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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Darwin e os darwinistas

Por Lilian Al-Chueyr Pereira Martins, professora do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP

Editorias: Artigos - URL Curta: jornal.usp.br/?p=279351
Lilian Al-Chueyr – Foto: Arquivo pessoal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O ano de 2019 é significativo para a história da biologia, particularmente, para a história da evolução, pois nele se comemora os 210 anos do nascimento de Charles Robert Darwin (1809-1882) e os 160 anos da publicação do livro Origin of species (Origem das espécies, 1859).  Essa obra, que teve seis edições, mudou completamente o estudo da biologia.
 
Ao defender a teoria da descendência com modificação, em substituição à ideia de que as espécies eram fixas, Darwin se opôs à visão que era aceita pela maioria dos naturalistas de sua época. Entretanto, como nos mostra a própria história da ciência, a aceitação de uma nova teoria não é algo imediato e simples e, nesse sentido, Darwin contou com a ajuda de colaboradores que apoiaram e defenderam sua teoria perante a comunidade científica.

O círculo de Darwin era constituído por diversos estudiosos, tais como Thomas Henry Huxley (1825-1895), Charles Lyell (1797-1875), Herbert Spencer (1820-1903), Joseph Dalton Hooker (1817-1911), Alfred Russel Wallace (1823-1913) e George John Romanes (1848-1894), dentre outros. 


Enquanto Darwin era vivo, eles apoiavam suas ideias e as eventuais divergências ficavam restritas a discussões no âmbito privado. Porém, após a morte de Darwin, os membros de seu círculo se envolveram em discussões de caráter público, enfatizando em suas publicações as diferenças em seu modo de pensar, disputando a posição de liderança em relação aos estudos sobre evolução, antes ocupada por Darwin.

Assim, Spencer, Romanes e Wallace, cada um por si e em assuntos diferentes, envolveram-se em controvérsias com August Friedrich Leopold Weismann (1834-1914), que acreditava que a seleção natural explicava tudo no processo evolutivo.

Durante boa parte do tempo foi Thomas Huxley, conhecido como o bulldog de Darwin, quem defendeu sua teoria publicamente. Entretanto, nos últimos anos de vida de Darwin, este papel coube a George John Romanes.

A proposta original de Darwin se caracterizou pela apresentação de uma grande quantidade de evidências de que a evolução é um fato; pela busca de explicações para as causas da evolução orgânica; e do papel dessas causas em casos particulares. Além disso, Darwin tentou responder a objeções às suas ideias e indicou linhas de pesquisa promissoras.

A partir do artigo publicado em 1858 e no Origin of species, em 1859, Darwin propôs a teoria da descendência com modificação de acordo com a qual as espécies viventes (incluindo os seres humanos) não surgiram como se apresentam hoje em dia: descendem de espécies extintas e ancestrais comuns modificadas por causas naturais. Uma dessas causas é a seleção natural, que foi considerada por ele como o principal, mas não exclusivo, meio de modificação das espécies.

A seleção natural é um processo semelhante à seleção artificial, empregada consciente ou inconscientemente pelo criador de animais ou pelo criador de plantas ornamentais para produzir novas variedades. A seu ver, o processo evolutivo é lento e gradual. A seleção natural age sobre variações leves que ocorrem ao acaso dentro de uma população, preservando aquilo que for útil para os organismos. Essas variações são transmitidas aos descendentes. Como nasce um número maior de indivíduos do que poderia sobreviver, existe uma luta pela existência. Nessa luta sobrevivem os indivíduos mais aptos, que deixam descendentes.

Além da seleção natural, Darwin atribuiu outras causas naturais para a transformação das espécies, como a seleção sexual, que explicava a beleza de algumas características apresentadas pelos machos de algumas espécies que influenciam sua escolha pela fêmea e consequente produção de descendentes, e a herança de caracteres adquiridos pelo uso e desuso.

Assim, Darwin não apresentou uma proposta fechada no Origin of species, mas inaugurou um programa de pesquisa aberto a novas contribuições. Nem os próprios membros do círculo de Darwin seguiam todos os pressupostos de sua teoria. Eles adotaram alguns dos aspectos da teoria de Darwin, rejeitaram outros e, muitas vezes, acrescentaram novos aspectos.

É exatamente isso o que ocorre com algumas teorias. Conforme o tempo vai passando, alguns aspectos vão sendo esclarecidos, novas evidências são encontradas, o que faz com que sejam introduzidas modificações, como foi o caso da teoria de Darwin, que por esta razão pode ser caracterizada como um programa de pesquisa.

Wallace e Weismann, por exemplo, não aceitavam a herança de caracteres adquiridos pelo uso e desuso na fase madura de sua obra. Há outros casos na história da ciência em que a teoria é substituída como um todo, como, por exemplo, o caso da física aristotélica, que foi substituída pela física newtoniana. Nesse segundo caso, trata-se de paradigmas diferentes.

