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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ben Mierement, NOAA NOS (ret.)

Plastic debris found in the deepest part of the ocean

Detritos de plástico encontrados na parte mais profunda do oceano

Plastic trash is now so pervasive, it has even made its way to the deepest part of the oceanNational Geographic reports. Scientists found a plastic bag almost 11 kilometers deep in the Mariana Trench in the Pacific Ocean while combing through a database of photos from thousands of submersible dives made over the past 30 years. One-third of all debris in the database, created to provide a record of trash in the ocean depths, were plastics, mostly single-use products. In some photos, deep-sea creatures like sea anemones were entangled in the plastic. Writing in Marine Policy, the researchers say the production of plastic waste needs to be drastically reduced to protect the deep-sea environment.


O lixo de plástico agora é tão difundido que chegou até a parte mais profunda do oceano, segundo a National Geographic. Os cientistas encontraram uma sacola plástica de quase 11 quilômetros de profundidade na Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico, enquanto vasculhava um banco de dados de fotos de milhares de mergulhos submersíveis feitos nos últimos 30 anos. Um terço de todos os detritos no banco de dados, criados para fornecer um registro de lixo nas profundezas do oceano, eram plásticos, a maioria produtos de uso único. Em algumas fotos, criaturas do fundo do mar, como anêmonas do mar, estavam enredadas no plástico. Escrevendo em Política Marinha, os pesquisadores dizem que a produção de resíduos plásticos precisa ser drasticamente reduzida para proteger o ambiente do fundo do mar.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Você sabe qual a diferença entre reciclar e reutilizar?

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Embora sejam bastante conhecidos, os conceitos de reciclagem e reutilização de resíduos ainda geram muitas dúvidas no que diz respeito à sua diferença: afinal, o que difere o ato de reciclar do ato de reutilizar? Qual das duas alternativas é mais sustentável?
 
Nesse ponto, vale lembrar que, ainda que diferentes, os dois processos são igualmente importantes em suas contribuições para o meio ambiente e a gestão de resíduos. O objetivo, afinal, é o mesmo: combater o desperdício de materiais e contribuir para a diminuição de passivos nos aterros e da exploração de recursos naturais. Ao prolongarmos a vida útil dos resíduos, tanto pela reciclagem quanto por sua reutilização, cumprimos o papel essencial de reduzir o consumo de energia e matéria-prima para a produção de novos produtos.
 
Apesar de pouco disseminada, a diferença entre os dois processos é simples de compreender. Confira os conceitos a seguir e saiba como diferenciá-los!
 

Reciclar: reprocessamento e produção de novos materiais

Quando falamos em reciclar um resíduo, a ideia central é transformá-lo em algo novo. Assim, a meta aqui é “re-ciclar”, ou seja, inserir o material em um novo ciclo de produção. Isso subentende o reprocessamento de um item com o intuito de produzir um outro produto útil. Nesse sentido, pneus antigos podem se tornar composto para asfalto e garrafas PET podem se transformar em fibra de poliéster (o chamado “tecido pet”), por exemplo. É importante acrescentar que a compostagem, ou o processamento de resíduos degradáveis como bagaços, cascas de frutas e legumes provenientes do processamento de alimentos, lodos de ETE biológicas (inclusive sanitários), materiais filtrantes agroindustriais como terra diatomácea, podas de árvores brutas ou trituradas, produtos alimentícios vencidos ou fora de especificação, restos de alimentos provenientes de restaurantes, supermercados, ceasas, entre outros, também se enquadram no conceito de reciclagem.
 
Dentre os resíduos recicláveis por outros processos estão também vários tipos de papel, metal, vidro, tecido, plástico e mesmo componentes eletrônicos. Todo o processo de conversão desses materiais elimina o desperdício, contribuindo para a redução do consumo de matérias-primas e energia e a poluição dos recursos naturais, além da emissão de gases de efeito estufa. O processo, assim, é muito mais sustentável — e econômico — do que começar um novo ciclo de produção.
 
Vale lembrar que a coleta seletiva doméstica desempenha um importante papel nesse cenário: você sabia que quando os resíduos são separados da maneira correta, o índice de aproveitamento supera os 70%? Dados do IPEA, entretanto, apontam que somente 8% das cidades brasileiras contam com a estrutura adequada para a reciclagem.
 

