domingo, 14 de fevereiro de 2016

National Geographic: Tiger's Revenge
National Geographic: A Revanche das Tigresas



[imdb]

Áudio  :br:

Citação
Esta é a história de duas tigresas irmãs: Sundari, poderosa mas incapaz de engravidar há mais de dois anos e sua irmã Krishnaa, com uma ninhada de três saudáveis filhotes.

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sábado, 13 de fevereiro de 2016



ANTROPOCENO: UMA NOVA ERA GEOLÓGICA?

CABRAL, M.V.1,2

1Centro Universitário Hermínio Ometto – UNIARARAS, Araras, SP.; 2Docente;.



RESUMO

Os cientistas estão avaliando se a força e o resultado das atividades humanas na Terra são tão grandes e realmente expressivos que possam dar origem a uma nova época geológica, o Antropoceno. Para o início desta época há várias datas debatidas e estudadas, a exemplo da revolução industrial ou a era nuclear, e têm por embasamento as marcas humanas nos estratos geológicos. Nas décadas que sucederam a chegada de Cristóvão Colombo à América, em 1492, os habitantes que viviam há milhares de anos no local morreram aos milhões à custa das doenças levadas pelos europeus, bem como às guerras. O trágico drama ficou evidente na própria Terra: em 1610, a concentração de CO2 atingiu um valor mínimo que permaneceu deixou registros nas camadas de gelo na Antártica. A relação entre o dióxido de carbono e a mortandade é simples. Milhões de hectares de terra que eram anteriormente cultivados por aqueles povos foram abandonados. As florestas, nesses locais, voltaram a crescer e removeram muito dióxido de carbono da atmosfera, fato que levou a uma diminuição da concentração deste gás. Esta é uma das múltiplas memórias sobre a história da humanidade que os geólogos podem encontrar nos gelos e sedimentos mundo fora. A nossa espécie terá cerca de 200.000 anos de existência, um piscar de olhos na vida da Terra com os seus 4,5 bilhões de anos. E, no entanto, o rasto que fomos deixando é incontornável. Desde o fabrico de utensílios de pedra para a caça, que terá feito desaparecer muitas espécies de grandes mamíferos, passando pelo aparecimento da agricultura e das primeiras cidades, até à revolução industrial e ao lançamento de bombas nucleares, as atividades humanas ficaram registradas nos sedimentos dos últimos milhares de anos. Por tudo isto, surgiu recentemente a expressão "antropoceno", usada de um modo informal na geologia, arqueologia ou sociologia, para denominar a atual época geológica, dominada pelas atividades humanas, cujas consequências são visíveis nas alterações climáticas, na perda de biodiversidade e no aumento da acidez dos oceanos. Mas o conceito não tem o estatuto oficial da União Internacional das Ciências Geológicas (UICG), a entidade que define as unidades de tempo geológicas. Segundo esta união, a época que estamos agora a viver não é o Antropoceno, mas sim o Holoceno, iniciado no final da última era glacial, há cerca de 11.700 anos. Isso poderá vir a mudar. Para se tornar oficial, o Antropoceno tem primeiro, de ser bem documentado, ou seja, os geólogos e outros cientistas têm de encontrar, nas camadas estratigráficas da Terra, as marcas deixadas pelas atividades humanas que representam uma mudança global. Estas marcas terão de estar associadas a uma data.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

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fapesp lavas vulcanicas wikimedia
Estudo estabelece a cronologia de eventos tectônicos e climáticos nas bacias sedimentares Bauru, Sanfranciscana e dos Parecis, na região Centro-Sul do país (imagem: Wikimedia Commons)

Há 140 milhões de anos, no início do período Cretáceo, o Brasil era coberto por um vastíssimo deserto de dunas muito maior que o Saara. Este deserto desapareceu ao ser engolido por um oceano de lava produzido pelo maior extravasamento de magma dos últimos 500 milhões de anos. Sete entre as dez maiores erupções vulcânicas – inclusive as três maiores – que ocorreram no planeta neste período aconteceram no Sudeste brasileiro. O panorama geológico que os pesquisadores brasileiros estão compondo de nosso país é estarrecedor.

O mais recente trabalho que procura atar três peças basilares desse quebra-cabeça colossal, as três bacias geológicas que sustentam a porção Centro-Sul do território brasileiro, acaba de ser publicado no Journal of South American Sciences. Um de seus autores é o geólogo Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O projeto teve o apoio da Fapesp.
fapesp alessandro batezelliO foco do estudo de Batezelli são as bacias sedimentares do Centro-Sul do Brasil, com destaque para as bacias Bauru, Sanfranciscana e dos Parecis. Entender o modo como os eventos tectônicos e climáticos interagiram em cada uma delas no tempo e no espaço ajuda a estabelecer uma sequência cronológica.

A descoberta daqueles eventos não foi obra de Batezelli e do geógrafo Francisco Sergio Bernardes Ladeira, o coautor do trabalho. Mas é a sua pesquisa, assim como a de outros profissionais, que nos permite tecer um esboço do drama geológico que se desenrolou no Centro-Sul brasileiro entre 135 e 60 milhões de anos atrás.

A ruptura de Gondwana

No período Jurássico, entre 201 e 145 milhões de anos atrás, a América do Sul e a África encontravam-se unidas. Ficavam bem no meio do antigo megacontinente Gondwana. As correntes de ar saturadas de umidade do antigo oceano Pantalássico não tinham força para atingir o distante centro de Gondwana. Daí a formação de um imenso deserto, o deserto Botucatu. É o mesmo processo que se vê hoje na Ásia Central, cujo clima desértico se deve à sua grande distância dos oceanos.
Quase não há fósseis preservados do Jurássico no Brasil. Explicações, para tanto, seriam o clima inóspito do deserto e também a difícil preservação de fósseis num ambiente de dunas. No entanto, o deserto Botucatu não era desabitado. Até agora, foram achadas apenas algumas pegadas fossilizadas de mamíferos e de répteis.

Há 140 milhões de anos, a América do Sul e a África começaram a se separar para dar início à abertura do Atlântico Sul. “O fenômeno que provocou a ruptura de Gondwana foi o surgimento de fraturas profundas na crosta terrestre”, diz Batezelli. Por essas fraturas começou a extravasar magma do interior do planeta em quantidades descomunais. À medida que as fendas iam se alargando, e os continentes se afastando, mais lava extravasava, num processo contínuo e muito prolongado, que perdurou de 137,4 a 128,7 milhões de anos atrás.

O epicentro desta megaerupção vulcânica, “ou mais apropriadamente um megaextravasamento basáltico, conhecido como Província Vulcânica Paraná-Etendeka,” como observa o geólogo, foi o Sudeste e o Sul do Brasil, que se encontravam ligados às terras da atual Namíbia, na África.
A Província Vulcânica Paraná-Etendeka foi formada a partir de diversas fendas, ou megavulcões, os maiores de que se têm notícia. Não eram vulcões explosivos, como os que estamos acostumados a ver. “Não havia erupções explosivas. As fendas jorravam continuamente”, diz Batezelli. “Daqui até a África havia fendas através das quais a lava extravasou sobre uma área gigantesca e por um período muito prolongado.” Através daquelas fendas transbordaram 2,3 milhões de km3 de lava, que cobriram totalmente 1,5 milhão de km2 – equivalente a cobrir o Estado do Amazonas, o maior do país, com uma camada de lava de 1,5 km de altura.

