cattle that
is still extant on the island (Extended Data Fig.1), but also includes
what may be now-extinct taxa
16
as well as hand stencils produced
using pigment of the same distinctive hue (Extended Data Fig.1).
The second phase is dominated by hand stencils that are dark purple
(‘mulberry’) in colour, which are often clustered into distinct composi-
tions (Extended Data Fig.1). Many of these stencils are partly in-filled
with painted lines, dashes, dots and small abstract signs that possibly
represent tattoos or other marks of social identification, and in some
instances hand stencils are linked together by painted mulberry lines
that form intricate tree-like motifs, which perhaps symbolize kinship
connections. Some older reddish-orange hand stencils appear to have
been ‘retouched’ with mulberry paint to create similar in-filled designs
and tree-like motifs (Extended Data Fig.1). This phase also features
small, carefully executed mulberry-coloured paintings of anthropo-
morphs (Extended Data Fig.2). These elegant, thread-like human
figures—henceforth, ‘Datu Saman’following the established term for
this style
6
—are sometimes shown in small groups, and are usually
portrayed with elaborate headdresses and an array of other objects of
material culture that includes possible spear throwers. Some figures
are depicted in narrative scenes as hunting or pursuing small deer or as
engaged in enigmatic social or ritual activities (for example, ‘dancing’;
Extended Data Fig.2). The final rock art phase is characterized by
anthropomorphs, boats and geometric designs that are usually exe-
cuted in black pigments (Extended Data Fig.1). This rock art style is
the only one that has thus far been documented elsewhere in Borneo;
it is found at other locations in Indonesia and may be associated with
the movement of Asian Neolithic farmers into the region from about
4ka, or more recently
17,18
.