Mostrando postagens com marcador plástico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador plástico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Homo sapiens, um assassino em série da ecologia: registro implacável da história

Homo sapiens, um assassino em série da ecologia: a frase foi cunhada por Yuval Noah Harari, doutor em História pela Universidade de Oxford, especializado em história mundial e professor da Universidade Hebraica de Jerusalem. Autor do best seller “Uma breve história da humanidade’  traduzido para cerca de 40 línguas, e já com 19  edições. Um livrasso!
 imagem do historiador Yuval Noah Harari autor de homo sapiens

Uma breve história da humanidade

Recebeu críticas fantásticas do inglês, The Guardian; do americano Wall Street Journal, do francês L’Express. E até personagens como Bill Gates se derreteram em elogios às teses provocantes. É uma unanimidade. Resultado? Cinco estrelas nas livrarias. E milhares de cópias vendidas.
 imagem de livro homo sapiens em anúncio da Amazon

‘Não acredite nos abraçadores de árvores que afirmam que nossos ancestrais viveram em harmonia com a natureza’

Exímio criador de frases polêmicas, na opinião do Mar Sem Fim certeiras e implacáveis,  não se contenta só com as já citadas. “A Revolução Agrícola foi a maior fraude da história”, e  “as plantas domaram o Homo Sapiens e não o contrário”, são outras. Mais uma: “se a culpa é do Homo sapiens ou não, o fato é que, tão logo eles chegavam a um novo local, a população nativa era extinta”.
E ainda tem gente no Brasil que acredita no mito do bom selvagem ou, em nosso caso, ‘dos nativos extrativistas’ “em plena harmonia com a natureza”. Quanta ingenuidade…Já é hora de esquecermos a Utopia de Thomas More. Ela não passa de pura…utopia.

Homo sapiens, um assassino em série da ecologia: breve resumo das teses do livro

O mundo foi habitado por várias espécies humanas ao mesmo tempo ao contrário da crença que, para surgir uma nova, simultaneamente uma das antigas deveria desaparecer.
Um destes grupos que conviveu juntos incluía o Homo rudolfenis, o Homo ergaster,
e, finalmente, nossa própria espécie, que, sem modéstia alguma, denominamos Homo sapiens (Surgida há 200 mil anos) “.
(Ou, como foi descoberto recentemente, o Homo sapiens teria surgido há 300 mil anos, no Marrocos. Mas a data pouco importa neste caso. E sim, as consequências.)

Mas, ao contrário que se pensava, estes grupos não conviviam em paz. Para o autor, ‘o Homo sapiens exterminou todas‘.

Para Yuval, a mola da humanidade teria sido a Reforma Cognitiva acontecida entre 70 e 30 mil anos atrás. A mesma data, 30 mil anos atrás, assinala a saída de cena dos neandertais. Pouco depois, há 13 mil anos, desaparecia o Homo floresiensis. A partir daí o único que sobra é nosso ancestral, o Homo sapiens.
ilustração da evolução humana, do macaco ao homo sapiens
Homo sapiens, um assassino em série da ecologia. Ilustração: agencia yhai.com.br

Reforma Cognitiva

Com ela veio o que o autor considera fundamental:
a capacidade de transmitir informações sobre coisas que não existem.
Para o autor,
 esta é a capacidade verdadeiramente única da nossa linguagem. Não sua capacidade de transmitir coisas sobre homens e leões

Opinião do Mar Sem Fim: os caçadores coletores de então representam os nativos, extrativistas, e índios de hoje

As atividades da caça e coleta foram herdadas diretamente do mundo animal, particularmente dos primatas.
 ilustração de caçador coletor homo sapiens
Caçador coletor de ontem…
Este método de subsistência ocupou 90% da história dos denominados caçadores coletores’.
 imagem de aborígenes descendentes do homo sapiens
Caçadores coletores de hoje…
Outro tipo de caçador coletor atual.
imagem de despeça no cerco em cananéia feito pelo homo sapiens
Caçadores coletores do litoral, Cananéia, SP.

Ação dos caçadores coletores ao meio ambiente de então

“Turistas que visitam a Tundra siberiana, ou a floresta tropical amazônica acreditam que adentraram paisagens inexploradas, intocadas. Isso é uma  ilusão. Os caçadores coletores estiveram lá e provocaram mudanças drásticas mesmo nas florestas mais densas e nos desertos mais desolados”.
Mas o pior estava para acontecer…

A ocupação da Austrália, 45 mil anos atrás

” Os Homo sapiens da Indonésia, descendentes dos macacos que viveram na savana africana, se tornaram marinheiros. Construíram barcos e aprenderam a navegá-los”.
Colonizaram não só a Austrália, mas uma série de ilhas isoladas ao norte como Buka e Manus, diz Yuval. E arremata:
A jornada dos primeiros humanos à Austrália é um dos acontecimentos mais importantes da história, pelo menos tão importante quanto a viagem de Colombo à América ou a edição da Apolo 11 à Lua.

A espécie mais mortífera do planeta

E a parte ruim…
O momento em que o primeiro caçador coletor pôs os pés no litoral australiano foi o momento em que o Homo sapiens subiu ao topo da cadeia alimentar num território específico e a partir daí se tornou a espécie mais mortífera do planeta Terra.

Resultados da colonização da Austrália

Segundo Yuval “os colonizadores da Austrália não simplesmente se adaptaram; eles transformaram o ecossistema australiano de tal forma que já não seria possível reconhecê-lo“.
Naquela época a Austrália era habitada por estranhos animais: um canguru de 200 Kg, e 2 metros de altura; um leão- marsupial grande como um tigre moderno; coalas grandes demais para serem fofinhos e mimosos; e aves com o dobro do tamanho de avestruzes que corriam pelas planícies. Lagartos similares a dragões e cobras com 5 metros se arrastavam pela terra. O diptrotodonte, com 2,5 toneladas vagava pela floresta.
Em alguns milhares de anos, virtualmente todos estes gigantes desapareceram. Das 24 espécies animais australianas pesando 50 Kg ou mais, 23 foram extintas.
 ilustração de um diptrotodonte morto pelo homo sapiens
Homo sapiens, um assassino em série da ecologia. O diptrotodonte. (Ilustração: Pinterest)

O registro histórico faz o Homo sapiens parecer um assassino em série da ecologia

O mesmo extermínio foi verificado no Ártico, onde os caçadores coletores deram cabo dos mamutes. Em Madagascar o pássaro elefante, criatura com 3 metros de altura, incapaz de voar, e os lêmures gigantes, os maiores primatas do globo, desapareceram de maneira abrupta há 1,5 mil anos. Precisamente quando os humanos botaram os pés na ilha.
E prossegue:
no oceano Pacífico, a principal fonte de extinção começou por volta de 1.500 a.C, quando agricultores polinésios se estabeleceram nas ilhas Salomão, Fiji e Nova Caledônia

Conclusão

O Homo sapiens levou à extinção cerca de metade dos grandes animais do planeta muito antes do humanos inventarem a roda ou ferramentas de ferro.