Reutilizar: produto usado não é lixo

A reutilização de um material, por outro lado, dispensa o reprocessamento: aqui, o item não é transformado em um novo produto, mas pode ser reaproveitado em diversas outras possibilidades de uso. Ao reutilizar um produto, você pode aplicá-lo novamente na mesma função ou não, combatendo o desperdício. Desse modo, papéis usados podem se transformar em blocos de rascunho, móveis podem ganhar novas funções, garrafas podem se tornar objetos de decoração, etc.
 
Apesar de não contribuir diretamente para a questão dos resíduos, como a reciclagem, a reutilização colabora enormemente para a gestão do lixo, reaproveitando uma matéria-prima que seria simplesmente descartada em lixões, aterros ou queimada. O processo contribui, ainda, para reduzir a exploração de recursos naturais empreendida para a produção de novos materiais.
 

Upcycling: já ouviu falar no conceito?

Agora que você já conhece a diferença entre as definições mais conhecidas de reciclagem e reutilização, há um outro conceito menos disseminado, mas não menos importante: o de upcycling. Nesse processo, produtos que estão no fim de sua vida útil adquirem um novo valor com a melhoria de sua utilidade e qualidade. Assim, materiais como fitas cassetes, sapatos velhos e embalagens de comida são submetidos a processos físicos e químicos para promover a valorização do material, aproveitando o item em sua totalidade ou o máximo possível dele. Aumentando o valor de produtos aparentemente inúteis, o upcycling, ao contrário da reciclagem, pode reaproveitar todo o material e não utiliza energia para destruí-lo e então transformá-lo em um item novo. Interessante, não?
 

Logística Reversa: responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos

A logística reversa é um dos instrumentos em prol da sustentabilidade estabelecidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), por empresas e pelo poder público. Ela é definida como “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. Em outras palavras, a indústria que lançou o produto é responsável por criar mecanismos para trazer sua embalagem de volta ou o próprio produto como no caso de pneus, por exemplo.
 
E você, já aposta em alguns dos processos na sua casa ou indústria? Repasse esse conhecimento adiante e desempenhe seu papel para um dia a dia mais sustentável!


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Poluição: lixo, esgoto e metais pesados ameaçam os rios do Brasil

Poluição_nos_rios
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Se a importância de se buscar o uso racional da água no dia a dia já é comumente disseminada no meio empresarial e entre a população, a crise hídrica em São Paulo evidencia a urgência da situação. Ainda que rios, lagos e córregos abasteçam regiões inteiras e desempenhem um papel fundamental na vida de todos, a preservação dos cursos d'água no Brasil está longe de ser a ideal.
 
De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela ONG SOS Mata Atlântica, o cenário não é nada favorável: apenas 11% dos rios brasileiros analisados foram considerados de boa qualidade, enquanto 35% receberam a classificação de “ruins” e 5% estavam em situação crítica. O restante, 49%, é considerado pela organização como regular.
 
Os piores índices encontrados pelo estudo se localizam nos centros urbanos. Falta de tratamento de esgoto, lançamento ilegal de efluentes industriais e desmatamento, são as principais fontes de contaminação e poluição dos recursos hídricos.
 
Os melhores índices, por sua vez, estão em áreas protegidas pela lei, como a bacia do Alto Tietê, na Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos, em São Paulo; em Extrema (MG), na APA Fernão Dias e no Espírito Santo, no município de Santa Teresa, conhecido como Santuário Capixaba da Mata Atlântica. O levantamento foi realizado em 177 pontos de 96 rios em sete estados brasileiros.

De onde vem a poluição?

Convenções internacionais estabelecem que qualquer tipo de material ou substância que interfira no equilíbrio de um determinado ecossistema é considerado um poluente. Neste sentido, a degradação dos nossos rios possui várias causas, inclusive o comportamento inadequado ou conivente da população ao fazerem o descarte de seus resíduos de forma irregular ou não cobrarem de empresas e governos uma postura mais sustentável.
 