Atualmente a seleção natural é considerada dentro de um quadro hierárquico. Portanto, se aplica a diferentes níveis do mundo biológico.  Entretanto, acredita-se que as variações, em sua grande maioria, não são nem úteis nem injuriosas, mas neutras. Uma grande quantidade de variação genética surge nas populações naturais através de processos aleatórios de mutação (nos genes e cromossomos) e através da recombinação. Por outro lado, sabe-se que nem sempre a evolução é gradual, como pensava Darwin. Não se aceita a herança de caracteres adquiridos pelo uso e desuso, um importante pressuposto da teoria original de Darwin adotado até o fim de sua vida, bem como sua hipótese para explicar a hereditariedade (a pangênese).

Entretanto, como o próprio Darwin pensava, admite-se hoje em dia que a seleção natural não explica tudo. Será que o fato de não se aceitar boa parte da teoria original de Darwin atualmente torna sua contribuição menos significativa?

A resposta é negativa. Em primeiro lugar, deve-se considerar uma proposta científica dentro de seu contexto. Em segundo lugar, é possível enumerar uma série de desdobramentos relevantes que mostram a significância da proposta de Darwin. Um deles é ter permitido um novo enfoque sobre o estudo dos seres vivos. Por exemplo, o estudo da classificação dos seres vivos (sistemática) passou a ser feito de outra forma, levando em conta sua origem e relações com outras espécies.

Outro exemplo seriam os estudos ecológicos que levam em conta as relações entre os indivíduos de uma mesma espécie, entre espécies diferentes e com o meio.

Os próprios estudos que se seguiram à contribuição de Darwin e que consideraram populações e não indivíduos isolados não deixam de ter se inspirado na contribuição de Darwin. Na medicina, os estudos de fisiologia que levam em conta as relações que existem entre os diferentes órgãos são fortemente influenciados pelas ideias darwinianas de correlação entre órgãos e funções. Se a ciência atual considera que a evolução é um fato, Darwin contribuiu significativamente para que isso acontecesse.

[Esta é uma versão reduzida de artigo a ser publicado em breve na Revista USP.]

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Sistemática Filogenética: conexões biológicas | Capítulo 03: As raízes históricas através do tempo

“De repente, um tubarão-branco jovem com 3 metros de comprimento (Carcharodon carcharias Linnaeus, 1758) eleva à superfície sua nadadeira dorsal em águas tranquilas na costa do Havaí. Estava sangrando e debilitado, com movimentos natatórios letárgicos. O sangue tinha criado um extenso rastro pelo Oceano Pacífico. Um perseguidor robusto e igualmente implacável (o mesmo que o atacou dois dias atrás) estava em seu encalço e se aproximando velozmente: era uma orca fêmea adulta (Orcinus orca Linnaeus, 1758). Ele tinha que pensar rápido.”

Brigas e discussões

Podemos encarar o processo de construção da sistemática ao longo dos séculos através de alguns elementos, como por exemplo a parte descritiva da caracterização dos agrupamentos, tratando-se de uma dimensão que possui menos “arranca-rabo” e menos “complicada” em opiniões entre os pesquisadores (se o é, pode ser solucionado com rapidez).
Tratando-se desse primeiro ponto, a relação descritiva serve de base para a ciência em si, para que seja feita as inferências essenciais sobre a diversidade; e os problemas ligados a isso refere-se as descrições sobre um grupo “A” ou “B” de espécies que estão sendo alvos de estudos. Ou seja, obrigatoriamente o conhecimento descritivo é importante para fomentar uma consistente base de dados para pesquisas presentes e futuras, dentro da sistemática.

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Foto 01. Os organismos dispostos em uma árvore filogenética (genealógica), onde todos os agrupamentos partindo de um possível ancestral comum. Fonte: http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/IIAFamilytree.shtml

Até nessa parte está tudo muito bonito, tudo muito bem. Mas, como se deu a própria “ordenação dos conhecimentos descritvos” ao longo do tempo? 
Quais as raízes antigas das discussões e debates sobre a diversidade? Quando mudou o pensamento epistemológico sobre as espécies (e seu processo de criação)? E a partir daí o “pau quebra.” 

Viajando no tempo

Muitas dúvidas sobre os quatro problemas categorizados no capítulo anterior da nossa série (se não leu, pare de ler esse aqui e cria vergonha na cara e vai ler o capítulo 02), embriagaram a mente de muitos estudiosos e pesquisadores (dentre muitos você irá conhecer durante essa leitura)… mas só se tiver lido o capítulo 02!!!! Não coloque os bois na frente da carroça!
E ai? Leu? Bom, muito bom. Vamos continuar então: para começar, é preciso que você pegue uma máquina do tempo emprestado com algum amigo seu e então viaje para a Grécia Antiga. Provavelmente você irá conversar com um filósofo bem famoso que andava pelas ruas e vielas ladrilhadas e por vezes esburacadas: ‎”Ἀριστοτέλης.Ou melhor dizendo: Aristóteles.