Qualquer semelhança com o homem de hoje não é mera coincidência

 imagem de homem com motoserra
Homo sapiens, um assassino em série da ecologia e o Homo sapiens atual…
Hoje, além dos caçadores coletores tradicionais (no Brasil habitantes das Reservas Extrativisitas), a população mundial saltou para 7.4 bilhões de pessoas. A tecnologia foi aplicada aos processos de coleta do Homo sapiens moderno: pescadores, e os coletores do que restou das florestas, anabolizando sua capacidade de coleta. Fábricas, indústrias químicas, agrotóxicos na agricultura, minas terrestres e extração de petróleo deram a mão que faltava. Um bilhão de automóveis rodam pelo mundo, enquanto cem mil navios navegam pelos mares. Poluindo. O resultado desta ação predatória ininterrupta?
Eis como a vê o cientista Carlos Nobre, membro brasileiro do IPCC:
 Nunca, em toda a história da vida na Terra, uma espécie alterou tanto o planeta, e em uma escala tão rápida, quanto a humanidade. Mudamos os cursos de rios, alteramos a composição química da atmosfera e dos oceanos, domesticamos plantas e animais a ponto de sermos considerados uma “força tectônica” no planeta. Esse impacto é tão forte que alguns cientistas estão propondo mudar a época geológica – deixaríamos o holoceno, que começou com o fim da era do gelo, e passaríamos ao antropoceno, a época dominada pelo homem

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ben Mierement, NOAA NOS (ret.)

Plastic debris found in the deepest part of the ocean

Detritos de plástico encontrados na parte mais profunda do oceano

Plastic trash is now so pervasive, it has even made its way to the deepest part of the oceanNational Geographic reports. Scientists found a plastic bag almost 11 kilometers deep in the Mariana Trench in the Pacific Ocean while combing through a database of photos from thousands of submersible dives made over the past 30 years. One-third of all debris in the database, created to provide a record of trash in the ocean depths, were plastics, mostly single-use products. In some photos, deep-sea creatures like sea anemones were entangled in the plastic. Writing in Marine Policy, the researchers say the production of plastic waste needs to be drastically reduced to protect the deep-sea environment.


O lixo de plástico agora é tão difundido que chegou até a parte mais profunda do oceano, segundo a National Geographic. Os cientistas encontraram uma sacola plástica de quase 11 quilômetros de profundidade na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, enquanto vasculhava um banco de dados de fotos de milhares de mergulhos submersíveis feitos nos últimos 30 anos. Um terço de todos os detritos no banco de dados, criados para fornecer um registro de lixo nas profundezas do oceano, eram plásticos, a maioria produtos de uso único. Em algumas fotos, criaturas do fundo do mar, como anêmonas do mar, estavam enredadas no plástico. Escrevendo em Política Marinha, os pesquisadores dizem que a produção de resíduos plásticos precisa ser drasticamente reduzida para proteger o ambiente do fundo do mar.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ambientes marinhos e de água doce no Brasil sofrem com poluição por microplásticos

07 de junho de 2017


 Elton Alisson | Agência FAPESP – Além de garrafas PET, sacolas e embalagens de alimentos, entre outros objetos, os ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo têm sido contaminados com minúsculos detritos, conhecidos como microplásticos, com tamanho menor que 5 milímetros, como fibras e pequenos resíduos gerados pela fragmentação de grandes pedaços de plástico.
Ambientes marinhos e de água doce no Brasil sofrem com poluição por microplásticos Minúsculos detritos de plástico estão presentes em larga escala em praias e rios no país, têm sido ingeridos por peixes e pequenos organismos e causado efeitos tóxicos em moluscos, apontam estudos (foto: Pryscilla Resaffe) 
 

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus da Baixada Santista, em colaboração com colegas de outras universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, constatou que esses microplásticos também estão presentes em larga escala em praias e rios no Brasil.
Os pesquisadores também observaram que algumas espécies de peixes de água doce e de pequenos organismos marinhos ingerem frequentemente esses microplásticos, e que os contaminantes liberados por esses poluentes causam efeitos tóxicos para espécies de moluscos, como os mexilhões marrons (Perna perna).
Os resultados dos estudos, coordenados por Luiz Felipe Mendes de Gusmão com apoio da FAPESP, foram publicados nas revistas Environmental Pollution e Water Research.

“Temos observado a poluição generalizada por microplásticos tanto de ecossistemas marinhos como de ambientes de água doce”, disse  Gusmão, professor da Unifesp da Baixada Santista e coordenador das pesquisas, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, enquanto resíduos de plástico grandes, como sacolas, tampinhas e garrafas PET, são relativamente fáceis de serem vistos e retirados da areia de uma praia, os microplásticos são quase impossíveis de serem removidos por serem muito pequenos e praticamente imperceptíveis a olho nu. Por isso, tem se observado um aumento do acúmulo desse tipo de poluente em praias de todo o mundo, apontou

“Os microplásticos que entram em um ambiente de água doce são transportados, via os rios, até os oceanos. E quando chegam aos oceanos esses fragmentos de plástico são transportados por correntes marinhas e tendem a ficar em suspensão na coluna d’água ou encalharem em praias”, explicou.
Uma vez que essas partículas de plástico têm sido encontradas de forma generalizada em ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo, o pesquisador, em colaboração com colegas no Brasil e no exterior, começou a monitorar nos últimos anos a presença desses poluentes em ambientes aquáticos no país.

Os primeiros locais escolhidos foram as praias de Itaquidantuva e de Paranapuã, situadas na reserva ambiental de Xixová-Japuí, localizada entre os municípios da Praia Grande e São Vicente, na baixada santista, em São Paulo.

Durante um ano os pesquisadores coletaram semanalmente nas áreas das duas praias pellets de plástico – grânulos de plástico, com diâmetro inferior a 10 milímetros, utilizados na fabricação de produtos plásticos.
Os resultados das análises indicaram uma altíssima concentração desse tipo de microplástico. “Observamos pellets de plástico, de diferentes cores e tamanhos, se acumulando na praia de Paranapuã o ano inteiro. Em alguns momentos, as praias ficavam cheias desses microplásticos, e em outros momentos eles sumiam temporariamente em razão de fatores como a circulação oceânica, as ondas e o regime de ventos”, afirmou.

Efeitos tóxicos

De acordo com o pesquisador, algumas características que potencializam o efeito nocivo do plástico em ambientes marinhos e de água doce são que a maioria dos polímeros comuns – como o polipropileno e o poliestireno – degradam muito lentamente e são leves – o que permite serem transportados com facilidade pelas correntes oceânicas e permanecerem por muito tempo no ambiente marinho

Ao permanecerem por longo tempo no ambiente, as moléculas de contaminantes presentes em um meio aquático, como metais pesados e pesticidas, começam a aderir à superfície dos plásticos e podem atingir concentrações extremamente altas. Além disso, esses resíduos de plástico também possuem aditivos presentes na composição do material, como corantes, dispersantes e protetores contra raios ultravioleta.

Com o passar do tempo, os fragmentos de plástico tendem a liberar esses contaminantes no ambiente aquático, explicou Gusmão.