No caso das águas, os principais e mais comuns poluentes são esgoto doméstico, petróleo e seus derivados, metais pesados, substâncias organocloradas (poluentes orgânicos persistentes) e o lixo. Veja abaixo como cada um dos fatores impacta na sociedade e como você pode fazer para diminuir o dano ao recurso natural mais precioso do planeta:

Esgoto doméstico

Com o lançamento do esgoto ou efluente doméstico não tratado nos rios, há um aumento da matéria orgânica na água, o que faz com que o equilíbrio local seja afetado, ocorrendo o aumento de determinados microrganismos e a dificuldade de desenvolvimento de outros. Esse processo, conhecido como eutrofização, pode levar ao surgimento de microalgas e ao sufocamento de peixes e outras espécies, além da transmissão de doenças presentes nas fezes humanas para outros consumidores da água. Sem citar o fato de que o esgoto doméstico pode estar contaminado com substâncias tóxicas não orgânicas.
 
Neste caso, é preciso conhecer bem qual a destinação correta para cada tipo de esgoto produzido pela residência/indústria, além de procurar se informar sobre a existência ou não de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) na região e sua eficiência.

Efluentes industriais

O lançamento de efluentes provenientes das atividades industriais em rios, lagos e córregos provocam um sério desequilíbrio no ecossistema. As alta cargas poluentes presentes nesse tipo de resíduo provocam efeitos tóxicos nos seres vivos do local, podendo se acumular em seus organismos, influenciando também a rotina do ser humano, podendo causar doenças e, em casos mais graves, até a morte. Veja mais em nosso artigo “Conheça as doenças causadas pelo “não tratamento” do esgoto.

Metais pesados

Geralmente resultantes de processos industriais, substâncias como o mercúrio, o chumbo e o cádmio são classificados como metais pesados e têm uma capacidade tóxica altíssima. Eles se acumulam no organismo e podem causar sérios problemas, como câncer ou outras doenças.
A medida para se evitar esse tipo de desastre cabe às indústrias: todo os rejeitos do processo produtivo devem ser corretamente destinados. Além disso, essas empresas precisam ser fiscalizadas e monitoradas. Caso a indústria não realize o tratamento adequado, esses metais serão lançados nos rios, contaminando todo o curso de águas.

Poluentes Orgânicos Persistentes (POP)

Os poluentes orgânicos persistentes (POP) são organoclorados que não se degradam facilmente na natureza e surgem da produção de pesticidas e plásticos. Um exemplo de POP é o DDT, muito usado na década de 70 em produtos de controle de pragas agrícolas. Atualmente, como seus efeitos altamente nocivos são conhecidos, ele é proibido. Mas é papel do consumidor sempre verificar se há presença desse tipo de substância naquilo que consome.

Lixo

Se em terra firme o lixo mal destinado já traz sérias consequências, imagina em alto mar, sem o menor controle? Através das praias ou mesmo de esgotos sendo despejados diretamente nos rios, o lixo chega diretamente à fauna marítima, sem contar as embarcações, tais como veleiros, cargueiros ou navios turísticos, que despejam seus resíduos nas águas. Nesse cenário, os animais muitas vezes confundem plástico e vidro com seus alimentos naturais e morrem engasgados ou sufocados.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Lixo nos mares

Levados para os oceanos pelo vento, os resíduos sólidos gerados por atividades humanas já são um grave problema social e ambiental. Conservação marinha e boa gestão podem auxiliar a reduzir esse impacto. 
 
Por: Andréa de Lima Oliveira, Flávia Cabral Pereira e Alexander Turra
Publicado em 09/04/2014 | Atualizado em 09/04/2014
Lixo nos mares
O problema do lixo marinho envolve fontes terrestres e marítimas de lixo e diferentes locais de acúmulo, como praia, mar costeiro e oceano aberto. Resíduos perigosos põem em risco os usuários da praia. (foto: Flickr/ epSos .de – CC BY 2.0) 
 
O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado ‘giro’ do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as correntes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes ‘lixões’ oceânicos.
Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estudo do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mundo, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos engajados na luta pela diminuição desse problema social e ambiental.

Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos
Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas somente em 1975 foi definido o termo ‘lixo marinho’, hoje consagrado. Essa definição, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho todo material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, córregos, esgotos e descargas domésticas e industriais.
Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são comumente classificadas como ‘marinhas’ (descartes por embarcações e plataformas de petróleo e gás) e ‘terrestres’ (depósitos e descartes incorretos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo).
Tartaruga presa em rede
A rede de pesca, emaranhada na tartaruga marinha, pode prejudicar seus movimentos e provocar sua morte. (foto: Noaa Marine Debris Program)
O número de publicações, científicas e não científicas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980, segundo Christine Ribic, bióloga norte-americana e uma das principais pesquisadoras da área.
Ribic atribui esse aumento a três processos: 1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a se acumular; 2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarte no ambiente e 3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho.