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Foto 02. Busto do filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.). Fonte: https://www.todamateria.com.br/aristoteles/enda

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) foi considerado o fundador da Zoologia. Ao escrever o livro Historia animalium, ele imaginou uma forma de organizar os organismos em formato de uma “escada hierárquica rumo a perfeição”, indo dos vegetais até o ser humano.
A partir dele, você verá lapsos temporais sobre toda a história por trás da sistemática e ainda terá a oportunidade de conhecer todos aqueles que contribuíram para “tentar” sanar as dúvidas circundantes da diversidade biológica.

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Foto 03. A obra Historia Animallium. Fonte: https://www.filovida.org/2015/10/a-biologia-aristotelica/

O “A, B, C” do suíço

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Foto 04. Gravura de Conrad Gesner (1516 – 1565). Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conrad_Gessner

Em 1551, o naturalista suíço Conrad Gesner (1516 – 1565) publicou um livro de mesmo nome (Historia animalium), no qual já tinha feito algo bem parecido com que Linnaeus faria posteriormente 200 anos depois: com as informações (dados) dos organismos em mãos, Gesner conferia “certas denominações binominais”, organizando as espécies em forma alfabética e colocando-os bem próximos, julgando assim terem algum grau de parentesco.

O juiz sueco e as regras do jogo


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Foto 05. Representação artística de Carolus Linnaeus (1707-1778). Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Carolus_Linnaeus

Posteriormente, as obras Systema Naturae e o Species Plantarum deixaram Carolus Linnaeus (1707-1778), um zoólogo, botânico e médico sueco bem “famosinho” na comunidade científica, conferindo-lhe o título de “pai da taxonomia moderna.” As regras primordiais da nomenclatura em si (e que fundamentou os códigos internacionais de nomenclatura das espécies) partiram de suas ideias. Pense em um cara danado!

O Homem-Rocha


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Foto 08. Charles Lyell (1797 – 1875). Fonte: http://www.42evolution.org/charles-lyell-1797-1875/

Pra dizer que não foi citado, Charles Lyell (1797 – 1875) (um geólogo que se tornou um grande companheiro de Darwin e o influenciou em muitos dos seus estudos sobre a evolução), também teve “dedo grande” nas contribuições sobre a diversidade biológica. Com sua obra Principles of Geology, trouxe à tona a ideia do uniformitarianismo (alterações graduais da superfície terrestre por eventos naturais, como os elementos ligados ao processo de intemperismo). A ideia do escocês “bateu de frente” com o catastrofismo (um hit de sucesso da época), que colocava ações divinas em eventos catastróficos. Darwin com toda a certeza daria “um tiro no pé” se tivesse seguido as ideias catastróficas. Sabe aquela frase “quem avisa amigo é?” Bom, foi mais ou menos isso.

“Fixo” uma pinóia!!!


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Foto 10. Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829). Fonte: https://www.escritas.org/pt/estante/jean-baptiste-de-lamarck

A partir do final do século XVIII e início do século XIX, particularmente com Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829), começa aparecer claramente o conceito de que as espécies poderiam não ser entidades fixas, questionando pressupostos platônicos e aristotélicos quanto à ontologia das espécies.

Los Barbudos” da Evolução por Seleção Natural


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Foto 11. Charles Darwin (1809-1882). Fonte: UFBA

E falando no “barbudo britânico”, o naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809 – 1882) deu uma significativa contribuição com suas ideias e estudos sobre a compreensão da evolução, ao lado de Alfred Wallace (1823 – 1913), outro barbudo, porém geógrafo – só tem barbudo aqui!), mudaram os “pinos de boliche” da sistemática, apresentando argumentos sólidos e amplos sobre as espécies e suas características biológicas, anatômicas, biogeográficas (dentre outras), assim como o mecanismo promotor dessas mudanças: a seleção natural. 

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Foto 12. Alfred Wallace (1823 – 1913). Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Russel_Wallace

Nem é preciso falar que a obra A Origem das Espécies (1859) é o que de mais representa esse marco da ciência, mudando ao longo do tempo a cabeça de muita gente (alguns ainda permanecem incrédulos e irredutíveis). A Linnean Society, a sociedade na qual onde os dois apresentaram suas ideias, virou uma grande bagunça intelectual! Muitos a aceitaram de imediato, outros não reconheceram de prontidão a revolução científica quando se viu uma. Mas o xeque-mate para a evolução (a descendência com modificação ao longo do tempo perpetuada pelos organismos, por meio da seleção natural) já tinha sido previsto pelos dois barbudos.

