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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Fósseis extraordinários mostram como mamíferos ressurgem das cinzas dos dinossauros.

Um tiro aéreo dos fósseis de crânio de mamíferos preparados e mandíbula inferior recuperados de Corral Bluffs.
Fósseis de mamíferos recuperados de Corral Bluffs
HHMI Tangle Bank Studios
A descoberta de milhares de fósseis de plantas e animais requintadamente preservados no Colorado oferece uma visão sem precedentes da vida após o acidente de asteróide que arrasou os dinossauros .
 
Sabemos que um asteroide atingiu a península de Yucatán no México há cerca de 66 milhões de anos, matando três quartos dos organismos vivos, incluindo todos os dinossauros, exceto os pássaros.  

Mas o primeiro milhão de anos após essa extinção em massa tem um registro fóssil notoriamente ruim, diz Tyler Lyson, no Museu de Natureza e Ciência de Denver. "Passei 15 anos procurando fósseis nesse intervalo e só encontrei um punhado de mandíbulas de mamíferos", diz ele.
 
Isso mudou quando Lyson e seus colegas pararam de procurar ossos nus e começaram a procurar concreções - tipos de rochas que podem se formar em torno de materiais orgânicos, incluindo ossos. Isso resultou em um tesouro de novas descobertas na região de Corral Bluffs, no Colorado. "Estávamos encontrando crânios inteiros e, em alguns casos, esqueletos, de mamíferos, crocodilos, tartarugas e, ao lado deles, estávamos encontrando plantas", diz Lyson.
 
Os pesquisadores encontraram quase 1000 fósseis de vertebrados e mais de 6000 fósseis de plantas dentro das concreções que coletaram. Datar as rochas permitiu que eles apresentassem uma cronologia detalhada da recuperação da vida após a colisão de asteroides.
 
Após a extinção, as plantas mais comuns foram as samambaias e os mamíferos sobreviventes pesavam apenas meio quilo. Estes incluíram o Mesodma, um mamífero que lembrava um roedor, e os primeiros parentes de animais com cascos.
Porém, em 100.000 anos, os mamíferos haviam se recuperado quase do mesmo tamanho que eram antes da colisão de asteróides, que era de até 8 kg, e as florestas haviam sido dominadas por palmeiras.
 
Em 300.000 anos, a diversidade de plantas nas florestas começou a se recuperar e os mamíferos cresceram até 25 kg .
 
Na marca de 700.000 anos, os mamíferos atingiram até 50 kg de tamanho. Eles incluíam um mamífero que se assemelha a roedores, Taeniolabis taoensis, e um parente de modernos animais de casco, Eoconodon coryphaeus . Esse surto de crescimento coincidiu com o aparecimento da primeira leguminosa - que Lyson chama de "momento da barra de proteínas" -, pois provavelmente forneceu as calorias necessárias para impulsionar esse rápido crescimento.
 
Quando os pesquisadores analisaram os registros climáticos, descobriram que essas três explosões na evolução dos mamíferos parecem coincidir com aumentos de temperatura de cerca de 5 ° C.

Isso sugere que a ascensão dos mamíferos foi ajudada por um clima mais tropical que melhorou o crescimento das plantas e, portanto, aumentou a oferta de alimentos para os animais, diz Lyson.
 
As descobertas fósseis são agora "inquestionavelmente o melhor registro do que aconteceu após a extinção [do dinossauro]", diz P. David Polly, da Universidade de Indiana. "Eles mostram que a diversidade de mamíferos e plantas se recuperou em cerca de 100.000 anos após o evento, que é um piscar de olhos em termos geológicos".
 
Ter uma imagem tão detalhada da maneira como os ecossistemas se recuperaram após o último evento de extinção pode nos ajudar a prever o que acontecerá após a sexta extinção em massa, que alguns especialistas acreditam que está acontecendo agora como resultado das rápidas mudanças climáticas, diz Gregory Webb, da Universidade de Queensland, Austrália.
 
Os fósseis de Corral Bluffs ainda têm muitos segredos para compartilhar, diz Lyson. Estudos futuros analisando a forma do crânio, a anatomia dos membros e os canais do ouvido interno dos mamíferos podem fornecer pistas sobre o que eles comeram, sua força de mordida, se eles estavam subindo ou escavando animais e como eles se moviam, diz ele.
 
Referência científica : Science , DOI: 10.1126 / science.aaz6313

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Prehistoric crocodiles' evolution mirrored in living species

Three species of Machimosaurus are shown with a human diver for scale.
Credit: Dmitry Bogdanov
Crocodiles which roamed the world's seas millions of years ago developed in similar ways to their modern-day relatives, a study has shown.

Fresh research into a group of prehistoric marine crocs known as Machimosaurus reveals key details of how and where they lived.

Each species adapted features that enabled them to live and hunt in a range of habitats, just like modern-day crocodiles. They varied in body length, body skeleton, skull and lower jaw shape, and in their teeth.
The ancient croc group included a nine-metre long saltwater species, which was adapted for living in open seas, and fed on marine turtles. Its closest relatives, by contrast, lived in coastal, choppy environments.

The prehistoric crocs' development mirrors those of today's crocodiles, whose saltwater varieties are far bigger and suited to larger territories compared with their smaller cousins that live closer to shore or in freshwater.

A team of researchers, led by the University of Edinburgh, examined fossil specimens from museums around Europe. From detailed analysis, they were able to determine key elements of the animals' anatomy and lifestyle, and concluded that not all were of the same species.

Until now, scientists were unsure whether more than one species of Machimosaurus existed. However, their findings show that there were at least three distinct species -- one of which has been fully identified for the first time. The study is published in the journal Royal Society Open Science.

Dr Mark Young, of the University of Edinburgh's School of GeoSciences, who led the study, said: "Interesting parallels can be seen between groups of ancient crocodiles and those living today, with some able to swim out in the open sea, with others restricted to the coast. With more fossils being discovered, we look forward to learning more about this giant group of Jurassic predators."

Note : The above story is based on materials provided by University of Edinburgh.

 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


The Top 10 Greatest Survivors of Evolution

Travel back millions of years in your time machine and you’d find some of these species thriving and looking much as they do today

 By Brian Switek
Smithsonian.com, November 09, 2012
 Crocodile
 Crocodylians are the last living representatives of the crocodylomorpha, an even bigger group that originated over 205 million years.


