Pesquisadores
descobriram um misterioso lagarto ancestral com dentes semelhantes aos
de uma cobra na Escócia. O Breugnathair elgolensis é um dos fósseis de
lagarto relativamente completos mais antigos e ajuda os cientistas a
compreender melhor as origens das cobras no período Jurássico.
O esqueleto fossilizado de
um réptil do período Jurássico, que parece ser parte lagarto e parte
cobra, foi desenterrado na Ilha de Skye, na Escócia.
Um
novo estudo descobriu que esse lagarto misterioso possuía dentes
recurvados, semelhantes aos de uma cobra, que usava para caçar suas
presas há 167 milhões de anos.
A espécie recém-descoberta recebeu o nome de Breugnathair elgolensis
, que significa "falsa cobra de Elgol", em homenagem à anatomia
complexa da criatura e à região de Elgol, no sul da Ilha de Skye, onde o
fóssil foi encontrado, de acordo com o estudo publicado na quarta-feira
(1º de outubro) na revista Nature .
O B. elgolensis
tinha apenas cerca de 41 centímetros de comprimento, mas isso ainda o
tornava um dos maiores lagartos de seu ecossistema, de acordo com um
comunicado divulgado pelos pesquisadores. Os cientistas suspeitam que
ele caçava lagartos menores, mamíferos primitivos e até mesmo
dinossauros jovens, como pequenos heterodontossaurídeos herbívoros e
paravianos predadores semelhantes a aves.
Possuía
mandíbula semelhante à de uma cobra e dentes curvos parecidos com os de
uma píton moderna, mas seu corpo era curto, com membros totalmente
formados como os de um lagarto. A B. elgolensis também
apresentava características semelhantes às de uma lagartixa em alguns de
seus ossos, incluindo a parte posterior do crânio. Os pesquisadores
ainda estão decifrando a história evolutiva da B. elgolensis , mas sua descoberta pode mudar a forma como eles encaram a evolução inicial das serpentes.
Atualmente, os cientistas têm um
conhecimento fragmentado sobre a evolução inicial de lagartos e
serpentes. Ambos os animais pertencem a um grupo chamado Squamata, que
surgiu há cerca de 190 milhões de anos. Há alguma sobreposição entre os
membros do grupo, mas os lagartos surgiram primeiro e geralmente possuem quatro membros, enquanto as serpentes não possuem membros.
"Os depósitos de fósseis do Jurássico na Ilha de Skye são de
importância mundial para a nossa compreensão da evolução inicial de
muitos grupos vivos, incluindo os lagartos, que estavam começando a sua
diversificação por volta dessa época", disse em comunicado a coautora
principal do estudo, Susan Evans , professora de morfologia e paleontologia de vertebrados no University College London.
Os pesquisadores determinaram que B. elgolensis
pertencia a um subgrupo de Squamata chamado Parviraptoridae, que antes
era conhecido apenas por fragmentos de outros fósseis. Embora ossos
semelhantes aos de cobras tivessem sido encontrados próximos a ossos
semelhantes aos de lagartixas, alguns cientistas presumiam que
pertenciam a dois animais diferentes. O novo fóssil confirma que uma
única espécie possuía, de fato, ambas as características, segundo o
comunicado.
"Descrevi os parviraptorídeos pela primeira vez há
cerca de 30 anos, com base em material mais fragmentário, então é um
pouco como encontrar a parte de cima de um quebra-cabeça muitos anos
depois de você ter decifrado a imagem original a partir de um punhado de
peças", disse Evans. "O mosaico de características primitivas e
especializadas que encontramos nos parviraptorídeos, como demonstrado
por este novo espécime, é um lembrete importante de que os caminhos
evolutivos podem ser imprevisíveis."
Os pesquisadores ainda não têm certeza se as serpentes evoluíram de espécies como a B. elgolensis ou se desenvolveram peças bucais semelhantes de forma independente. Também é possível que a B. elgolensis seja uma linhagem ancestral dentro do filo Squamata, contribuindo para o surgimento de todos os lagartos e serpentes.