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Foto 13. A famosa obra “Origem das Espécies,” apresentada por Darwin à Linnean Society. Fonte: https://mwl.wikipedia.org/wiki/La_Ourige_de_las_Speces

Aquela falta de sorte…


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Foto 14. Gregor Mendel, o “pai da Genética Clássica.” Fonte: https://www.ebiografia.com/gregor_mendel/

Só faltou os britânicos terem conhecido o Gregor Mendel (1822 – 1884)!!!! Só isso, pra colocar a cereja do bolo. Naquele tempo, Darwin não conseguiu de fato apresentar ideias consistentes de como funcionava a herediariedade dos indivíduos dentro das populações. Somente anos depois os estudos de hereditariedade descritos e organizados por Mendel deram o suporte necessário para a teoria da Evolução e… opa… mas esse não é nosso assunto principal aqui. Vamos focar, please?

O grito de “Eureka!”



Ernst Haeckel (1834 – 1919) determinou, dentre muitos, a construção de “árvores filogenéticas” para representar o compartilhamento de similaridades entre as espécies, estabeleceu os alicerces do pensamento evolutivo na morfologia e foi aquele que criou muitos termos dos termos utilizados, como por exemplo “filogenia.” Ele também ajudou a popularizar as ideias de Darwin. 

Era hora de unir as forças

A partir de 1936, o grupo científico dos Power Rangers (paleontólogos, geneticistas, naturalistas e outros figurões) agregaram e condensaram as ideias evolutivas concebidas por Charles Darwin e os estudos sobre as leis da hereditariedade propostas por Mendel, criando assim o megazord denominado “Teoria Sintética da Evolução” ou “síntese da teoria evolutiva” (e lembre-se: não é “teoria neodarwinista”, como muitos chamam…ai, ai, ai!).
Ela postula que cada população apresenta um determinado conjunto gênico, que pode ser alterado de acordo com fatores evolutivos. O conjunto gênico de uma população é o conjunto de todos os genes presentes nessa população. Assim, quanto maior for o conjunto gênico da população, maior será a variabilidade genética. Em síntese, é nesse sentido.

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Foto 16. Conceitos e postulados da teoria sintética da evolução Fonte: https://www.planetabiologico.com.br/evolucao/a-teoria-sintetica-da-evolucao/

O que aconteceu aqui foi unir o útil ao agradável: a conciliação entre as ideias darwinianas e mendelianas agregou conhecimentos e suportes suficientes para dar ênfase a uma explicação coerente de como de fato a seleção natural acontecia na natureza (geneticamente falando) e entre as populações de espécies.

Ué…e depois???


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Foto 16. O entomólogo alemão Willi Hennig (1913 –1976). Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Willi_Hennig

Mas, depois daí tudo estagnou. A sistemática não evoluiu e estava com sérios perigos de sumir completamente. “E agora quem poderá me defender?” pensou a sistemática. Então, na década de 60, apareceu o chapolim colorado – e entomólogo alemão – Willi Hennig (1913 –1976) – o salvador da pátria. Agora sim!
Ele criou uma nova escola da sistemática (cladística ou sistemática filogenética) através da sua principal obra Phylogenetic Systematics.

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Foto 17. A obra Phylogenetic Systematics (Sistemática Filogenética). Fonte: https://www.buscape.com.br/phylogenetic-systematics-willi-hennig-0252068149

E, a partir dele, o mundo da sistemática e a forma como organizamos os organismos vivos nunca mais foi o mesmo.

“A morte estava perto. O sangramento continuava. O tubarão-branco, em sua fuga, diminua cada vez mais o ritmo. Sua visão falhava e ficava embaçada, já não distinguia o que via a sua frente – e nem o que vinha por trás. Com uma mordida letal, a orca cravou os dentes próximo à nadadeira pélvica do tubarão e o puxou para baixo. As águas se agitaram. Um tingido vermelho-rubro se destacou quase que imediatamente naquela parte do oceano. O grande branco nunca mais foi visto.”