When we think about the history of life on earth and the vast changes that have transpired over millions and millions of years—as single-celled organisms evolved into species as disparate as redwood trees, dragonflies and humans—are wonderfully apparent. But, among all that evolutionary change, some organisms have little modified from their distant ancestors. Creatures such as sharks and crocodiles are often viewed as evolutionary sluggards or “living fossils.” While the rest of nature was caught up in life’s race, the coelacanth and duck-billed platypus sat things out.
This perception isn’t quite right. Many species of these living fossils differ significantly from their prehistoric counterparts, and often the apparently archaic creatures are the remaining representatives of lineages that were once more varied and diverse. Still, many of these organisms look as if they belong to another era. Charles Darwin explained why in his famous book On the Origin of Species: Natural selection may have vastly modified other branches in the tree of life over time, but, among organisms like the lungfish, the quirks and contingencies of their habitats and lifestyles remained so stable that there was little evolutionary pressure to change. By chance, these lineages occupied an evolutionary sweet spot. The great Victorian naturalist Thomas Henry Huxley called these creatures “persistent types,” but there is an even simpler name for them—survivors.

1. Crocodylians

Watch any documentary about crocodiles and you’re almost certain to hear the line “They have gone unchanged since the time of the dinosaurs.” That isn’t exactly true. While crocodylians as we know them today—the alligators, gharials and crocodiles that live at the water’s edge—have been around for about 85 million years, they belong to a much more diverse and disparate group of creatures that goes back to the Triassic.
Crocodylians are the last living representatives of the crocodylomorpha, an even bigger group that originated over 205 million years ago. They shared the world with the dinosaurs and came in a startling array of forms. Some—like the 112-million-year-old, approximately 40-foot-long giant Sarcosuchus—looked quite similar to their modern cousins, but there were also formidable ocean-going predators such as Dakosaurus; small forms with mammal-like teeth such as Pakasuchus; crocs with tusks and extra armor such as Armadillosuchus; and lithe, land-dwelling carnivores such as Sebecus. Modern crocs do look ancient, but they are just the remainders of an even older and stranger lineage.

2. Velvet worm

“Velvet worm” is something of a misnomer. Stretching a quarter of an inch to eight inches long, and flanked by rows of stubby legs along their smooth bodies, these invertebrates aren’t worms at all. They belong to their own group, which is more closely related to arthropods, and these inhabitants of the forest undergrowth are part of a much, much older lineage that goes back to one of the greatest evolutionary explosions of all time.
 In 1909, secretary of the Smithsonian Institution Charles Doolittle Walcott discovered the fauna of the Burgess Shale—exquisitely preserved creatures from a 505-million-year-old sea. Many of these animals were unlike anything seen before, and the true affinities of many of the weird creatures from these deposits are still being debated. Even so, at least one creature looked familiar. Aysheaia, an invertebrate named by Walcott in 1911, closely resembles velvet worms and may be close to the group’s ancestry. Even though this form lacks some of the specialties seen in modern velvet worms, such as a unique nozzle system that squirts an instant web over prey, the Cambrian creature shared the segmented, stubby-legged body plans with living forms. Frustratingly, the soft bodies of velvet worms don’t fossilize very well so no one is entirely sure when they emerged onto land for the first time. But, if you know what to look for, you can still find them crawling through the leaf litter of tropical forests from Australia to South America.

3. Cow sharks

Most living sharks, from nurse sharks to great whites, have five gill slits on a side. But there are four species of cow sharks that have six or seven gills, a feature thought to be retained for millions of years from some of the earliest sharks. These deepwater, six- and seven-gill sharks are considered some of the most archaic of all shark species.
The evolutionary story of sharks is primarily one of teeth. With the exception of rare fossils that preserve remnants of soft parts, teeth are usually all that is preserved from cartilaginous shark bodies. An articulated specimen of the early shark Doliodus problematicus pushes the shark’s existence back to at least 409 million years ago, and they are probably even older than that. The lineage to which today’s six- and seven-gill sharks belong, however, is more recent. Based upon isolated, saw-blade fossil teeth, paleontologists think cow sharks have existed for at least 175 million years. These deepwater sharks are opportunistic feeders—taking whatever they can—and may have had a stable role as a deep-sea cleanup crew, scavenging on the bodies of marine reptiles during the Mesozoic and shifting to marine mammals after the time of the dinosaurs. We know very little about the appearances of these ancient sharks, but their roughly bladed teeth hint that they have been consummate deep-sea carrion feeders for millions of years.

4. Horsetails

Long-lived lineages of animals often get most of the attention, but there are some survivors among the plants, too. Horsetails must be some of the greatest. These archaic plants are often found growing in patches along streamsides and other wet habitats. Place a dinosaur toy among them, and the prehistoric model will look quite at home.
The reason why horsetails are considered so ancient comes from two lines of evidence. Living horsetails are unique among plants in that they reproduce via spores rather than seeds. Other plants likely gave up this method of reproducing millions and millions of years ago, but, old though it may be, the spore technique makes horsetails resilient and very difficult to remove from places where they are considered weeds. Horsetails also have a very deep fossil record. Though they make up small parts of forests now, enormous horsetails once made up entire forests in the days before modern trees evolved. In fact, much of the world’s coal, which originates from 360- to 300-million-year-old Carboniferous deposits, are the remnants of horsetails such as Calamites that could have grown to be over 100 feet tall.

5. Lice

Not all the great survivors are charismatic. Some of evolution’s greatest success stories are parasites, but few have stuck in there longer than lice.
Although louse fossils are rare, in 2004 paleontologists announced that they had found a 44-million-year-old feather louse that was strikingly similar to lice that live on the plumage of waterbirds today. The record of lice probably goes back even further. Last year, researchers used the few known louse fossils along with genetic comparisons between living lice to determine when major lice lineages evolved. Feather lice, in particular, seem to have split from their hitchhiking relatives sometime between 115 and 130 million years ago—right when little mammals were scurrying through the Cretaceous undergrowth and feathered dinosaurs were flocking around on land. Since feather lice evolved to feed on early birds and feather-covered, non-avian dinosaurs, they have had to change little to keep up with their hosts.