"Este fóssil nos leva bastante longe, mas não nos leva até o fim", disse o autor principal do estudo, Roger Benson
, curador Macaulay da Divisão de Paleontologia do Museu Americano de
História Natural, em comunicado. "No entanto, nos deixa ainda mais
animados com a possibilidade de descobrirmos a origem das cobras."
domingo, 10 de outubro de 2021
Lepidossauro: tronco Triássico ilumina a origem de répteis semelhantes a lagartos
A evolução precoce dos répteis diapsidas é marcada por um profundo contraste entre nosso conhecimento da origem e evolução precoce dos arquissauros (crocodilos, dinossauros aviários e não-aviários) ao dos lepidosauromorfos (escamos (lagartos, cobras) e esfenodoncianos (tuataras)). Considerando que as primeiras incluem centenas de espécies fósseis através de várias linhagens durante o período Triássico1, estes últimos são representados por um registro fóssil extremamente irregular que compreende apenas um punhado de fósseis fragmentários, a maioria dos quais têm afinidades filogenéticas incertas e estão confinados à Europa1,2,3. Aqui relatamos a descoberta de um crânio réptil tridimensionalmente preservado, atribuído comoTaytalura alcoberigen. et sp. nov., da época triássica tardia da Argentina que é robustamente inferido filogeneticamente como o primeiro lepidosauromorpha em evolução, usando vários tipos de dados e critérios de otimização.
Tomografias microcomputadas deste crânio revelam detalhes sobre a origem do crânio lepidosauriano a partir de diapsidas precoces, sugerindo que vários traços tradicionalmente associados com esfenodontas de fato se originaram muito antes na evolução do lepidosauromorpha.Taytalurasugere que a arquitetura do crânio fortemente conservada evolutivamente dos esfenodoncianos representa a condição plesiomórfica para todos os lepidosauros, que os lepidosauros de caule e coroa foram contemporâneos por pelo menos dez milhões de anos durante o Triássico, e que os lepidosauromorfos primitivos tinham uma distribuição geográfica muito mais ampla do que se pensava anteriormente.
sexta-feira, 27 de agosto de 2021
Um lepidosauro de haste Triássica ilumina a origem dos répteis semelhantes a lagartos
A
evolução inicial dos répteis diapsidas é marcada por um profundo
contraste entre o nosso conhecimento da origem e evolução inicial dos
arquossauromorfos (crocodilos, dinossauros aviários e não aviários) e
dos lepidosauromorfos (escamatos (lagartos, cobras) e esfenodontianos
(tuataras)) . Enquanto os primeiros incluem centenas de espécies fósseis
de várias linhagens durante o período Triássico 1
, os últimos são representados por um registro fóssil inicial
extremamente irregular, compreendendo apenas um punhado de fósseis
fragmentários, a maioria dos quais têm afinidades filogenéticas incertas
e estão confinados à Europa 1 , 2 , 3 . Aqui, relatamos a descoberta de um crânio de réptil preservado tridimensionalmente, designado como Taytalura alcoberigen.et sp. nov.,
da época do Triássico Superior da Argentina, que é fortemente inferido
filogeneticamente como o lepidosauromorfo mais antigo em evolução,
usando vários tipos de dados e critérios de otimização.
As
varreduras de micro-tomografia computadorizada deste crânio revelam
detalhes sobre a origem do crânio lepidosauriano dos primeiros
diapsídeos, sugerindo que vários traços tradicionalmente associados aos
esfenodontianos de fato se originaram muito mais cedo na evolução dos
lepidosauromorfos. Taytalura
sugere que a arquitetura do crânio fortemente conservada evolutivamente
dos esfenodontianos representa a condição plesiomórfica para todos os
lepidossauros, que os lepidossauros do tronco e da coroa foram
contemporâneos por pelo menos dez milhões de anos durante o Triássico e
que os primeiros lepidosauromorfos tinham uma distribuição geográfica
muito mais ampla do que se pensava anteriormente .