A origem do aquífero Guarani

Toda essa lava enterrou as antigas dunas do deserto Botucatu e foi-se acumulando em camadas sucessivas até erigir a Serra Geral, que cobre os Estados do Paraná, Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul – além do leste paraguaio e o norte da Argentina. Sua areia foi cozinhada a uma temperatura de 1.200 graus centígrados e prensada pelo peso do magma. A areia acabou virando arenito, uma rocha bastante porosa que tem a propriedade de armazenar a água da chuva que é absorvida pelo solo.
No caso das dunas do deserto Botucatu, elas deram origem ao aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta, enterrado sob o chão do Centro-Sudoeste do Brasil. O aquífero Guarani comporta 37 mil km3 de água, equivalente a 1,6 vez o volume do maior lago do planeta, o Baikal, na Sibéria.

“Nas regiões onde as dunas entraram em contato direto com a lava, houve um aumento de temperatura tão grande que os sedimentos foram literalmente cozidos, formando um arenito mais duro e impermeável, que é usado hoje nas calçadas de mosaico português”, diz Batezelli. Já a lava resfriada formou basalto, e este, desgastado por cem milhões de anos de erosão, deu origem à terra roxa, o solo fértil que alavancou no século XIX as lavouras de café em São Paulo e no Paraná.

Um novo deserto

Há 128,7 milhões de anos, quando os extravasamentos de magma findaram, aquele gigantesco acúmulo de rocha vulcânica fez com que parte do Sudeste brasileiro sofresse um abatimento sob seu próprio peso, o que criou na superfície uma nova bacia sedimentar, a Bacia Bauru. E sobre esta bacia formou-se um novo deserto de dunas, porém menor que o anterior.
O Atlântico Sul mal começara a abrir. Ainda nem era um braço de mar, no máximo uma depressão alagada para onde convergiam os rios, os sedimentos e a erosão de dois continentes. Ou seja, as águas de Pantalassa – o oceano que rodeava a Pangeia – ainda estavam longínquas, assim como sua brisa úmida. Para acabar com as condições de secura do Centro-Sul do Brasil, seria preciso aguardar outros 60 milhões de anos, quando o Atlântico Sul, embora com menos da metade da abertura atual, pôde amenizar o clima.
De qualquer forma, aquela depressão que lentamente se alargava um par de centímetros por ano já ia se fazendo sentir no clima. O novo deserto de dunas, agora denominado Grupo Caiuá, não era tão grande como o antigo deserto Botucatu, afirma Batezelli. Era árido, mas pontilhado aqui e ali por oásis infestados de várias espécies de crocodilos terrestres, parentes extintos dos crocodilianos atuais.
Aqueles crocodilos viviam em terra firme, tinham patas longas e andavam como lobos. Os paleontólogos já descreveram mais de uma dúzia de espécies. A mais famosa é o famigerado baurusuchus, uma fera predadora. Mas havia também formas bizarras, com chifres ou com uma carapaça semelhante à dos tatus, como a do armadillosuchus, e até um crocodilo herbívoro, o esfagessauro.

As dunas do Caiuá existiram entre 125 e 100 milhões de anos atrás, quando cederam lugar a uma nova paisagem formada por rios e lagos. “O clima se tornou muito mais ameno, similar ao semiárido da Caatinga nordestina”, diz Batezelli. Essa nova depressão recebeu sedimentos que hoje pertencem ao Grupo Bauru, que existiu entre 80 e 60 milhões de anos atrás.
Aí sim os titanossauros proliferaram. A maioria das espécies brasileiras é dessa fase. Seus fósseis homenageiam o nome das cidades mineiras e paulistas próximas das quais foram encontrados, como uberabatitan e baurutitan.

A Bacia Sanfranciscana

Concomitante a estes 60 milhões de anos de transformações na Bacia Bauru, “mais para o norte, na Bacia Sanfranciscana, ocorreram fenômenos muito parecidos, embora sem serem os mesmo”, salienta Batezelli. A Bacia Sanfranciscana engloba o oeste de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e o oeste da Bahia, estendendo-se até o sul do Piauí.
Durante o Cretáceo inferior, na Bacia Sanfranciscana se desenvolveram campos de dunas eólicas. Dezenas de milhões de anos depois, já no Cretáceo superior, também aconteceu vulcanismo. “Bem no limite entre as bacias Bauru e Sanfranciscana se formaram diversos vulcões”, revela Batezelli pautado em sua pesquisa. “Eles apresentaram um extravasamento bem menor do que o vulcanismo que deu origem à Serra Geral, porém foram responsáveis por formar uma região mais elevada entre as Bacias Bauru e Sanfranciscana. Foi como se a crosta inchasse por causa do calor das intrusões magmáticas.”
Seu relevo é perceptível até hoje, nas crateras no interior das quais estão as cidades de Araxá, Tapira e Poços de Caldas. “As grandes jazidas de nióbio assim como outras riquezas minerais do sudeste de Minas Gerais estão relacionadas a este vulcanismo.”

O vulcanismo na Bacia Sanfranciscana ocorreu há menos de 100 milhões de anos atrás. A maior parte da lava que extravasou desses vulcões avançou sobre as dunas.
A evolução da Bacia dos Parecis é semelhante ao ocorrido nas bacias Bauru e Sanfranciscana. Ainda no período Jurássico superior, ocorreu um vulcanismo modesto nos Parecis. Há 145 milhões de anos atrás, já no Cretáceo superior, formaram-se rios e lagos na região compreendida entre o norte do Mato Grosso e o oeste de Rondônia. Com o passar do tempo o clima foi se tornando mais árido e o cenário paisagístico se transformou num campo de dunas.
Em resumo, e comparando os cenários das três bacias sedimentares, conclui-se que do Cretáceo inferior ao Cretáceo superior, um período de mais de 60 milhões de anos, houve um deslocamento dos desertos de dunas no território brasileiro das direções sudeste para noroeste.

Das dunas eólicas aos rios e lagos

Durante o Cretáceo inferior, a região Sudeste era dominada por uma paisagem desértica formada por dunas eólicas. Já no Cretáceo superior, a maior parte da região Sudeste passou a ter uma paisagem constituída por rios e lagos, enquanto que desertos de dunas surgiram no norte de Minas, em Goiás, Tocantins, Matogrosso e Rondônia. “Isso demonstra que, com o passar do tempo, houve uma diminuição nas condições de umidade de sul/sudeste para o centro-oeste/norte do Brasil”, revela Batezelli.
Todo o drama geológico descrito acima se desenrolou em paralelo ao alargamento do Atlântico Sul. Suas brisas que cresciam em volume e intensidade semeavam cada vez mais umidade na porção sudeste do continente.
Esse era o cenário dominante quando da extinção em massa do fim do Cretáceo, há 65 milhões, que deu fim aos dinossauros. Esse legado geológico, geográfico e climático formou o novo meio ambiente no qual os mamíferos da era Cenozoica puderam se adaptar. Mas esta é uma outra história.
O artigo Stratigraphic framework and evolution of the Cretaceous continental sequences of the Bauru, Sanfranciscana, and Parecis basins, Brazil, de Betezelli e Ladeira, publicado no Journal of South American Earth Sciences, pode ser lido neste link.
Agência FAPESP – 03/02/2016 - Peter Moon