Compromissos e atitudes

Os estudos sobre o volume de resíduos no mar e os impactos à fauna levaram à realização, nos Estados Unidos, de Conferências Internacionais de Lixo Marinho, organizadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa, na sigla em inglês). As conferências ajudaram a consolidar a ideia de que o problema do lixo marinho deve ser reconhecido e enfrentado pelo poder público e por indústrias, pescadores, marinha mercante, militares e a sociedade em geral, e ainda agilizaram trocas de informação entre os pesquisadores e os tomadores de decisão.

O problema do lixo marinho deve ser reconhecido e enfrentado pelo poder público e por indústrias, pescadores, marinha mercante, militares e a sociedade em geral
O número de participantes – inclusive de países – vem aumentando, como mostrou a última Conferência Internacional de Lixo Marinho, realizada em 2011, no Havaí, que teve o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Esse encontro gerou dois documentos importantes: o Compromisso de Honolulu e a Estratégia de Honolulu.

O primeiro é uma lista com 12 atitudes/ações que objetivam reduzir a geração de lixo marinho. Ao assinar esse documento, a nação, empresa ou indivíduo assume publicamente o compromisso de combate ao problema. Já a Estratégia de Honolulu consiste em um roteiro de medidas elaborado para orientar a sociedade civil, o poder público e o setor privado a planejar e executar suas ações nesse campo, incluindo a troca de informações e o aprendizado mútuo. Inclui três eixos de ação: reduzir o lixo marinho gerado em terra, reduzir o lixo marinho gerado no mar e remover o lixo acumulado no ambiente marinho.

Proteção do mar na ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) foi criada, em 1945, com o objetivo de promover a paz e o desenvolvimento dos países, mas nas décadas seguintes expandiu sua área de ação. Em 1972, criou uma comissão sobre meio ambiente e desenvolvimento, a qual, em 1987, publicou o relatório ‘Nosso futuro comum’ – chamado de Relatório Brundtland. O nome homenageia a então primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, que presidiu a comissão.
Albatroz
O albatroz foi morto provavelmente pela ingestão acidental de plástico. (foto: USFWS Headquarters)
O relatório criticou o sistema de produção mundial e o próprio conceito de desenvolvimento, sugerindo uma mudança na forma como as nações buscavam seu crescimento econômico. Para a comissão, os governos deveriam adotar um modelo de desenvolvimento capaz de “satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as próprias necessidades” – ou seja, um desenvolvimento sustentável.

Em 1992, como desdobramento do Relatório Brundtland, foi promovida a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como Eco-92, ou Rio-92, por ter ocorrido no Rio de Janeiro. O encontro mundial gerou um documento, a Agenda 21, contendo compromissos que os países deveriam adotar para proteger o meio ambiente. Entre eles estavam mudanças nos padrões de consumo, manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e proteção dos oceanos, mares e zonas costeiras, temas que se relacionam com a diminuição da geração de lixo marinho.
Dando sequência às iniciativas da ONU contra a degradação do ambiente marinho, o PNUMA criou, em 1995, o Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Situadas em Terra (GPA, na sigla em inglês). Esse programa inovou ao apontar a conexão entre os ambientes marinho e terrestre e buscou orientar as nações no sentido de reduzir as fontes de degradação dos oceanos oriundas de atividades humanas realizadas em terra.

Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 313. Clique aqui para acessar uma edição resumida da revista e ler o texto completo.

Andréa de Lima Oliveira
Flávia Cabral Pereira

Programa de Mestrado em Oceanografia
Instituto Oceanográfico
Universidade de São Paulo
Alexander Turra
Laboratório de Manejo, Ecologia e Conservação Marinha
Instituto Oceanográfico
Universidade de São Paulo

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Meio ambiente na mira da população