“Se os microplásticos forem ingeridos pela fauna marinha, os poluentes aderidos na sua superfície podem ser liberados no tubo digestivo do animal, o que pode causar efeitos tóxicos”, ressaltou.
A fim de avaliar a potencial toxicidade para organismos marinhos dos contaminantes liberados por microplásticos, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Santa Cecília, realizaram experimentos em que expuseram larvas de mexilhões marrons a amostras de pellets de plástico que recolheram nas praias de Itaquidantuva e de Paranapuã e também a pellets virgens.
Os resultados das análises indicaram que os contaminantes liberados pelos pellets de plástico afetaram o desenvolvimento embrionário dos moluscos.

As larvas expostas aos pellets de plástico virgens apresentaram alta taxa de mortalidade, enquanto nenhuma das larvas expostas aos pellets de plástico recolhidos das duas praias conseguiu se desenvolver.

As observações sugeriram que os contaminantes aderidos à superfície dos pellets de plástico recolhidos das praias foram os responsáveis pelos efeitos tóxicos no desenvolvimento das larvas expostas aos microplásticos, enquanto a morte das larvas expostas aos pellets virgens foi devido provavelmente aos aditivos químicos do próprio material.
“Somente a exposição aos microplásticos, sem que ingerissem, fez com que as larvas morressem”, disse Gusmão.

A poluição marítima também mobiliza a ONU Meio Ambiente que lança nesta quarta-feira (07/06), no Brasil, a campanha “Mares Limpos”, que durante cinco anos terá ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos. O evento acontece no AquaRio, no Rio de Janeiro, como parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.

No Brasil, a campanha trabalhará na mobilização de governos, parlamentares, sociedade civil e setor privado para fortalecer ações que reduzam a contribuição do país ao problema global dos plásticos que acabam nos mares. Os esforços da campanha se concentrarão em buscar uma drástica redução no uso de plásticos descartáveis e o banimento de microesferas de plástico em cosméticos e produtos de higiene, além de apoiar a elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ingestão

Os pesquisadores da Unifesp também avaliaram se pequenos organismos marinhos são capazes de ingerir microplásticos encontrados em seus habitats.

Em um estudo realizado em colaboração com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), das Universidades Federais do Rio Grande (FURG) e do Paraná (UFPR), além da University of Copenhagen, da Dinamarca, e do Instituto de Estudos Ecossistêmicos, da Itália, eles examinaram o conteúdo intestinal da meiofauna (animais que medem menos de 1 milímetro e vivem enterrados entre grãos de areia das praias) de seis praias situadas no Brasil, na Itália e nas Ilhas Canárias, na Espanha.

As análises laboratoriais revelaram que três espécies comuns de anelídeos, do gênero Saccocirrus, tinham microfibras (fibras provenientes de cordas e fios de pesca e de tecidos de roupas, entre outras) em seus intestinos, mas sem apresentar lesões físicas aparentes.
“Constatamos que mesmo organismos marinhos desse porte podem interagir com microplásticos”, disse Gusmão.
Em outro estudo, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas das Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliaram a ingestão de microplásticos por um peixe de água doce comum e muito consumido em regiões semiáridas na América do Sul: o caborja (Hoplosternum littorale).

Para realizar o estudo, eles analisaram o intestino de espécimes do peixe de um rio intermitente que passa pela cidade de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, capturadas por pescadores da região.
Os resultados das análises indicaram que 83% dos peixes tinham detritos plásticos em seus intestinos – a maior proporção relatada para uma espécie de peixe de água doce no mundo até o momento.
A maioria dos detritos plásticos (88,6%) extraídos do estômago dos peixes era microplásticos com tamanho de até 5 milímetros, e as fibras foram o tipo de microplástico mais frequente (46,6%) ingerido pelos animais.
Os pesquisadores também observaram que os peixes consumiam mais microplásticos nas regiões mais urbanizadas do rio.

“Hoje tem sido muito discutido como diminuir os impactos causados por resíduos de plásticos grandes em ambientes e organismos marinhos e de água doce, mas a poluição por microplásticos também representa um problema muito sério”, disse Gusmão.
“É preciso repensar a cadeia de produção do plástico, que é um produto importante para a sociedade, de modo a reduzir a chance dele chegar ao ambiente”, avaliou.
O artigo “Leachate from microplastics impairs larval development in brown mussels’ (doi:10.1016/j.watres.2016.10.016), de Gusmão e outros, pode ser lido por assinantes da Water Research em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0043135416307667.

O artigo “In situ ingestion of microfibres by meiofauna from sandy beaches” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.06.015) pode ser lido por assinantes da revista Environmental Pollution em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749116305036.

E o artigo “Microplastics ingestion by a common tropical freshwater fishing resource” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.11.068) pode ser lido por assinantes da mesma revista em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S026974911632396X.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pesquisadores isolam bactéria que produz plástico a partir do metano

14 de abril de 2017

Elton Alisson | Agência FAPESP – Das águas turvas e poluídas do Sistema Estuarino de Santos pode emergir uma solução para produzir por meio de um processo sustentável um polímero (plástico) que pode ter alto valor agregado.


Pesquisadores isolam bactéria que produz plástico a partir do metano Bactéria encontrada no Sistema Estuarino de Santos produz biopolímero ainda não caracterizado (imagem: RCGI)

 Um grupo de pesquisadores ligados ao Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) da Universidade de São Paulo (USP) isolou naquela região do litoral sul paulista uma bactéria capaz de produzir um biopolímero – polímero produzido por processo biotecnológico.

A descoberta foi feita durante um projeto realizado no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (Research Centre for Gas Innovation RCGI) – apoiado pela FAPESP e pela Shell por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

“Ainda não caracterizamos o polímero produzido pela bactéria, mas nossas análises indicam que é bem diferente dos relatados na literatura científica”, disse Elen Aquino Perpétuo, professora do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do projeto, à Agência FAPESP

A pesquisadora e os colegas Bruno Karolski, também pesquisador do Cepema-USP, e a doutoranda Letícia Cardoso iniciaram há cerca de um ano um projeto visando desenvolver processos biotecnológicos utilizando microrganismos para mitigação de metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), amplamente presentes no gás natural.

A fim de desenvolver a pesquisa eles começaram a prospectar bactérias chamadas de metanotróficas – que têm a capacidade não só de consumir, mas também de transformar metano e metanol em polímeros como o polihidroxibutirato (PHB): um polímero da família dos polihidroxialcanoatos (PHA) com características físicas e mecânicas semelhantes às de resinas sintéticas como o polipropileno.
Desenvolvido com apoio da FAPESP, o PHB é produzido no Brasil por uma indústria nacional em Serrana, no interior de São Paulo, a partir do açúcar da cana – um substrato 30% mais caro que o metanol.
“A ideia da nossa pesquisa é utilizar um substrato mais barato do que o açúcar – neste caso, o metano e o metanol – para produzir o PHB e viabilizar comercialmente sua produção por uma rota biológica”, explicou Aquino.

Durante o trabalho de bioprospecção, em que coletaram amostras em três diferentes pontos do Sistema Estuarino de Santos, os pesquisadores depararam com duas bactérias que têm essa capacidade de transformar o metano em biopolímeros.

A primeira é a Methylobacterium extorquens – que é produtora de PHB –, e a segunda a Methylobacterium rhodesianum, que transforma o metano no outro tipo de polímero ainda não caracterizado.

“Não havia nenhum relato de que a Methylobacterium rhodesianum acumula um polímero”, afirmou Aquino.