Referências:

  1. AMORIM, D. S. Fundamentos de sistemática filogenética. Ribeirão Preto: Holos, 2002. 156p.
  2. CAMPOS, A. M. Coleção pensamento e vida: Darwin e a evolução do Darwinismo. vol. 2. São Paulo: Editora Escala, 2011. 207 p.
  3. CARVALHO, L. S.; FIGUEIREDO, D. Princípios de sistemática filogenética. Teresina: EDUFPI/UAPI, 2012. 110 p.
  4. DARWIN, C. R. “A origem das espécies”: a origem das espécies por meio da seleção natural ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida. 1. ed. São Paulo, Editora Martin Claret, 2014. 573 p.
  5. SMITH, D. Phylogenetic systematics. Journey into Phylogenetic Systematics. Disponível em: < http://www.ucmp.berkeley.edu/clad/clad4.html>. Acesso em: 15 dez. 2018.
Foto de capa: tubarão-branco (Carcharodon carcharias Linnaeus) sob ataque de uma orca (Orcinus orca).

sábado, 20 de abril de 2019

PLEISTOCENO

A palavra Plistoceno é um neologismo formado a partir das palavras gregas πλεῖστος ( Pleistos ), 'o máximo, mais altamente' superlativas polígonos (plural polloi ), 'muitos'; e kainos"novo, fresco 'como no Eoceno, Plioceno, Holoceno, Mioceno e Oligoceno, literalmente," o mais recente ou novo "para indicar que este é o momento da era Cenozoica (ver este mesmo dicionário) , onde as formas de vida mais recentes surgiram.

Pleisto, pleo, pleios- e polys , parecem estar ligados à raiz indo - europeia * pel-2 -, 'grande quantidade', da qual numerosas palavras emergiram: purvi em sânscrito; perena , em Avestan; em grego, plethos , 'multidão, grande número', pleres , 'cheio', ploutos , 'riqueza', pletein , 'estar cheio'; em latim, plur- , plus , 'more', plenus , 'full', etc. Além disso, é interessante mencionar que polys, Muitas palavras são derivadas: a poligamia, a poliandria, polígono, polyploid, poliedro, poliquetas, polidactilia, polinomial, poliglota, policromo, politécnico, poliembrionia, polifagia, e muito mais. Além disso, Pleistos , pleo e pleios também parte de vários termos, sempre com o significado de 'abundante muitos': gene pleiotrópico, envolvida na emergência de várias características de uma só vez; pleiocloruria, excesso de cloretos na urina; pleomorfismo, a faculdade de que alguns organismos, como as bactérias, têm que adotar diferentes formas; pleiofilia, aumento anormal do número de folhas de uma planta; pleocitose presença de uma quantidade anormalmente elevada de células no fluido cerebrospinal.

Plistoceno é a época do período quaternário do Cenozoica, que durou cerca de 1,8 milhão e 11.000 anos atrás, também conhecido como o 'os grandes glaciação', como tem sido caracterizada por numerosas geleiras e períodos interglaciares-; O termo foi cunhado em 1839 pelo geólogo britânico Charles Lyell (1.797-1.875), descrevendo as camadas geológicas em Monte San Nicola, perto de Gela, na Sicília. Lyell propôs este nome, uma vez que pelo menos 70% dos fósseis de moluscos encontrados lá ainda são espécies vivas nos nossos dias; É por isso que ele queria expressar que era sobre o tempo em que os organismos "muito mais" (recentemente superlativos) já estavam vivendo. Sem esquecer que no final deste período o homem moderno aparece e vários grandes mamíferos se extinguem.

domingo, 21 de agosto de 2011

DARWINISMO DEPOIS DE DARWIN.