Pesquisa mostra que atualmente os brasileiros estão mais preocupados com as questões ambientais. O desmatamento e a poluição da água são apontados como os problemas mais urgentes a serem resolvidos.
Por: Fernanda Braune
Publicado em 13/06/2012 | Atualizado em 13/06/2012
Meio ambiente na mira da população
Estudo aponta a crescente preocupação dos brasileiros com o meio ambiente, porém mais da metade da população não tem acesso à coleta seletiva do lixo. (foto: Felipe Corrêa da Silva Sanches e Rafael Humberto de Lima Moretti – CC BY-SA 2.5)
Em época de Rio+20, conferência sobre desenvolvimento sustentável iniciada hoje (13/6) no Rio de Janeiro, o debate sobre questões ambientais tem ganhado força na sociedade. Mas você se preocupa com o meio ambiente? Já mudou algum hábito de consumo para ter um comportamento mais ecológico? Tem o costume de fazer coleta seletiva? Essas foram algumas das perguntas respondidas em uma pesquisa feita pelo Ibope e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os resultados mostraram que a população brasileira está mais atenta à questão ambiental. Em comparação com estudo semelhante feito em 2010, o número de pessoas preocupadas com o tema subiu de 80% para 94%.

O número de pessoas preocupadas com o meio ambiente subiu de 80% em 2010 para 94% em 2011
A pesquisa, realizada entre os dias 2 e 5 de dezembro de 2011 e divulgada em maio deste ano, ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em 141 municípios de todas as regiões do Brasil.
Entre os problemas que mais exigem cuidados estão o desmatamento – apontado por 53% dos entrevistados – e a poluição da água – citada por 44%. Essas prioridades, no entanto, são invertidas em algumas regiões do país, como o Nordeste, que dá mais atenção à qualidade da água.
Segundo o gerente de meio ambiente e sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, esse resultado traduz a heterogeneidade das opiniões da população brasileira. Ele ressalta que o governo, junto com o setor industrial, deve atender às diferentes demandas.

O estudo também mostrou que a preocupação com o meio ambiente é maior entre as pessoas com nível de escolaridade mais alto. A questão ambiental preocupa 99% dos entrevistados com nível superior, enquanto entre os que cursaram até o 5º ano do ensino fundamental esse percentual é de 88%.
Em relação à faixa etária, os jovens são os que mais se preocupam com os problemas ambientais no Brasil. O resultado é explicado pelo fato de esse tema ser muito atual e estar na pauta de várias escolas e universidades.

Reciclagem e coleta seletiva

Outro ponto analisado pelo estudo foi a relevância da reciclagem, considerada muito importante por 67% dos entrevistados e importante por 31% deles. Apesar disso, menos da metade (48%) das pessoas diz ter acesso à coleta seletiva de lixo.
“Nós ainda estamos muito longe dos países desenvolvidos no que diz respeito à reciclagem e, por isso, é necessário uma participação integrada da indústria, da sociedade civil e do governo para que possamos avançar nesse campo”, ressalta Carneiro.
A pesquisa também verificou a opinião dos brasileiros sobre o aquecimento global. De acordo com os resultados, 93% dos entrevistados reconhecem que a temperatura do planeta está aumentando e que esse problema está associado a atividades realizadas pelo ser humano.
Torneira pingando
Reduzir o desperdício de água é uma das principais atitudes das pessoas na tentativa de colaborar com a preservação do meio ambiente. (foto: Stephen Davies/ Sxc.hu)
Ao avaliar de que forma as pessoas contribuem – ou poderiam contribuir – com o meio ambiente, o estudo revelou que mais da metade dos entrevistados está disposta a pagar mais caro por produtos que sejam ambientalmente corretos. No entanto, apenas 18% deles efetivamente mudam seus hábitos de consumo para serem mais ecológicos. A maioria das atitudes que as pessoas dizem adotar está relacionada à contenção de custos pessoais, como economizar energia elétrica e reduzir o desperdício de água.

“Somos um país em desenvolvimento e temos muitas famílias que estão saindo da miséria; então, qualquer custo adicional no orçamento dessas pessoas causa um receio”, explica Carneiro, que acredita que a falta de informação também ajuda a explicar essa estatística.
O gerente da CNI ressalta ainda que o maior desafio do Brasil é atingir o desenvolvimento sustentável. “Isso só poderá acontecer com educação e informação disponíveis a todos e um empenho nacional em fazer do país um lugar melhor para viver”, completa.

Fernanda Braune
Ciência Hoje On-line

terça-feira, 18 de outubro de 2011

  Fósseis quase soterrados pelo lixo na Alemanha

Mina de Messel: do lixo ao luxo

Por pouco um dos principais depósitos de fósseis da Europa não virou um grande aterro sanitário. Em sua coluna de outubro, Alexander Kellner conta a história de uma região na Alemanha salva pela mobilização da sociedade alemã e da comunidade científica internacional. 
 