Maior produção
Os pesquisadores também constataram que essas bactérias isoladas de sistemas naturais produzem mais polímero que as cepas comerciais, cultivadas em laboratório, como as dos gêneros Methylobacter sp. e Methylocystis sp, com as quais trabalharam na fase inicial do projeto para realizar os primeiros testes e validar a metodologia.

Sem controlar parâmetros como temperatura, pH e agitação, a Methylobacterium extorquens isolada do ambiente marinho, por exemplo, acumula 30% de seu peso seco em polímero.

“Essa diferença de produção de polímero por essas bactérias é devido às pressões que sofrem em ambientes naturais, onde estão expostas a condições adversas de temperatura, salinidade, pressão, marés e a poluentes”, apontou Aquino. “Por isso, elas precisam ser mais resistentes do que as cepas cultivadas em laboratório e ter maior reserva energética para sobreviver”, explicou.

De acordo com a pesquisadora, os microrganismos metanotróficos produzem biopolímeros quando há excesso de fonte de carbono e limitação de algum nutriente.
Sob essas circunstâncias, essas bactérias armazenam o carbono em grânulos de polímeros de polihidroxialcanoatos como reserva energética.

“No início, achou-se que esses grânulos de reserva eram lipídeos [óleos]”, disse Aquino. “Mais tarde descobriu-se que, na verdade, eles pertencem ao grupo dos polihidroxialcanoatos e que podem ser usados para produzir polímeros de origem biológica e biodegradáveis, entre outras vantagens em comparação aos polímeros produzidos por via petroquímica”, afirmou.
Uma vez que esses microrganismos precisam de metano como substrato para produzir biopolímero, os pesquisadores escolheram locais onde há maior abundância do gás para bioprospecção.
A primeira escolha foi o reservatório da Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas (AM). E o segundo local – escolhido para efeito de comparação – foi o Sistema Estuarino de Santos.
As amostras colhidas no Sistema Estuarino de Santos, contudo, mostraram-se mais interessantes do que as de Balbina, contou Aquino.

“Como conseguimos isolar muitos microrganismos em Santos, começamos a trabalhar com eles e adiamos o processamento das amostras coletadas em Balbina”, disse. “Mas pretendemos retomar nas próximas semanas as análises das amostras de Balbina, que apresentam uma grande diversidade de microrganismos”, afirmou.

Viabilidade comercial

Além de caracterizar o polímero produzido pela Methylobacterium rhodesianum, os pesquisadores pretendem avaliar agora se ela é economicamente viável para produzir um biopolímero.
Para que a rota biológica seja viável economicamente, a bactéria tem que ser capaz de acumular 60% de seu peso seco em polímero. Esse cálculo é feito levando-se em conta a produção de PHB a partir do açúcar, explicou Aquino.

“O que se espera agora é avaliar se é melhor negócio investir na produção desse biopolímero, que ainda não foi caracterizado, ou no aumento do rendimento da produção de PHB, que já é conhecido comercialmente e tem um mercado estabelecido”, disse a pesquisadora.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A era humana

Material plástico acumulado no fundo dos oceanos pode definir um novo período na história da Terra, o Antropoceno
IGOR ZOLNERKEVIC | ED. 243 | MAIO 2016
Email this to someoneTweet about this on TwitterShare on Google+Share on FacebookShare on LinkedIn

© GIANLUIGI GUERCIA / AFP
Produtos plásticos em lixão: fonte de material sintético que integra sedimentos depositados nas praias e nos oceanos
Produtos plásticos em lixão: fonte de material sintético que integra sedimentos depositados nas praias e nos oceanos

No final de abril, um grupo internacional formado por geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos participou de um encontro em Oslo, na Noruega. O objetivo inicial da reunião, que fez sentar à mesma mesa pesquisadores de áreas tão distintas, era consolidar uma proposta a ser apresentada em agosto na África do Sul para marcar o início do processo de reconhecimento oficial de que a Terra vive uma nova época geológica: o Antropoceno, a era dos seres humanos.
Após dois dias de discussão, porém, o grupo decidiu adiar para 2018 a proposta de formalização do Antropoceno. Até lá, devem ser reunidas mais evidências de que as transformações ambientais provocadas pela ação humana são tão intensas que já produziram marcas indeléveis no registro geológico do planeta. “Queremos apresentar uma proposta suficientemente robusta para que a comunidade científica internacional não tenha dúvidas sobre a formalização do Antropoceno”, conta a oceanógrafa Juliana Ivar do Sul, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, que participou do encontro.

Segundo o grupo que esteve na Noruega, dos anos 1950 para cá, as atividades humanas teriam causado alterações nos processos geológicos da Terra – modificando o ritmo de desgaste de rochas e acúmulo de sedimentos desde a superfície dos continentes até o fundo dos oceanos – muito mais intensas do que as que ocorrem naturalmente. Uma característica marcante desse novo estágio na história da Terra seria a presença cada vez mais abundante de um sedimento artificial, formado por lama e areia misturadas com grãos de materiais sintéticos, em especial o plástico, vindos do lixo produzido pelo ser humano.
“Propor uma nova época geológica é algo muito complexo”, afirma Juliana. “Precisamos das mais diversas evidências científicas e o efeito do plástico nos processos geológicos é só uma delas”, conta a pesquisadora. Especialista na investigação dos efeitos da poluição dos oceanos pelo plástico, Juliana integra o Grupo de Trabalho do Antropoceno, coordenado pelo paleontólogo Jan Zalasiewicz, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, e pelo geólogo Colin Waters, do Serviço Geológico Britânico. O grupo foi criado em 2009 pela União Internacional de Ciências Geológicas (Iugs, na sigla em inglês), que define a tabela cronoestratigráfica internacional.

Essa tabela organiza as camadas de rochas que formam os continentes e o fundo dos oceanos seguindo a ordem cronológica em que elas surgiram – as camadas mais antigas aparecem na parte inferior da tabela. As convenções definidas nessa tabela permitem aos geólogos comparar sedimentos e rochas de locais diferentes e determinar suas idades relativas quando não há datação direta, reconstituindo, assim, a história da Terra.
De acordo com a tabela, a época atual é o Holoceno, que começou há 11.700 anos. O início do Holoceno foi definido oficialmente apenas em 2008, quando um grupo de trabalho revisou as evidências científicas de que as camadas de rocha, sedimento e gelo com cerca de 11.700 anos de idade apresentavam marcas deixadas pelas mudanças climáticas que ocorreram no fim da última era glacial do planeta.
052-055_Antropoceno_243A ideia de que o Holoceno teria chegado ao fim com mudanças ambientais provocadas pela civilização moderna, dando início ao Antropoceno, tornou-se conhecida no início da década passada por meio de artigos e conferências do holandês Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1995 por seus trabalhos sobre a formação do buraco na camada de ozônio da atmosfera. As ideias de Crutzen inspiraram Zalasiewicz a propor à Iugs um grupo de trabalho para debater o assunto e tentar definir o início do Antropoceno e as suas características.
Embora as conclusões do grupo só devam ser sumarizadas e apresentadas em 2018, as principais evidências levantadas por ele vêm sendo divulgadas e discutidas há algum tempo. O trabalho mais recente a defender o Antropoceno é um artigo de revisão escrito por Waters, Zalasiewicz e mais 22 colaboradores e publicado em janeiro na Science. No paper, os pesquisadores defendem que as atividades humanas já mudaram o planeta a ponto de produzirem em todo o globo sedimentos e gelo com características distintas daqueles formados no restante do Holoceno.
Segundo essa revisão, as camadas de gelo e sedimento depositadas recentemente contêm fragmentos de materiais artificiais produzidos em abundância nos últimos 50 anos: concreto, alumínio puro e plástico, além de traços de pesticidas e outros compostos químicos sintéticos. Mesmo em lugares remotos do planeta, como a Groenlândia, os sedimentos acumulados de 1950 para cá apresentam concentrações de carbono, resultado da queima de combustíveis fósseis, e de fósforo e nitrogênio, usados como fertilizantes na agricultura, muito mais elevadas do que nos últimos 11.700 anos.