Charles Lyell, Ernst Haeckel e Huxley foram os grandes parceiros de Darwin na formulação de sua teoria.
Aqui discuto um pouco sobre esses três parceiros de Darwin e como o darwinismo se expandiu correta e erroneamente pela sociedade ao longo dos anos que sucederam a publicação do livro a Origem das espécies. Muitas interpretações errôneas são feitas pelo oportunismo de algumas pessoas (e continuam até hoje) e pela falta de conhecimento. Faz-se aqui uma continuação do texto Darwin antes do Darwinismo.
Wallace que foi co-descobridor da seleção natural junto a Darwin assim como Haeckel, Lyell e Huxley descordavam profundamente de Darwin em certos pontos de sua teoria.
Charles Darwin foi um amigo muito próximo de Lyell que foi um dos primeiros cientistas a apoiar o livro A Origem das Espécies apesar de ele nunca ter aceitado inteiramente a seleção natural como o agente por trás da evolução. De fato assim como Georges Cuvier que apesar de ser extremamente oposto a proposta de Darwin ainda sim era um evolucionista, uma vez que acreditava na transformações das formas de vida, embora por mecanismos distintos. Até mesmo Lamarck era evolucionista, embora apresentasse mecanismos que hoje sabidamente não fazem parte dos processos evolutivos no século XVIII.
Wallace apoio por muito tempo a proposta da seleção natural, porém, somente até certo ponto do que Darwin propunha. Wallace não compreendia que a seleção sexual era um mecanismo evolutivo diferente da seleção natural, e aceitava a seleção natural até o limite da evolução do sistema nervoso central, na qual Wallace não compreendia como mecanismo simples como a seleção natural poderia criar um órgão tão poderoso facultativamente, ou cognitivamente.
Huxley também discordava em certo pontos de Darwin embora o tenha defendido e estimulado a escrever mais sobre o assunto.
Haeckel foi de grande importância do ponto de vista histórico tanto pelas suas idéias fundamentais na criação da ciência chamada ecologia (do grego, o estudo da casa), como para as interpretações errôneas do Darwinismo que ocorreram sucessivamente ao longo da historia.
Haeckel foi astuto ao reconhecer que em certos pontos era possível ver como a embriologia poderia revelar mais detalhes sobre a evolução dos seres vivos, mas a interpretação que ele deu foi equivocada.
Isso porque os estudos feitos até o momento eram muito limitados e isso é bastante evidenciado no livro de Stephen Jay Gould denominado A falsa medida do homem.
Ernst Haeckel (1834 - 1919)
Haeckel equivocadamente cunhou o termo recapitulação. Ele previu que durante as etapas ontogenéticas o ser humano passava por diferentes estágios que se assemelhavam com o de outros grupos de animais, portanto supôs que o desenvolvimento embrionário era uma repetição do desenvolvimento filogenético, onde a vida surgia como uma única célula e se desenhava de acordo com os estágios da evolução. Em certos momentos os serres humanos tinham caudas, brotos embrionários semelhantes a guelras. Assim supôs que o estágio final era a formação do homem. Assim qualquer pessoa com deficiências era vista como um estágio anterior a da formação humana, seja a pessoa mongol, australiana, índio, mulher ou negro.
O determinismo biológico já foi abandonado a anos embora durante muitas décadas deterministas utilizaram tais propostas para sustentar seus estudos, como Paul Broca, Samuel Morton, Alfred Binet, Cesare Lombroso e Langdon Down.
Lagdon Down foi a primeira pessoa a descrever a síndrome de Down em 1886. A única explicação existente até o momento era que a ontogenia realmente recapitulava a filogenia uma vez que a genética e os exames de cariótipos não existiam. A genética somente surgiu em 1900. A interpretação dessa doença era baseada nessas interpretações devido ao que se chama de Zeigeist (o clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo). Sob essa concepção Haeckel realmente disse que:
No estado mais baixo do desenvolvimento mental humano estão os Australianos, algumas tribos da Polinésia, os Bosquímanos, os “Hottentots”, e algumas tribos Negras
Porque a única explicação até o momento era esta. Alias, durante anos essas afirmações que hoje soam como racistas foram a única explicação plausível.
Isso remete desde a Aristóteles, Thomas Jefferson, Lineu, Benjamin Franklin, até mesmo Jesus Cristo (Eclesiástico 25, 24, – Eclesiástico 42, 14 -  – I Coríntios 11, 7a9 – 1 Timóteo 2, 9-14 – Colossenses 3, 18 e outras)e até mesmo Abrahan lincoln teve manifestações racistas que refletem o Zeitgeist:
 Existe uma diferença física entre as raças branca e negra, que… …impedirá que as duas vivam juntas em condições de igualdade social e política. …enquanto permanecerem juntas deverá existir uma posição de superioridade e uma de inferioridade… sou a favor de que essa posição de superioridade seja conferida a raça branca.
                                                                                                                                             Abraham Lincoln (1809 – 1865).
Vale lembrar que Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra de Secessão, preservando a União e abolindo a escravidão.
Louis agassiz era um determinista biológico assumidamente e fanaticamente criacionista que também teve suas manifestações absurdas (veja como Agassiz é supracitado no Institute of Creationist Reserch em Louis Agassiz: Anti-Darwinist Harvard Paleontology Professor, um texto escrito por Jerry Bergman, criacionista assumido e que nega a proposta da evolução por razões religiosas e não cientificas). O que evidencia que além de anti-darwinista, Agassiz é prestigiado pelos criacionistas.