Por: Alexander Kellner
Publicado em 17/10/2011 | Atualizado em 17/10/2011
Mina de Messel: do lixo ao luxo
Vista panorâmica da mina de Messel, na Alemanha. A tentativa de transformar a região, que abriga um importante depósito fossilífero, em um lixão sucumbiu às manifestações populares. (foto: Alexander Kellner)
Pode até parecer obra de ficção: uma região extremamente importante para o conhecimento científico sendo destruída devido a interesses econômicos de uma poderosa sociedade capitalista. E o enredo não se passa em qualquer país, mas na respeitada Alemanha, que, além de ser uma potência econômica, tem uma sociedade com elevado grau de instrução.

Isso aconteceu com a mina de Messel. Ou melhor, ‘quase’ aconteceu, graças a uma grande articulação da sociedade, que contou, inclusive, com fundamental apoio da comunidade científica internacional.
A mina de Messel situa-se 35 km a sudeste da cidade de Frankfurt e pertence à região de Darmstadt. Conhecida desde 1859, essa mina foi inicialmente explorada devido a um pequeno depósito de carvão. Posteriormente, destacou-se na economia alemã por causa da exploração de petróleo e parafinas, que aconteceu entre 1885 e 1924. Nessa época, a mina chegou a produzir perto de 40% de toda a produção de óleo da Alemanha.

Além do valor econômico, foram encontrados fósseis nas rochas. O primeiro registro data de 1876 e era formado por ossos de um crocodilomorfo.
Crocodilomorfo fóssil
Crocodilomorfo fóssil encontrado na mina de Messel. (foto: Alexander Kellner)
Estima-se que mais de 50 mil fósseis já foram coletados na mina, desde peixes e plantas (que são os mais comuns) até raridades como cavalos pré-históricos, aves, morcegos e até um primata. Alguns deles têm, inclusive, restos de tecidos moles, como membranas, pelos e penas, sem contar alguns insetos que exibem a sua coloração original.
Mas como se formou esse importante depósito fossilífero?

Um lago subtropical

Pode parecer estranho, mas essa pergunta sobre a formação do depósito de Messel somente foi respondida em 2001, por meio de uma técnica chamada furo de sondagem. De forma simplificada, o procedimento – muito utilizado na prospecção de petróleo – consiste em fazer um furo nas rochas e retirar amostras das camadas que se encontram abaixo da superfície.
A amostra recolhida (chamada de testemunho) vem em forma de um longo tubo com mais ou menos um palmo de diâmetro que permite estabelecer, por exemplo, se na região havia um rio, um lago ou um vulcão. No caso da mina de Messel, esse tubo tinha 433 metros de comprimento.
Há aproximadamente 47 milhões de anos havia um vulcão na região que entrou em erupção
Os geólogos puderam então estabelecer que há aproximadamente 47 milhões de anos havia um vulcão na região que entrou em erupção, literalmente espalhando pelos ares as rochas graníticas (e extremamente duras) da região. Formou-se, então, uma grande cratera, que foi preenchida por água e, em curto espaço de tempo, transformou-se em um lago.
Naquela época, o clima era bem mais quente que o atual, em uma região considerada subtropical. Algas começaram a povoar o lago recém-formado, levando a um grande acúmulo de matéria orgânica. O fundo era desprovido de oxigênio e armazenava gases tóxicos, alguns possivelmente oriundos de uma contínua atividade vulcânica.
De tempos em tempos, esses gases tóxicos chegavam à superfície, matando grande parte dos organismos existentes no lago e ao redor dele. Aliás, existem pesquisadores que veem similaridades entre as mortandades ocorridas há 47 milhões de anos naquela região da Alemanha com o que aconteceu, por exemplo, no lago Nyos, em Camarões, onde a liberalização de gases tóxicos causou em 1986 cerca de 1.700 mortes – sem contar os animais e plantas.