Waters, Zalasiewicz e seus colegas estimam ainda que o impacto das atividades humanas atuais pode permanecer registrado por dezenas de milhões de anos. A mineração, as mudanças no clima global e o aumento na taxa de extinção de espécies de plantas e animais também devem deixar suas marcas nas rochas. “O artigo causou muita polêmica”, lembra Juliana. “Muitos pesquisadores discordam de que o Holoceno tenha chegado ao fim e essa discussão ainda deve durar alguns anos.”

Entre os críticos da proposta está o geólogo Stanley Finney, da Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach, Estados Unidos. Ele é diretor do conselho executivo da Iugs que define a tabela cronoestratigráfica e, ao lado de Lucy Edwards, do United States Geological Survey, discordou da ideia de criação do Antropoceno em um artigo de opinião publicado na edição de março/abril do boletim GSA Today, da Associação Geológica Americana. No texto, Finney e Lucy afirmam que muitas das camadas depositadas nos últimos 70 anos nas porções mais profundas do oceano não têm mais de 1 milímetro (mm) de espessura. Eles dizem ainda que a maioria das evidências apresentadas pelos defensores do Antropoceno se baseia em previsões sobre o potencial registro em rochas de um futuro remoto. A inclusão do Antropoceno na tabela cronoestratigráfica teria uma razão mais política (denunciar o impacto ambiental da humanidade) do que científica.

“Para se definir uma nova época é necessário que o material depositado tenha expressão na coluna de sedimento em muitos lugares do planeta e em ambientes diversos”, explica o geólogo Michel Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). “Não sabemos até que ponto o Antropoceno atende à Iugs nesse pressuposto, uma vez que a época já pode ter expressão em alguns ambientes, como as regiões costeiras, e quase nenhuma expressão em outros, como o fundo das bacias oceânicas.”
© MARCELLO CASAL JR / AGÊNCIA BRASIL
Amostra de plastiglomerado: rocha formada por sedimentos de origem mineral e material plástico, encontrada na praia de Kamilo, no Havaí
Amostra de plastiglomerado: rocha formada por sedimentos de origem mineral e material plástico, encontrada na praia de Kamilo, no Havaí

Juliana lembra que não há consenso nem entre os que apoiam a oficialização do Antropoceno. O grupo de Zalasie-wicz, por exemplo, defende um dia para o início dessa nova época: 16 de julho de 1945, o dia em que foi detonada a primeira bomba atômica, em Alamogordo, no estado norte-americano do Novo México. A data marca o início de uma contaminação da atmosfera por isótopos radioativos liberados em testes de armas termonucleares que já teriam tido tempo para se incorporar ao gelo e ao sedimento de toda a superfície do planeta, deixando um sinal claro para os geólogos do futuro. Outros pesquisadores sugerem, porém, datas mais remotas, como o início da Revolução Industrial, em torno de 1800, para englobar todas as transformações que a humanidade já provocou no ambiente terrestre.

Microplásticos ao mar

Zalasiewicz e Waters convidaram Juliana para participar do Grupo de Trabalho do Antropoceno depois de lerem uma revisão que ela e a oceanógrafa Mônica Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, publicaram em 2014 na Environmental Pollution sobre o acúmulo de microplásticos nos oceanos. Microplásticos são fragmentos com menos de 5 mm, em geral invisíveis a olho nu quando flutuam nos oceanos ou estão misturados na lama ou na areia. “Eles queriam saber se poderiam usar os microplásticos como um marcador geológico para o Antropoceno”, conta a pesquisadora, que já coletou o material na superfície do mar em torno de todas as grandes ilhas oceânicas brasileiras, como Fernando de Noronha e Trindade. Com mais 16 membros do grupo, ela realizou um trabalho de revisão publicado em janeiro na Anthropocene resumindo tudo o que se sabe sobre o caminho que os plásticos percorrem pelo planeta. No artigo, os pesquisadores enfatizam que esse tipo de material tem um elevado potencial de ser preservado nos sedimentos marinhos.
A origem dos microplásticos encontrados no mar é variada. Os chamados pellets, esferas do tamanho de uma lentilha, são usados como matéria-prima para fabricar objetos plásticos maiores. Outros resultam da degradação no ambiente de peças maiores. Os microplásticos mais abundantes, porém, são as fibras com 2 a 3 mm de comprimento por 0,1 mm de espessura que compõem o filtro dos cigarros ou se destacam de tecidos sintéticos durante a lavagem. De 1950 para cá, a produção mundial de plástico passou de 2 milhões de toneladas para 300 milhões de toneladas por ano. Estima-se que o total de plástico já produzido (algo da ordem de 5 bilhões de toneladas) seja suficiente para embrulhar o planeta em filme plástico algumas vezes.
Descartados em lixões, os materiais plásticos chegam aos oceanos e às regiões costeiras.

Um estudo coordenado pelo biólogo Alexander Turra, do IO-USP, indicou anos atrás que há 10 vezes mais partículas de microplástico enterradas na areia de uma praia do que na sua superfície. “Antes de nosso estudo, as pessoas subestimavam a quantidade de plástico na areia”, diz Turra. Como a tendência do plástico é boiar, os pesquisadores supunham que os microplásticos permanecessem sempre sobre a areia. Turra e seus colegas, porém, os encontraram enterrados a até 2 metros de profundidade em quatro praias do litoral paulista (ver Pesquisa Fapesp nº 219). Desde então a equipe confirmou o fenômeno em mais 13 praias. Pela distribuição das partículas, Turra suspeita que os microplásticos sejam enterrados pela força de ocasionais tempestades marítimas. Outra parte do plástico produzido e descartado está flutuando nos oceanos. E há, ainda, outro destino: o fundo do mar.

Fósseis plásticos

Embora flutuem no início, os pedaços de plástico (grandes ou pequenos) que permanecem por muito tempo na água salgada acabam colonizados por microrganismos e afundam. Também podem ser engolidos por organismos maiores, de microscópicos zooplânctons a peixes, e submergir com suas fezes ou carcaças. Expedições já encontraram plásticos em diferentes profundidades no relevo submarino. Robôs já fotografaram garrafas, sacolas e redes de pesca em cânions submarinos ao redor da Europa e, em 2015, pesquisadores encontraram microplásticos a mais de 5 quilômetros de profundidade sobre o sedimento da fossa de Karil-Kamchatka, no oceano Pacífico. Testemunhos de sedimentos marinhos indicam que há fibras plásticas por todo o assoalho oceânico.