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

[PaleoMammalogy • 2016]  

Ptilocercus kylin • An Early Oligocene Fossil Demonstrates Treeshrews (Scandentia) are Slowly Evolving “Living Fossils”

Ptilocercus kylin 
 Li & Ni, 2016
DOI:
 10.1038/srep18627
Abstract
Treeshrews are widely considered a “living model” of an ancestral primate, and have long been called “living fossils”. Actual fossils of treeshrews, however, are extremely rare. 
We report a new fossil species of Ptilocercus treeshrew recovered from the early Oligocene (~34 Ma) of China that represents the oldest definitive fossil record of the crown group of treeshrews and nearly doubles the temporal length of their fossil record. The fossil species is strikingly similar to the living Ptilocercus lowii, a species generally recognized as the most plesiomorphic extant treeshrew. It demonstrates that Ptilocercus treeshrews have undergone little evolutionary change in their morphology since the early Oligocene. Morphological comparisons and phylogenetic analysis support the long-standing idea that Ptilocercus treeshrews are morphologically conservative and have probably retained many characters present in the common stock that gave rise to archontans, which include primates, flying lemurs, plesiadapiforms and treeshrews. This discovery provides an exceptional example of slow morphological evolution in a mammalian group over a period of 34 million years. The persistent and stable tropical environment in Southeast Asia through the Cenozoic likely played a critical role in the survival of such a morphologically conservative lineage.
Figure 1: Upper and lower dentition (in color) of Ptilocercus kylin sp. nov., compared with P. lowii (USNM 32409, in gray-scale).
(A) Crown view of the upper dentition. Fossils include the lingual half of a left M1 (IVPP V20689, reversed), the buccal half of a right M1 (IVPP V20690), a complete right M2 (IVPP V20691), and the buccal half of a left M3 (IVPP V20692, reversed). I1-2, C, P2-4, and M1-3 are shown for P. lowii. (B) Crown view of the lower dentition. Fossils include an isolated right lower canine (IVPP V20693), a right jaw fragment preserving p3-4 and the alveoli for i2-3, c, and p2 (IVPP V20694), an isolated right m1 (IVPP V20695), and a right jaw fragment preserving m2-3 (IVPP V20696, holotype). The alignment of the fossils is based on a left lower jaw fragment retaining a small portion of the i2-3 alveoli, alveoli and roots of c and p2, and p3-m3 (IVPP V20699, Fig. 2 and Supplementary Information). The i1-3, c, p2-4, and m1-3 are shown for P. lowii. (C), Lingual view of the lower dentition of P. kylin. (D), Buccal view of the dentition of P. kylin. Scale bar equals 5 mm.

Ptilocercus kylin sp. nov.
Etymology: Specific epithet is derived from the name of Qilin District, in Qujing City. Qilin is the pinyin for kylin, a hoofed dragon-like beast of Chinese myth.
Holotype: IVPP V20696 (Fig. 1), a right mandibular fragment preserving m2 and m3.
Locality and horizon: Lijiawa Mammalian Fossil locality, Yunnan Province, China. Earliest Oligocene, ~ 34 Ma.
Figure 3: Summary phylogeny of treeshrews.
Figure 4: Ptilocercus treeshrew distribution in the context of southern Asia’s modern geography and early Oligocene palaeogeography.
(A) Fossil locality of Ptilocercus kylin sp. nov. (blue dot) and the distribution of the living species Ptilocercus lowii (pale reddish shading). The background map is from: wikimedia.org (under the Creative Commons Share Alike license: creativecommons.org). (B) Fossil locality (blue dot) and reconstructed palaeogeographic distribution of the closed canopy of tropical rain forest and monsoonal forest (pale reddish shading) in the early Oligocene. The palaeogeographic reconstruction is from ref. 46 (Nature Publishing Group License: 3646200322068). The position of the fossil locality on the palaeogeographic reconstruction was estimated based on its distance from the Tibetan Plateau and the Sino-Burman Ranges (SBR).
Qiang Li and Xijun Ni. 2016. An Early Oligocene Fossil Demonstrates Treeshrews are Slowly Evolving “Living Fossils”. Scientific Reports. 6; 18627. DOI: 10.1038/srep18627

Earliest-known treeshrew fossil found in Yunnan, China
http://phy.so/373022526 via @physorg_com

Terremotos

Marcus V. Cabral


A crosta terrestre é formada por placas rígidas (placas litosféricas) que se deslocam em diferentes direções, como se flutuassem sobre o manto, que é uma porção da Terra de consistência plástica. Esse movimento é vagaroso, apenas alguns centímetros por ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram, começa a haver uma  compressão.  Em dado instante, a tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha geológica. Nesse momento, ocorre o terremoto.
Na região onde duas placas estão se afastando, também ocorre tensão, só que de distensão, não de compressão.

A quase totalidade da atividade sísmica do planeta ocorre em limites de placas litosféricas, com terremotos interplacas. Os mapas que mostram a localização dos epicentros deixam bem clara a grande concentração dos sismos, por exemplo, nos bordos da placa do Pacífico. Nada menos de 75% da energia liberada por terremotos ocorre naquela região do globo, conhecida por Cinturão de Fogo do Pacífico, porque os terremotos são ali acompanhados de vulcanismo.

Mas, embora menos freqüentes, pode haver terremotos também dentro de uma placa (terremotos intraplaca). Eles são em geral de pequena intensidade quando comparados com os de bordo de placa. Como o Brasil está na Placa Sul-Americana e esta se choca com outra placa na região da Cordilheira dos Andes, fora do nosso território, estamos livres de terremotos muito fortes, registrando apenas os intraplaca. Mas, isso não significa que aqui ocorrem apenas acomodações de camadas, como se pensava até a década de 70 do século passado.
Os sismos intraplaca são rasos (até 30-40 km de profundidade), e de magnitudes baixas a moderadas.
O ponto no interior da crosta onde se inicia a ruptura e a conseqüente liberação da tensão acumulada chama-se hipocentro (ou foco). O ponto da superfície terrestre imediatamente acima do hipocentro é o epicentro. Este é o que mais interessa à população atingida pelo terremoto, pois ele é uma cidade, um povoado, ou um ponto a uma certa distância de um local conhecido, e não um ponto perdido no interior da crosta.
Quando um terremoto é de baixa intensidade, chama-se de abalo sísmico ou tremor de terra. Mas, a origem e a natureza são exatamente as mesmas, diferindo apenas a extensão da área de ruptura.
O terremoto provoca o surgimento de ondas sísmicas, que se propagam em todas as direções. Elas são de dois tipos, as ondas primárias (ondas P) e as ondas secundárias (ondas S).
As ondas primárias são longitudinais, isso e, vibram na mesma direção em que se propagam. As ondas secundárias são transversais, pois vibram em direção perpendicular As ondas primárias são mais velozes e provocam deformações de compressão e dilatação. As secundárias, mais lentas, provocam deformações tangenciais, também chamadas de cisalhamento.
O som provocado pelo terremoto e propagado pelo ar é transmitido através de ondas do tipo P.  Nos líquidos, também, pois as ondas S só se propagam em meio sólido.
Vimos que a velocidade das ondas primárias é maior que a das ondas secundárias. Mas, é importante saber que quanto maior a densidade da rocha, maior a velocidade das ondas sísmicas.