O depósito de lixo

A exploração econômica da mina de Messel deixou de ser rentável e ela parou de funcionar em 1962. Mas seu conteúdo fossilífero continuou atraindo a atenção de pesquisadores.
Escavação na mina
Escavação em andamento na mina de Messel. Atualmente a região é usada no treinamento de paleontólogos e explorada apenas para o conhecimento científico. (foto: Alexander Kellner)
Tudo ia bem até 1971, quando o governo do estado de Hessen, onde fica Darmstadt, decidiu fazer ali um depósito de lixo.
Ao saber dessa iniciativa, a população local organizou-se em diversos movimentos, que se tornaram mais oficiais a partir de 1975. Panfletagem, cartas a políticos e um apelo ao chanceler alemão da época, Helmut Schmidt, foram algumas das medidas tomadas. Também houve um importante engajamento da comunidade científica alemã e internacional na forma de abaixo-assinados e dezenas de manifestações públicas.
Quando tudo parecia sob controle, aconteceu o inesperado: as obras do ‘lixão de Messel’ foram iniciadas, contra a vontade popular, em 1981.
Protestos intensificaram-se e bons samaritanos iniciaram – custeando do próprio bolso – mais de 50 processos contra os governantes de Darmstadt. No meio de pequenos avanços e derrotas, houve de tudo, até mesmo uma tentativa de cooptar os pesquisadores, dando-lhes o direito de continuar as atividades de pesquisa em 10% da área pelos próximos 20 anos a partir de 1983. Em 1987, as obras terminaram e o depósito de lixo estava pronto para entrar em funcionamento.

Vitória da preservação

Quando tudo parecia perdido, finalmente a vitória: a Justiça determinou que, apesar dos 65 milhões de marcos (moeda corrente na época) investidos, o ‘lixão de Messel’ não poderia entrar em funcionamento.
Em 1995, a mina de Messel foi reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade
Agora o frustrante: seria pelo valor científico daquelas camadas? Ou pelos eventuais danos que pudessem acontecer ao meio ambiente ou à população local? Ou por alguma dificuldade de natureza técnica descoberta na última hora? Não. O funcionamento foi indeferido porque... houve “defeitos jurídicos” nos procedimentos que levaram à autorização do funcionamento daquele depósito de lixo.
Bom, sem entrar no mérito dos ‘porquês’ da negativa, fato é que a comunidade e os pesquisadores não perderam tempo: fizeram um pleito e conseguiram que, em 1995, a mina de Messel fosse reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.
Depois disso, foi estabelecido um geoparque no local, o que lhe garante proteção para as gerações futuras, desde que os governos mantenham o seu compromisso de preservar a região...
Turistas na mina de Messel
Dois turistas seguram um fóssil na mina de Messel. A região é aberta ao público, que tem a possibilidade de aprender detalhes sobre esse importante jazigo fossilífero. (foto: Alexander Kellner)
Felizmente podemos destacar que isso ocorreu. Desde 2010, existe na área um centro moderno, onde toda a história – tanto do surgimento do depósito quanto da sua defesa – é apresentada ao visitante.
Quem estiver na Alemanha e puder passar por lá não perde a viagem.

domingo, 14 de agosto de 2011

Amigos do meio ambiente

11/08/2011
Agência FAPESP – A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo vai premiar seus hospitais, institutos, fundações e autarquias que se destacaram em ações de qualidade ambiental, entre os anos de 2010 e 2011.
Além de premiar, a condecoração, denominada “Amigo do Meio Ambiente”, tem como objetivo estimular os órgãos da pasta a desenvolverem, em seus locais de trabalho, uma cultura de preservação ambiental, adotando soluções práticas e ecologicamente viáveis.
Entre os exemplos de ações estão a reciclagem de materiais, coleta seletiva de lixo, educação ambiental para a comunidade, redução do uso do mercúrio, plantio de árvores, tratamento de efluentes, economia no uso de água e energia elétrica e gerenciamento de resíduos perigosos.
Para concorrer ao prêmio, os órgãos interessados devem apresentar, até o dia 2 de setembro, um projeto descritivo sobre as ações. Os trabalhos serão julgados por uma comissão nomeada pela assessoria de comunicação social da Secretaria, e os vencedores receberão uma placa decorativa.
Os órgãos contemplados serão conhecidos na abertura do 4º Seminário Hospitais Saudáveis 2011, evento a ser realizado no dia 26 de setembro.
Mais informações: www.saude.sp.gov.br/resources/geral/acesso_rapido/reg_amigo_do_meio_ambiente_2011.pdf