6. Brachiopods

Pick up a brachiopod and you might think you’re looking at an ordinary clam. A shell split into two halves, called valves, protects the invertebrate, but in the case of the brachiopod, these two halves are unequal in size. That’s how they got their common name—the unequal proportions of the shells make some of the creatures look like old oil lanterns, hence the name “lamp shells.”
Whether found in gravel, attached to kelp or clinging to the rock of a continental shelf, brachiopods are relatively rare today. There may be around 100 different genera now living, but over 5,000 are known from a fossil record spanning 530 million years. By about 488 million years ago, brachiopods had become the dominant shelled animals in the seas—they were so thick in some places that their shells compose most of the sediment other fossils are found in—but that all changed with the worst mass extinction of all time. This was the Permian mass extinction, which some paleontologists rightly call the “Great Dying” for its catastrophic effect on the planet’s fauna. Though the exact triggers are still debated, about 251 million years ago a huge amount of greenhouse gases were dumped into the atmosphere, and the oceans became highly acidic. Brachiopods suffered, giving a foothold to the mollusk ancestors and cousins of modern clams and cockles. Brachiopods have hung on in whatever crevices they could attach to but never managed to regain their dominance.

7. Ginkgo

Ginkgo trees aren’t quite as archaic as horsetails, but a record of over 175 million years is nothing to sneeze at. Today these trees are represented only by one species, Ginkgo biloba, but this tree with fan-shaped leaves had its heyday when ferns, cycads and Jurassic dinosaurs dominated the landscape.
Modern Ginkgo trees are not very different from those that herbivorous dinosaurs may have fed on. A recent Paleobiology study by Wesleyan University paleobotanist Dana Royer and colleagues found that Ginkgo trees seem to do best in disturbed habitats alongside streams and levees, a habitat preference that may have been their downfall. Scientists know from living Ginkgo trees that they grow slowly, start reproducing late and are generally reproductive slowpokes when compared to more recently evolved lineages of plants that live in the same places. Ginkgo trees may have simply been out-bred by other plants when suitable habitats opened up, but this makes it all the more remarkable that one species managed to survive to the present day.
8. Duck-billed platypus
The duck-billed platypus truly looks as if it belongs to another era, if not another planet. In fact, when 19th-century European naturalists first saw stuffed specimens sent from Australia, some scholars thought the animals must be a joke. But evolution wasn’t kidding—here was a mammal with a duck-like snout and a tail like a beaver and that laid eggs.
Monotremes, like the platypus, are strange mammals. These archaic, egg-laying forms last shared a common ancestor with marsupial and placental mammals over 175 million years ago, and rare fossils from Australia indicate that there have been platypus-like forms since 110 million years ago. Though often reconstructed with a narrower-snout, the Late Cretaceous Steropodon was a close cousin of early platypuses. A much closer relative to the modern platypus, known as Obdurodon, has been found in more recent rocks spanning about 25 to 5 million years ago. This animal is different from its living relative in retaining adult teeth and some particular skull characteristics, but the skull shape is strikingly similar. Rather than being a new kind of creature that evolved after the dinosaurs, the duck-billed platypus is truly a more archaic kind of mammal with roots that go far deeper than most other mammals on the planet.

9. Coelacanth

Coelacanths were supposed to be dead. As far as early 20th-century paleontologists knew, these distant fishy cousins of ours—categorized as “lobe-finned” fish because of their fat fins supported by a series of bones similar to those in our own limbs—had gone extinct by the end of the Cretaceous, about 66 million years ago, along with the mosasaurs, pterosaurs, ammonites and non-avian dinosaurs. But it in 1938 Marjorie Courtenay-Latimer, a curator at South Africa’s East London Museum, recognized a very strange fish lying on a dock after getting a tip about something strange from the deep. As it would turn out, the fish was a living coelacanth—she might as well have found a living Tyrannosaurus.
Paleontologists have discovered fossil coelacanths younger than 65 million years old since 1938, but, since these were unknown when the fish was re-discovered off South Africa, the discovery of a living member of the group immediately catapulted the fish to fame. Two species have since been recognized, and they are different than their prehistoric relatives—enough to belong to a different genus, Latimeria—but they are still quite similar to their prehistoric cousins. Creatures recognizable as coelacanths go back to about 400 million years ago, and these fleshy-finned fish were the evolutionary cousins of lungfish and our own archaic forerunners—the very first vertebrates to walk on land were specialized lobe-finned fish related to the recently discovered Tiktaalik. Like many other organisms on this list, though, living coelacanths are the last of a once more widespread and varied lineage.

10. Horseshoe crab

There is probably no animal that epitomizes the title of “survivor” than the horseshoe crab. With their shield-like carapaces and long, spined tails, these arthropods look prehistoric. When masses of one species, Limulus polyphemus, congregate on Mid-Atlantic beaches in the warmth of early summer, it is difficult not to imagine the scene as something from the deep past.
Exactly when, where and how horseshoe crabs evolved remains a matter of ongoing investigation, but the group of arthropods they belong to is thought to have diverged from their arachnid cousins around 480 million years ago. The basic horseshoe crab body plan has been around since then, although not exactly in the form we now know. The newly named, 425-million-year-old Dibasterium durgae looked roughly like a horseshoe crab from the top, though if you were to turn the arthropod over, you would have been greeted by a nest of double-branched legs used for both breathing and locomotion.
Over time, other horseshoe crab species developed other odd adaptations. Creatures like the boomerang-shaped Austrolimilus and the double-button horseshoe crab Liomesaspis represent the extremes in the group’s variation, but it is true that horseshoe crabs as we know them today have been around for a very long time—the 150 million year old Mesolimulus looks like it would fit right in on a Delaware beach. Horseshoe crabs have continued to change since then, of course. The modern Atlantic horseshoe crab is not found in the fossil record, and the specific group of horseshoe crabs to which it belongs only has a record of about 20 million years. Still, the changes within the group have been astonishingly slight when viewed against the big picture of evolution. Since the time of the horseshoe crab’s origin, the world has seen several mass extinctions, the rise and fall of the non-avian dinosaurs and shiftings of continents and climates so drastic that the world truly is a wildly different place. All the while the horseshoe crabs have been there, crawling along the seafloor. May they will continue to do so for millions of years to come.
 

