Luis Agassiz (1807 – 1873)
Agassiz justificava-se utilizando o argumento dom poligeismo. Os deterministas biológicos criacionistas monogeistas acreditavam que todas as raças eram fruto da linhagem de Adão e Eva. Agassiz poligeista afirmava que os caucasianos eram a linhagem que derivava de Adão e Eva e que outros Adões e evas haviam dado origem a raças inferiores e portanto não poderiam gozar da igualdade entre os homens (A falsa medida do homem ED Martins Fontes 2003 pág 26, 31, 32,33 e 34).
As raças devem ter-se originado… nas mesmas proporçòes numéricas e nas mesmas áreas em que hoje ocorrem… Elas não podem ter se originado de indivíduos únicos, mas devem ter sido criadas nessa harmonia numérica que é característica de cada espécie; os homens devem ter-se originado em nações, como as abelhas devem ter se originado de enxames.
Darwin ao contrario de seu primo Galton e filho Leonard nunca manifestou-se racista, embora erroneamente e oportunamente os criacionistas distorção a seguinte afirmação:
Num período futuro, não muito distante quando medido em séculos, as raças humanas civilizadas vão certamente exterminar e suplantar as raças selvagens por todo o mundo. 
O que realmente vem acontecendo uma vez que as raças selvagens, ou animais selvagens vem sendo extintos. O puma não ocorre mais no Nordeste dos EUA, o lobo de marsúpio Tylacinus foi extinto em 7 de setembro de 1936.
São todas afirmações embasadas na idéia da seleção atuando como mecanismo transformador das espécies e não propostas eugênicas nas quais foram distorcidas ou mal interpretadas por seu primo Francis Dalton ou o próprio filho Leonard Darwin.
Esses problemas de família realmente não são exclusividade de Darwin.
Nietzsche também foi erroneneamente e oportunamente utilizado no período do holocausto. Hitler usou suas idéias distorcidas para justificar atrocidades. Curiosamente isso foi usado por Teresa Alexandra Elisabeth Förster-Nietzsche, irmã de Friedrich  Nietzsche.
Quando Nietzsche surtou onze anos antes de sua morte, estava escrevendo uma obra chamada A transvaloração de todos os valores. Essa obra foi destrinchada e virou dois grandes ensaios O anti-cristo que Nietzsche destrói o cristianismo como doutrina e reduz Jesus cristo a um imbecilóide e Paulo como o precursor do fracasso cristão e o livro Ecce homo na qual debate ferrenhamente o egocentrismo humano.
Elisabeth viveu muito mais do que seu irmão Nietzsche. Ela foi filiada ao partido Nazista e usou a influência filosófica de Nietzsche após sua morte, para sustentar ideologias eugênicas.
Elisabeth Förster-Nietzsche (1846 - 1935)
Elisabeth forjou cartas de seu irmão escrevendo uma falsa biografia publicando textos com baixo conteúdo filosófico levando a deturpações que prejudicaram a reputação de Nietzsche durante muitos anos. Um exemplo clássico foi o uso do termo super homem proposto por Nietzsche em Zaratustra e que foi tendenciosamente associado a superioridade racial.
Em outras palavras, que irmãzinha traiçoeira, embora seja sabido que Nietzsche citou em Ecce Homo uma frase referindo-se a irmã dizendo que Elisabeth era uma de suas mais profundas objeções ao pensamento do eterno retorno…
O mesmo aconteceu com Karl Marx, propostas comunistas sim mas que não faziam apologias a destruição morte em nome de um regime partidário, mas sim a revolução social e a compreensão do sistema capitalista, cooptada injustamente pelos comunistas e adotada por regimes políticos.
Aqui cabe um comentário deixado no Netnature feito por Cesar Franco:
O maior extermínio de humanos aconteceu nas guerras religiosas seguida pelas guerras políticas e por último as de cunho econômico. Nunca houve na humanidade guerras por motivação ideológica. As religiões foram de longe as maiores exterminadoras de se seres humanos, liderada da forma mais cruel possível pela inquisição cristã que torturou da forma mais cruel possível e depois levou para a fogueira centenas de milhares de mulheres (lembrar que as religiões de origem Abraanicas são machistas). Mulheres beatas do mundo livre e as que vestem a burca por livre arbítrio que me perdoem estou apenas colocando os fatos. Esse filme retrata os fatos, nada foi inventado! Hoje temos beatas demais e Hipátias de menos e dizem que esta havendo uma revolução feminina.
De fato guerras são causadas por motivos religioso políticos e econômicos. E muito do machismo foi suportado por idéias deterministas e religiosas.
A versão mais aceita para a evolução da mulher dentro do determinismo biológico criacionista. (veja: Eclesiástico 25, 24, - Eclesiástico 42, 14 - - I Coríntios 11, 7a9 - 1 Timóteo 2, 9-14 - Colossenses 3, 18)
O caso recente ocorrido na Inglaterra lembra vagarosamente o caso da independência da Escócia, que iniciou-se com a covarde morte da esposa de William Wallace por parte dos nobres. O regime de opressão e coerção exercido na sociedade levou a indignação e revolta popular, culminando em guerras por motivações políticas e econômicas. Caso bastante semelhante ocorrido com os países árabes e suas recentes manifestações a favor da liberdade e igualdade.