Como se medem os terremotos
O tamanho relativo dos sismos é chamado de magnitude. Ela é medida usando-se a chamada Escala Richter, criada em 1935, por Charles Richter. Essa escala é logarítmica, ou seja, de um grau para o grau seguinte a diferença na amplitude das vibrações é de dez vezes. E a diferença da quantidade de energia liberada é de 30 vezes. Isso significa que um terremoto de magnitude 6 tem vibrações dez vezes menores que um terremoto de magnitude 7 e cem vezes menores que um cuja magnitude é 8.
A mídia costuma afirmar que a Escala Richter vai até 9, mas isso está errado. É verdade que nunca se registrou um terremoto de 10 graus, mas o fato é que a escala não tem limite, nem superior, nem inferior. Um abalo muito fraco pode inclusive ter magnitude negativa, pois a escala apenas compara os terremotos entre si.
Modernamente, usa-se também uma outra escala, que é absoluta e não relativa como a Richter. Ela baseia-se no chamado momento sísmico. De acordo com ela, o maior terremoto já registrado foi um que atingiu o sul do Chile em 1960.
Para se ter uma idéia mais exata do que representa um terremoto muito forte, se ele atingir magnitude 9 na Escala Richter, provocará uma rachadura que cortará a crosta terrestre numa distância igual à que separa o Rio de Janeiro de São Paulo, com cada bloco se afastando 10 m em relação ao outro.
Em 90% dos casos, a magnitude de um terremoto não passa de 7,0 graus.
Uma outra maneira de medir os terremotos e avaliando os efeitos que eles causam em determinado lugar. Para isso, usa-se a Escala Mercalli Modificada.
A Escala Mercalli não se baseia em medições feitas com instrumentos, mas sim na avaliação visual do efeito causado pelo terremoto em objetos e construções e sobre as pessoas.
Quando se passa de um grau dessa escala para o grau seguinte, a aceleração do solo aumenta aproximadamente o dobro.
Essa escala é menos precisa que a Escala Richter, porque usa conceitos como poucas pessoas e muitas pessoas, sem definir um número exato. Mas, por outro lado, é importante para se avaliar um terremoto ocorrido há muito tempo, numa época em que não havia estações sismográficas.

Terremotos no Brasil
Embora se situe no interior de uma placa litosférica e, portanto, em área tectonicamente estável, o Brasil tem uma atividade sísmica que não pode ser ignorada.

A Escala Mercalli
GrauDescrição dos Efeitos
INão sentido. Leves efeitos de período longo de terremotos grandes e distantes.
IISentido por poucas pessoas paradas, em andores superiores ou locais favoráveis.
IIISentido dentro de caso. Alguns objetos pendurados oscilam. Vibração parecida à do
passagem de um caminhão leve. Duração estimado. Pode não ser reconhecido com um abalo sismico.
IVObjetos suspensos oscilam. Vibração parecida o da passagem de um caminhão pesado. Janelas, louças, portas fazem barulho.
Paredes e estruturas de madeiro rangem.
VSentido fora de casa; direção estimada. Pessoas acordam. Liquido em recipiente é perturbado. Objetos pequenos e instáveis são deslocados. Portas oscilam, fecham, abrem.
VISentido por todos. Muitos se assustam e saem às ruas. Pessoas andam sem firmeza Janelas, 1ouças quebrados. Objetos e livros caem de prateleiras. Reboco fraco e construção de má qualidade racham.
VIIDifícil manter-se em pé. Objetos suspensos vibram. Móveis quebram. Danos em construção de má qualidade, algumas trincas em construção normal.
Queda de reboco, ladrilhos ou tifojolos mal assentados, telhas. Ondas em piscinas. Pequenos escorregamentos de barrancos arenosos.
VIIIDanos em construções normais com colapso parcial. Algum dano em construções reforçadas.
Queda de estuque e alguris muros de alvenaria. Queda de chaminés, monumentos, torres e caixas d’água, Galhos quebram-se das árvores. Trincas no chão.
IXPânico geral. Construções comuns bastante danificadas, às vezes colapso total.
Danos em construções reforçadas. Tubulação subterrãnea quebrada. Rachaduras visíveis no solo.
XMaioria das construções destruidos até nas fundações. Danos sérios a barragens e diques.
Grandes escorregamentos de terra. Água jogada nas margens de rios e canais, Trilhos levemente entortados.
XITrilhos bastante entortados. Tubulaçôes subterrâneas completamente destruidos.
XIIDestruição quase total. Grandes blocos do racha deslocados. Linhas de visada e níveis alterados. Objetos atirados ao ar.
Fonte: Assunção & Dias Neto, 2000 (modificado)


O maior terremoto registrado no nosso país ocorreu em 1955 e teve seu epicentro 370 km ao norte de Cuiabá (MT).  A magnitude atingiu 6,2 graus na Escala Richter.
Em 1980, houve outro terremoto, com magnitude 5,2, sentido em praticamente todo o Nordeste. Este provocou o desabamento parcial de algumas casas em Pacajus (CE).
Em 8 de junho de 1994, a cidade de Porto Alegre (RS) foi atingida pelas ondas sísmicas provocadas por um terremoto que ocorreu na Bolívia, a 2.200 km de distância. O abalo, que atingiu 7,8 graus na escala Richter, foi mais forte que aquele ocorrido nos Estados Unidos em janeiro daquele ano, e que, com uma magnitude de 6,6 graus, destruiu diversos bairros de Los Angeles. O terremoto da Bolívia, porém, teve consequências bem menos sérias porque seu hipocentro situou-se a grande profundidade, 600 km abaixo da superfície.
Em Porto Alegre, ele foi sentido por algumas pessoas; fez sacudir lustres e objetos suspensos; fez vibrar móveis nos andares mais altos de alguns edifícios; fez girar ventiladores que estavam desligados.
Esses sinais permitem dizer que ele teve uma intensidade IV na escala de Mercalli, sendo por isso classificado como moderado.
Esse terremoto levou 5min 38 s para ser sentido em Porto Alegre, tempo que as ondas sísmicas, viajando a 6,5 km/s, levaram para percorrer os 2.200 km que separam a capital  gaúcha do seu epicentro.
Em nosso país, ocorrem a cada ano, em média, 20 sismos de magnitude maior que 3,0 e dois com magnitude maior que 4,0. Isso confirma uma descoberta de Charles Richter: um  aumento de um grau na magnitude, diminui em cerca de dez vezes a quantidade de terremotos, seja em que região do mundo for.
No Brasil, terremotos com magnitude maior que 7,0 devem ocorrer uma vez a cada 500 anos; no Chile, isso ocorre a cada 3 anos.
A primeira vítima de terremoto no Brasil foi a menina Jesiane Oliveira da Silva, de 5 anos. Um terremoto de 4,9 pontos na escala Richter que atingiu o vilarejo de Caraíbas, em Itacarambi (MG), em 9 de setembro de 2007, avariou todas as 75 construções da comunidade e destruiu seis delas. Em uma destas seis, estava Jesiane. Outras seis pessoas ficaram feridas, duas em estado grave. Uma delas era a irmã gêmea da menina, que estava com ela na mesma cama.