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Callopistes rionegrensis: um lagarto fóssil patagônico
Callopistes rionegrensis: um lagarto fóssil patagônico
Descoberta
de nova espécie, que viveu há pelo menos 21 milhões de anos, representa
o mais antigo - e mais ao sul - registro dos chamados teiús-anões
Um novo lagarto fóssil encontrado na área do parque natural Paso
Córdoba, na província de Río Negro, Argentina, traz novas evidências
para a origem e evolução do grupo de lagartos conhecidos como
“teiús-anões”, pertencentes ao gênero Callopistes (figura 1).
Isso porque esses lagartos, que atualmente apresentam duas espécies, são
restritos à costa oeste dos Andes, com distribuição desde o sul do
Chile até o noroeste do Peru e Equador.
Mas o achado, encontrado na importante Formação Chichínales, de onde
já foram recuperados fósseis de mamíferos, aves e tartarugas, representa
o registro mais ao sul e mais antigo do gênero. A descrição do fóssil e
sua relação com as demais espécies do gênero e da família Teiidae
encontram-se no artigo publicado no dia 21 de setembro na revista Journal of Vertebrate Paleontology.
Figura
1. Reconstrução de Callopistes rionegrensis. Desenho Mariela
Martinotti, do Museo Patagónico de Ciencias Naturales, de General Roca.
Batizado de Callopistes rionegrensis, em referência ao local
onde foi encontrado, o animal é conhecido apenas do crânio, quase
totalmente completo, exceto pela ponta do focinho e a região mais
posterior da cabeça. Além do crânio, as duas mandíbulas estão
preservadas.
A partir da técnica de tomografia computadorizada,
o animal pôde ser estudado tanto de dentro quanto por fora, o que
permitiu visualizar características importantes que colocaram esse
bichinho como uma espécie distinta.
Na ponta dos dentes
De tamanho pequeno (o crânio tem aproximadamente 5cm), esse lagarto é
mais proximamente relacionado a outro fóssil do mesmo gênero do que às
espécies atuais, Callopistes flavipunctatus e Callopistes maculatus (figura 2). O “grupo-irmão” em questão é Callopistes bicuspidatus, encontrado em sedimentos pliocênicos do sul da província de Buenos Aires, em uma região chamada Farola Monte Hermoso[1].
Batizado de Callopistes rionegrensis,
em referência ao local onde foi encontrado,o animal é conhecido apenas
do crânio, quase totalmente completo, exceto pela ponta do focinho e a
região mais posterior da cabeça.
Como as demais espécies da família Teiidae, ao qual esse gênero
pertence, o pequeno réptil tinha dentes com várias finalidades: os
primeiros, menores e com uma só cúspide (“pontinha” do dente), seguidos
por um dente alongado, do tipo “caniniforme”, e por fim dentes com mais
de uma cúspide. Essa gradação dentária está associada a uma alimentação
onívora, embora não seja conhecido ao certo de quê ele se alimentava. As
espécies atuais, Callopistes flavipunctatus e Callopistes maculatus, são conhecidas por se alimentarem de outros lagartos e de pequenas aves e invertebrados, respectivamente[2,3].
Figura
2. A) Mapa de distribuição geográfica das espécies do gênero
Callopistes. A estrela indica a localidade do fóssil MPCN PV-002; o
triângulo preto indica a localidade do fóssil Callopistes bicuspidatus;
os círculos brancos indicam área de ocorrência aproximada da espécie
Callopistes flavipunctatus; os quadrados brancos indicam área de
ocorrência aproximada da espécie Callopistes maculatus; B) Foto da
unidade litoestratigráfica da Formação Chichínales; C) Imagem de
satélite indicando a localização do sítio onde foi encontrado o fóssil
Callopistes rionegrensis, no parque natural Paso Córdoba, General Roca,
norte da Patagônia, Argentina.
A propósito, o fóssil Callopistes bicuspidatus foi assim chamado pois o autor considerou os dentes “bicuspidados”, ou seja, com duas cúspides, uma característica autapomórfica ou exclusiva, desse organismo, mas tanto o novo fóssil quanto a espécie atual Callopistes maculatus (teiú-anão) possuem dentes com duas cúspides.
Essa diferença seria, por exemplo, em relação aos lagartos chamados teiús (gênero Tupinambis),
que se distribuem desde o norte da Amazônia até o sul da Argentina.
Algumas espécies, principalmente as de maior porte como o argentino T. rufescense o “velho conhecido” de quem tem sítio, chácara ou mora no interior T. merianae (figura 3), apresentam os últimos dentes com três cúspides, e até mesmo dentes do tipo “molariforme” aparecem em algumas espécies de teiú.
Figura 3. Lagarto teiú, Tupinambis merianae. Crédito: Wikipedia.
*dentes verdadeiramente molariformes são exclusivos dos mamíferos,
mas muitos répteis apresentam dentes que os biólogos chamam de “tipo”
molariforme, ou molariform-like. Esses dentes, em geral, são
usados para esmagar e macerar os alimentos, mas não são homólogos aos
dentes molariformes dos mamíferos.
Como
as demais espécies da família Teiidae, o pequeno réptil tinha dentes
com várias finalidades: os primeiros, menores e com uma só cúspide
(“pontinha” do dente), seguidos por um dente alongado, do tipo
“caniniforme”, e por fim dentes com mais de uma cúspide. Essa gradação
dentária está associada a uma alimentação onívora, embora não seja
conhecido ao certo de quê ele se alimentava
O lagarto Callopistes rionegrensis também apresenta uma
característica única em relação aos seus parentes: ele possui de 6 a 8
dentes no pterigóide! O pterigóide é um ossinho alongado que conecta a
região palatal (ou o “céu da boca”) dos répteis com o quadrado, que é um
osso robusto de sustentação e articulação do crânio com a mandíbula.
Nos mamíferos, o quadrado (junto com o articular, um osso da mandíbula
dos répteis) passou por uma série de modificações e adaptações e faz
parte do ouvido médio[4].
A dentição, aliás, é um aspecto dos organismos, principalmente dos
vertebrados, que aparece muito em trabalhos de anatomia comparada e
filogenia (figura 4). Isso porque os dentes possuem inúmeros caracteres
que podem ser testados quando comparados a outros organismos, como o
número de cúspides, como falado acima, a orientação dos dentes, o número
de dentes, a reposição dentária (as cobras e lagartos – com exceção dos
lagartos agamídeos, que são acrodontes – apresentam reposição dentária
ao longo de toda a vida, diferentemente de nós que trocamos os dentes de
leite pelos dentes permanentes uma única vez), etc.
Figura
4. Vista labial direita de exemplares viventes estudados como
comparação. A) Dracaena guianensis; B) Tupinambis merianae; C)
Callopistes maculatus; D) Crocodilurus lacertinus; E) Ameiva ameiva; F)
Cnemidophorus lemniscatus. A barra de escala equivale a 1 cm.
Olho maior que a boca
Mas apesar de muito importantes, os dentes não são a única
característica marcante do lagartinho anão patagônico. Uma
característica única que ele apresenta e que nenhum outro membro da
família Teiidae atual possui é o chamado forâmen pineal ou forâmen da glândula pineal[5].