Darwin não era racista, qualquer estudioso de sua vida facilmente registraria a inocência de Darwin na questão da eugenia citando simplesmente a sua indignação ao passar pelo Brasil, no Rio de Janeiro e Salvador quando viu negros sendo açoitados em um regime escravagista extremo. Infelizmente Darwin ficou com uma péssima impressão do Brasil e o desejo de nunca mais pisar aqui, afirmando:
Que eu jamais visite de novo uma nação escravocrata
As idéias de Darwin nunca poderiam casar com a Eugenia, pois do ponto de vista genético essa proposta é anti evolucionista. O que foi proposto por Hitler como eugenia é o que chamamos de seleção de grupo.
A seleção de grupo é à idéia de que os alelos podem fixar-se ou espalhar numa população devido aos benefícios que fornecem aos grupos, seja qual for o seu efeito na aptidão dos indivíduos dentro desse grupo. Ou seja, que os melhores alelos devem ser dispersados dentro de um grupo em especial a ponto de se tornar uma espécies superior. Sob outra perspectiva, o extermínio de genes de subespécies (ou alelos ruins), das pragas, dos judeus, ciganos, homossexuais e comunistas deve ser feito.
Há um erro grave nisto, a redução da variabilidade genética da espécie causada pela própria espécie. Isso pode ser avaliado em uma reflexão simples.
Suponhamos que as sociedades humanas exterminem qualquer pessoa que seja tolerante a lactose acima de 2 anos. Isso quer dizer que toda pessoa que ainda mamar acima de 2 anos de idade deverá ser morta por qualquer razão social que seja. Então exterminamos todos os tolerantes a lactose.
Ao passar das gerações as pessoas intolerantes a lactose estão dominam a população e não sabem nem mesmo porque não podem tomar leite após adultos. Cerca de alguns milênios depois a Terra entra em um processo de queda de temperatura, com períodos climatológicos glaciais de nível 6 semelhante ao ocorrido na Europa com os Neanderthais.
Neste momento, com um sistema imunológico fraco ou com a falta de gordura que anteriormente poderia ser adquirida ao tomar o leite dos bovinos a espécie passa por um gargalo, podendo ser extinta. Isso porque o leite e sua gordura poderiam ser um fator fundamental na sobrevivência do grupo, caso os genes da tolerância fossem disseminados ao máximo possível na população e não exterminados como supostamente proposto.
Ou seja, por um costume qualquer, exterminamos uma variedade genética que porventura poderia ser uma característica crucial da sobrevivência da espécie diante de tal contexto climatológico hostil.
O exemplo é bem leviano, mas confere com o que se propõem na seleção de grupo e que determina o seu abandono em meios acadêmicos.
Apesar das idéias de Darwin terem sido importantes no meio acadêmico elas foram sob certos aspectos da historia difundidas de forma bastante errônea, na forma de Darwinismo social, e Eugenia. Mas é evidente que o seu uso não foi o motivo do Holocausto, ele foi uma ferramenta usada erroneamente assim como é erroneamente utilizar essa passagens bíblicas machistas acima para justificar o preconceito embora em certas religiões isso pareça ser levado ao pé da letra.
Sobre as manifestações racistas de seus três seguidores a resposta as questões das características foram erroneamente interpretadas embora na época não se tinha metade do conhecimento que obtemos hoje através da experimentação e que refutam a proposta da eugenia e determinismo biológico.
Assim como Darwin, Marx (no caso dos comunistas) e Nietzsche foram utilizados erroneamente e oportunamente por regimes sócio/políticos extremistas.
A única aproximação que Nietzsche teve do nazismo foi ser por um breve tempo amigo de Wagner na qual Hitler era extremamente fanático. Nietzsche e Hitler nunca se encontraram
Quando Nietzsche passou a desacreditar na cultura como forma de emancipação e perseguir uma ética como estética da existência os conflitos vieram. Um dos pontos de desinteresse de Nietzsche pela obra do compositor eram os frequentes pontos em comum com a temática e as preocupações cristãs.
Esses três últimos autores ainda tem muito prestígio nos centros acadêmicos, Marx é leitura referencial em cursos de filosofia e direito (não confundir marxismo com comunismo ou com ateísmo), Darwin é referencia na produção de ciência hoje, no Brasil e no mundo. Nietzsche é dispensável tais apresentações.
Scritto da Rossetti
Palavras chave: Netnature, Rossetti, Darwin, Ernst Haeckel, Charles Lyell, Thomas Henry Huxley, Alfred Wallace, Louis Agassiz, Langdon Down, Criacionismo, Nietzsche, Karl Marx, Determinismo biológico, Recapitulação, Ontogenia, Filogenia.
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Referências:
Stephen Jay Gould. A falsa medida do Homem, ED Martins Fontes, 2003.
Friedich Nietzsche. Crepúsculo dos Ídolos. ED L&PM Pocket. 2009.
Ulisses Capozzoli. Scientific American. Darwin no Brasil – Encanto com a natureza e choque com a escravidão. Edição 81 – Fevereiro 2009.