Terremotos provocados pela atividade humana
Por estranho que pareça, há terremotos que são provocados pela atividade humana.  Eles são chamados de sismos induzidos e surgem em decorrência de explosões nucleares, introdução de água e gás sob pressão no subsolo, construção de barragens, mineração a céu aberto de grandes proporções ou extração de fluidos, como petróleo, do subsolo.
De todas essas causas, a única que tem provocado sismos de magnitude considerável é a construção de barragens, mais precisamente, o enchimento do lago, pelo enorme peso que passa a existir no local. O maior desses sismos ocorreu na Índia, em 1967, na barragem de Koyna. Ele atingiu magnitude 6,3 e provocou 200 mortes.
No Brasil, o primeiro sismo induzido de que se tem notícia ocorreu na Hidroelétrica de Capivari-Cachoeira, a nordeste de Curitiba (PR), entre 1971 e 1972. A atividade sísmica continuou até 1979, mas cada vez menos intensa.
Em terremotos desse tipo, é fácil entender, o risco maior é o de afetar a estrutura da própria barragem, pois ela se encontra no epicentro do abalo.
No dia 7 de setembro de 2001, um milhão de crianças do Reino Unido pularamnos pátios de suas escolas ao mesmo tempo para tentar provocar um terremoto. A iniciativa foi do governo britânico, como parte das atividades do Ano da Ciência, que teve por objetivo despertar o interesse pela ciência em crianças e jovens de 10 a 19 anos de idade.
O resultado não foi além de um ligeiro rabisco nos sismógrafos, mas foi aceito pelo Guiness – O Livros dos Recordes como o maior salto simultâneo da história.

O registro dos terremotos
Os terremotos são registrados e estudados nas estações sismográficas.
Nelas, aparelhos chamados sismômetros medem os terremotos e outros, chamados sismógrafos, registram seus efeitos numa folha de papel. Esse registro é chamado de sismograma.
O sismograma é desenhado por uma agulha que se apóia sobre um papel, o qual, por sua vez, envolve um cilindro giratório.  À medida que o cilindro vai girando, a agulha vai desenhando o sismograma, através de movimentos em zigue-zague. Quando não há atividade sísmica, a linha é praticamente reta. Quando os abalos surgem, a agulha começa a dar saltos, movendo-se  horizontalmente.


TERREMOTOS TERRÍVEIS


Todo terremoto de grande magnitude é apavorante quando atinge áreas povoadas. Isso é cada vez mais comum, porque a humanidade constantemente ocupa espaços vazios na superfície da Terra.
Entre os maiores terremotos que a humanidade enfrentou estão os seguintes:


23.01.1556 – Shensi China – magnitude ignorada - o maior número de mortos: 830.000
01.11.1755 – Lisboa, Portugal – 8,7 graus - O maior terremoto em crosta oceânica. Causou um tsunami devastador e foi seguido de enormes incêndios.
22.05.1960 – Sul do Chile – 8,5 graus - O terremoto de maior magnitude do século XX (9,7 graus se medida com base no momento sísmico).
04.02.1875 – Liaoning, China – 7,2 graus - único grande terremoto previsto com sucesso. Teve poucos mortos.
28.06.1992 – Landers, Califórnia, EUA – 7,5 graus – Causou uma ruptura na superfície de 70 km.
16.01.1995 – Kobe, Japão – 6,9 graus – 100.000 prédios destruídos.


Terremotos no Brasil
O Brasil é tido como um país livre de terremotos, o que não impede que alguns deles sejam sentidos aqui. No dia 8 de junho de 1994, por exemplo, a cidade de Porto Alegre (RS) foi atingida pelas ondas sísmicas provocadas por um terremoto que ocorreu na Bolívia, a 2.200 km de distância.
O abalo, que atingiu 7,8 graus na escala Richter, foi mais forte que aquele ocorrido nos Estados Unidos em janeiro daquele ano, e que, com uma magnitude de 6,6 graus, destruiu diversos bairros de Los Angeles. O terremoto da Bolívia, porém, teve conseqüências bem menos sérias porque seu hipocentro (local no interior da Terra onde ele ocorre) situou-se a grande profundidade, 600 km abaixo da superfície.
Em 90% dos casos, a magnitude de um terremoto não passa de 7,0 graus. Deve-se lembrar que a Escala Richter é uma escala logarítmica. Isso significa que a magnitude 7 é dez vezes maior que a 6,0, cem vezes maior que a 5,0, mil vezes maior que a 4,0, etc. Essa escala avalia os terremotos de acordo com a energia liberada ou, mais precisamente, de acordo com a amplitude das ondas sísmicas que eles provocam. Em áreas urbanas, como Porto Alegre, a importância do terremoto é avaliada de modo mais apropriado com a escala de Mercalli, que classifica os sismos conforme os efeitos que provocam sobre a população e as edificações. O sismo de 8 de junho foi sentido desde o Canadá até a Argentina.
Em Porto Alegre, ele:
  • foi sentido por algumas pessoas;
  • fez sacudir lustres e objetos suspensos;
  • fez vibrar móveis nos andares mais altos de alguns edifícios;
  • fez girar ventiladores que estavam desligados.
Esses sinais permitem dizer que ele teve uma intensidade IV na escala de Mercalli, que varia de I a XII, sendo por isso classificado como moderado.
A escala Richter, ao contrário da escala de Mercalli, não tem um limite definido. A imprensa costuma informar equivocadamente que ela vai de 1 a 9 porque nunca se registrou um terremoto com magnitude 9,0.
O terremoto boliviano de 8 de junho de 1994 levou 5min 38s para ser sentido em Porto Alegre. Este foi o tempo em que as ondas sísmicas, viajando a 6,5 km/s, levaram para percorrer os 2.200 km que nos separam do seu epicentro (ponto da superfície situado exatamente acima do hipocentro).

Origem dos terremotos
A crosta terrestre, camada rígida e mais superficial da Terra, está dividida em blocos, chamados placas tectônicas. Essas placas movem-se muito lentamente (alguns centímetros por ano) e podem se chocar umas contra as outras. Daí surgem os terremotos. A América do Sul é uma dessas placas e desloca-se para Oeste. Neste movimento, afasta-se da placa onde está a África (à qual já esteve unida no passado) e choca-se contra a placa de Nazca, que forma uma parte do fundo do oceano Pacífico. Desses choques, surgiu a cordilheira dos Andes, um amarrotamento da crosta terrestre. Isso explica por que ocorrem fortes terremotos nos países andinos, mas apenas abalos pouco intensos no Brasil.

Sismógrafos e sismogramas
Os terremotos são registrados e estudados nas estações sismográficas. Em Porto Alegre, encontra-se a única dessas estações existentes na Região Sul do Brasil, pertencendo à Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenada pelo Prof. Antônio Flávio Uberti Costa, que até recentemente trabalhou na CPRM.