  • By Brian Switek
  • Smithsonian.com, November 09, 2012, Subscribe
Crocodile Crocodylians are the last living representatives of the crocodylomorpha, an even bigger group that originated over 205 million years


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The Top 10 Greatest Survivors of Evolution

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Phylogenetics: True origin of true crocodiles

Nature 474, 545 (30 June 2011) doi:10.1038/474545a
Published online
The genus Crocodylus — that of the 'true' crocodiles (pictured) — seems to have originated in Australasia, rather than in Africa as is commonly thought.
Jamie Oaks at the University of Kansas in Lawrence analysed DNA-sequence data from 76 individuals across 23 crocodylian species. He compiled the data into a species tree and found that the animals originated from an ancestor living in the Indo-Pacific tropics some 11 million years ago, then quickly dispersed around the world. However, the analysis does not clarify whether the animals radiated westwards towards Africa or eastwards towards the Americas.
The work also revealed greater species diversity than previously established.
A. TOON & S. TOON/NATUREPL.COM

Evolution doi:10.1111/j.1558-5646.2011.01373.x (2011)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Nova espécie de crocodilo pré-histórico é descoberta

01/02/2012
Agência FAPESP – Uma nova espécie de crocodilo pré-histórico foi descoberta por cientistas dos Estados Unidos. Classificado como Aegisuchus witmeri, a criatura extinta foi apelidado de “crocodilo-escudo”, por causa da grossa proteção óssea que envolvia a cabeça.

A descrição da espécie foi publicada na revista PLoS-ONE, da Public Library of Science, e, de acordo com os autores, amplia a compreensão sobre a evolução dos répteis e poderá ajudar a encontrar novas formas de proteger espécies atuais de eventual extinção.


Aegisuchus witmeri, que viveu há 90 milhões de anos, tinha escudo protetor na cabeça (divulgação)

“O ‘crocodilo-escudo’ é o ancestral mais velho dos crocodilos modernos já encontrado na África. Sua descoberta mostra que os ancestrais desses répteis eram muito mais diversos do que estimávamos”, disse Casey Holliday, da Universidade do Missouri, um dos autores da descoberta.
O Aegisuchus witmeri viveu há cerca de 95 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior. A espécie foi identificada a partir do estudo de um pedaço de crânio fossilizado, descoberto no Marrocos e mantido por vários anos no Royal Ontario Museum, no Canadá.

Por meio da análise de sinais de vasos sanguíneos na peça, os pesquisadores verificaram que o animal tinha uma estrutura no topo da cabeça, que lembra um escudo. A disposição dos vasos, que levavam sangue a uma área circular da pele sob o escudo, é algo nunca antes observada em crocodilos.
Os cientistas estimam que a estrutura de proteção também era usada para atrair parceiros na hora do acasalamento e para regular a temperatura na cabeça do animal.
Por meio da comparação do crânio do Aegisuchus witmeri com o de outros crocodilianos, Holliday e colegas concluíram que a nova espécie tinha um crânio mais chato do que os demais. Segundo eles, o “crocodilo-escudo” deve ter tido mandíbulas finas e provavelmente se alimentava de peixes, não devendo ter enfrentado os dinossauros da época.

Os cientistas estimam que a espécie analisada tinha cerca de 9 metros de comprimento com uma cabeça de 1,5 metro. “Achamos que ele usava essa cabeça longa como uma espécie de armadilha para peixes. Talvez ele ficasse deitado de boca aberta, esperando que peixes passassem à sua frente para então fechá-la e se alimentar sem muito esforço e dispensando a necessidade de mandíbulas fortes”, disse Nick Gardner, da Universidade do Missouri e outro autor do estudo.

O artigo A New Eusuchian Crocodyliform with Novel Cranial Integument and Its Significance for the Origin and Evolution of Crocodylia (doi:10.1371/journal.pone.0030471), de Casey M. Holliday e Nicholas M. Gardner, pode ser lido em: www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0030471.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


Crocodilos Brasileiros da Era dos Dinossauros
Fósseis do interior de São Paulo e de Minas mostram que, há mais de 65 milhões de anos, parentes dos jacarés atuais eram caçadores terrestres e até comiam insetos
por Felipe Mesquita de Vasconcellos, Ismar de Souza Carvalho, Reinaldo José Lopes e Thiago da Silva Marinho   -   edição 103 - Dezembro 2010
CROCODILOS, JACARÉS, ALIGATORES E GAVIAIS não são exatamente o grupo mais diversificado de vertebrados atuais. É verdade que ainda existem 23 espécies desses animais, espalhadas por todos os continentes, com exceção da Antártida, mas um observador casual provavelmente não erraria muito se afirmasse que quem viu uma delas conheceu todas. Afinal, esses animais são, sem exceção, adaptados à vida semiaquática, ganhando seu sustento como predadores de emboscada. Os fósseis, no entanto, mostram que esse estilo de vida não tem nada de inevitável para esse grupo de animais. No passado remoto, os crocodiliformes, como são conhecidos coletivamente, podiam ocupar nichos ecológicos quase inimagináveis para quem vê as formas modernas do grupo no Pantanal, no Brasil, ou nos grandes rios africanos.

Esqueletos encontrados em camadas de rocha nos estados de São Paulo e Minas Gerais estão ajudando a contar essa história surpreendente. Em alguns casos, vários indivíduos da mesma espécie foram preservados, praticamente intactos, de forma que é possível estudar não apenas sua morfologia como fazer inferências sobre o comportamento dos animais e as razões que os levaram à morte.

O quadro pintado por esses restos deixa claro que muitos eram caçadores terrestres, corredores de patas esguias e eretas – mais próximos de um lobo-guará que de um jacaré moderno, por assim dizer. Outros, de porte mais modesto, teriam se adaptado ao consumo de insetos e até plantas, enquanto os que hoje nos pareceriam mais estranhos ostentavam uma armadura de placas semelhante à de um tatu. E todos tinham suas garras firmemente plantadas em terra firme, no imenso semideserto que cobria o interior do Brasil no período Cretáceo, há mais de 65 milhões de anos, antes da extinção em massa que eliminou os dinossauros.

A intensificação das coletas de fósseis feitas por nós e outros colegas brasileiros e o uso de novas tecnologias, como a tomografia computadorizada e as animações em 3D, estão ajudando a reconstruir essas criaturas com um grau de detalhamento e precisão sem precedentes.