Zalasiewicz é especialista em microfósseis de 500 milhões de anos de idade, entre eles, os graptólitos, cuja estrutura era composta de moléculas orgânicas com estrutura semelhante à dos plásticos. Se esses microrganismos deixaram registros fossilizados, Zalasiewicz suspeita que o plástico depositado no fundo do mar, especialmente aquele presente no sedimento de cânions submarinos próximos às bordas das plataformas continentais, também tem grande chance de ser preservado por milhares de anos e, quem sabe, um dia intrigar futuros paleontólogos que encontrarem garrafas PET, CDs e bitucas de cigarro fossilizados.

Artigos científicos
 
ZALASIEWICZ, J. et al. The geological cycle of plastics and their use as a stratigraphic indicator of the Anthropocene. Anthropocene. 18 jan. 2016.

TURRA, A. et al. Three-dimensional distribution of plastic pellets in sandy beaches: Shifting paradigms. Scientific Reports. 27 mar. 2014.

IVAR DO SUL, J. A. e COSTA, M. F. The present and future of microplastic pollution in the marine environment. Environmental Pollution. fev. 2014.

sábado, 12 de março de 2016

Geologia
Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Nunca, em toda a história da vida na Terra, uma espécie alterou tanto o planeta quanto o ser humano. Estudiosos agora debatem a possibilidade de uma mudança de era geológica: sairíamos do holoceno e passaríamos ao antropoceno, a era do homem.

Em abril de 2001, numa conferência sobre os efeitos do aquecimento global realizada em Londres, o químico holandês Paul Crutzen, vencedor do Prêmio Nobel uma década antes, teve o seu momento de aluno rebelde. Do hotel onde estava hospedado até a sede do evento, ele atravessou por uma semana o fog londrino, a bruma cinza e espessa reflexo da poluição, que naqueles dias havia alcançado o nível 10, índice máximo estabelecido pelo Departamento do Meio Ambiente do Reino Unido. No palco, quando cientistas do mundo debatiam o holoceno, a época geológica iniciada no fim da última glaciação - 11,5 mil anos atrás - e que oficialmente continua até hoje, Crutzen interrompeu o curso natural com uma exclamação. "Precisamos parar. Coisas ruins estão acontecendo", disse. "Devemos falar sobre uma nova era".

Paul Crutzen, um senhor robusto, de ombros e rostos largos, como se tivesse passado a vida se exercitando numa piscina, lembra da primeira vez em que utilizou o termo antropoceno como um "alívio". "Todos naquela conferência ficaram mudos, mas, durante a pausa para o café, a ideia do antropoceno foi o principal assunto das conversas. Alguém até chegou a sugerir que eu patenteasse o termo", lembra ele em entrevista à Muito. "Para mim, foi como descarregar uma inquietação".

O substantivo, lançado num evento científico tal qual uma flecha, tenta abarcar as recentes mudanças no planeta. Nunca, em toda a história da vida na Terra, uma espécie parece ter alterado tanto o globo, e em uma escala tão rápida, quanto o homem. Mudamos os cursos de rios, alteramos a composição química da atmosfera e dos oceanos, domesticamos plantas e animais a ponto de sermos considerados uma força tectônica. Esse impacto é tão forte que fez Crutzen - e, agora, muitos cientistas ao redor do globo - propor uma mudança de época geológica. Deixaríamos o holoceno e passaríamos ao antropoceno, a era do homem.

Quinze anos depois de cunhar a ideia, Crutzen poderá ver o alívio amplamente disseminado em livros, pesquisas e conversas. Há dois anos, a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) determinou que a Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS), seu mais antigo órgão científico, criasse um grupo de trabalho para avaliar uma possível troca de nome e apresentar uma proposta sobre o assunto, a ser votada no próximo Congresso Internacional de Geologia, marcado para agosto deste ano na África do Sul. Se o trabalho for aprovado, será o primeiro passo para as famosas tabelas coloridas, que aparecem em cartazes de escolas e museus, mostrando os diferentes momentos da Terra, serem reformuladas.

"Será um grande marco filosófico para a humanidade", diz Crutzen, enquanto folheia um estudo de sua autoria, o primeiro sobre o tema, publicado em 2002, na revista Nature. "Num sentido diverso, terá impacto semelhante ao de outros marcos da história da humanidade, como a chegada do homem à Lua ou a descoberta da energia devastadora da bomba atômica".

Na pedra

Mas conseguiria o antropoceno atender aos critérios para a designação de uma nova era geológica? Nos meandros da geologia, as fronteiras entre as épocas são definidas por mudanças preservadas em rochas - como o surgimento de um tipo de organismo fossilizado, por exemplo, ou o desaparecimento de outro. De acordo com os pesquisadores da ICS, o crescimento populacional, a construção de metrópoles, o desmatamento e o uso de combustíveis fósseis provocaram um efeito no planeta comparável ao derretimento das geleiras, o que marca o início da época holocena.
"O homem move mais rochas e sedimentos do que as forças do gelo, do vento e da água, acelera processos de erosão e libera mais nitrogênio no ar do que plantas e outros organismos seriam capazes, principalmente desde a segunda metade do século 20", diz Carlos Nobre, presidente da Capes e único pesquisador brasileiro que participa do grupo de trabalho do antropoceno, no ICS. "A geologia está fundamentada em função de eventos naturais, glaciação, aquecimento e resfriamento da natureza. Pela primeira vez nós estamos criando uma era geológica que tem como motivo a ação humana".
Se for decidido, em agosto deste ano, que passamos ao antropoceno, será preciso justificar a decisão com amostras de solo, feitas com sondas, que mostram a "rubrica" do período. Essas amostras podem incluir, por exemplo, sedimentos de oceanos com marcadores de poluição, como partículas produzidas pela queima de combustíveis fósseis. Antes, porém, membros da União Internacional de Ciências Geológicas precisarão entrar num acordo acerca do marco inicial desta nova era.

Integrantes do ICS, como Nobre, acreditam que este marco poderia ser 16 de julho de 1945, o dia do primeiro teste da bomba atômica na história - um símbolo da forma como o homem alterou a quantidade de elementos radioativos no planeta. A data marcaria, também, o momento em que população humana acelerou o seu padrão de consumo e coincidiria com a proliferação dos "tecnomateriais", como alumínio, concreto, plástico e cobre.

"Seja o marco inicial em 1945 ou durante a Revolução Industrial, no século 18, creio que estamos num momento em que a espécie humana é determinante", diz Nobre. "O que precisamos, agora, é regular e avalizar que nossas ações não apressem processos naturais de maior duração".