Nas estações sismográficas, aparelhos chamados sismômetros medem os terremotos e outros, chamados sismógrafos, registram seus efeitos numa folha de papel. Esse registro é chamado de sismograma.
O sismograma é desenhado por uma agulha que se apóia sobre um papel, o qual, por sua vez, envolve um cilindro giratório. À medida que o cilindro vai girando, a agulha vai desenhando o sismograma, através de movimentos em zigue-zague. Quando não há atividade sísmica (abalos), a linha é praticamente reta. Quando os abalos surgem, a agulha começa a dar saltos, movendo-se horizontalmente.

Fontes
ASSUMPÇÃO, Marcelo & DIAS NETO, Coriolano M.  Sismicidade e estrutura interna da Terra.  In: TEIXEIRA, Wilson et al. org.
Decifrando a Terra.  São Paulo:  Oficina de Textos,  2000.  568p.  il.  p. 43-62.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Os círculos do tempo

Com motosserras e furadeiras, brasileiros e alemães coletam amostras de árvores para ver variações de umidade e temperatura ao longo de séculos
CARLOS FIORAVANTI | ED. 213 | NOVEMBRO 2013
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© LÉO RAMOS
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De Gália, SP Ciência também se faz com músculos e suor. Com uma calça verde recém-colocada sobre a que já vestia, luvas grossas, capacete vermelho com uma tela sobre o rosto e protetores de ouvido, o botânico Gregório Ceccantini liga a motosserra, mais uma vez, no meio da tarde de 12 de setembro. O cheiro de gasolina do motor se espalha pelo ar seco da Estação Ecológica dos Caetetus, uma reserva de mata atlântica no município de Gália, região central do estado de São Paulo. A lâmina espalha serragem à medida que corta o tronco de uma árvore morta que se alonga em meio às que permanecem distintamente em pé. Depois de serrar o tronco até o fim, o professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) desliga a motosserra e a põe sobre o chão coberto de folhas secas, tira o capacete e puxa o primeiro disco de madeira da peroba-rosa.

“Vejam que lindo”, ele diz, agachando-se e colocando o disco de madeira avermelhado sobre uma das pernas para mostrar os anéis concêntricos, de largura variável, que indicam a velocidade de crescimento anual das árvores: quanto mais largo, mais a árvore cresceu naquele ano, em resposta ao suprimento de água e nutrientes. Ceccantini, em colaboração com Dieter Anhuf, da Universidade de Passau, sul da Alemanha, tem examinado os anéis para ver as respostas de árvores de várias espécies do Norte e do Sudeste do Brasil às variações de umidade e temperatura, à duração das estações secas e chuvosas – enfim, às mudanças do clima – nos últimos séculos. Com árvores de Minas Gerais, a equipe da USP conseguiu detectar as variações locais do clima desde 1940, complementando os estudos de reconstituição climática em uma escala de tempo maior, da ordem de milhares de anos, feitos por meio de pólen e de minerais de cavernas. Essa abordagem tem indicado que, em algumas espécies de árvores, a elevação dos níveis de gás carbônico (CO2) na atmosfera, como a prevista para as próximas décadas, pode não ser o bastante para acelerar o crescimento, porque a elevação da temperatura, também prevista, pode favorecer a perda de água e conter o crescimento dos tecidos vegetais.
© LÉO RAMOS
Gregório Ceccantini serra uma peroba-rosa já morta
Gregório Ceccantini serra uma peroba-rosa já morta

Os anéis mais internos do disco recém-cortado da peroba-rosa são finos. A provável razão, explica Ceccantini, é que no início a árvore devia crescer timidamente à sombra de outras. Os anéis vizinhos são mais largos e sugerem que a peroba tinha chegado ao dossel, absorvia mais luz e crescia de modo acelerado. Os anéis mais próximos da casca são, outra vez, finos, sinal de que o ritmo de crescimento vinha reduzindo, ou porque a árvore já definhava antes de cair ou porque outras tinham chegado ao alto da floresta e a competição por luz se intensificara.

Em seguida, Ceccantini coloca sobre o tronco cortado a fatia de madeira pesando de 20 a 30 quilos, raspa a superfície do disco com um estilete e conta os anéis com uma lupa. “Numa contagem grosseira”, ele estima, “esta árvore tem de 180 a 200 anos”. A bióloga Paula Jardim estica uma trena ao longo do tronco e conclui que a árvore de 23 metros da base até o início da copa deve ter morrido em pé e depois caído, há um ou dois anos. Ceccantini toma fôlego, recoloca o equipamento e recomeça a fatiar a peroba caída gerando muito barulho e serragem vermelha.

Com as árvores vivas o trabalho é mais delicado. A poucos metros de distância, escondido pelas trepadeiras que formam uma teia de galhos entre as árvores, o geógrafo alemão Stefan Krottenthaler faz uma espécie de biópsia, perfurando o tronco de uma árvore com um tubo de metal preso a uma furadeira à gasolina. A furadeira vai e volta sobre um trilho de alumínio que ele mesmo projetou e construiu, sustentado por dois pés e por um cinturão amarrado ao tronco. Ele tem de fazer força para empurrar a furadeira e fazer o tubo penetrar a madeira dura. Stefan morou dois anos e meio no Brasil, incluindo seis meses entre os índios xavantes de Mato Grosso, e faz o doutorado na Universidade Passau.
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Gregório Ceccantini extrai um cilindro de madeira de uma figueira viva
Gregório Ceccantini extrai um cilindro de madeira de uma figueira viva.

Após um bom tempo, Stefan afasta a furadeira, solta o tubo e, de dentro, retira um cilindro de 20 centímetros de comprimento com sucessivas camadas em tons de rosa, correspondentes aos anéis de crescimento da árvore. Seu colega Hans Broschek, pela primeira vez no Brasil, guarda o cilindro de madeira em uma maleta de couro enquanto Stefan faz o equivalente a um curativo na árvore, borrifando um fungicida no buraco que fez e fechando-o com uma rolha de cortiça. Duas semanas antes eles estavam em outra reserva de mata atlântica, o Parque Estadual Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, a 250 quilômetros da capital, e suaram muito mais para colher uma amostra de um jequitibá-rosa de 40 metros de altura e 3 metros de diâmetro.

Nas semanas seguintes, a equipe de Ceccantini preparou e examinou todo esse material em um galpão da USP que parece uma marcenaria, ao lado de lagos com plantas de flores brancas e estufas de plantas. Os discos de madeira são aplainados, lixados até ficarem brilhantes e cortados. Depois são analisados sob um equipamento que determina a distância entre os anéis, que por sua vez indica a taxa anual de crescimento e a idade de cada árvore. Feita a cronologia, de 5 a 10 amostras de cada espécie e de cada lugar seguirão para Potsdam, onde a equipe da USP e a de Dieter Anhuf e Gerd Helle vão determinar os teores de dois isótopos (formas) estáveis de oxigênio, o oxigênio 16 e o 18, e de carbono, o carbono 12 e o 18, da celulose da madeira. “Até o momento, os estudos que avaliam os anéis de crescimento das árvores foram realizados principalmente em regiões de elevada altitude e em florestas nórdicas”, conta Anhuf. “As pesquisas em regiões tropicais e subtropicais ainda são raras.”

A proporção entre os isótopos indicará os efeitos da chuva e da temperatura sobre o crescimento das árvores e até a origem e a direção da chuva que chegou a elas. Deixando de lado os detalhes técnicos, o raciocínio é simples: como o oxigênio 18 é mais pesado e precipita mais facilmente que o 16, a água que o contém em maior concentração deve ter vindo de uma região próxima, como o Sul do país ou o Atlântico Sul, enquanto a água com mais oxigênio 16 deve ter vindo de regiões mais distantes, como a Amazônia.
“O interior de São Paulo representa uma situação de transição”, diz Stefan, “porque está sujeito à influência de massas de ar do norte e do sul. Como é esse jogo?” Ele espera que a proporção entre os isótopos revele qual massa de ar predominava sobre a outra nas estações chuvosas e secas, ao longo dos anos. Depois, “por meio de uma matemática muito sofisticada”, diz Ceccantini, os pesquisadores esperam converter as informações sobre a sequência dos anéis e a proporção entre os isótopos em gráficos que indiquem como a variação do clima e a circulação da umidade na atmosfera – os chamados rios voadores – influenciaram o crescimento das árvores da mesma espécie em lugares diferentes ou de espécies diferentes no mesmo lugar ao longo dos últimos séculos.
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Phillip inicia biópsia em árvore
Phillip inicia biópsia em árvore

É trabalhoso, lento e difícil. A boa notícia é que essa abordagem já está dando certo, ao indicar as reduções no crescimento das árvores em resposta à redução da precipitação e à elevação da temperatura. Em 2010, com base no mesmo tipo de análise, Roel Brienen, da Universidade de Leeds, Inglaterra, e outros especialistas do México e da Holanda analisaram os anéis de uma espécie de árvore do sul do México, Mimosa acantholoba, e concluíram que o crescimento, ao menos dessa espécie, pode diminuir em até 37% nos anos de El Niño, o aquecimento das águas do Pacífico equatorial, uma possível causa de estiagens na América do Sul. Além disso, usando modelos matemáticos de simulação climática, eles estimaram uma redução de até 20% na taxa de crescimento dessa espécie, no cenário de maior emissão de gás carbônico na atmosfera, como previsto para as próximas décadas.

Em Minas Gerais, as variações no ritmo de crescimento dos jatobás é que estão revelando as oscilações da chuva e da temperatura desde 1940 (ver gráfico abaixo). Durante dois anos, Giuliano Locosselli, da equipe de Ceccantini, analisou os anéis dos troncos de duas espécies de jatobás – a de floresta, Hymenaea courbaril, a de cerrado, H. stigonocarpa – que viviam em uma mata no município de Matosinhos, a 80 quilômetros de Belo Horizonte. A escolha do lugar foi casual: Ceccantini estava ali perto em um levantamento arqueológico quando soube que a mata seria derrubada, refez os planos para aproveitar o momento, conseguiu salvar 20 discos de jatobá e voltou feliz com a caça inesperada: “Lotamos nossa caminhonete”, recordou. A mais antiga das amostras, como viram depois, tinha 145 anos – do Morro do Diabo, uma reserva de mata atlântica no extremo oeste do estado de São Paulo, trouxeram uma amostra ainda mais antiga, com 190 anos.

As duas espécies responderam de modo diferente às variações do clima nas últimas cinco décadas. De acordo com as análises das larguras dos anéis, do calibre dos vasos condutores de seiva e da eficiência de uso da água, detalhadas em um estudo publicado em 2012 na revista Trees, a chuva tem um efeito pronunciado sobre o crescimento dos anéis e dos vasos condutores de seiva do jatobá-da-floresta, enquanto a temperatura parece ter uma influência maior sobre o crescimento da espécie do cerrado. Ambas apresentaram um ganho de eficiência no uso da água – já que reduziram a perda por transpiração, mas só as árvores com as menores taxas de crescimento –, sugerindo que essas espécies não respondem de modo proporcional ao aumento de concentração de CO2 na atmosfera.

“Vemos o aumento gradual de CO2 nos anéis, mas essas espécies de jatobá não crescem mais com mais CO2, como se esperava”, afirma Locosselli. Segundo ele, o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, previsto para as próximas décadas, deve compensar o efeito da elevação da temperatura: “As árvores crescem menos se a temperatura sobe, porque tendem a perder mais água”. Outro trabalho de que participou indicou que o Podocarpus, um gênero de conífera hoje restrito a áreas de clima frio e úmido do sul do país, sobrevive em ilhas de vegetação do Morro do Chapéu, no norte da Bahia, crescendo menos de 1 milímetro por ano, sete vezes menos que as representantes da mesma espécie que vivem ao sul.
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Cilindros de madeira são identificados e acondicionados antes de seguir para a Alemanha
Cilindros de madeira são identificados e acondicionados antes de seguir para a Alemanha

Locosselli pretende em outubro coletar jatobá, pela segunda vez, no Pará – essas amostras devem ajudar a rastrear variações na extensão das massas de ar vindas do Atlântico sobre a Amazônia. Desde agosto, quando começaram a trabalhar juntos, o grupo de São Paulo e o da Alemanha coletaram 120 amostras de jatobás, jequitibás e outras espécies no estado de São Paulo e de mais de uma centena de árvores de Goiás, Bahia, Rondônia e Pará, “incluindo três cabreúvas de cerca de 240 anos!”, ressalta Ceccantini. “Em dois anos, queremos chegar a 400 novas amostras.” A coleção de madeiras (xiloteca) sob sua responsabilidade tem 5 mil amostras catalogadas e 3 mil em fase de registro.

Uma das expedições de agosto, ao Parque Estadual Carlos Botelho, a 200 quilômetros da cidade de São Paulo, foi particularmente difícil, sob uma chuva contínua. “Não choveu muito”, recordou-se Locosselli, “mas foi o bastante para cada um de nós cair algumas vezes”. Tiveram de caminhar horas a fio até acharem outra árvore da mesma espécie que haviam coletado, atravessando terrenos escorregadios e ladeiras – a altitude ali varia de 50 a 800 metros – em meio a um inferno de trepadeiras. Pela primeira vez no Brasil, o geógrafo alemão Philipp Pitsch tomou muita chuva, viu as bromélias crescendo sobre uma diversidade imensa de árvores e com uma mistura de êxtase e medo concluiu que estava em uma autêntica selva. “As florestas da Alemanha têm árvores de apenas duas ou três espécies”, ele se lembrou depois, no início da noite, no alojamento da reserva de Gália. Para ele o cansaço do fim do dia era intenso não só porque não estava acostumado a andar em florestas tropicais, mas também porque, por ter servido dois anos no Exército e ser um dos mais fortes do grupo, era o mais requisitado para carregar os discos de madeira e os equipamentos pesados.