Estamos acostumados a chamar os crocodiliformes modernos de “répteis”, embora haja uma enorme distância de parentesco entre eles e outras criaturas que recebem essa denominação popular, como serpentes, lagartos e tartarugas. O mais correto, do ponto de vista evolutivo, é classificá-los dentro de um subgrupo de vertebrados terrestres cujo único outro ramo ainda vivo é o das aves.
Trata-se do grupo dos arcossauros, que floresceu pela primeira vez no começo do período Triássico, há cerca de 240 milhões de anos. Do tronco inicial dos arcossauros surgiram tanto os crocodiliformes quanto pterossauros (primeiros vertebrados realmente voadores, donos de asas membranosas) e dinossauros (dos quais as aves não passam de um subgrupo; para todos os efeitos, as aves modernas são dinossauros emplumados).

Antes que os dinossauros se tornassem dominantes nos ecossistemas terrestres, seus primos arcossauros passaram por uma série de diversificações evolutivas, entre as quais a dos crocodilos, que acabaria se tornando uma das mais bem-sucedidas. Os primeiros registros de crocodiliformes datam do Triássico Médio, há cerca de 210 milhões de anos. Em comum, esses animais tinham uma tendência a modificar a postura “reptiliana” padrão – conhecida como sprawling, ou “esparramada”, já que os animais deslizavam, em contato próximo com o solo – em favor de um posicionamento mais ereto dos membros. O extremo dessa tendência se manifesta nos próprios dinossauros, cujo fêmur fi cava posicionado “em linha reta”, imediatamente sob o corpo, como ocorre com a maioria dos mamíferos e aves.

Soluções evolutivas muito parecidas, no entanto, também foram desenvolvidas pelos crocodiliformes. Isso pode parecer estranho para quem conhece as espécies modernas do grupo. Quem pensa em jacarés ou crocodilos provavelmente tem a imagem mental de uma criatura deslizando a barriga por uma margem pantanosa antes de se enfiar na água. Nesse tipo de locomoção, conhecida como belly slide (literalmente “deslize de barriga”), as espécies modernas de fato assumem uma postura esparramada, com os membros projetados lateralmente. Mas é importante lembrar que os animais de hoje são bem mais versáteis na locomoção em terra firme por distâncias mais consideráveis.

Há, por exemplo, o chamado high walk (que poderia ser traduzido simplesmente como “caminhada”), no qual os membros do animal assumem uma postura semiereta, mais esticada. É útil especialmente se o animal precisa se deslocar por períodos maiores no solo, procurando áreas mais úmidas em períodos de seca, por exemplo.

No caso do high walk, fica clara a diferença biomecânica entre o andar de crocodilos e jacarés e o dos lagartos propriamente ditos. Os lagartos também conseguem modificar sua postura esparramada tradicional para ganhar velocidade, mas o fazem aumentando as flexões laterais do tronco para que sua passada fi que mais larga. No caso de crocodilos e assemelhados, essas flexões quase não ocorrem – são os membros os responsáveis por fazer a maior parte do serviço. Finalmente, por mais estranho que isso pareça, os crocodiliformes atuais também são capazes de galopar durante picos curtos de atividade. O mais comum é que o galope seja utilizado durante uma estratégia de fuga: na pressa, as patas traseiras se movimentam juntas e chegam a ficar na frente das dianteiras, quase como se o animal tivesse virado um cachorro.
ILUSTRAÇÃO POR RODOLFO NOGUEIRA E FELIPE MESQUITA DE VASCONCELLOS
Construção virtual do Montealtosuchus arrudacamposi: modelos em 3D ajudam a testar hipóteses sobre a locomoção de espécies.


Essa versatilidade locomotora sugere que a postura real dos crocodiliformes atuais não é exatamente sprawling, como se costuma pensar, mas, a rigor, semiereta. Além disso, levando em conta esses dados modernos e o registro fóssil, fica claro que a postura semiereta não é a condição que predominava no ancestral comum do grupo, mas uma modificação secundária de um padrão original ereto, como os crocodiliformes do Cretáceo brasileiro deixam claro. E, apesar de suas adaptações posteriores, os animais modernos ajudam a dar uma ideia de como seria um crocodilo ou jacaré que andasse a maior parte do tempo em solo seco.

Antes de abordar diretamente essas espécies do passado, no entanto, ainda há outras características dos animais modernos que são relevantes para entender o contexto em que se encontram os fósseis. Uma delas é a construção de tocas nas margens de rios, lagoas e outros corpos d’água, ou de simples buracos no substrato.Numa versão desses abrigos, os chamados gatorholes, ou “buracos de aligátor”, o animal produz uma depressão no leito lamacento que drena a água dos arredores, uma espécie de bacia. Depois, o animal fica semienterrado nesses locais, de modo a se proteger da seca ou da luz solar muito forte nos períodos com pouca chuva. No caso dos aligatores, que abrem essas covas no início da estação seca, os gatorholes acabam virando ponto de encontro para outros animais em busca de água. Já as tocas propriamente ditas, abertas em encostas, podem abrigar o corpo inteiro do animal e, em alguns casos, têm construção relativamente complexa. Como veremos, esses dois tipos de comportamento podem ser relevantes para entender a preservação de alguns dos fósseis mais interessantes do Cretáceo brasileiro.

Não é possível entender a variada fauna de crocodiliformes extintos do país sem levar em conta a história geológica da chamada bacia Bauru, área com cerca de 370 mil quilômetros quadrados que abrange boa parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da porção nordeste do Paraguai. Tratava-se, originalmente, de uma grande depressão que se formou conforme o Oceano Atlântico se abria e a América do Sul fi cava mais e mais separada da África, antes unida a ela no supercontinente conhecido como Gondwana. É por isso, aliás, que há afinidades consideráveis entre os crocodiliformes fósseis encontrados aqui e os seus primos africanos.

Usando uma série de técnicas complementares, como a correlação dos fósseis da bacia Bauru com os de outros locais da América do Sul e do planeta e a datação absoluta de rochas vulcânicas, é possível estimar que a idade do conjunto iria, grosso modo, de 125 milhões a 65 milhões de anos atrás, abrangendo, portanto, a maior parte do Cretáceo, até o momento em que esse período termina com a extinção de dinossauros e outros grupos de animais.

As rochas da bacia Bauru carregam “assinaturas” claras de um clima quente e predominantemente semiárido, com uma delimitação clara entre estações secas e chuvosas. Ao que parece, a falta crônica de água tem a ver com o fato de que, a leste, a depressão formada pela bacia fazia fronteira com regiões mais elevadas, as quais funcionavam como uma barreira para as nuvens de chuva vindas do então jovem oceano Atlântico. Por outro lado, a oeste só havia mais continente, o que certamente não favorecia a chegada de umidade e aumentava os extremos climáticos da região. Além disso, sabe-se que o clima de todo o planeta no Cretáceo era mais quente que o atual, em parte graças à concentração mais elevada de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, na atmosfera. No fim do Cretáceo, por exemplo, a temperatura global pode ter sido, em média, 4º C mais elevada.
Por isso, acredita-se que animais e plantas da bacia Bauru enfrentavam longas estiagens, pontuadas por períodos curtos de grandes inundações. Se fosse possível uma comparação com os biomas brasileiros de hoje, o resultado seria uma estranha mistura de caatinga, cerrado e Pantanal, dependendo da época do ano, com algumas áreas realmente desérticas hoje não encontradas no Brasil. Rios temporários cortavam paisagem e, em alguns casos, surgiam áreas pantanosas, como o chamado “pantanal Araçatuba” ou “lago Araçatuba”, cujas águas deviam ser estagnadas e salobras, a julgar pelos sedimentos da formação de mesmo nome que chegaram até nós.

É por isso que, apesar das características semidesérticas da região, vieram da bacia Bauru fósseis relativamente abundantes de animais com hábitos aquáticos, como tartarugas de água doce, moluscos, anfíbios e peixes. Mas o ambiente terrestre sem dúvida oferecia mais oportunidades, como deixam claro os crocodiliformes encontrados em abundância na região.

Talvez o exemplo mais arquetípico desses animais seja o gênero Baurusuchus (suchus é a forma latinizada do termo grego para crocodilo). Ele foi descrito pela primeira vez em 1945, com base num crânio da espécie Baurusuchus pachecoi achado no oeste do estado de São Paulo, por Llewellyn Ivor Price, um dos pioneiros da paleontologia moderna no Brasil. A mera análise do crânio e da dentição já deixava claro que se tratava de um predador soberbo, com dentes munidos de serrilhas que lembram os dos dinossauros carnívoros. O formato craniano e o posicionamento dos olhos e das narinas, bem diferentes dos que se vê entre crocodiliformes modernos, indicavam que se tratava de um animal terrestre. (Para caçar semisubmersos, os animais atuais têm narinas localizadas no alto do focinho.)

Preparar a rocha original para extrair delas os fósseis tem suas limitações para quem quer reconstruir a anatomia do animal, porque a preparação pode acabar desarticulando os ossos. Por isso, no caso de parte desse material, a opção foi passar o bloco ainda não preparado por uma tomografia computadorizada no Centro de Diagnóstico por Imagem do Leblon (RJ). Os dados obtidos dessa maneira permitem fazer uma reconstrução tridimensional do fóssil, altamente confiável e não invasiva. Esse modelo virtual depois foi utilizado para testar hipóteses sobre a locomoção da espécie com a ajuda de animações 3D.
A partir dessas análises, ficou claro que o B. salgadoensis tinha um andar que classificaríamos de ereto, não muito diferente do de um dinossauro quadrúpede. É possível até que, durante curtos períodos, ele pudesse assumir uma postura bípede. As patas da frente aparentemente permitiam um andar digitígrado (ou seja, apoiado nas pontas dos dedos), enquanto os membros traseiros fi cavam apoiados nas plantas das patas.

Com 3 m de comprimento e cerca de 100 kg, o animal tinha hábitos cursoriais (de corredor) – embora certamente não fosse um guepardo, estava longe de se comportar de forma lerda ou “reptiliana”. É possível que a cauda fosse rígida, como a de vários dinossauros carnívoros, de forma a impedir que ela atrapalhasse a corrida arrastando-se no chão. Sua armadura de osteodermas (os “calombos” ósseos que decoram o corpo de crocodilos ou jacarés) era relativamente leve. Com essas características anatômicas, um animal desses simplesmente afundaria se fosse jogado n’água.

A concentração de diversos indivíduos da espécie no mesmo sítio em General Salgado, aliada ao excelente estado de preservação e às características do sedimento, permite postular que eles tenham morrido há 90 milhões de anos durante um episódio de seca extrema, abrigados em suas tocas ou gatorholes à espera de uma chuva que, ao menos para eles, chegou tarde demais.

Ocupando mais ou menos o mesmo nicho ecológico de superpredador terrestre, embora pertencente a outra família de crocodiliformes, está o Uberabusuchus terrificus, com tamanho estimado em 2,5 m e cerca de 80 kg de peso, achado em Peirópolis, distrito da cidade mineira de Uberaba. Mais recente, o animal tem cerca de 70 milhões de anos e foi descrito formalmente em 2004. A postura ereta para andar em terra firme também o aproxima dos Baurusuchus em termos de hábitos mais gerais de vida.

A diversidade de superpredadores crocodiliformes na bacia Bauru supera em muito a presença de espécies de dinossauros carnívoros, os terópodes. De fato, dessa região chegaram até nós muito mais formas de dinossauros herbívoros de pescoço longo, os chamados saurópodes, do que de dinos carnívoros. Isso levanta a possibilidade de que os principais predadores da bacia Bauru fossem crocodilos, e não dinossauros. Mas o cenário é um pouco mais complexo e incerto. Há registros de dentes de terópodes para a região, embora outros materiais fósseis sejam raros. E lesões num dos crânios de B. salgadoensis poderiam ter sido provocadas por um dinossauro carnívoro de grande porte – ou pelo combate com outro membro da espécie.

FOTO DE DR. THIAGO MARINHO
Crânio do Armadillosuchus arrudai revela estranheza de suas formas, como cúpula de placas ósseas na cabeça


PARALELOS INTRIGANTES
De qualquer maneira, a impressão de que nossos paleocrocodilos eram um clube de superpredadores temíveis fi ca bastante balançada quando se leva em conta outros gêneros mais modestos, mas não menos interessantes. Um exemplo, descrito em 2006, é o diminuto Adamantinasuchus navae, com 90 milhões de anos e apenas 50 cm de comprimento, cuja anatomia e hábitos têm paralelos intrigantes com os dos mamíferos do Cretáceo.

Além de pequeno, o A. navae exibe uma dentição especializada, incomum entre crocodiliformes ou mesmo outros arcossauros. Na frente da cabeça relativamente curta, a criatura tinha dois grandes dentes parecidos com incisivos, ou incisiformes, que se projetam para a frente, além de sete outros dentes com características semelhantes a molares, os ditos molariformes. É possível que essa dentição estranha ajudasse, ao mesmo tempo, a “fi sgar” presas pequenas, como insetos (no caso dos incisiformes), e a triturar material duro e fibroso, talvez de origem vegetal, com os pseudomolares.
Outra peça do quebra-cabeça comportamental do A. navae são os olhos, cujas órbitas são imensas em relação ao tamanho da cabeça. A característica pode indicar hábitos noturnos. Estaríamos falando, portanto, de um animal furtivo, provavelmente de hábitos oportunistas, comendo tanto plantas quanto insetos e outros pequenos animais. É um nicho ecológico muito parecido com o da maioria dos mamíferos existentes no Cretáceo. A espécie não é o único crocodiliforme com hábitos alimentares mais variados. O Mariliasuchus amarali exibe várias dessas mesmas características, entre elas a especialização dentária.

Quando pensamos em crocodilos onívoros, no entanto, poucos batem o recorde de estranheza estabelecido pelo Armadillosuchus arrudai em 2009, quando dois de nós (Carvalho e Marinho) publicamos a descrição da espécie. Também encontrado em General Salgado, o animal, com cerca de 2 m e 90 kg, apresenta um mosaico de traços morfológicos que fazem lembrar os tatus atuais.

Para começar, atrás da cabeça da criatura estava disposta uma cúpula de placas ósseas hexagonais, mas que permitiam o movimento do pescoço. Atrás desse chamado escudo cervical está um conjunto de oito bandas móveis guarnecidas por esse mesmo tipo de armadura – bandas móveis um bocado similares às que se encontram entre os tatus. Para completar o conjunto, as patas da frente eram guarnecidas com garras que talvez permitissem cavar tocas com efi ciência. Eis um animal que os Baurusuchus teriam grande dificuldade em devorar.

Não há dúvida de que outras descobertas como essas estão à espera dos que continuarem a vasculhar os afloramentos rochosos e os cortes de estrada do interior do Brasil. Ao mostrar como um grupo aparentemente tão bem conhecido de animais explorava possibilidades insuspeitas de sobrevivência no passado remoto, elas deixam claro a capacidade do processo evolutivo para moldar belas, intrincadas e surpreendentes criaturas.
Felipe Mesquita de Vasconcellos, Ismar de Souza Carvalho, Reinaldo José Lopes e Thiago da Silva Marinho Felipe Mesquita de Vasconcellos é biólogo formado pela UFRJ, com mestrado e doutorado em geologia pela mesma universidade. É paleontólogo e professor da UFRJ.
Ismar de Souza Carvalho é geólogo formado pela Universidade de Coimbra, com doutorado e mestrado em geologia pela UFRJ e pós-doutorado pela Unesp.
Reinaldo José Lopes é editor de Ciência da Folha de S.Paulo e autor do livro “Além de Darwin”.
Thiago da Silva Marinho é biólogo formado pela Universidade Federal de Uberlândia, com mestrado e doutorado em geologia pela UFRJ.  - 
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um crocodilo pré-histórico que viveu no Brasil

Cientistas descobrem espécie de 90 milhões de anos

Por: Cathia Abreu, Instituto Ciência Hoje/RJ.

Publicado em 29/06/2006 | Atualizado em 20/05/2010

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O 'Baurusuchus salgadoensis' era um carnívoro dotado de grandes mandíbulas, que faziam dele um grande predador (ilustração: Deverson da Silva - Pepi).

“Professor, esse dente é de bezerro?”, perguntou Clésio Felício, um menino de 13 anos, ao seu professor de ciências, João Tadeu Arruda, a respeito de um dente que encontrou em um terreno perto da escola.

Ao ver o material, o professor imediatamente percebeu que aquilo não era dente de bezerro coisa nenhuma: “Notei que não se tratava de um dente comum, mas sim de um fóssil”, conta ele, que resolveu, então, procurar especialistas para analisar o achado.

Tudo isso aconteceu há quinze anos, na cidade de General Salgado, em São Paulo.

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Os crocodilos descobertos no interior de São Paulo são os mais antigos animais do gênero já encontrados no Brasil (ilustração: Deverson da Silva - Pepi).

Mas o que Clésio não podia imaginar era que, ao encontrar aquele dente, ele estava dando o pontapé inicial em uma grande pesquisa, que agora anuncia a descoberta de uma nova espécie, extinta há 90 milhões de anos: o Baurusuchus salgadoensis , um parente distante dos crocodilos atuais.

Em 2002, depois de terem analisado o material recolhido, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Museu de Paleontologia de Monte Alto, em São Paulo, partiram rumo à General Salgado. As escavações foram feitas no lugar indicado pelo professor Tadeu e, ali, a equipe descobriu muito mais do que um dente: encontrou arcadas, restos de ossos e nada mais, nada menos do que 11 esqueletos quase completos. Esse material permitiu que os especialistas chegassem à conclusão de que estavam diante de uma espécie de crocodilo pré-histórico até então desconhecida.

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O 'Baurusuchus salgadoensis' tinha pernas mais longas do que as dos crocodilos atuais, pois andava mais tempo sobre o solo. Ele tinha 3 m de comprimento e pesava 400 kg (ilustração: Deverson da Silva - Pepi).

O animal, que viveu no período conhecido como Cretáceo, há 90 milhões de anos, media cerca de três metros de comprimento e pesava aproximadamente 400 quilos. Suas pernas eram bem mais longas do que as dos crocodilos de hoje, já que ele precisava andar muito mais tempo sobre o solo, em comparação com os crocodilos atuais. Era carnívoro e suas grandes mandíbulas faziam dele um excelente predador. “Diferentemente dos crocodilos de hoje, o Baurusuchus salgadoensis era um animal que não dependia tanto de água. Tinha hábitos mais terrestres e vivia em bandos, como demonstrado pela grande quantidade de fósseis encontrados”, conta Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, integrante da equipe que descobriu os fósseis.

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Crânio do 'Baurusuchus salgadoensis'. Foram encontrados onze esqueletos quase completos de animais dessa espécie.

Na época em que o Baurusuchus salgadoensis habitou a Terra, os continentes ainda estavam unidos em um grande bloco, chamado Gondwana. O nosso planeta tinha um clima instável, com grandes períodos de seca e escassez de água. Para se protegerem dos longos períodos sem chuvas, esses bichos – assim como os crocodilos atuais – faziam buracos e se enterravam à procura de umidade. Quando finalmente chovia, o fluxo de água era forte e arrastava sedimentos por onde passava, causando grandes catástrofes. Foi nessa situação que muitos animais foram soterrados juntos e preservados nas rochas.

A descoberta do Baurusuchus salgadoensis marca uma nova e importante fase para o estudo das formas de vida presentes no Brasil na pré-história. Ela também ajuda a entender melhor as condições do nosso planeta há 90 milhões de anos. Por isso, foi reconhecida por cientistas de outros países e até um artigo sobre o crocodilo pré-histórico, escrito pelos pesquisadores que o encontraram, foi publicado numa revista japonesa.

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O crocodilo pré-histórico viveu há 90 milhões de anos, no período Cretáceo (ilustração: Deverson da Silva - Pepi).

Então, para os mais distraídos, um aviso: preste bastante atenção onde pisa. Quem sabe você não é o próximo a encontrar um fóssil por aí e a iniciar uma nova pesquisa, que talvez leve a uma grande descoberta?

Cathia Abreu
Instituto Ciência Hoje/RJ.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Parente do crocodilo pode ter mastigado como um mamífero
Cientistas reconstituem crânio que tinha dentes com funções de mastigação
por Katherine Harmon




























Crocodilos modernos podem ter dentes afiados para rasgar carne, mas não conseguem mastigar como os seres humanos. Na verdade, os mamíferos têm liderado a habilidade de mastigação, enquanto outras formas de vida simplesmente rasgam os alimentos antes de ingeri-los.

Mas uma espécie recentemente descrita em relação crocodilo do cretáceo (Pakasuchus kapilimai) talvez pudesse mastigar.

Considerando que os membros sobreviventes da família Crocodilidae têm a boca forrada com todos os dentes pontudos e ameaçadores, esta criatura antiga tinha dentes de diferentes formas e funções. Na parte da frente do crânio havia pequenos dentes cônicos, mas a parte traseira tinha dentes achatados como molares, sugerindo a mastigação dos alimentos. A descrição dos resultados da mandíbula foi publicada on-line na revista Nature.

"Os dentes são tipicamente de mamíferos", diz Patrick O\\'Connor, do Departamento de Ciências Biomédicas na Ohio University College e autor do estudo. "Sem dúvida, tiveram mais organização e melhor capacidade no processamento de alimentos, comparados a seus parentes mais modernos”.

Ele e sua equipe usaram um scanner para analisar o crânio do animal. Essa analise permitiu que reproduzissem digitalmente os dentes e a mandíbula.

Mas as características dessa espécie Crocodyliform notosuchian não terminam na sua dentição. “Esse crocodilo antigo era do tamanho de um gato doméstico e provavelmente viveu principalmente em terra firme”, observou O\\'Connor.

Embora P. kapilimai tinha formado um arranjo dos dentes e da mandíbula que eventualmente teve sucesso em muitos mamíferos, a experiência evolutiva não parece ter sido suficiente para mantê-los vivos até os dias atuais.
Fonte: www.sciam.com




quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Réptil extinto lembra mamífero

5/8/2010

Agência FAPESP – Uma nova espécie de crocodiliano do Período Cretáceo (de cerca de 145,5 milhões a 65,5 milhões de anos atrás) foi descoberta no sudoeste da Tanzânia, com pernas mais finas e dentes que até então eram considerados exclusivos de mamíferos.

Os crocodilianos formam uma ordem de répteis aquáticos e ovíparos, que inclui os crocodilos, jacarés e o gavial, e são encontrados especialmente em regiões tropicais do mundo. Os crocodiliformes do Cretáceo, chamados de notossúquios, eram parentes distantes dos crocodilos e jacarés modernos.

Os notossúquios, que viviam nas massas terrestres do supercontinente Gondwana, tinham um nível de diversidade tanto morfológica como ecológica muito maior do que a encontrada nos atuais crocodilos. Um exemplo está na boca: em vez de fileiras de caninos cônicos e iguais, seus dentes eram divididos em tipos especializados em morder e em outros feitos para esmagar.

A descoberta da nova espécie, cujo fóssil foi encontrado em rochas de 105 milhões de anos, foi publicada na edição desta quinta-feira (5/8) da revista Nature.


Réptil extinto lembra mamífero

Espécie de crocodiliano descoberta na Tanzânia tinha diversidade morfológica e ecológica maior do que os atuais, pernas mais finas e dentes que até então eram considerados exclusivos de mamíferos (divulgação)

Segundo Patrick O’Connor, do Ohio University College of Osteopathic Medicine, e colegas, na espécie, denominada Pakasuchus kapilimai, as fileiras superior e inferior de dentes entravam em contato de modo semelhante ao que até hoje havia sido observado apenas em mamíferos.

O animal também tinha o tamanho aproximado de um gato doméstico e era mais magro do que os crocodilianos atuais. Possuía ainda um pescoço flexível. Apesar das características inusitadas para a ordem, os cientistas afirmam que se tratava de um crocodiliforme.

A dentição mais complexa indica uma capacidade de processar alimentos que os crocodilos atuais – que simplesmente mordem e engolem – não possuem, mas os mamíferos sim.

De acordo com o estudo, o Pakasuchus kapilimai e outros notossúquios podem ter ocupado nichos ecológicos na Gondwana (supercontinente ao sul) que correspondiam aos preenchidos por mamíferos no hemisfério Norte.

“Um número de características dessa nova espécie – incluindo a redução no número de dentes e uma dentição especializada e similar à divisão em caninos, premolares e molares – é muito semelhante a características que foram críticas durante o curso da evolução dos mamíferos do Mesozóico para o Cenozóico”, disse O’Connor.

O artigo The evolution of mammal-like crocodyliforms in the Cretaceous Period of Gondwana (doi:10.1038/nature09061), de Patrick M. O’Connor e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.