Consumo

Para ativistas e ambientalistas, a ideia da nova época formulada por Crutzen praticamente reúne tudo o que eles vêm pontuando há décadas: a atividade humana está intervindo tanto no planeta que coloca em risco a própria sobrevivência do homem. A questão que surge com a ideia de antropoceno é: como lidar com esse novo mundo humano? O primeiro passo, controlar os impactos da atividade econômica no clima, é consenso. Mas até que ponto isso é viável num modelo econômico sustentado pela produção e pelo consumo?
"A última Conferência do Clima em Paris fechou um acordo para limitar o aquecimento global. É um bom ponto de partida", diz a jornalista e escritora britânica Gaia Vince, autora do livro Adventures in the anthropocene (Aventuras no antropoceno, em tradução livre), referindo-se ao evento realizado no final do ano passado, que envolveu 195 países, entre eles o Brasil. "Por outro lado, este é o momento em que uma grande parcela da população do planeta, que historicamente estava fora do mundo do consumo, passou a ter acesso a este mundo. Me parece que essa é uma pendência hoje: como dar essa má notícia, a de que agora que podem consumir, de fato não podem, porque as elites esgotaram o planeta nos últimos séculos?".
Em seu livro, espécie de diário que tenta explicar as enormes mudanças que têm ocorrido na Terra, Vince viaja por países ricos e pobres para exibir uma verdade que, face ao capitalismo, é inconveniente: o jeito como o mundo está andando não pode continuar, pois se baseia na ideia de que o crescimento econômico pode ser infinito, uma curva sempre ascendente, quando moramos num mundo finito, com recursos finitos.
É em cima deste dilema que o Breakthrough Institute, um centro de pesquisa da Califórnia, publicou, em abril do ano passado, um documento batizado de Manifesto Ecomodernista, defendendo a ideia de que o antropoceno pode ser, por fim, positivo. Ao trazer o impasse que o homem criou para si (sobreviver neste mundo árido), a nova era geológica expande a discussão sobre o papel das tecnologias para resolver os problemas ambientais, em oposição aos impactos promovidos pelo atual estilo de vida. O manifesto, que em sua totalidade soa como um documento apaixonado, traz uma mensagem que ainda é promessa: se o homem tem o poder de alterar a linha geológica do planeta, ele pode fazer isso para o lado certo.

Sobrevivência

Num laboratório bem iluminado do Instituto de Geociências da UFBA, o geógrafo Wagner Ribeiro, um sujeito de tranquilidade oriental, limpa as bancadas do espaço como quem acredita na promessa. Até o final deste ano, ali funcionará um grupo de estudo interdisciplinar, coordenado por ele, dedicado a pensar caminhos para a sobrevivência do homem. Serão, inicialmente, nove membros egressos das áreas de geografia, geologia e sociologia.
"Enquanto gastarmos enormes quantidades de dinheiro, de energia e de capacitação para produzirmos coisas que duram dois meses e precisam ser repostas incessantemente, não vamos avançar, diz Ribeiro, para quem a tendência é haver uma "indianização" dos nossos modos - buscaremos uma autossuficiência no município, na comunidade, nos governos e arranjos locais, no transporte de curta distância, no consumo de produtos produzidos perto de casa. "Acredito numa contração da economia. Essas cidades gigantescas que dependem de redes imensas de fornecimento de energia, água e eletricidade vão se tornar inviáveis. Caminhamos para um mundo de bairros, mais do que a um mundo de metrópoles", projeta.

Na década de 1870, um geólogo italiano, Antonio Stoppani, já argumentava que os seres humanos haviam dado início a uma nova época, a que batizou de "antropozoica". A proposta de Stoppani acabou sendo rejeitada, depois de ter sido considerada pouco científica por outros especialistas. A ideia do antropoceno, por outro lado, encontra cada vez mais eco.

Alerta

A mudança mais significativa para comprovar essa nova era é, ironicamente, invisível para nós - a alteração na composição química da atmosfera. As emissões de dióxido de carbono são desprovidas de cor, de odor e, a curto prazo, de grande ameaça. Mas seu efeito no aquecimento da atmosfera pode levar as temperaturas a níveis que não se historiam há milhões de anos.

Determinadas plantas e animais começam a seguir para regiões próximas aos polos, e essas mudanças vão deixar traços no registro fóssil. Há espécies que não conseguirão resistir ao aquecimento. O aumento nas temperaturas pode aumentar o nível dos oceanos em seis metros ou mais. Muito tempo depois de nossas cidades virarem poeira, as consequências da queima de bilhões de toneladas de carvão e petróleo ainda serão percebíveis.

"Quanto mais você olha a evidência, mais você percebe que mudanças substanciais estão acontecendo nos registros geológicos do presente", diz André Carvalho, professor do departamento de ciência ambiental da USP e autor de uma tese sobre a geografia política da água. "Algumas pessoas acham que é prematuro formalizar o antropoceno, mas mesmo elas concordam que a escala das mudanças provocadas pelos humanos, na velocidade em que tem ocorrido, está resultando numa nova época geológica".
Sem a vaidade que poderia lhe caber neste momento, Crutzen, o palestrante rebelde de outrora, vê o valor da flecha lançada por ele traduzido no esforço de que o homem pode empreender para evitar o pior. "A intenção sempre foi uma só: fazer um alerta".

Em sua sala de trabalho, no Instituto Max Planck de Química, na cidade de Mainz, na Alemanha, há um alerta discreto. Entre os muitos papéis que ocupam a parede atrás de Crutzen está um desenho, quase infantil, de uma rocha disforme e negra atingindo o solo. Iluminada pela fala do químico, ela parece assoprar em nossos ouvidos que a ação humana pode ser tão súbita e violenta quanto a chegada de um asteroide.
A Tarde - 08/03/2016 - Eron Rezende

domingo, 25 de outubro de 2015

A Biologia e a Ecologia das aves lamentam...

Por volta de 2050, todas as espécies de aves marinhas terão plástico em seus corpos. 

Confira o texto publicado na seção Mundo de Ciência da CH de outubro.
Por: Cássio Leite Vieira
Publicado em 22/10/2015 | Atualizado em 22/10/2015
Pela goela abaixo
Atobá-de-pé-vermelho ao lado de detritos plásticos. (foto: Britta Denise Hardesty) 
 
O (a) leitor(a) de CH viu, na edição 326, entrevista com uma especialista norte-americana sobre como os plásticos têm causado uma situação lastimável nos oceanos. Lá havia um alerta: não se sabe o que acontece com 99% desse material que chegam aos mares pela ação do H. sapiens. Agora, novo estudo revela onde parte dessa poluição acaba. E a descoberta é triste: em poucas décadas, praticamente todas as aves marinhas do planeta,  de todas as espécies, terão plástico em seu corpo.
Esmiuçando o problema em números mais detalhados, a equipe que desenvolveu o modelo computacional  para estudar a relação entre plásticos e aves marinhas chegou às seguintes conclusões:

i) atualmente, cerca de 90% de quase todas as espécies de aves marinhas têm plástico em seu corpo;

ii) por volta de 2050, esses percentuais serão de 95% (indivíduos) e 99,8% (espécies). o próprio título do artigo, publicado na PNAS, reforça que o problema é “global, pervasivo e crescente” – exponencialmente crescente, segundo os autores.

Mal dá para engolir esses números, de tão dessaborosos.  Mas o fato é que as aves marinhas estão ingerindo plástico. E isso causa o bloqueio do estômago dessas belas criaturas, sem contar que o material acaba sendo fonte de substâncias  tóxicas contidas  no próprio plástico ou que gru dam nesse material. Segundo os autores, a densidade de fragmentos de plásticos nos oceanos chega a até 580 mil pedaços por km2.