“Era um lugar lindo”, assim Erika Righetto Ifanger lembrou-se da mata de Carlos Botelho, também pela primeira vez em uma floresta com um grupo de pesquisadores. “Sim, garoava todo dia, mas foi bom porque assim ninguém pegava carrapato e mosquito.” Escoteira dos 6 aos 21 anos, agora no último ano do curso de biologia, Erika usou uma motosserra em campo pela primeira vez na manhã de 12 de setembro, para cortar uma peroba-rosa, como a que Ceccantini tinha cortado no dia anterior. Pouco antes, com um chapéu à Indiana Jones e vários instrumentos de trabalho presos em um cinto, Ceccantini tinha furado, à mão, com uma sonda especial, o tronco de uma figueira, que não tem anéis de crescimento, mas cuja idade ele pretende reconstruir por meio de isótopos de espécies vizinhas na mata.
© LÉO RAMOS
Depois de polido, disco é analisado por aparelho que infere as condições de clima em que cresceu a árvore
Depois de polido, disco é analisado por aparelho que infere as condições de clima em que cresceu a árvore

Depois de cortar a madeira, Erika carregou os discos até a caminhonete estacionada em uma pequena estrada que corta a floresta de Caetetus, enquanto Philipp Pitsch, com um lenço azul na cabeça, perfurava uma árvore com uma das furadeiras, Hanz e Paula o ajudando porque o trilho de alumínio estava sendo usado por Stefan. “Aqui, o suor é garantido”, diz Ceccantini. “O mais difícil é depois do terceiro ou quarto dia, quando o corpo já está doendo e temos de continuar.” Em Caetetus há muito trabalho. Há cerca de 20 anos, de 2 mil a 3 mil árvores caíram por causa provavelmente de uma tempestade muito forte – e as que não apodreceram ainda são encontradas por toda a reserva.

Há também um bocado de gratidão. “Todas essas árvores grandes se devem a um só homem, Olavo Amaral Ferraz, que protegeu essa mata na fazenda dele, depois comprada pelo governo para criar a reserva”, reconhece Ceccantini. Locosselli pede para não esquecer os mateiros – Nelson Donizetti Correa e Antônio Crema, em Vassununga, Natanael Ozorio da Silva e Pedro Ozorio da Silva, em Carlos Botelho, e Sergio Aparecido Esborini, em Caetetus – que os acompanham na mata, ajudam a encontrar e identificar as árvores, escolhem os caminhos e alertam para os perigos de acidentes ou de animais venenosos que normalmente eles são os primeiros a ver. “Em um dos dias em Carlos Botelho, nos perdemos de seu Pedro, um senhor de 62 que anda na mata mais rápido que qualquer um de nós, e passamos o dia inteiro para encontrar apenas uma árvore”, diz Locosselli. “Sem eles, não teríamos coletado nem a metade do que coletamos.”

Projeto
 
Twentieth century changes of tree ring isotopes in southeastern Brazilian forests: how do climate conditions influence growth and water use efficiency and thus enforce tree migration (FAPESP-DFG) (2012/50457-4); Modalidade: linha regular de auxílio a projeto de pesquisa; Coords.: Gregório Tápias Ceccantini/USP e Dieter Anhuf/Universidade de Passau; Investimento: R$ 236.482,86 (FAPESP) e € 336.380,00 (DFG)

Artigos científicos
 
BRIENEN, R. J. et al. Climate-growth analysis for a Mexican dry forest tree shows strong impact of sea surface temperatures and predicts future growth declines. Global Change Biology. v. 16, p. 2001-12. 2010.

LOCOSSELLI, G. M. et. al. A multi-proxy dendroecological analysis of two tropical species (Hymenaea spp., Leguminosae) growing in a vegetation mosaic. Trees. v. 27, n.1, p. 25-36. 2012

Fósseis revelam anfíbios e répteis desconhecidos no Nordeste brasileiro

Descoberta indica que, há mais de 270 milhões de anos, porção norte do supercontinente Gondwana reunia condições favoráveis à vida 

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 18:02 5 de novembro de 2015
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© ANDREY ATUCHIN
XXX
Reprodução artística baseada em fragmentos de fósseis de espécies de anfíbios e réptil encontrados na região Nordeste do Brasil.

Fragmentos de fósseis de duas novas espécies de anfíbios e uma de réptil encontrados na região da Bacia do Parnaíba, entre os estados do Piauí e Maranhão, estão ajudando a preencher uma lacuna no conhecimento sobre os animais que habitaram o Hemisfério Sul durante o período Permiano, entre 300 e 250 milhões de anos atrás, quando todos os continentes estavam agrupados em uma única massa terrestre, chamada Pangeia. Em um artigo publicado hoje, 5, na revista Nature Communications, um grupo internacional de pesquisadores, entre eles o paleontólogo salvadorenho Juan Carlos Cisneros, do Centro de Ciências da Natureza da Universidade Federal do Piauí (UFPI), descreve duas espécies de animais um tanto semelhantes às salamandras atuais.

As espécies de anfíbios Timonya anneae e Procuhy nazariensis, como foram batizadas, tinham hábitos essencialmente aquáticos e viveram há mais de 270 milhões de anos no que hoje abrange o leste do Maranhão e o estado do Piauí. Análises mais detalhadas dos fósseis indicam que T. anneae tinha presas e guelras e um aspecto que lembra uma mistura entre uma salamandra aquática e uma enguia. Procuhy nazariensis era um pouco maior. Foi encontrada no município de Nazária, próximo a Teresina, capital do Piauí. Seu nome, que na língua timbira — nativa do Maranhão, Piauí e Tocantins —, significa “sapo de fogo”, faz alusão à Formação Pedra de Fogo, subunidade da Bacia do Parnaíba, onde seus vestígios foram recuperados.
© JUAN CISNEROS
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Crânio e parte do esqueleto da Timonya anneae, espécie de hábitos essencialmente aquáticos e que viveu há mais de 270 milhões de anos

O estudo também descreve um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré — talvez uma nova espécie, ainda sem nome — e uma espécie de réptil, o Captorhinus aguti, de aspecto semelhante ao de uma lagartixa que até agora só tinha sido encontrada na América do Norte, especificamente nos estados do Texas e Oklahoma, nos Estados Unidos. O fato de essas espécies terem sido encontradas no Nordeste do país está ajudando os pesquisadores a ter um panorama mais abrangente sobre como estes animais se dispersaram durante o período Permiano e como eles colonizaram novas regiões da Pangeia e também de Gondwana, o supercontinente formado há cerca de 200 milhões de anos e que agrupava os continentes do Hemisfério Sul, América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e a Antártida
.
De acordo com Juan Cisneros, a região da Bacia do Parnaíba já era conhecida dos paleontólogos pelos achados históricos de troncos petrificados. Muitos desses troncos afloram dentro da cidade de Teresina, onde há uma verdadeira floresta fóssil às margens do Rio Poti. “Não sabíamos nada sobre as espécies de animais que habitaram aquela região”, diz. “Nosso estudo ajuda a preencher uma lacuna de registro fóssil de fauna de vertebrados em Gondwana que não se tinha. Mostramos que o Norte da América do Sul reunia condições específicas que àquela época eram favoráveis ao desenvolvimento da vida pouco depois do período glacial que imperou durante o Período Carbonífero.

Artigo científico
 
CISNEROS, J. C. et al. New Permian fauna from tropical Gondwana. Nature Communications. nov. 2015.

Saiba mais:
– Primeiro herbívoro mastigador tinha dentes de sabre

– Sob as palmeiras