Essa pequena abertura, localizada no topo da cabeça (figura 5), entre
os ossos parietal e frontal, nos répteis antigos e em algumas espécies
modernas tem a função de regulamentação da glândula
pineal, que é uma glândula ativada pela luz solar e envolvida nos ritmos
circadianos (dia e noite) dos organismos. A luz solar estimula essa
pequena estrutura à produção de vitamina D e de melatonina (não
confundir com melanina, que é o pigmento de cor da pele!), um hormônio
que faz com que a gente se sinta disposto e ativo durante o dia, e
“desligue” para “repor as energias” durante a noite.
Essa
pequena abertura, localizada no topo da cabeça, entre os ossos parietal
e frontal, nos répteis antigos e em algumas espécies modernas tem a
função de regulamentação da glândula pineal, que é uma glândula ativada
pela luz solar e envolvida nos ritmos circadianos (dia e noite) dos
organismos
Nós ainda temos a glândula pineal, mas ela localiza-se dentro do
nosso encéfalo, numa região conhecida como epitálamo. Mas assim como as
espécies de lagartos da família Teiidae atuais (e os demais mamíferos),
não possuímos uma abertura craniana para essa glândula. Figura
5. Callopistes rionegrensis, crânio visto de cima. A) Foto e B) imagem
de tomografia computadorizada. No detalhe, forâmen pineal. Foto: Ana
Bottallo.
Essa característica única do fóssil Callopistes rionegrensis é
uma das diagnoses da espécie. Por ser conhecido apenas de materiais
fragmentários e desassociados, não é possível dizer com certeza se o
fóssil Callopistes bicuspidatus possuía essa mesma característica.
Estratigrafia e Paleoecologia
Os trabalhos mais recentes em sistemática filogenética da família
Teiidae consideram que a origem do grupo foi no início do Paleoceno, há
65 milhões de anos. Essa família é neotropical e possui um amplo
registro fóssil sul-americano, que consiste principalmente de fragmentos
isolados de mandíbulas, maxilares ou outros elementos cranianos,
usualmente atribuídos ao gênero Tupinambis.
O
fóssil Callopistes rionegrensis tem idade aproximada de 21.1~20.1
milhões de anos, enquanto o fóssil Callopistes bicuspidatus, do sul de
Buenos Aires, tem idade aproximada em 6.8~5.1 milhões de anos, o que faz
com que o novo achado seja pelo menos 14 milhões de anos mais antigo
Além disso, a formação Chichínales apresenta achados fósseis que
indicam que era no passado uma região de planícies alagáveis, semelhante
ao bioma “chaco” encontrado hoje em algumas regiões do norte da
Argentina. A formação de Monte Hermoso, de onde veio C. bicuspidatus, também se caracterizava por um ambiente mais quente e úmido.
Como as duas espécies atuais do gênero são encontradas apenas em
desertos andinos de altitude, que representam um ambiente mais seco e
frio, os autores do artigo concluíram que o gênero Callopistes apresentava
antes uma distribuição muito mais ampla, tanto no sentido geográfico
quanto no sentido de viver em ambientes com características climáticas
diferentes. Portanto, a presença de C. maculatus e C. flavipunctatus hoje em planícies do Chile e do Peru e Equador, respectivamente, deve representar uma distribuição relictual. Saiba mais sobre este estudo: Quadros. et al. (2018). A new teiid lizard of the genus CallopistesGravenhorst, 1838 (Squamata, Teiidae), from the lower Miocene of Argentina. Journal of Vertebrate Paleontology. Acesso em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02724634.2018.1484754 Demais referências utilizadas [1] Chani, J. (1976). Relaciones de un nuevo Teiidae (Lacertilia) fósil del Plioceno superior, Callopistes bicuspidatusnov. sp. Instituto Miguel Lillo, Universidad Nacional de Tucumán, Publicaciones Especiales: 133-153. [2] Vidal, M. A. et al. (2011). Daily
activity and thermoregulation in predator–prey interaction during the
Flowering Desert in Chile. Journal of Arid Environments, v. 75, n. 9, p.
802-808, 2011. [3] Crespo, S. & Koch, C. (2015). Notes on
natural history and distribution of Callopistes flavipunctatus
(Squamata: Teiidae) in northwestern Peru. Salamandra, v. 51, n. 1, p.
57-60. [4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Ouvido_médio [5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Glândula_pineal
quinta-feira, 1 de março de 2018
A influência da hibernação sazonal na vida dos lagartos
Estudo coletou amostras de sangue de seis teiús antes, durante e depois da hibernação
[28/02/2018]
A aluna
Gabriela De Sousa Martins defendeu hoje, 28 de fevereiro, sua tese de
mestrado intitulada “Efeitos da variação metabólica sazonal sobre a
hematologia e sistema bioquímico antioxidante de Salvator merianae
(Squamata: Teiidae)”. O trabalho foi realizado por meio do Programa de
Pós-Graduação em Biologia Animal.
Resumo:
Lagartos da espécie Salvator merianae possuem comportamento de
hibernação sazonal, resultado de um ritmo fisiológico endógeno da
espécie e caracterizado por redução drástica da taxa metabólica. Assim,
há uma diminuição da atividade geral destes animais, os quais cessam sua
movimentação e alimentação, além de reduzirem significativamente a
frequência cardíaca e respiratória.
Dessa forma, a oscilação entre a
estação ativa e hibernação em S. merianae tem como consequência uma
exposição constante a situações de depleção e retomada do consumo de
oxigênio, bem como de flutuações na formação de espécies oxidantes (EO),
o que faz com que seja imprescindível a atuação de um sistema
antioxidante eficaz que possa prevenir os danos oxidativos ao organismo
destes animais.
Além disso, estes ajustes podem comprometer as células
sanguíneas, uma vez que, em répteis, os valores hematológicos estão
sujeitos a inúmeras alterações dependentes das condições fisiológicas e
comportamentais às quais estão submetidos. Com isso, este estudo buscou
avaliar as possíveis modificações na condição corporal geral, no
metabolismo redox e perfil hematológico, decorrentes das mudanças
fisiológicas e metabólicas únicas ocorridas no ciclo anual de S.
merianae. Para isso foram utilizados seis espécimes de teiús,
disponibilizados pelo Laboratório de Zoofisiologia Comparativa dos
Vertebrados da UNESP de São José do Rio Preto – SP.
Os animais foram
previamente pesados, a temperatura corpórea foi aferida e coletou-se
amostras de sangue da veia caudal em três períodos: pré-hibernação
(fevereiro), hibernação (julho) e despertar (agosto). O metabolismo
redox consistiu na análise das enzimas antioxidantes, CAT, GPx, GR,
G6PDH e GST, e biomoléculas oxidadas, enquanto o perfil hematológico foi
avaliado por meio de hemograma.
Observou-se que durante o ciclo
fisiológico de S. merianae os animais perdem relativamente pouca massa
corpórea nos meses de hibernação, a qual é recuperada rapidamente no
despertar. Além disso, a temperatura corporal oscila conforme o padrão
comportamental dos animais nas diferentes estações do ano.
Com relação
ao metabolismo redox, o aumento na atividade de algumas enzimas
antioxidantes durante a hibernação e despertar, somado aos altos níveis
de biomoléculas oxidadas, sugere que houve estresse oxidativo na
condição hipometabólica, mas demonstra que estes animais são capazes de
suportar oscilações no equilíbrio redox. Por fim, a hibernação em S.
merianae demanda ajustes na série vermelha de modo a tornar o transporte
de gases eficiente, e o hipometabolismo característico do período
parece suprimir o sistema imune, como evidenciado na série branca do
tecido sanguíneo.
Comissão Examinadora:
Prof.(A). Claudia Regina Bonini Domingos-Orientadora-Unesp/Sjrp Prof.(A). Larissa Paola Rodrigues Venancio-Universidade Federal Do Oeste Da Bahia Prof.(A). Kenia Cardoso Bícego-Fcav/Unesp