Ao todo, foram estudadas 186 espécies de aves marinhas (56% do total mundial), mas o modelo computacional tem capacidade de expandir suas previsões.
Até 2025, os humanos terão feito a proeza de despejar nos oceanos cerca de 150 milhões de toneladas de plástico.
 
O impacto do plástico tem a ver basicamente com duas variáveis: quantidade desse material na água e número de espécies que habitam a região. o modelo, desenvolvido pela equipe de Chris Wilcox, da organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade das Nações (Austrália), mostra que as aves que estão sob o maior risco de ingerir plástico localizam-se na região entre Austrália e Nova Zelândia – região antes considerada razoavelmente limpa e hábitat de grande número de espécies de aves marinhas – e na parte sudoeste do oceano Índico.
Até 2025, segundo Jenna Jambeck, a entrevistada da edição 326, os humanos terão feito a proeza de despejar nos oceanos cerca de 150 milhões de toneladas de plástico.

Sem hipocrisia

E antes que se invertam os papéis...o vilão não é a poluição (plástico), mas, sim,  o poluidor (H. sapiens) – deve-se lembrar que o plástico proporcionou grandes avanços para a humanidade,  ao baixar o preço de produtos, tornando-os acessíveis aos mais pobres; diminuir o peso e aumentar a flexibilidade de objetos; substituir produtos animais e vegetais, diminuindo taxas de extinção e desmatamento etc.
E, deixando a hipocrisia de lado e mergulhando fundo no problema, as causas da atual situação dos mares e das aves marinhas – em resumo, da terra – têm raízes em séculos de uma visão de mundo na qual o mais importante é só e apenas só o H. sapiens. A  natureza, na visão cartesiana até hoje muito presente, está aí para nos servir.

As grandes  utopias  (comunismo, nazismo e globalização,  por exemplo) sempre buscaram transformar os humanos, achando possível mudar sua natureza. Ironicamente, ao alçá-los ao centro e alto do mundo, criaram uma nova classe de dominados, de ‘proletários sem voz’: a fauna e a flora, que estariam aí para serem exploradas.  É o humanismo  em seu mais amplo sentido.

A conta está aí. Pior: egoísta  e mesquinhamente, para as gerações futuras

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Química- Todos os plásticos são iguais?
polimero CAPA

Passamos a entender muito melhor a vida quando estudamos química, ciência responsável por tudo que você usa e o que acontece ao seu redor!

No post de hoje vamos conhecer a respeito de um material inventado por nós para facilitar nossa vida e que possui inúmeras aplicações devido a diferentes propriedades que esse material pode ter.
Inventado por volta do ano de 1860, o Plástico, possuía flexibilidade, resistência a água, cor opaca e fácil pintura, como suas principais características.

Hoje sabemos que esse material pode ser modificado e possuir outras diversas propriedades e consequentemente aplicações.
Ainda, devido a essas evoluções foi sendo necessário preocupar com questões relativas a reciclagem do plástico, isso muito porque o plástico passou a ser altamente utilizado por substituir madeira, vidros, tecidos e papéis.. entre outros.

Como eu disse acima, os plásticos têm aplicações de acordo com suas propriedades, assim podemos citar alguns tipos de plásticos. Vamos lá? Olha abaixo se você já viu esses símbolos. Tenho certeza que sim!
Para você que é estudante e pretende fazer as provas do ENEM sabe que esse exame adora assuntos relacionados ao meio ambiente, então é muito bom ficar antenado nisso. ok?

PET (TEREFTALATO DE POLIETILENO)

PET O PET é um dos “plásticos” mais altamente utilizados comercialmente por possuir diversas aplicações, como embalagens para refrigerantes, toalhas, sacos de lixos, baldes, brinquedos, entre outros e baixo custo.
Ele é fabricado a partir do Etileno, veja a estrutura química do eteno abaixo:
Coloquei acima plástico “entre aspas” porque o nome correto para o PET e tantos outros da família seria de POLÍMEROS, plástico é um nome popular.
Já pensou, alguém dizer que vai comprar um vasilha de Tereftalato de Polietileno para sua mãe? No mínimo engraçado! : )
Os polímeros são compostos formados por uma estrutura química grande e são obtidos através de estruturas menores chamadas monômeros.
polimero
A figura acima representa bem o que é o polímero. A estrutura menor o clipe se agrupa até formar uma estrutura maior denominada polímero, assim o polímero é formado pela repetição dos monômeros na sua estrutura.
No caso do PET, o monômero é o Etileno e forma a seguinte estrutura:

O PET possui alta resistência a agentes químicos e boa flexibilidade. Aplicações que necessitam dessas características buscam o PET para o uso.
O PET pode ser reciclado gerando benefícios não somente para o meio ambiente, mas também para a sociedade e é economicamente viável.

HDPE (POLIETILENO DE ELEVADA DENSIDADE)

Entre a classificação dos polietilenos está o HDPE. Esse polímero como o próprio nome diz tem alta densidade, possui elevada cadeia carbônica e oferece assim alta durabilidade, resistência e são materiais mais rígidos.
É muito utilizado em embalagens de shampoo, detergentes entre outros.

PVC ( POLICLORETO DE VINILA)

pvc

O PVC é um polímero bastante versátil, pois em sua formulação pode ser usado diferentes tipos de componentes.
Devido a isso e por ter uma polaridade alta pode interagir com diferentes tipos de substâncias e portanto possuir diferentes aplicações.
Podemos citar, por exemplo, aplicação desse polímero em embalagens, na qual, essas podem ser rígidas ou flexíveis, transparentes ou não, variando desde tubos para construção civil a couro sintético.

LPDE (POLIETILENO DE BAIXA DENSIDADE)

O LPDE é um polímero altamente flexível e tem bastante resistência ao impacto. Tem aplicação para fabricação de sacos plásticos, tubos de laboratórios e vários tipos de recipientes.

PP (POLIPROPILENO)

polipropileno

O polipropileno é um dos materiais mais econômicos entre os polímeros, possui alta rigidez, resistência às altas temperaturas e muito importante ainda, possui fácil moldagem.
Porém, esse polímero tem baixa resistência a oxidação e pouca resistência ao impacto a baixas temperaturas.

PS (POLIESTIRENO)

poliestireno
O poliestireno possui como uma das suas principais características, baixo custo, apresenta uma elevada dureza, alta resistência ao impacto, é muito semelhante ao vidro e processamento fácil.
Esse tipo de polímero é muito usado para fabricação de potes de iogurtes, tesouras, pipetas descartáveis, entre outros.

RESTANTE DOS PLÁSTICOS

Essa categoria de plástico é englobada por:
POLICARBONATO
Lexan.png
Possui elevada resistência ao impacto, sendo muito utilizados em para-brisas e claraboias, por exemplo, material flexível e leve. Possui a característica de manutenção das suas propriedades mecânicas mesmo quando submetido a elevadas temperaturas.
BISFENOL A

O Bisfenol A tem inúmeras aplicações como em computadores, tintas, revestimento de latas de comida e bebida, entre outros.
Segundo estudos o bisfenol pode provocar alterações nos hormônios do corpo humano, podendo causar danos a saúde como infertilidade, endometriose e até câncer.
Devemos ao máximo tentar utilizar material de vidro ao invés de plásticos. Veja vídeo da campanha  contra o Bisfenol A da SBEM Nacional: